sábado, março 15, 2008

Playa Zancudo/Golfito - Costa Rica

Após duas noites na capital costarriquenha, San José, o surfista brasiliense Carlos Leite e sua namorada seguiram para o sul do país em um monomotor Cessna Caravan. A aeronave da empresa aérea Sansa parte do aeroporto internacional Juan SantaMaría, em Alajuela, e é uma opçao relativamente barata às péssimas estradas locais.


De aviao, gastando a partir de US$ 69 (tarifa promocional, comprada com bastante antecedência), é possível fazer em uma hora o percurso que, de carro, tomaria em torno de sete horas e, de ônibus, todo um dia. A experiência de sobrevoar a bem-preservada regiao de Golfito em uma pequena aeronave por si só vale o custo da passagem.

De Golfito à praia de Zancudo há duas alternativas. Ou pegar um ônibus e dar uma grande volta ou apanhar, ao meio-dia, a lancha pública que atravessa a baia em menos de meia hora. Qualquer que seja a opcao, vale a pena, se possível, checar antes os horários de transporte. No caso de Leite e sua namorada, que só chegaram a Golfito já no meio da tarde, a sorte contou a favor, pois puderam aproveitar uma lancha particular que saia para levar um norte-americano e que lhes cobrou muito menos que os habituais US$ 40 por pessoa.

Em Zancudo nao é difícil encontrar onde se hospedar. Há várias alternativas ao longo da principal e única estrada de terra que atravessa o local. Algumas estao mais próximas ao cais onde as lanchas atracam, mas há várias cabinas, pousadas e hotéis numa distância de três quilômetros. Carlos Leite se hospedou na Macondo, onde, além das suítes, funciona um legítimo restaurante italiano.
-
Todo o esforço para chegar é recompensado pela beleza de uma praia ainda pouco explorada pelos turistas. Além de caminhar com sua namorada por uma praia semi-deserta, Leite pode experimentar a sensaçao de surfar sozinho, escolhendo as ondas que queria pegar.

quinta-feira, março 13, 2008

San Jose - Costa Rica

Antes de partir rumo ao Pacifico, o surfista brasiliense Carlos Leite decidiu passar alguns dias na capital costarriquenha, San Jose. Ele e sua namorada se hospedaram no albergue da juventude Pangea Hostel (US$ 30 o casal) e, demonstrando que seus interesses excedem o surf, partiram para conhecer alguns pontos turisticos da capital e, principalmente, como o proprio Leite afirmou em seu mais desavergonhado portunhol. "observar o cotidiano de los josefinos".


Pela proximidade com o albergue, Leite e sua namorada iniciaram o passeio pelo Museu de Los Ninos (avenida 9 com calle 4). Transformado em um importante equipamento cultural, o "castelo" abrigava a antiga penitenciaria central. Hoje, alem de um local dedicado as criancas (acesso pago), abriga uma galeria onde artistas plasticos costarriquenhos e estrangeiros expoem suas obras. A visita ao patio central e as galerias e gratuita. Alem do que, ali funciona o Cafe del Museo, onde Leite e sua namorada gastaram menos de US$ 4 (1.900 colones a um cambio de 500 por US$ 1) para almocar.
-
Do museu, Leite seguiu para as pracas de La Cultura e de La Democracia, dois pontos de grande movimento na capital. Tambem visitaram o Teatro Nacional, inaugurado em 1897, onde o surfista posou para fotos ao lado de figuras igualmente ilustres em suas respectivas carreiras.




Leite e namorada tambem se perderam nos corredores do Mercado Central, patrimonio historico cultural josefino, e passearam pelo bairro Otoya, onde, seguindo rumo ao Zoologico Nacional Simom Bolivar, admiraram casas antigas, visivelmente inspiradas na arquitetura europeia.










A noite, sem muitas opcoes, o casal tentou, sem sucesso, se comunicar com viajantes de varias partes do "mundo mundial", gastando seu parco ingles. De qualquer forma, o bar do Pangea oferece cafe gratuito todo o tempo e computadores com acesso a internet, alem de uma fauna humana bem diversificada.

O plano de Leite: seguir de aviao ate Golfito, no sul do pais, e, de la, apanhar um barco ate a praia de Zancudo.
Pura Vida!

sexta-feira, março 07, 2008

Sexta-feira, 07 de marco de 2008


Sete horas de voo separam o aeroporto de Guarulhos, em Sao Paulo, do Aeroporto Internacional Juan Santa Maria, em Alajuela, na Costa Rica, America Central. A partir do Brasil, e possivel viajar escolhendo entre duas companhias aereas.

-

A Taca costuma cobrar sempre alguns dolares a mais do que sua concorrente, a Copa Air, que alem de mais barata e de fazer escala em Panama City - ao contrario da Taca, que voa por Lima, no Peru - deixou de cobrar pelo transporte de pranchas desde que o peso nao exceda o limite estabelecido para voos internacionais. Exemplo a ser seguido por outras companhias, inclusive brasileiras. Ainda mais porque ja ha um projeto de lei neste sentido tramitando no Congresso.

-

A cidade de Alajuela e a porta de entrada para a Costa Rica. Para os mais afoitos, e possivel inclusive ir dali direto as praias, seja as da costa do Pacifico, seja as do Caribe. No meu caso, optei por comecar a viagem pela capital, San Jose. Da para sentir a real de viver na Costa Rica, o cotidiano do seu povo, ja que, diferentemente do que acontece no litoral, nao ha tantos gringos pelas ruas e ainda se ouve mais o espanhol que qualquer outro idioma, sobretudo o ingles.

-


Onibus ligam Alajuela a San Jose por menos de 1 dolar, mas para quem estiver carregando sua prancha, o melhor e ou apanhar um taxi por, em media, 20 dolares, ou, para quem, como eu, vai se hospedar em albergues - hostels ou backpacker, como sao conhecidos aqui - combinar previamente o traslado - ou shutler - na hora de reservar um quarto. Em media, em San Jose, os albergues cobram 8 dolares por pessoa, mais 4 dolares pela capa com pranchas.

-


Na capital tambem ha opcoes de hospedagem para todos os bolsos. Nao apenas por uma questao de economia, mas principalmente de oportunidade de se relacionar com pessoas de culturas distintas. Em San Jose, os dois mais conhecidos sao o Toruma e o Pangea.

