quinta-feira, setembro 09, 2010

"Exclusivo: Dilma tem fimose na teta"


Para o cidadão comum, política em tempos de disputa eleitoral serve, quando muito, para dar algumas risadas. Ou melhor, um sorriso amarelo, vá lá, com gosto amargo. Para alguns poucos serve também para complementar a renda familiar, distribuindo santinho nas ruas sem qualquer convicção ideológica. Para a maioria, no entanto, é tão somente uma sucessão bizarra de gente estranha com idéias esquisitas que nos obriga a refletir se nossos excelentíssimos representantes políticos tem de fato algo a ver com nossa labuta cotidiana ou se as coisas caminham indiferentes e até mesmo apesar deles.

Tiririca, Maguila, Simony, Kiko do KLB, Paulo "Highlander " Maluf, Dinei....e por aí vai. Dá gosto? Não dá, né. E diferentemente do que diz o palhaço sem graça, a gente sabe que pode sim ficar pior.

Por isso, mesmo sabendo do risco que é deixá-la na mão dos vendilhões, evito me ocupar, neste blog, de política. A Política que me interessa é outra. Apesar disso, não resisti a copiar aqui uma brincadeira que tem mobilizado centenas, talvez milhares de internautas. Não que eu faça campanha da candidata petista à presidência, Dilma Rousseff, mas sim porque o comportamento da mídia, este sim me interessa. E neste sentido é clara a falta de isenção de alguns veículos. Veja, Folha de S.Paulo e Época parecem disputar o posto de órgão oficial da oposição - leia-se PSDB - e o leitor, como não é bobo, já sacou e partiu para pilhéria.

Abaixo, algumas dass próximas manchetes que os não-leitores da Folha esperam ver publicadas até o próximo dia 30. Isso é que é leitura crítica da mídia. (A primeira delas é minha modesta contribuição à corrente bem-humorada. Acrescente a sua e envie para 20 pessoas).
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* Folha Educação: Taxa de bebês nascidos analfabetos não melhorou durante os últimos oito anos
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* Esportes: Dunga revela: Dilma mandou convocar Felipe Melo
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* Dilma falhou na marcação de Ghiggia, no Maracanazo de 1950.

* Dilma disse a Bush: “em seis meses você resolve esse negócio no Iraque”

* Mensalão romano: Petistas pagaram 30 moedas de prata para que Judas denunciasse Jesus.

* Cheque sem fundo de Dilma provocou a crise de 29

* Ilustrada: Em cena censurada, Darth Vader revelava não só ser o pai de Luke Skywalker como que Dilma era a mãe do jovem Jedi

* Faraó confirma: Dilma e Moisés são dois perigosos terroristas

* Twiteiro revela: Dilma sequestrou minha timeline

* Folhateen: Psiquiatra consultado pela Folha revela que chegada de Dilma a 51% está incentivando jovens a beber cachaça

* Folha Segurança: Dilma convenceu o padre a viajar com os balões

* Revelado que Dilma estava envolvida com a queda do avião no primeiro episódio de Lost

* Folha séries: Revelação: o mostro de fumaça de Lost é filiado ao PT desde 1980 e violou o sigilo de Jacob

* 7438 anos depois Noé confessa “Dilma boicotou a entrada dos tucanos”

* ‘Dilma roubou minha senha no Twitter’, diz Serra

* Falha de Dilma derrubou a bolsa de Nova York em 1929

* Folha: José serra divulga documento secreto em que Dilma responde judicialmente pela morte de Odete Roitman
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* O Dr House manca pro causa da Dilma, que passou rasteira nele.

* Cotidiano: Dilma Roussef inventou a vuvuzela.

* Não foi um asteróide que matou os Dinossauros, foi a Dilma que sorriu para eles e os matou de medo

* Folha, em 04/10: Suposta vitória de Dilma não pode ser confirmada, mas também não pode ser descartada.

terça-feira, setembro 07, 2010

Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos será bienal, diz gerente do Sesc

O Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos deverá voltar a ocorrer a cada dois anos e passará a abarcar outras manifestações artísticas além do teatro, garantiu o diretor regional do Serviço Social do Comércio (Sesc) de São Paulo, Danilo Santos de Miranda. O Sesc é a entidade responsável pelo evento que, até o próximo dia 11, traz à cidade do litoral paulista 31 espetáculos teatrais de 12 países.

"Nossa ideia é que o festival aconteça a cada dois anos e contemple o melhor da produção latino-americana, de Portugal e da Espanha. Futuramente, além do teatro, nossa intenção é abrir espaços para a dança e para todas as artes que pudermos reunir aqui", afirmou Miranda à Agência Brasil logo após assistir, ontem (5) à noite, o espetáculo O Desenvolvimento da Civilização Futura, dirigido e adaptado pelo argentino Daniel Veronese a partir do clássico Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen.

Ao fim do quarto de dez dias de programação, o filósofo e cientista social, que desde 1984 está à frente da unidade paulista da entidade, fez um balanço positivo do evento e da resposta do público. "Estamos atingindo os dois aspectos que mais nos interessam: trazer uma produção de qualidade, atrair o público e conquistar sua adesão."

Miranda também destacou o "componente econômico" por detrás da mostra e o valor da mobilização que levou mais cultura às ruas e aos espaços históricos da cidade de 464 anos.

"A cultura tem um papel econômico importante porque, além de mobilizar a cidade, para que um evento como este aconteça é necessário uma infraestrutura imensa. No caso do festival há vários interesses em jogo: o comércio, a hotelaria e a própria infraestrutura municipal. Neste primeiro momento, o Sesc de São Paulo pretende manter a proposta por algum tempo e então voltar a verificar o interesse da prefeitura e dos governos estadual e federal", considerou o diretor.

Los Grumildos

Seres mitológicos e oníricos, os Grumildos são criaturas hiperrealistas que povoam o imaginário da artista plástica peruana Ety Fefer e que adquirem vida nesta instalação inspirada em tipos marginais do centro da capital peruana, Lima.
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Este bem humorado mundo paralelo habitado por miniaturas articuladas agora exibido como parte da programação do Mirada - 1º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos já esteve exposto em um bar na Suiça, nas catacumbas de uma igreja na Catalunha e numa galeria clandestina em Berlim. Sórdidos, näif, grotescos, encantadores, bizarros, divertidos, os Grumildos dialogam com secretas fantasias voyeurísticas de sua autora e do próprio público.
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Até o próximo dia 11, das 14h às 17h e das 18h às 23h., no Sesc Santos

segunda-feira, setembro 06, 2010

Ofuscado por mostra ibero-americana, festival teatral mais antigo do país busca renovação

Recebida com entusiasmo por profissionais do setor e por parte da população santista, a primeira edição do Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos (SP) acabou por ofuscar o Festival Santista de Teatro (Festa), tradicional evento teatral que ocorre simultaneamente à mostra internacional realizada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) de São Paulo com o apoio da prefeitura local.
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Criado em 1958 pela escritora e jornalista Patrícia Galvão, a Pagu, musa do movimento modernista, o Festa é hoje o mais antigo festival de teatro do país a ocorrer com regularidade. Por ele já passaram atores e dramaturgos como Plínio Marcos, Sérgio Mamberti, Aracy Balabanian, Ney Latorraca, Bete Mendes, Alexandre Borges, entre outros atores. Em 1959, José Celso Martinez Corrêa deixou a cidade com cinco prêmios concedidos no evento à peça A Incubadeira.


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Até o ano passado, o Festa se limitava a levar aos palcos da cidade espetáculos encenados apenas por grupos amadores. A opção por passar a receber grupos profissionais de outras regiões do país era uma forma de voltar a atrair o público que, ao longo dos últimos anos, foi deixando de prestigiar o evento. O Mirada, contudo, acabou por obrigar os organizadores a voltar atrás, reduzir a estrutura mesmo em comparação a 2009 e focar apenas em espetáculos locais.

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“O Mirada acabou ocupando todos os teatros da cidade, incluindo os públicos. Além disso, como ele está acontecendo no mesmo período do Festa, já contávamos com o fato de que acabaria centralizando a atenção do público e da imprensa. Por isso, este ano, nós decidimos reduzir a estrutura do Festa, apresentando apenas grupos locais”, disse à Agência Brasil o assistente de coordenação do Festa, Leandro Borges Taveira.

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Quanto à coincidência de datas, Borges atribui a responsabilidade ao “pouco caso” da prefeitura com o evento local. “Houve um mal-entendido. A prefeitura, ao que sabemos, não informou os organizadores do Mirada sobre a coincidência e a importância do Festa e não exigiu qualquer contrapartida por parte do Sesc. Mais tarde nós firmamos uma parceria com o Mirada, mas ainda achamos que o Festa não está sendo devidamente valorizado”, disse Borges, admitindo, contudo, que a perda de público e de prestígio é algo que já vem ocorrendo há anos.


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“O Festa vem realmente perdendo público e prestígio e por isso mesmo estamos propondo rever muitas coisas para que o festival volte a ter relevância e a revelar novos artistas. Para isso vamos precisar de maior apoio dos governos municipal e estadual e trocar a coordenação do evento”.

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Organizado por uma comissão eleita pela própria classe teatral santista, o Festa faz parte do calendário oficial de eventos municipais e recebe apoio financeiro da prefeitura, que neste ano alocou R$ 30 mil para a realização do festival. “É muito pouco”, disse Borges, explicando que, em 2009, a realização do evento consumiu cerca de R$ 150 mil e que, em 2011, a comissão organizadora prevê um gasto de mais de R$ 1 milhão para implementar as mudanças que vem sendo discutidas para tentar recuperar o prestígio perdido.

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“Estamos prevendo várias alterações. Queremos profissionalizá-lo, trazer grandes espetáculos nacionais, oferecendo a eles uma melhor estrutura, além de críticos e artistas que participarão de debates. Também estamos estudando criar uma categoria que fomente à produção local, dando, por meio de editais, uma verba para os grupos teatrais da região montarem seus espetáculos para o ano seguinte”.


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Por meio de sua assessoria, o Sesc informou ter participado de várias reuniões com representantes da classe artística local, esforçando-se para que fosse estabelecida uma parceria e para que os horários dos espetáculos tentassem não ser os mesmos. Disso resultou, entre outras coisas, a seleção de um grupo local (Trupe Olho da Rua). Já a data do Mirada, que começou no último dia 2 e segue até o próximo dia 11, foi definida em negociações com a prefeitura em função da disponibilidade de espaços e da agenda dos artistas convidados.

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A reportagem tentou contato com a prefeitura da cidade, mas não obteve resposta.

domingo, setembro 05, 2010

Gigantes Pela Própria Natureza empolga público de festival de artes cênicas em Santos

Equilibrados sobre pernas de pau, os atores da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, do Rio de Janeiro (RJ), não se abalaram com a chuva e a necessidade de transferir às pressas todos os equipamentos e adereços necessários à encenação da peça Gigantes Pela Própria Natureza e encantaram o público que acompanhou a apresentação no foyer do Sesc Santos, hoje (5) à tarde.