-

Bem, o resto vai ter de ficar para depois, pois ja estao desligando os micros e eu nem sequer descobrir as teclas certas para pontuar este texto.

domingo, março 02, 2008

domingo, 02 de março de 2008


Férias

A segunda vez é sempre a melhor. Mesmo quando sua segunda é a primeira dela.
Nesses casos, você deve tirar vantagem da experiência prévia, do fato de estar menos ansioso, para garantir que ela, desde a sua primeira vez, fique tao satisfeita quanto você. Isso porque embora a vida nos reserve grandes surpresas (como você, a esta altura, se dar ao luxo de uma segunda vez), embora a vida seja espetacularmente surpreendente, nada é capaz de te garantir uma terceira viagem a Costa Rica. Por outro lado, é fácil prever que ela, da mesma forma que você há apenas um ano e meio, vá querer uma segunda, quiçá, várias outras.
Como dizem por aqui, Pura Vida.


quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Brasileiros buscam trabalho e euros na Guiana Francesa
-
Todos os dias, brasileiros deixam a capital do Amapá em direção ao norte do estado. Viajam 600 quilômetros de ônibus ou em carros particulares até chegarem a Oiapoque, de onde muitos planejam cruzar a fronteira marítima e chegar à cidade de Saint-George de L´Oyapock, na Guiana Francesa. De voadeira (pequeno barco a motor), a travessia do Rio Oiapoque dura cerca de 15 minutos.
-
Atraídos pelo euro – a moeda européia é utilizada no departamento ultramarino francês e bem aceita pelos comerciantes do lado brasileiro –, eles sonham em deixar para trás a pobreza e a falta de emprego. O principal destino dos que conseguem passar pela vigilância dos policiais locais e franceses é o entorno da capital, Caiena.
-
Deputados do estado estimam que pelo menos 40 mil brasileiros vivam na Guiana Francesa. Não são apenas amapaenses, mas também paraenses, maranhenses e, em menor número, de outros estados. A estimativa, no entanto, pode estar muito abaixo da realidade, já que não há como saber o número real de brasileiros que moram e trabalham ilegalmente no país.
-
Ao se encontrar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, na última terça-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os legalizados chegam a 20 mil. Muitos destes imigraram durante a década de 1960, quando o próprio governo local, necessitando de mão-de-obra para construir a base espacial de Kourou, incentivava brasileiros a irem trabalhar na construção civil.
-
Hoje, sem documentos, os brasileiros se sujeitam ao trabalho informal, principalmente nos garimpos clandestinos. Para as mulheres, há, na melhor das hipóteses, o trabalho na casa de famílias guianenses. No pior dos casos, a prostituição.
-
Em abril de 2007, três deputados que integram a Comissão de Relações Exteriores e Defesa do Amapá foram a Oiapoque a fim de apurar as denúncias de abusos cometidos por policiais franceses e guianenses, na tentativa de impedir a entrada ilegal de brasileiros no território francês pelo Rio Oiapoque.
-
Além de maus tratos contra catraieiros – os pilotos das lanchas que transportam cargas e pessoas de um lado para outro da fronteira –, os parlamentares colheram histórias que indicam que jovens são arregimentadas em Macapá e cidades do interior para se prostituírem em Caiena.
-
Atual presidente da Comissão, o deputado estadual Paulo José (PR) disse que a imigração, mesmo ilegal, gera recursos investidos no estado pelas famílias de imigrantes, que enviam parte do que ganham. Os problemas sociais na fronteira, no entanto, trazem prejuízos muito maiores, afirmou.
“Além dos danos materiais e físicos, do constrangimento a que os brasileiros são submetidos quando tentam atravessar o Rio Oiapoque, vimos que o fluxo migratório tem estimulado a prostituição, o tráfico de drogas e a infecção por doenças graves”, contou o deputado, ao explicar os riscos que alguns correm para chegar à Guiana Francesa.
“Há barqueiros que conhecem bem a região e os locais das patrulhas de fronteira. Por dinheiro, eles levam as pessoas até um ponto qualquer, de noite, e muitas vezes as deixam escondidas com água pela cintura. As pessoas ficam ali, segurando uma sacola com os poucos pertences sobre a cabeça, até terem certeza de que não há policiais por perto e que podem sair e se embrenhar no mato. As patrulhas descobrem os caminhos, destroem, mas as pessoas logo abrem outras trilhas”, acrescentou.
Para o deputado, a diplomacia brasileira não age para regularizar a situação: “Posso afiançar que o Itamaraty tem virado as costas para o problema da migração Amapá-Guiana Francesa. Não há ação efetiva que possa coibir ou ao menos minimizar o problema dos brasileiros”.
-
-
-Saiba Mais:
-

domingo, janeiro 20, 2008

Domingo, 20 de janeiro de 2007

Segredos da Amazônia
Do princípio, ou seja, da última terça-feira (15). Belém do Pará me surpreende pelas casas de frontaria azulejada ainda habitáveis, muitas delas bem-conservadas, algumas servindo ao comércio de badulaques e grifes da moda. Dizem que dei sorte, pois o clima estava ameno, com a temperatura bem abaixo do normal para esta época do ano. Sorte também ao encontrar uma boa sorveteria para experimentar os deliciosos e comentados sorvetes paraenses, como o "mestiço", mistura de açaí com tapioca.

De Belém a Santarém, ainda no Pará. Da capital em si, nada a dizer, já que não desci do ônibus em que segui por 30 quilômetros até a vila de Alter do Chão. Ainda não conhece? Não tarda e vais ouvir falar do lugar. Localizado às margens do Rio Tapajós, o balneário foi escolhido pela revista Veja como um dos destinos turísticos mais bonitos do país.

















Alter do Chão (PA)

A prefeita de Santarém, Maria do Carmo Martins Lima (PT) me diz que, para o período entre fevereiro e maio deste ano, são aguardados 33 navios de turistas vindos de diversas partes. (Vai sonhando Santos).

“Alter do Chão é um roteiro obrigatório de turismo na região. Recebemos muita gente que vem de Manaus, mas também da América Central, do Caribe, dos Estados Unidos. Grandes navios aportam aqui todos os anos, mas nós ainda precisamos de saneamento de qualidade para darmos, tanto aos turistas quanto aos moradores, o atendimento que eles merecem. Enquanto isso não chega, vamos fazendo arranjos de natureza social que fazer com que possamos sonhar com aumentar nosso fluxo de turistas ”.

Menos de dez horas após chegar a Santarém eu já estava embarcando rumo a capital amazonense, Manaus, onde voltei a encontrar o governador Eduardo Braga (PMDB). Eita sujeitinho safo, esse. Goza de popularidade entre a população e entre integrantes do governo federal, o que, junto a importância estratégica da Amazônia, explica a razão das visitas recentes de três ministros ao estado: Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) e Gilberto Gil (Cultura).


foto: Wilson Dias (Agência Brasil)
Tive a oportunidade de ver e falar com Gil e me surpreendeu a antipatia com que tratou aos repórteres. Talvez fosse o cansaço da viagem, ou de ter tocado no Festival de Verão de Salvador um dia antes. O fato é que, na sexta-feira, ele parecia mais animado ao ser convidado a cantar uma música em uma rádio-poste.