Bebendo na fonte do sincretismo religioso e das tradições indígenas, africanas e europeias, o grupo somou teatro, dança e música para colocar parte da plateia para dançar ao ritmo do maracatu e de outros ritmos tradicionais, levando ao público o que o grupo define como "circo dramático".




Inicialmente, o espetáculo seria no jardim da praia, próximo à unidade do Sesc. Devido à frente fria, que chegou hoje à região, os organizadores decidiram transferi-lo, aproveitando a já grande concentração de pessoas que costumam frequentar o Sesc Santos e que, nos últimos dias, tem sido ainda maior em função do Mirada - 1º Festival de Artes Cênicas de Santos.

Apesar do contratempo, a diretora Lígia Veiga disse ter ficado satisfeita com a apresentação e com a resposta do público. "Mesmo com a correria, valeu a pena. Deu para divertir o pessoal e alegrar um pouquinho mais a vida. Acho maravilhoso fomentar o intercâmbio e esperamos que este [festival] seja o começo de uma grande parceria com os outros países participantes e que esse festival seja para sempre".

"É um espetáculo muito lindo", comentou o ator argentino Andrés D'Adamo, que integra o elenco da peça Lote 77, que será exibida terça-feira (7) e quarta-feira (8) em um antigo casarão restaurado no Centro Histórico de Santos. "Ao contrário de nossa proposta, que é a de fazer um teatro mais intimista, neste se emprega a música e um figurino muito colorido para realizar uma peça muito alegre, ideal para ser encenado nas ruas ou em um lugar como este, cheio de gente, com muitas crianças e idosos, e todos participando", disse o ator.

O argentino, que já apresentou a mesma peça no Festival de Belo Horizonte, elogiou a criação de mais um espaço destinado a proporcionar o intercâmbio cultural entre vários países. "Um festival como este é muito importante para o Brasil. O intercâmbio cultural é sempre enriquecedor. Vi muitos bons espetáculos e estamos sendo muito bem tratados", afirmou o ator, destacando o espetáculo espanhol Urtain, apresentado na semana passada, por ter visto muitas semelhanças entre a história representada e a própria experiência argentina.

Já a dentista Tania de Oliveira Nunes Carvalho aproveitou a mudança do local da apresentação devido à chuva para levar as filhas de 3 e de 4 anos para assistir ao espetáculo. "Eles são muito expressivos e conseguiram usar muita coisa de nossa cultura na peça. Achei superdiferente e interessante".

"Não há censura ao teatro na Venezuela", garante dramaturgo

fotos: Ott por Gerald Martineau, The Washington Post - Passport, divulgação

Uma mulher viajando sozinha acorda ao chegar a uma estação de trem. Obrigada a desembarcar e sem saber onde está, ela busca obter informações com um soldado responsável por fiscalizar a entrada de imigrantes no país. Sem falar o idioma local, a mulher se vê enredada em uma série de mal-entendidos que culmina com sua prisão temporária, durante a qual será torturada pelo soldado e por um oficial truculento.

Que país é este de autoritarismo e desrespeito aos direitos humanos retratado na peça Passport? O dramaturgo venezuelano Gustavo Ott se apressa para esclarecer que a história apresentada na sexta-feira (3) e no sábado (4) como parte da programação do Mirada - 1º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos (SP) não se passa na Venezuela do presidente Hugo Chávez.

"Um espectar ontem me perguntou se o país é a Venezuela e eu disse que não. Ele então quis saber se poderíamos apresentar esta peça em nosso país e eu lhe respondi que sim, que ela está em cartaz há dois anos. Quando eu lhe disse que não há censura na Venezuela ele me pareceu desapontado. Ele queria que eu dissesse que há, mas a verdade é que, no caso do teatro, mesmo do teatro político, não há censura", disse o dramaturgo à Agência Brasil.

"Creio que vivemos um processo muito interessante na Venezuela. Há, lógico, muitas críticas que podem ser feitas à administração de Chávez, mas não se pode acusá-lo de não ter sido eleito democraticamente ou de violar as liberdades individuais."

Passport foi escrita em 1988 e se inspira parcialmente em episódio vivido pelo próprio Ott que, anos antes, foi barrado ao tentar atravessar a fronteira entre a antiga Iugoslávia e a Albânia. "Eu ia para a Grécia, mas peguei um trem errado. Na Albânia não me compreendiam e não sabiam onde fica a Venezuela. Para que me compreendessem, disse que era um país vizinho ao Brasil, que eles conheciam por causa do futebol", lembra Ott, que passou um dia no posto de fronteira até ser liberado.

Após o sucesso inicial, a peça ficou anos sem ser encenada. Ott chegou a acreditar que nos anos 1990 a reflexão sobre temas como identidade nacional, imigração e desrespeito aos direitos humanos deixaria de ser necessária. A própria história, contudo, trataria de desenganá-lo. A invasão do Iraque por tropas militares norte-americanas, a prisão arbitrária e a violência contra acusados de terrorismo detidos em Abu Ghraib e o endurecimento das leis antimigração demonstraram a atualidade do texto.

"Nos anos 1980, era comum na América Latina a discussão sobre os direitos humanos, as arbitrariedades e a incomunicabilidade. A partir de 1990, os conteúdos se superficializaram e já não era tão importante fazer teatro político. Quando começou o século 21, a roda da história voltou a girar de forma dramática. Nestes dez anos vimos de tudo e vemos agora um mundo amedrontado em que a tortura deixa de ser exclusividade dos países subdesenvolvidos e no qual temas como a imigração e as identidades nacionais voltam a ser centrais", argumentou Ott.