(Rádios-poste transmitem utilizando um sistema muito simples e limitado, ou seja, alto-falantes instalados em postes. Neste caso, a rádio em questão funciona na comunidade ribeirinha de Boca do Mamirauá, localidade com 15 casas e 64 habitantes distribuídos por uma área menor que uma quadra de Brasília ou um quarteirão, na qual as pessoas dividem o espaço com vacas e bois. Segundo um dos responsáveis pelo serviço, a rádio foi instalada para facilitar a comunicação, já que antes, quando havia necessidade de informar todos sobre algo, era preciso “ir de casa em casa”. Sem dúvida, o seu Joaquim, 76 anos vividos no local, irá comentar ainda por muitos anos o dia em que Gilberto Gil tocou naquele lugar com um violão em petição de miséria).

Graças à criação da Reserva Ecológica Mamirauá, em 1990, um monte de gente, principalmente estrangeiros, conhece o Seu Joaquim ou algum dos quase 11 mil habitantes dos mais de um milhão de hectares do local. Primeira reserva de desenvolvimento sustentável do país, Mamirauá foi criada para proteger o macaco uacari, na época, ameaçado de extinção. Hoje, os responsáveis e moradores da região vêem com bons olhos o ressurgimento de onças, espécie que ocupa o topo da cadeia alimentar. A presença do felino é um indicador de que a fauna se recompôs.

Para passar um dia em um dos 10 apartamentos da pousada flutuante Uacari, ligada ao programa de ecoturismo do Instituto Mamirauá, organização responsável pela gestão da reserva, o interessado vai gastar R$ 300 a diária.

O pacote inclui além da hospedagem, café-da-manhã, almoço e jantar, transporte de e para Tefé, trilhas pela mata e outras atividades.

domingo, janeiro 06, 2008

domingo, 06 de janeiro de 2008

Vestígios engavetados
Sobrevivi a dezenas de entrevistas de emprego
A pelo menos uma centena de horas em filas de repartições públicas,
A patrões, gerentes, encarregados, candidatos,
A pastores, pesquisadores e a toda a sorte de puxa-sacos.
Sobrevivi à distância física e temporal. À espera.
Sobrevivi para ver chegar o “tempo dos rumores arrebentarem”,
Para o grande barato de escapar às balas perdidas,
Aos veículos e nações desgovernadas.
Vinte e tantos poucos anos sobrevivendo a planos econômicos e outros tantos desmandos
Me instruíram a abstrair riscos insignificantes:
Os malefícios do sol, a água do mar poluído,
O vento encanado, a friagem, o sereno,
O bicho-do-pé, o encosto, a espinhela caída,
O leite semidesnatado, o colesterol ruim...

Os perigos a evitar são outros para quem cumpre a tarefa de sobreviver conscientemente
Diante da proliferação dos bingos,
Da disseminação dos vírus,
Da má qualidade do ensino,
Dos shoppings center,
À ignorância e à disenteria cerebral.

Apesar de não ter sido convidado para o Jogo do Milhão
Sou um sobrevivente.
Comemoro com discrição para não incomodar ninguém
Caso existisse presente que não o circunstancial,
Eu seria o mesmo?

sábado, janeiro 05, 2008

sábado, 05 de janeiro de 2008

Ficção
Segundo um provérbio milenar, transmitido oralmente de geração em geração, não há nada que um bom dia de surf não cure.
Olhando a inscrição talhada no templo dedicado à Shiva, o rei de Kurujangada, Janamejaya Raja, inqueriu Ganesha, deus dos escritores e dos ladrões, sobre o que deveria fazer para manter seu povo feliz, pois em seu reino já não havia ondas. "Tá flat geral, brother. E eu com uma prancha novinha guardada no castelo".
O cabeça-de-elefante sacudiu a tromba, riu balançando a enorme barriga e largou de lado o búzios, o lótus, o disco e o machado que segurava em suas quatro mãos. Tirou um fininho de trás das orelhas e respondeu sem qualquer sinal de sarcasmo. "Cara, cê tinha que ver como que tava ontem".
Raja teve ganas de fazer com Ganesha o mesmo que o pai deste, Shiva, fizera. Arrancar sua cabeça e jogar para além do Himalaia. Mas o bicho-homem, além de grande surfista, era uma divindade. Aí mesmo é que o mar podia nunca mais subir. Raja então deu um pega no fino e ponderou sobre a previsão de Ganesha. "Vai rolar um marzinho daqui a uns dias", dizia o deus, soprando a fumaça pela tromba enquanto apertava as orelhas contra a cabeça.
Enquanto outro tipo de onda não batia, Raja tentou calcular quanto tempo significaria "alguns dias" pela conta de Ganesha, já que cada dia dele tem 333 anos humanos. Sem chegar a uma conclusão satisfatória, ponderou que o melhor a fazer seria construir uma piscina de ondas artificiais para ele e seus súditos. Para isso, bastaria criar um tributo qualquer.
Surgia assim o ICS - Imposto para Continuidade do Surf. E o início da derrocada de Kurujanganda, já que a plebe ignara, indiferente às declarações dos sábios brâmanes reunidos no Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas e crendo que a diversão resultante das ondas era um presente divino, se rebelou contra a cobrança de mais um imposto.
O rei Raja foi destronado e decapitado. Seu quiver de pranchas foi confiscado, mas, infelizmente, a prancha nova que havia encomendado há pouco jamais foi encontrada. Ganesha, coincidentemente, desapareceu por uns tempos, deixando apenas um conselho para que os sábios meditassem a respeito. "Tá estressado? Vá surfar".
Itararé (SV) foto: Sullivan Leite - Waves
Diário de um surfista semi-fosco
Você não vai mais surfar em Santos. Nem alimente esperanças de pegar onda nos poucos dias em que estiver na cidade, pois nem mesmo as marolas de antes existem mais. Culpa do aquecimento do planeta e do conseqüente derretimento das calotas polares, elevando o nível dos oceanos? Ou dos espigões erguidos à beira-mar, interferindo no regime dos ventos? Será a dragagem do canal portuário?

Nem no Guarujá tem onda. Praia Branca, Maresias, Paúba....tudo flat. Liso e adequado para as crianças besuntadas de protetor solar e suas bóias; para os banhistas bêbados; para os noiados que vão queimar sua palha com água pela cintura. É verão, e só nos comerciais de refrigerante tem onda nesta época do ano.

Se quiser, tire a prancha da capa e vá remar. É um bom exercício. Depois, se sente sobre a prancha lá no fundo e observe os transatlânticos deixando a cidade. (Leve uma ou duas barras de cereais e aproveite a vista da praia lotada e dos fogos) No jornal, estão noticiando satisfeitos que esta temporada registrou um recorde em movimentação de navios de “luxo”. Acene seu lencinho para os passageiros espremidos no convés. Não seja rancoroso. Considere que já há navios como estes providenciando piscinas com ondas. Talvez esteja na hora de imaginar a possibilidade de compartilhar daquele sopão marítimo ao som de muito axé.