"Passport é uma peça que se adapta aos diferentes espectadores. No Japão nos disseram que a história lembrava a relação e as diferenças entre os moradores da capital e os do interior, que em muitos casos se odeiam. Já em Israel houve quem me dissesse que ela dizia respeito à diáspora judaica. Na Venezuela, claro, pensamos que o texto fala também sobre a divisão entre uma Venezuela politicamente comprometida e outra que sente que seus direitos estão sendo cerceados", disse o dramaturgo, que trabalhou como jornalista durante 18 anos, período durante o qual escreveu sobre política, esportes, crimes, cultura e moda. Nesse mesmo período, ele se dedicou a escrever parte de suas mais de 40 obras. Três delas estão em cartaz no Brasil: Chat, em Recife (PE); Dois Amores e um Bicho, em Curitiba (PR) e Divorciadas Evangélicas e Vegetarianas, que está em cartaz em Salvador (BA) e está prestes a estrear também no Rio de Janeiro (RJ).

"Este é um momento muito importante para o teatro na Venezuela. Há um teatro comercial, dedicado ao entretenimento, que embora não reflita sobre o país, leva grandes públicos às salas. E há também um teatro independente cada dia mais político e poético. Há muitos novos autores escrevendo muito bem e estamos sendo montados no exterior", disse o dramaturgo antes de criticar o governo venezuelano por não dar o devido apoio ao teatro e à literatura. "Houve uma estratégia política para o desenvolvimento do cinema nacional que já começa a dar frutos, mas para o teatro e para a literatura não houve qualquer planejamento além de tentar massificar o acesso. Isto está começando a ser rediscutido agora", concluiu Ott.

sábado, setembro 04, 2010

Espanhóis agradam público de festival ibero-americano de artes cênicas de Santos


Com propostas e o emprego de recursos cênicos distintos, as duas companhias teatrais espanholas convidadas para o Mirada - 1º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos (SP) agradaram ao público que prestigiou, ontem (3) à noite, as apresentações.

O Xarxa Teatre, grupo valenciano de teatro de rua, ocupou parte do jardim do Emissário Submarino, à beira-mar, para encenar o espetáculo El Foc Del Mar (O Fogo do Mar). Parte do repertório da companhia, o espetáculo pirotécnico vem sendo encenado desde 1994 e, segundo o próprio grupo, já foi exibido em mais de 40 países.

Segundo o ator e assistente de direção Oscar Luna, o público compreendeu a proposta do grupo de encenar uma grande festa de rua, com o uso de fogos de artifício, música percussiva e as cores vivas e formas geométricas normalmente associadas à cultura mediterrânea que, juntos, remetem às tradições festivas de Valencia.

"É um espetáculo um pouco diferente pois não contamos uma história própriamente dita, não há uma única palavra. Nossa intenção é fazer uma festa teatral a partir das tradições valencianas e tínhamos a expectativa de ver como o público iria reagir. A resposta foi boa" , disse Luna à Agência Brasil.

"Linda! Valeu muito a pena. O trabalho é uma maravilha", disse a aposentada Vilma Rodrigues de Campos Melo, moradora de Laranjal Paulista, no interior do estado, que aproveitou a visita à filha que mora em Santos para assistir, de graça, ao grupo espanhol. A professora de educação física Adriana Barbieri também elogiou o trabalho do Xarxa. "Viemos por conta da sinopse que nos entregaram na rua e valeu. Não foi preciso que os atores falassem nada. Foi maravilhoso, ainda mais por ser na praia".

Em seguida, uma parcela do público seguiu da praia para o Serviço Social do Comércio (Sesc) de Santos, onde ocorre parte dos espetáculos fechados. Não foi no teatro, contudo, que a Compañia de Teatro Animalario encenou a história do boxeador basco José Manuel Ibar, o Urtain, que dá nome à peça. Um ringue cenográfico, além de toda a estrutura de iluminação, foi montado no ginásio.

Cadeiras foram dispostas para o público em torno do ringue como a reproduzir uma arena de luta e, por duas horas, a plateia acompanhou a ascensão e o declínio do jovem, que chamou a atenção de especialistas ao demonstrar extrema força física levantando pedras e que acabaria por se tornar campeão europeu de pesos-pesados em meio à ditadura de Francisco Franco (1938-1973).

"Gostei bastante da peça e achei diferente a ideia do ringue, algo que torna a representação ainda mais realista. Acho que com a iluminação e com a narrativa, eles conseguiram fazer com que o público viajasse pela história", disse o jornalista Eduardo Ricci que já havia assistido, na quinta-feira (2), ao espetáculo mexicano De Monstruos e Prodigios. "O que é legal é ver a diversidade. Eu, por exemplo, jamais havia visto um cavalo em cena como vi ontem [no espetáculo mexicano], e as questões alegóricas também foram bem interessantes".

O festival segue até o próximo dia 11, e as duas peças voltam a ser apresentadas hoje (4). Toda a programação está disponível no site www.mostrasescdeartes.com.br/mirada. As peças apresentadas em espaços fechados custam R$ 10 (R$ 5 a meia-entrada e R$ 2,50 para comerciários). Já as encenadas em um dos sete espaços ao ar livre são gratuitas.

Argentina é homenageada em Festival de Artes Cênicas de Santos



A Argentina é o primeiro país a ser homenageado no Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, evento realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) de São Paulo e cujos organizadores, já na abertura de sua primeira edição, ontem (2) a noite, manifestaram a expectativa de que se estabeleça como mais um importante evento do calendário artístico nacional.