Porque, ondas, em Santos, não mais. Nem mesmo para os padrões de um surfista de Brasília.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Interessado em conhecer (mais sobre) a música africana?
Ouça o blog
No dial tradicional, o programa vai ao ar pela Educadora FM, emissora pública ligada ao Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. Toda a programação é produzida por uma equipe interdisciplinar formada por pedagogos, músicos, professores, jornalistas e outros técnicos. Para curiosos, para quem não gosta da mesmice das "mais pedidas", também vale o acesso. Aproveite e...
Ouça a Rádio

domingo, dezembro 23, 2007

Domingo, 23 de dezembro de 2007

Feijoada Búlgara
Ska, samba, salsa, funk, rock e…ritmos do leste europeu. É até difícil classificar que apito tocam os brasilienses da Móveis Coloniais de Acaju.

Para o ex-Karnak, André Abujamra, “Essa banda é uma mistura de Kusturica com Hermeto, um pouco de Cuba com macarrão. Um pouco de Paulista sendo de Brasília, um pouco de Brasília sendo do Brasil, um pouco do mundo sendo da Terra e, por que não, um pouco de Karnak com Los Hermanos”. Não entendeu? Pois o músico não se dá por vencido e segue explicando. “Gorbachev com Copacabana. Samba de russo, pagode de cego com Tom Waits. Se fosse teatro seria Tadeus Kantor, se fosse foto seria do Rodchenko, se fosse esquilo não sambaria”. Ah, então tá, né.

Explicações à parte, o fato é que, capitaneada pelo carismático e elétrico vocalista André Gonzales, a banda, em 2007, foi destaque em vários festivais de música independente Brasil afora. Como, aliás, já acontecera em 2006.

O convite para tocar - ao lado de Lobão e da festejada Vanguart - em um programa global em homenagem ao maluco-beleza Raul Seixas e o fato de ter sido selecionado para compor o Projeto Rumos, do Itaú Cultural, só reiteraram o ótimo ano do grupo. E confirmaram o reconhecimento dos fãs que lotam cada disputado show em Brasília.

(Segundo a própria banda, na capital federal, seu cd de estréia, Idem, vendeu duas mil cópias em apenas dez dias. Muito embora, para mim, o disco não faça jus aos méritos do grupo, já que “limpa” excessivamente a massa sonora produzida pelos dez músicos. Sim, dez).

Outro detalhe importante é que, fiel à máxima punk “faça você mesmo”, a banda não se acomoda sob os holofotes que vão gradativamente se acendendo e segue tocando como se não tivesse quase dez anos de estrada, divulgação no site da gravadora Trama, e viesse recebendo críticas elogiosas e, mais importante, amealhando cada vez mais fãs. Cientes da relatividade do sucesso, os músicos organizam na capital federal o projeto Móveis Convida. Dessa forma, já tocaram ao lado de novos nomes que vem se destacando, como Orquestra Imperial, Teatro Mágico, Canastra, Ludov.

Para os detratores não dizerem que só falei de flores, segue trecho de reportagem publicada pela revista Veja: “Essas bandas são a trilha sonora do momento daqueles que Reinaldo Azevedo, colunista de VEJA, batizou de "remelentos e mafaldinhas" – os universitários de classe média que adoram embarcar em presepadas esquerdóides, como a recente invasão da reitoria da Universidade de São Paulo (USP). Tanto o Mombojó quanto o Móveis Coloniais de Acaju foram forjados por estudantes de universidades federais”.

É bem verdade que a banda, assim como Los Hermanos, faz parte daquela cena “universitário cabeça", mas se sua música é boa e seus shows empolgam e fazem dançar, que importa que faça trocadilhos kafkanianos como na música Metamorfose: “Quando acordou, Gregório Samsoniti / Tinha se tornado um horrível sanduíche / De frango compactado / De frango com aliche”. Além do mais, são a Veja e o Azevedo quem estão dizendo.

Para quem quiser saber mais sobre a banda, optei por postar abaixo o primeiro vídeo-clip feito pelo Móveis, mas recomendo outros vídeos do youtube que, gravados ao vivo por fãs do grupo, pecam na qualidade do som, mas dão uma mostra fidedigna da energia dos caras no palco. Além disso, dá para ouvir boa parte das músicas do disco Idem em http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/produtos/cd_idem/index.php

Seria o Rolex? - Móveis Coloniais de Acaju

sábado, dezembro 22, 2007

Sábado, 22 de dezembro de 2007

Você sabe o que é resiliência?

"Até bem pouco tempo atrás, eu nem desconfiava. Palavra que migrou da física para as ciências sociais e- principalmente - para o mundo das empresas (onde certas palavras entram e saem de moda como modelo de gravata), resiliência signigica capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças, segundo o Houaiss. Isso no sentido figurado, claro - que é o que nos interessa nesse momento. É, talvez, a palavra que melhor sintetize o espírito desse nosso tempeo em que estamos expostos a toda a sorte de eventos e situações que nos colocam à prova todo santo dia. Como mostra com elegância o repórter Rafael Tonon na matéria de capa desta edição, ter resiliência é, enfim, saber levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Ser resiliente, hoje, é conseguir conciliar uma vida profissional ativa e exitosa com uma vida pessoal plena. É levar um tombo feio na vida e recobrar a confiança. Nossos desafios sáo cotidianos e por ele somos cada vez mais exigidos, em todos os aspectos da vida. Por isso a necessidade de ser resiliente, ou, em outras palavras, ter vitalidade e otimismo".
Leandro Sarmatz, redator-chefe da revista Vida Simples
A reportagem O Caminho da Superação, da edição que está nas bancas este mês, pode ser lida no site da revista. Clique aqui.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Amor Pretérito

Uma boa chance para quem está (ou vai a) em São Paulo conhecer, de graça, o trabalho do premiado Grupo XIX de Teatro.
Entre os dias 1º e 16 de dezembro, em caráter de pré-estréia, o grupo de São Paulo realiza apresentações públicas e gratuitas de sua terceira e mais recente peça.
Após retratar a condição feminina por meio de personagens internadas em um hospício (Hysteria - 11/2001) e do processo de erradicação dos cortiços no século XIX (Hygiene), o grupo se volta para o amor. Arrufos, me diz o Google, é o nome de um quadro pintado em 1817 por Belmiro de Almeida (1858-1935). Imagem que ilustra o panfleto da peça.
As apresentações acontecem aos sábados, às 21h, e domingos, às 20h. O local, a mesma Vila Maria Zélia, no Belenzinho, local em que o grupo fincou bandeiras desde os ensaios da segunda peça. E que por si só já vale a visita.
Reservas e informações no telefone (11) 8283-6269
Para saber detalhes de como chegar à Vila clique em http://www.grupoxixdeteatro.ato.br/hygiene/comochegar.html.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Sexta-feira, 07 de dezembro de 2007

Umas últimas palavras sobre Caracas
Ao chegarmos a Venezuela, voltamos duas horas no tempo. Fomos para tentar descobrir se, afinal, aquilo é ou não uma democracia. Em meio à busca da resposta, encontramos um povo solícito com os estrangeiros. Uma gente atenciosa e consciente do momento político que, para o bem, para o mal, alçou o país ao proscênio geopolítico.