Segundo o gerente do Sesc de Santos, Luiz Ernesto Figueiredo Neto, a intenção é que o festival aconteça a cada dois anos, na cidade, e que a cada edição um novo país seja homenageado. Ainda assim, ele destaca que, mesmo atravessando um mau momento econômico, a Argentina tem uma produção dramatúrgica importante e multifacetada.

Para dar conta de representar a diversidade estética e temática do teatro contemporâneo argentino, os curadores do festival convidaram cinco criadores, entre eles o diretor e dramaturgo Daniel Veronese, um dos fundadores da companhia El Periférico de Objetos, criada em 1989 e que já trabalhou no Brasil, onde, em 2009, dirigiu a peça Gorda, com Fabiana Karla e Michel Bercovitch.

No Mirada, Veronese apresentará três espetáculos: O Desenvolvimento da Civilização Vindoura, no próximo domingo (5); Todos os Grandes Governos Tem Evitado Ao Teatro Íntimo, no dia 6 e Espia a Uma Mulher Que Se Mata, no dia 7. As duas primeiras são as versões pessoais de Veronese para os clássicos A Casa de Bonecas e Hedda Gabler, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Já a última é uma versão do argentino para Tio Vânia, do russo Tchekhov.

Entre os argentinos, também se apresentará em Santos, nos dias 6 e 7, a companhia Teatro Timbre 4, fenômeno da cena independente portenha que busca romper com a representação tradicional e que já percorreu Estados Unidos, Portugal, Espanha, Bósnia-Herzegóvina, Irlanda e o próprio Brasil com a peça A Omissão da Família Coleman.

Já nos dias 7 e 8, o espetáculo Lote 77 permitirá ao público do Mirada conhecer o trabalho do ator e diretor Marcelo Mininno, autor do texto que trata da construção social e histórica do conceito de masculinidade visto pela ótica de trabalhadores rurais.

Já a atriz e diretora Lía Jelín, junto com as atrizes Marta Bianchi e Noemi Frenkel, se serve das histórias de vida das escritoras Alejandra Pizarnik (1936-1972) e Silvina Ocampo (1903-1994) para lançar um olhar feminino e literário sobre a história recente da Argentina. Dias 4 e 5.

Nada do Amor me Provoca Inveja, monólogo encenado nos dias 9 e 10 por María Merlino e dirigido por Diego Lerman, parte das desavenças entre as cantoras e atrizes Libertad Lamarque e Eva Duarte para discutir a memória política e social do país. Na vida real, Libertad teria dado um tapa no rosto da jovem Eva, que logo depois se casou com o presidente Juan Perón, entrando para a história como "a mãe dos pobres" Evita Perón. Libertad, por sua vez, passou a ser boicotada em seu próprio país e teve que se mudar para o México, onde morreu no ano de 2000.

Além da Argentina, o público também terá a chance de assistir a trabalhos da Bolívia, Colômbia, Espanha, Venezuela, Equador, México, Peru, Chile, Uruguai, Portugal e do próprio Brasil. Toda a programação do evento pode ser consultada no site www.mostrasescdeartes.com.br/mirada.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Ditaduras militares distanciaram produção teatral latino-americana


Ainda pouco conhecida do público brasileiro, a produção teatral latino-americana vem conquistando espaços de exibição Brasil afora. Além de mostras já tradicionais como as de Londrina (PR) e de Porto Alegre (RS) – nas quais é frequente a presença de grupos e companhias de países vizinhos –, eventos como o festivais Ibero-Americano de Teatro de São Paulo (SP), que este ano chegou a terceira edição, e o de Santos (SP), cuja primeira edição teve início ontem (2) a noite, tem permitido que os profissionais da área troquem experiências e que o público conheça produções de qualidade.

"A produção artística e o pensamento latino-americanos são hoje tão importantes quanto as referências europeias e norte-americanas que formaram nosso teatro ao longo da história", sustenta a ensaísta e professora da Escola de Artes Dramáticas (EAD) da Universidade de São Paulo (USP) Silvana Garcia que, em Santos, coordenará a mesa de debates Criação e Identidade no Teatro Ibero-Americano.

"Estamos recuperando um contato que, na década de 1960, foi muito importante e que, em parte, foi interrompido pela censura e pela repressão que, nos anos 1970, foram terríveis para o teatro", disse Silvana ao mencionar a interrupção de antigos festivais internacionais de teatro, responsáveis por trazer ao país nomes e obras que influenciaram toda uma geração.

A diretora Cibele Forjaz, cuja Mundana Companhia apresentará em Santos, a partir da próxima segunda-feira (6), a peça em três partes O Idiota, a reaproximação com o teatro ibero-americano é como "curar antigas feridas".

"A partir do final da década de 1960 nós tivemos ditaduras que sufocaram as manifestações artísticas em praticamente toda a América Latina. Isso, me parece, provocou um distanciamento em razão do qual a gente, hoje, normalmente conhece mais do teatro alemão do que do argentino", disse Cibele.

Para Silvana Garcia, o crescente interesse pela produção ibero-americana é consequência da revitalização, a partir do início da década de 1990, do conceito de teatro de grupos, de produção coletiva, em detrimento do destaque do diretor, característico dos anos 1980.

"Na década de 1980 houve um afastamento quase que natural em função das características locais de produção, mas a partir dos anos 1990, com a efervescência e o surgimento de uma nova geração dedicada ao teatro coletivo, nós voltamos a nos interessar por este intercâmbio e a perceber um movimento similar na América Latina", disse a professora, destacando que, hoje, a produção é heterogênea.