Descobrimos também que o venezuelano é orgulhoso. Somando-se a isso a histórica opressão a que foi submetido e a falta de autonomia, fica fácil entender os arroubos verbais de Hugo Chávez.

Como nos contou um taxista, Chávez já foi bem mais moderado com as palavras, mas parte da população, sobretudo as camadas mais pobres, justamente a que lhe dá sustentação política, achava que daquela forma o presidente não conseguiria se impor. Vai daí, talvez, o jogo para a platéia. O fato é que o presidente roubou a cena e assumiu papel de destaque entre os líderes latino-americanos.

Mas nestas últimas considerações, o que quero é registrar algumas informações e impressões sobre a capital, Caracas, onde passei todo o tempo.

A moeda local é o Bolívar, por nós apelidada de biro-biro. No câmbio oficial, um dólar equivale a pouco mais de dois mil bolivares. Já nas ruas, no câmbio negro, é fácil encontrar quem pague até cinco mil biro-biros.

Para situarmo-nos financeiramente. O metrô custa 500 bolivares (US$ 0,10 no câmbio negro). Uma garrafa d’água mineral, 1.500 bolivares, mesmo preço do jornal El Nacional. Um bom almoço ou jantar fica entre 19 mil e 30 mil biro-biros, ou seja, no máximo, R$ 12.

Um alimento típico é o arepa, espécie de pão de milho. Há casas especializadas que o vendem recheado com tudo o que houver disponível no país. O raciocínio parece ser, se é de comer, então e possível rechear um arepa. Eu, particularmente, só o comi puro, no máximo com manteiga, e não gostei.

O país, um dos maiores exportadores mundiais de petróleo, é rico, embora sofra do mal que atinge todas as ex-colônias ibero-americanas: a concentração de riqueza na mão de poucos.

Sendo produtor de petróleo, a gasolina, lógico, é extremamente barata. O que explica a quantidade de carros, sobretudo de carros antigos. Disseram-nos que com o preço de uma garrafa d’água grande é possível encher o tanque de um carro.

É justamente com o dinheiro da exportação de petróleo venezuelano – cujo principal comprador, vale dizer, são justamente os Estados Unidos – que o governo tem bancado os programas sociais de redistribuição de renda. Muitos acusam Chávez de ser populista, mas o fato é que o país sempre ganhou muito dinheiro com a venda do óleo e permitiu que poucos se beneficiassem desta riqueza.

Chávez, sem dúvida alguma, contrariou muitos interesses desde que chegou ao poder, em 1992, através do voto. Seja atuando junto a Opep de forma a elevar os preços do barril de petróleo, seja se aproximando de regimes classificados pelo governo norte-americano como ditatoriais ou que apóiam o terrorismo.

Se alguém estiver indo a Caracas, recomendo o Hotel Savoy, na Av. Francisco Solano com Las Delícias, no bairro Sabana. Simples, mas barato e bem localizado, além de ter um ótimo restaurante no térreo. Fica a poucas quadras do comércio.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Segunda-feira, 03 de dezembro de 2007




A primeira impressão de um turista acidental ao circular por Caracas, Venezuela, é a de que, a qualquer instante, todo o trânsito de automóveis vai empacar, engarrafado. A segunda, um pouco por reflexo da primeira, é a de ter chegado à cidade em meio a um feriado nacional. A terceira... bem, é melhor não entrar em detalhes sobre esse aspecto, mas basta dizer que a cidade parece fazer jus à fama de ser celeiro de misses universos.

Outra coisa impossível de deixar de notar: a onipresença de Hugo Chávez. Ainda mais nestes tempos de referendo popular sobre a reforma constitucional venezuelana. Chávez, autor do projeto, representa o sim à proposta. Um estudante, Yon Goicochea, e o ex-ministro da Defesa do governo Chávez simbolizam o não.

Contudo, quem estiver atento aos símbolos logo perceberá que a influência de Chávez vai além. Basta se deparar com, por exemplo, as pequenas constituições que são vendidas em bancas de camelôs. Ou o livrinho com a cópia dos 69 artigos constitucionais que Chávez e a Assembléia Nacional pretendem alterar, a partir deste domingo, com a concordância dos cidadãos.

A reforma constitucional, como a esta altura todos já sabem, voltou a evidenciar a divisão da sociedade venezuelana, acirrando os ânimos. Na semana passada, antes do pleito final, ocorrido no último domingo 92), um funcionário público foi assassinado durante uma manifestação dos que eram contrários ao projeto de reformas. Chávez e parte dos seus se apressaram a alçá-lo à condição de mártir. Ao mesmo tempo em que perdiam o apoio de nomes importantes entre os até então governistas e que foram empurrados para a oposição pelo que entendem ser um golpe velado nas instituições para que Chávez se perpetue no poder.

Na última sexta-feira, quando cheguei a Caracas, ocorria o encerramento da campanha a favor do sim. O próprio presidente Chávez foi à Avenida Bolívar, uma das principais de Caracas, e discursou para dezenas de milhares de simpatizantes vindos de todo o país. Não sei se estranhei mais ver as fotos de Chávez em todos as publicações institucionais, incluindo um cartaz enorme no prédio do Ministério de Minas e Energia, ou se vê-lo discursando como um candidato.

Diferentemente de mim, alguns venezuelanos com quem conversei não estranham este fato. E, pelo que me disseram, nem chegam a dar tanta importância aos arroubos de Chávez, que voltou a ameaçar a tudo e a todos: George W. Bush, os oligarcas venezuelanos, os jornalistas, os bancos espanhóis e o presidente da Colômbia, por ele tratado como “um peão dos interesses norte-americanos”. Em uma de suas frases de maior efeito, prometeu embargar a venda de petróleo venezuelano para os norte-americanos. “Não haverá sequer uma gota se houver distúrbios após a realização do referendo”.

Ainda assim – ou, até por isso – Chávez é popular e querido por muitos. Na mesma medida em que é odiado por muitos outros. De forma que é difícil alguém de fora, em pouco tempo, tecer considerações conclusivas sobre o processo sócio-político venezuelano. Ainda no aeroporto, uma senhora cubana que vive há muitas décadas no país disse estar o deixando por não querer assistir ao “mesmo filme” que já vira em sua ilha natal. Tudo bem que ela disse que não há terra como os Estados Unidos, mas opinião é como cú, todos têm, e cada um deve respeito.