Festival de teatro em Santos quer promover produção ibero-americana

Sede do maior porto da América Latina, a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, foi escolhida para abrigar um novo festival dedicado à produção teatral de países ibero-americanos. De acordo com os organizadores do evento, nada mais natural que a cidade-porto fosse escolhida por simbolizar um espaço de encontro de diferentes povos e da cultura ibero-americana.

O
rganizado pelo Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP) até o próximo dia 11, o Mirada – 1º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos trará à cidade 13 peças nacionais e 18 internacionais, além de debates, exposições e mostras de vídeo que permitirão a troca de informações entre atores, diretores, dramaturgos, produtores e o público, além de poderem conhecer exemplos do que de melhor vem sendo feito em termos de teatro na Argentina, Bolívia, Colômbia, Espanha, Venezuela, no Equador, México, Peru, Chile, Uruguai, em Portugal e aqui mesmo, no Brasil. Toda a programação está disponível no site www.mostrasescdeartes.com.br/mirada.

"São todos espetáculos com diretores e grupos renomados", garantiu à Agência Brasil o gerente do Sesc de Santos, Luis Ernesto Figueiredo Neto, ao explicar que a proposta é que o festival se espalhe por toda a cidade de cerca de 430 mil habitantes. Além dos 11,5 mil lugares disponíveis para os espetáculos em locais fechados, espaços públicos ao ar livre como uma praça no jardim da praia, o Emissário Submarino e um casarão restaurado no Centro Histórico serão usados como espaço cênico.

Os ingressos para ao menos seis espetáculos já haviam se esgotado até a noite de ontem (2), quando os atores da companhia mexicana Teatro de Ciertos Habitantes subiram ao palco do Teatro do Sesc para, por meio de seu teatro-ópera, contar a história dos
castrati – jovens que, na Idade Média, eram castrados a fim de manter o timbre agudo de voz característico da infância.

A julgar por este primeiro espetáculo, nem mesmo a diferença de idiomas será um empecilho para que o público aproveite a oportunidade. Apesar de alguns problemas iniciais com a projeção, quem não domina o espanhol pode acompanhar a história com a ajuda de legendas. Já para as apresentações ao ar livre, a seleção dos espetáculos privilegiou os que proporcionam a interatividade com a plateia e de fácil compreensão.

Segundo a ensaísta e professora da Escola de Artes Dramáticas (EAD) da Universidade de São Paulo (USP) Silvana Garcia toda a iniciativa que busque aproximar os profissionais da área e o público em geral da produção artística de países vizinhos e que revele a pluralidade de gêneros e os diferentes métodos é importante.

"Este intercâmbio é fundamental. Para os profissionais, permite que se informem e aprendam técnicas e métodos de trabalho. Para o público é uma ótima oportunidade para ampliar o olhar. É importante tirarmos os olhos apenas do que é habitual e exercitar nosso olhar para o que é diferente e inédito", disse Silvana. "A produção artística e o pensamento latino-americano são hoje tão importantes quanto as referências europeias e norte-americanas que formaram nosso teatro ao longo da história".

terça-feira, agosto 31, 2010

Para além do brega paraense

StereoScope é uma banda de Belém, capital do Pará, que vem ganhando respeito e fans Brasil afora misturando Jovem Guarda à surf music e a outras influências da música pop. Hoje (30/08), o grupo tocou de graça para menos de 50 pessoas que, na maioria, davam a impressão de estarem de bobeira pelo Sesc Consolação, em São Paulo (SP). Pena, pois os quatro músicos mereciam uma platéia maior.

Com três discos na praça (Rádio 2000, de 2003; O Grande Passeio do StereoScope, de 2006 e o recente Conjunto de Rock), Jack Nilson (vocal e guitarra), Marcelo Nazareth (guitarra), Ricardo Maradei (baixo) e Daniel Pinheiro (bateria) já disseram estar interessados em desconstruir "os lugares-comuns do rock" (Jack Nilson). Não chegaram a tanto, mas as canções, de aparente simplicidade melódica são, de fato, uma boa surpresa.

A qualidade do som dos vídeos postados não está boa, mas dá para ter uma idéia de como a banda, com oito anos de carreira, se porta no palco. Para conhecer o som dos caras, vale acessar o site da gravadora Trama, que disponibiliza os dois primeiros cds para audição e para baixar. O endereço é http://tramavirtual.uol.com.br/stereoscope (Ouça com Atenção: a faixa A Lira, do álbum Rádio 2000)


segunda-feira, agosto 30, 2010

Make Me Smile - Steve Harley & Cockney Rebel

Há dias em que você acorda crente... e se dá conta de que só crendo... E então te dá vontade de revirar sua coleção em busca de uma música pop batida e perfeita com a qual você possa dançar agarrado com sua crença. E mesmo não sabendo dançar, teu credo neste dia é tão forte que te conduz ao ritmo da velha balada. Dois pra lá, dois pra cá, você se surpreende querendo crer que, talvez, a letra escrita há várias décadas exista apenas para descrever esse exato momento em que tudo parece estar ao alcance das tuas mãos. Mesmo quando, casualmente, este momento de epifania se dá numa segunda-feira e uma nuvem de poluição cobre a cidade e esconde o sol.

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sábado, agosto 21, 2010

Mart´nália é acometida por "síndrome de Vanusa" durante show em Brasília

O sujeito quando não é rico ou popular tem que ao menos procurar estar ligado e contar com alguma sorte. Ano passado, almoçando em um shopping de Brasília, me deparei com o Luiz Melodia na mesa ao lado. De um comentário despretensioso surgiu um convite para ir à apresentação que o músico faria naquela mesma noite, durante a festa de 21 anos da Fundação Cultural Palmares. Imagina você chegar a um show do Melodia e dizer aos produtores que ele mesmo o convidou...Quase não deu certo, mas isso é uma longa história e o importante é que, no fim, entramos eu e minha namorada.