Da mesma forma que ao taxista que me disse que Chávez realiza o melhor governo de todo o mundo (vai saber quantos países ele já visitou rodando em seu carro com a gasolina barata do jeito que é no país?). Para ele, está fora de cogitação argumentar que Chávez não é um ditador. “Como podem dizer isso se o sujeito governa um país onde é possível tomar o seu mandato por meio de um referendo popular”.

As coisas não são tão simples, o sabemos, mas ambos os lados parecem não ter muitos pudores em relação ao reducionismo
.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Sexta-feira, 29 de Novembro de 2007



Pelo sim, pelo não
Caracas, Venezuela,
há meia hora.
Manifestantes já começam a se concentrar nas ruas da capital, onde hoje (29) acontece a marcha de encerramento da campanha favorável à reforma constitucional proposta por Hugo Chávez, cuja propaganda, personalista, não poupa sequer edifícios públicos como o do Ministério de Minas e Energia e da PDVSA.
Para saber mais, clique:

segunda-feira, novembro 26, 2007

Segunda, 26 de novembro de 2007

Os militares e a discussão sobre a necessidade de que as Forças Armadas sejam reequipadas voltaram à pauta da grande imprensa. Após duas semanas seguidas nas páginas de IstoÉ, o assunto chega à capa de Veja. Culpa (ou mérito?) de Hugo Chávez ou do nosso ministro da Defesa, Nelson Jobim?
Mares Guia foi denunciado. Sabe por quê? É bem possível que não, pois, de maneira geral, a imprensa preferiu dedicar-se a explicar como isso dificulta a vida do governo na impopular batalha por aprovar a CPMF. Tudo, nesse momento, passa por isso. Apoios políticos, nomeação para cargos públicos, aprovação de leis de interesse nacional.

Personagem caricato por conta do sotaque, Sobel teve, como outros líderes religiosos, papel relevante na luta pelo fim do Regime Militar. O episódio mais conhecido talvez seja sua recusa a enterrar o jornalista Vladimir Herzog no lugar destinado aos suicidas. Herzog foi assassinado nos porões da ditadura. Já pensou ser lembrado por ter sido pego roubando gravatas?
O CD já era. As grandes gravadoras já eram. O jabá radiofônico ainda vai durar um tempo, mas também está com os dias contados. Quer saber porque? Então esqueça o Sobel e, na mesma Época, vá direto à entrevista com Chris Anderson, autor de A Cauda Longa (Ed. Campus). Estou há algum tempo me cobrando escrever algo sobre o livro, que ajuda a entender a nova economia na era virtual.

sábado, novembro 24, 2007

Sábado, 24 de novembro de 2007

Nação Zumbi e Mombojó animam festa-show na UnB


Chupado preguiçosamente do site do Correio Braziliense


A pergunta feita com o nome da festa-show Fome de quê? pode ter várias respostas e todas elas são possíveis quando, entre as sete atrações, nenhuma segue um estilo definido. A resposta mais objetiva vem com o título do CD Fome de Tudo, lançamento da principal atração, Nação Zumbi. Para completar o banquete, os conterrâneos da primeira banda, a Mombojó, trazem um som sem rótulos e cheio de misturas. DJs e bandas locais e de outros estados e países dão o tempero final.

Com 13 anos de carreira e muita história para contar, os pernambucanos do Nação Zumbi trazem a Brasília o show do sétimo álbum. Descrever o som do grupo precursor do mangue beat é uma tarefa difícil, que ficou ainda mais complexa após nova mistura de sons. Além do ritmo tradicional, o grupo introduziu maracatu, baião, rock, psichocarimbó, coco dub, eletrônica, psicodélico e frevo. Difícil saber quando começa um e termina o outro. No palco do Centro Comunitário da UnB, Lúcio Maia (guitarra), Jorge du Peixe (vocal), Pupilo (bateria), Dengue (baixo), Glimar Bola 8 (percussão) e Toca Organ (percussão) mostram tudo isso em forma de espetáculo, com direito a projeções de vídeo e um cenário super produzido.
Se assistir a um show do Nação Zumbi já pode provocar reações emocionais fortes, imagina tocar ao lado deles. Essa é a sensação que os meninos da banda Mombojó vivenciam. “A gente cresceu ouvindo eles, há dez anos estávamos no público, agora estamos do outro lado, dividindo o mesmo palco, como colegas e muito fãs ainda”, comenta o tecladista do grupo, Chiquinho, que também é de Pernambuco.
A Mombojó não está nos programas de televisão, nem é a primeira nas rádios, mas faz um incrível sucesso no meio alternativo. “Isso é um efeito da disponibilidade de músicas na Internet, nós sabemos usá-la a nosso favor, não vendemos muitos discos, mas somos chamados para vários shows”, justifica Chiquinho.
A banda também tem em comum com o Nação Zumbi a ausência de rótulo nas músicas que faz. No último CD, Homem-espuma, é possível ouvir pelo menos, rock, mangue beat, samba e lounge. “Desde o início resolvemos não rotular a parada, até o nome foi escolhido para podermos ir para qualquer lado, o estilo fica a critério de quem está ouvindo”, explica o tecladista.
Na mesma noite, a banda brasiliense Lafusa toca rock indie e bossa no palco principal. Em ambiente separado, na pista, Dubversão (SP), Batidão Sonoro (DF), Adrian Sherwood (EUA) e Brother Culture (UK) mandam dub, reggae, ragga, dancehall e roots até o dia chegar. A festa começa às 21h deste sábado, no Centro Comunitário da UnB. Os ingressos custam R$ 15 antecipados e R$ 20 na hora. Informações pelos telefones 92757649 e 81357575.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Sexta, 02 de Novembro de 2007

Viva Cassiano!*
foto: Roberto Fleury/UNB Agência

“Espera um pouco
Não dês nome de amor
Ao que não passa de desejo.
Ideal é uma palavra demais
para o teu apetite de aposentadoria.
Procura ser exato ao definir as coisas.

À minha morte não denomines morte.
Nem a consideres definitiva.
Espere um pouco, amigo!
Espera um pouco
Pela ressurreição”
(Espera um Pouco)

Morreu (ainda que não definitivamente, esperemos) no último dia 15, o poeta Cassiano Nunes (1921-2007). Resisti a escrever o poeta santista, embora ele se identificasse com os artífices seus conterrâneos e cantasse a terra, principalmente o Paquetá e seu porto. Resisti a adjetivá-lo porque sua obra é [ou será] patrimônio nacional e domínio público. A poesia de Cassiano está ao lado dos grandes, mesmo “seu povo não o reconheça”.

Também não escrevi porque cismei com o fato de sua passagem - e as devidas homenagens tardias - ter se dado em Brasília, onde ele vivia desde 1966, tendo lecionado na UNB por 25 anos. Nunes passou seus últimos dias não à sombra de Brás Cubas, mas sim cuidando dos muitos livros de sua casa, na Asa Sul brasiliense.

Posso estar equivocado (coisa comum de ocorrer!), mas me parece que basta ler a obra de Nunes para entender que, apesar de ter corrido mundo desde muito cedo, o poeta que, dizem, ficou sem escrever por mais de 20 anos por considerar seus poemas ruins, queria mesmo é que dissessem dele o mesmo que ele próprio escreveu sobre Ribeiro Couto, outro a nascer em Santos:

“Meu amigo morto, por onde andará? Deve estar junto ao porto, no cais do Paquetá.

Correu longes terras, mas afinal voltou, vistas as paisagens que, infante, sonhou.

Que importa seu povo não o reconheça e seus versos sensíveis até desconheça?

À gente tão fria, Couto absolverá. Já voltou a Santos, ao cais do Paquetá”.

(CANTIGA PARA RIBEIRO COUTO)
* Viva Cassiano! é o título do documentário de Bernardo Bernades, sobre a trajetória poética de Nunes. O filme venceu o prêmio Júri Popular do Festival de Brasília de Cinema Brasileiro de 2004.

domingo, outubro 28, 2007

Sexta, 19 de Outubro de 2007

fotos: Antonio Cruz /ABr

Foram dezessete instalações militares de três estados (Amazonas, Acre e Rondônia) em apenas sete dias. Entre pousos e decolagens em pistas perdidas em meio à Amazônia Ocidental, quase 18 horas sobrevoando a floresta em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Aviões (Casa) e helicópteros (Blackhawk).

Além da dimensão continental da floresta, flagrantes de desmatamento, militares, indígenas, missionários, ribeirinhos, policiais e uma sucuri de mais de dois metros.

Locais onde, segundo constatou o próprio ministro da Defesa, Nelson Jobim, a presença do Estado se limita às Forças Armadas. Jobim comandou a comitiva de autoridades, que incluía, além da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica.

As legendas das fotos precisam ser corrigidas. Nem sempre correspondem ao local com que nomeei o arquivo. Assim que tiver tempo, vou tentar arrumar isso.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Segunda-feira, 10 de setembro de 2007

"O sol da liberdade em raios fúlgidos, brilhou no céu da Pátria nesse instante..."


Sete de Setembro na Chapada

Cachoeira Santa Bárbara

Cavalcante - GO

quinta-feira, agosto 02, 2007

Quarta-feira, 2 de agosto de 2007

Ruínas de Quilmes, Argentina
Da nossa correspondente...


Escrevo de Cafayate, nos Valles Calchaquíes, que fica ao norte da Argentina. Chegamos pensando que estaria muito frio por aqui, mas pelo contrário. Estou arrependida de não ter trazido meu biquini para as tardes quentes.


Infelizmente, as noites são bem frias e temos que dormir coladinhas. Por sorte temos os bons vinhos portenhos para nos aquecer! Além do que, nosso grupo é engraçado: uma outra francesa além de mim, uma brasileira e uma sueca perdidas no meio das montanhas argentinas (Acho que pode ser um bom título de filme, nao?)

As paisagens são MUITO lindas. Estamos no meio das montanhas, em um local selvagem, com llamas e aves que nunca tinha visto. A mi me gusta!

A caminho de Cafayate passamos por Amaicha del Valle, onde fica a única comunidade indígena do norte portenho. A cidade garante ter o "melhor clima do mundo". São, segundo eles, 300 dias de sol no ano.


Também visitamos as ruínas de Quilmes (foto), onde o povo nativo primeiramente foi colonizado pelos Incas (vindos do Peru), para em seguida ser subjugado pelos espanhóis. Levados a pé até Buenos Aires, a raca se extiguiu voluntariamente, preferindo morrer a viver cativa. As ruinas ficam na montanha, um lugar muito forte, onde é possível sentir uma energia muito forte.

Por fim, passamos por Tucuman. Para mim, a experiência foi um pouco parecida com visitar o Nordeste do Brasil após estar há algum tempo vivendo em Brasília, ou seja, um choque diante da mudança.


As pessoas são mais pobres e se parecem muito mais com índios do que nos outros lugares que visitamos. São muito pequenas, morenas e têm os olhos puxados.


Assistimos a final da Copa América (BrasilxArgentina) em um bar em Tucuman. 'Brigamos' com um velho porque ele não gostou de festejarmos os gols do Brasil. Nunca quis tanto estar no Brasil quanto depois da vitória da seleção. Enfim... acabamos indo a uma boite gay, cheia de travestis. Me diverti muito com um espetáculo, mas não gostei quando uma menina me pegou pelo braço, apertando-o e dizendo "hermosa". Bom, não era muito diferente de estar em uma festa do Conic, em Brasília.


Por enquanto, é isso.

Beijos,
Karima

segunda-feira, julho 30, 2007

Segunda-feira, 30 de julho de 2007


Em meio aos blockbuster escolares...

Um bom filme está em cartaz no Espaço Unibanco de Cinema, no Gonzaga, em Santos (SP) e na capital paulista. Embora pouco original, a comédia Um Lugar Na Platéia (Faulteils d´Orchestre, 2006), de Daniele Thompson, diverte e prende a atenção, fugindo da pretensão e verborragia comum a maioria dos recentes filmes franceses. Um filme leve, embora aborde alguns temas difíceis.

Não só a ingenuidade e otimismo da personagem principal, Jéssica (Cécile de France), mas a própria estrutura dramática, com várias histórias entrelaçadas a partir da presença da garçonete, lembra O Fabuloso Destino de Amélie Poulain.

Desempregada e órfã, Jéssica deixa Mâcon, no interior da França e, seguindo os conselhos da avó, parte em busca de um emprego na Cidade Luz. Sem qualificação e experiência, tudo que consegue é um trabalho temporário como garçonete em uma lanchonete freqüentada por hóspedes do hotel Ritz, artistas em cartaz no teatro vizinho e freqüentadores de uma casa de leilões. Cada um deles parece atravessar uma crise pessoal, questionando suas conquistas e revendo seus valores. Ótimas atuações de um elenco afiado, com destaque para o pianista estressado Jean-François (Albert Dupontel) e do colecionador de arte Jacques (Claude Brasseur).

domingo, julho 29, 2007

Domingo, 29 de Julho de 2007


Da Escola da Vida ou Relaxa e Goza!


Questão 1 – leia o enunciado abaixo e responda a alternativa correta.