Este ano, para minha surpresa, algo parecido voltou a acontecer. Com o detalhe de que eu havia chegado a Brasília a menos de 12 horas, aproveitando uma promoção de passagens aéreas a R$ 1 a volta. Só por viajar barato eu já estava satisfeito, mas aí encontrei um amigo e, a seu convite, fui parar no show Mães D’Água — Yèyé Omó Ejá, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

Atenção TV Brasil, atenção tevês públicas: como é que ninguém transmite um evento como este? Para celebrar os 22 anos da fundação, o diretor artístico Fábio Espírito Santo e o maestro Ângelo Rafael Fonseca bolaram o inédito encontro de sete cantoras negras que representassem e exaltassem os atributos de Yemanjá.

A proposta resultou no encontro de Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart´nália, Paula Lima e Rosa Maria que, individualmente ou em duplas e, ao fim, juntas, interpretaram canções de Dorival Caymmi, Edu Lobo, Vinicius de Moraes, Baden Powell, entre outros. Com o luxuoso acompanhamento de uma orquestra completa.

Apesar de algumas deficiências técnicas, o show foi ótimo e mesmo a Luciana Mello, que eu já havia visto antes e não gostado, me surpreendeu positivamente. O único senão foi de Mart´nália, acometida por algo pior que a "Síndrome de Vanusa" já que, tráida por um problema no monitor escondido na frente do palco, revelou não saber a letra da canção O Mar Serenou, de Candeia. Atrapalhada, ao invés de parar e recomeçar após acertarem a letra no prompt, decidiu seguir em frente com um "nã-nã-nã ...quem samba na beira do mar é sereia". Constrangedor para ela, para os músicos da orquestra que seguiam atônitos e para parte da platéia que a aplaudia como que a incentivá-la a não se abater.

A letra é realmente difícil e coisas assim acontecem, mas que Mart´nália é uma cantora limitada ninguém há de negar. Contudo, tem carisma e, em sua carreira solo, tem sabido como nenhuma outra cantora recente (depois de Marisa Monte) escolher o repertório e os músicos que a acompanham. Ontem, com uma orquestra, a receita quase desandou. E cantando ao lado de uma Margareth Menezes ou junto de uma Paula Lima, sua voz sumia. Ainda assim, foi das mais aplaudidas e soube encarar com gaiatice uma segunda tentativa de interpretar a mesma canção para que ficasse registrada no DVD que a Fundação Palmares deve lançar em breve. Atenção mais uma vez tevês públicas: isso é política cultural afirmativa. E, como sugestão, que nos próximos anos a festa ocorra em um espaço aberto já que quem financia o evento é o Ministério da Cultura. Isso permitiria que mais gente visse os shows e, ao mesmo tempo, levaria mais gente a conhecer a fundação e a refletir sobre a luta antiracismo.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Poderia e deveria ter rendido muito mais, mas este é um tempo acelerado e superficial...


Conflito em torno do cumprimento de direitos humanos é inevitável, diz filósofo argentino

Agência Brasil - 18/08/2010 - 17:20

São Paulo – As divergências e os conflitos em torno do estabelecimento e do cumprimento dos direitos humanos são inevitáveis, garante o filósofo argentino Enrique Dussel, fundador da Filosofia da Libertação, corrente filosófica criada na América Latina no final da década de 1960. Para Dussel, como os direitos são conquistados mediante a mobilização dos grupos excluídos e, em geral, questionam a legitimidade de direitos já consagrados, o choque de interesses é inevitável.

“Quando as vítimas [de um sistema] se dão conta de que seus direitos não estão incluídos na lista de garantias vigentes, elas rompem com o consenso”, disse Dussel à Agência Brasil, ao participar da 1ª Semana de Educação em Direitos Humanos, evento realizado pela Universidade Metodista e que ocorre até amanhã (19), em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Segundo ele, não há como estabelecer uma lista de direitos fundamentais que sirva adequadamente a todas as épocas e situações. “O consenso em torno dos direitos em vigor, num determinado momento histórico, é fruto de um movimento anterior e toda vez que os dominados – aqueles que não participaram do acordo que definiu esses direitos – passam a exigir um novo direito, os dominadores passam a reprimir essa nova consciência crítica. Está gerado o conflito”, afirmou.

“Durante os conflitos, o direito já consagrado, muitas vezes, perde sua legitimidade enquanto as novas exigências, quando legítimas, pouco a pouco, passam a ser aceitas, terminando por se tornar o novo consenso. De qualquer forma, sempre haverá excluídos”, comentou Dussel, que hoje é professor da Universidade Metropolitana do México, país onde se exilou em meados da década de 1970, fugindo da perseguição sofrida durante a violenta ditadura militar argentina. Para ele, a América Latina experimenta a oportunidade de uma “segunda independência”.