A tragédia com o Airbus A320 da TAM, no qual morreram cerca de 200 pessoas (o número correto só será conhecido após o IML ter reconhecido todos os corpos resgatados do local do acidente), comoveu o país e provocou diferentes reações. Nos dias que se seguiram ao fatídico 17 de julho, as restrições impostas pelas autoridades ao funcionamento da pista principal do Aeroporto de Congonhas e o mau tempo geraram novos atrasos e cancelamentos de vôos em todo o país. Em meio a um clima de quase revolta, onde consternação e preocupação se misturavam, jornalistas coletavam as opiniões de usuários de aviões. As declarações abaixo foram ditas por duas pessoas cujos vôos haviam sido cancelados.

A) “Eu não acredito que a Infraero permite que aconteça este caos. Está todo mundo fervendo de raiva porque ela não está ajudando. Congonhas é muito movimentado e eles poderiam já ter transferido alguns vôos para outros aeroportos, mas antes eles deixaram este caos. Tem gente perdendo férias, viagem, gente cansada, insatisfeita, famílias com crianças pequenas. Tudo poderia ser bem mais simples se eles tivessem um pouco mais de responsabilidade”.

B) “Eu descobri que o piloto, puto da vida, vendo que não tinha jeito, que ia mesmo bater, disse “ah, é! Pois então eu vou é jogar [o avião] em cima do prédio da TAM”.

Assinale a alternativa correta:
( ) a declaração A foi dita por um senhor de cerca de 60 anos e a B por um garoto de 10 anos;
( ) a declaração A foi dita pelo garoto Vitor Lemos Abreu, de 10 anos, enquanto a B foi dada por um senhor de cerca de 60 anos;
( ) as declarações não foram dadas por ninguém, já que a população ou está mal informada, em conseqüência da falta de informações, ou confusa devido ao excesso de opiniões, de forma que ninguém está entendendo nada do que se passa com a aviação civil. O próprio jornalista inventou as declarações a fim de dar peso à reportagem.

sábado, julho 28, 2007

Sábado, 28 de julho de 2007

foto: Valter Campanato (Agência Brasil/Radiobrás)
Considerações
No início, o céu era de brigadeiro e ninguém que não estivesse ganhando muito dinheiro com isso ligava para quem sobrevoava as estradas esburacadas e os trilhos abandonados. Então veio o transponder desligado - se voluntária ou involuntariamente, nem as caixas-pretas sabem.


Abruptamente, tomamos consciência da existência das torres de controle e dos quatro Cindactas do apocalipse aéreo. Fomos apresentados a uma tal de Anac, conhecemos um tal Cenipa e tivemos a prova de que os controladores de vôo existem sim, mas não falam muito bem o inglês.


Em meio ao ‘apagão’, vimos ressurgir não apenas os brigadeiros, comandantes e capitães de farda, mas também os parlamentares-mariposas buscando a luz dos holofotes. Mais tarde, entrariam na trama um empresário bem-sucedido e pragmático, um assessor obsceno, um prefeito sem-noção, um dono de bordel e, como escreveu o jornalista Paulo Henrique Amorim, o ministro genérico do general Patton. Enquanto isso, quem realmente devia explicações parafraseou Paulinho da Viola: “não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”.

Na Câmara dos Deputados, mortes, transtornos e prejuízos incalculáveis ainda não eram o bastante para garantir a audiência. Era necessário algo mais palatável do que continuar falando em contingenciamento de verbas ou na existência de áreas não cobertas por radares. Overbooking, desde que devidamente traduzido, é forte e capaz de causar indignação diante da usura e do desmando, mas a forma mais fácil de chamar a atenção parecia ser reclamar das barrinhas de cereais distribuídas durante os vôos.

Difícil foi tomar partido a favor ou contra a desmilitarização. Pelo menos até que, na queda de braço, quem representava uma “influência nefasta” ao grupo de controladores fosse preso, acusado de “insubordinação ou motim” pelos defensores da “disciplina férrea”. Parte da mídia aderiu e passou a retratar os controladores como sabotadores de radares.

Só que, após dez meses de prazos adiados, passamos do drama à tragédia. Nem bem tínhamos nos habituado a expressões e termos técnicos absolutamente desnecessários para quem só quer chegar ao seu destino, surgiram dúvidas ainda mais difíceis de serem respondidas.

O que são e para que servem os groovings? Uma pista pode funcionar sem as ranhuras que permitem que a água da chuva escorra? Uma aeronave com um dos reversores travados é segura? É possível arremeter um avião de cerca de 60 toneladas após ele pousar a 175 km/h em uma pista de menos de 2 quilômetros? Um aeroporto pode funcionar em meio a tantos prédios, com casas a 50 metros da cabeceira da pista? Não é loucura aprovar a abertura de quase 30 postos de gasolina próximos a um aeroporto? Uma aeronave com capacidade máxima de 185 pessoas pode transportar 187, ainda que as duas excedentes sejam “crianças de colo” de quase dois anos? Qual a carga horária cumprida por tripulantes durante os dias em que, devidos a sucessivos atrasos, as companhias aéreas não conseguiram planejar seus vôos? Porque os vôos têm de passar todos por São Paulo?

Após nove meses acompanhando o caos aéreo, depois de dez dias do acidente com o Airbus A-320 que fazia o vôo JJ 3054 da TAM e de nove dias 'internado' nos dois principais aeroportos de São Paulo, não tenho certeza alguma. Sei apenas que nem os especialistas se entendem. Que o único que se arrisca a apontar o dedo em direção a alguém parece ser o repórter da Veja, Marcio Aith. O problema é que isso me parece precipitado (além de ser a Veja, né!). Segundo o jornalista Paulo Henrique Amorim, "Aith é o autor daquela famosa “reportagem” co-assinada por Daniel Dantas, que provou (?) a existência de contas secretas do Presidente Lula e do Dr. Paulo Lacerda (!)".


Ao fim de tudo, o que ainda me espanta é constatar que não sei quem preside a Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT. Não sei o que faz o Dnit nem a quem cabe fiscalizar os investimentos feitos nas estradas. Da mesma forma que não tenho visto a recém-criada Secretaria Especial dos Portos anunciar medidas para impedir que os portos do país entrem em colapso. Nem ouvi explicações plausíveis de porque os sucessivos governos desmontaram a malha férrea brasileira.

Desconfio que o apagão não seja apenas aéreo, e sim do transporte em geral. (aliás, alguém poderia explicar porque o setor aéreo está sob a responsabilidade do Ministério da Defesa? Deve ter algo a ver com a tal da sobreposição das funções de defesa do espaço aéreo, atividade de caráter militar, e de controle do tráfego aéreo, função que pode muito bem ser executada por civis).


Agora, esta de substituir o correligionário pelo aliado político...esta eu juro que não entendi. Até o César Filho, sim, o ex-Angélica, já sacou e perguntou no SBT: "Será que o Jobim vai se lançar à presidência?".