“A experiência política latino-americana é uma novidade na história mundial. É algo muito, muito importante, a eleição de um indígena [Evo Morales] para a presidência da Bolívia; um operário [Luiz Inácio Lula da Silva] no Brasil; um ex-guerrilheiro como Maurício Funes em El Salvador; um bispo progressista [Fernando Lugo] no Paraguai; um Rafael Correa [presidente do Equador] e um Hugo Chávez [presidente da Venezuela]. Temos um verdadeiro laboratório político aqui”, comentou Dussel, entusiasta de iniciativas como a criação, na Venezuela, do Poder Cidadão, criado para garantir a participação institucional da população na estrutura de poder e para fiscalizar os outros Quatro Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral).

domingo, agosto 15, 2010

A falta que um assobio faz

* (reproduzo abaixo um poema escrito pela jornalista e professora universitária santista, Lidia Maria de Melo, autora de, entre outros, "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós", livro em que documenta o vergonhoso episódio do navio-cárcere que permaneceu ancorado na baía de Santos e no qual prisioneiros do regime militar foram mantidos presos entre abril e outubro de 1964. Segundo ela mesma, o poema abaixo começou a ser escrito em 2000, mas só foi concluído em 2009, de maneira que, apesar de algumas mudanças recentes, ainda representa o pensamento de muitos)



Um Assobio
Lidia Maria de Melo


Minha cidade mudou de cor.
Já foi vermelha, desbravadora,
mais que temida: foi respeitada.

Minha cidade tinha
um característico viço incomum.
Homens erguiam sacas de café, de açúcar
e tantos outros produtos
que garantiam sustento digno.

Minha cidade era de brios.
Já foi grevista, polêmica,
operária, dona de vida à toa na beira do cais,
artística, intelectual,
poética, teatral,
vanguarda política e musical.

Minha cidade foi palco de eternos e heroicos dribles,
célebres conquistas,
inesquecíveis vitórias.
Gerou discursos, comícios,
inflamadas assembleias.
Inspirou prosas e versos.
Minha cidade já teve siso, ares sombrios...
Minha cidade sempre se defendeu.

Nos últimos tempos, minha cidade contraiu
uma palidez preocupante,
uma cruel anemia.
Minha cidade ficou branca.
Mas não com ares de paz.

Seus meninos tombam, abatidos,
ainda no vigor dos hormônios.
Minha cidade virou manchete
na internet, rádios, jornais e emissoras de TV.

Minha cidade perdeu o sono
e morre de medo.
Minha cidade anda doente,
necessitada de intensivos cuidados.
Minha cidade precisa
é recuperar o bom humor de um assobio.

** (Agora que melodia mágica deve ser esta a ser assobiada para que nossa cidade recupere o bom-humor que permita a volta dos shows na praia e o uso adequado do Teatro Municipal e da Cadeia Velha? Que desestimule aqueles que pensam em promover abaixo-assinados para impedir o uso da Concha Cústica ou para fechar o Ouro Verde? Que devolva à Avenida Mário Covas, seu verdadeiro nome e aos jovens à esperança de poderem dar o melhor de si em sua própria terra?)

segunda-feira, agosto 09, 2010

FLIP

Fui, vi e voltei. Não plenamente satisfeito, mas tampouco insatisfeito. Digamos que, das seis edições da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) a que estive presente, a deste ano foi a mais...insossa. Culpa do menor espaço dedicado à ficção? Da ausência de boas polêmicas? Do meu desconhecimento (compartilhado por boa parte do público) a respeito da obra do sociólogo Gilberto Freyre?

Para os organizadores, "a diversidade de temas garantiu o sucesso" desta oitava edição da Flip. Segundo eles, entre 15 e 20 mil pessoas acompanharam as 19 mesas de debates e conversas que aconteceram entre a quarta-feira e o último domingo. Consequentemente, as receitas da festa saltaram de R$ 5,9 milhões em 2009 para R$ 6,3 milhões este ano. Um bom sinal, lógico, mas, para mim, a seleção dos autores convidados ficou mais irregular que as ruas de pedras da cidade.

Quem esperava que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se valesse do convite para proferir a conferência de abertura do evento para fazer proselitismo político acabou acompanhando a uma "conferência extremamente complexa", nas palavras do diretor de programação da Flip, Flávio Moura. Não achei isso e o próprio FHC repetiu mais de duas vezes não conhecer a fundo a obra de Freyre, mas o que importa é que ele respeitou o caráter do evento e se absteve de fazer política, salvo por uma ou duas alfinetadas sutis.

Já a chilena Isabel Allende, autora de, entre outros, A Casa dos Espíritos, fez piada de si mesma e das mulheres chilenas em geral, contou que o poeta Pablo Neruda a incentivou a se tornar escritora dizendo que as características que a tornavam a pior jornalista em atividade em seu país seriam as mesmas que poderiam ajudá-la a se transformar em uma boa autora de ficção, evitou se alongar na descrição de sua pouca vivência com seu tio, o presidente morto durante um golpe militar, Salvador Allende, e defendeu a literatura como paixão. Infelizmente, não parecia estar em um de seus melhores dias e o jornalista Humberto Werneck não conseguiu extrair muito mais dela.





Mas pior sorte teve o experiente Silio Boccanera. Após anos como repórter correspondente no exterior, Silio tentou conduzir o bate-papo com o indiano Salman Rushdie para temas controversos como o extremismo religioso (sobretudo o mulçumano), as críticas que apontam uma "visão estereotipada" na obra de Rushdie e a situação iraniana. Em tom ríspido, o autor indicou ter vindo ao Brasil para falar de seu novo livro e não de política. O jornalista se fez de desentendido e seguiu a mesma linha, pouco interessado em divulgar a obra do indiano. Dá para condená-lo por isso? Acho que não, né?

Mas foi só as 17h15 de sábado que enfim as Musas baixaram sobre a Tenda dos Autores. Dando mais munição aos que defendiam que a Flip, por seu caráter, deve privilegiar os autores ditos "literários" (contistas, cronistas, romancistas e poetas), o poeta Ferreira Gullar fez a palestra "do ano".





Prestes a completar 80 anos e recém-agraciado com o Prêmio Camões, a maior distinção literária da língua portuguesa, Gullar esteve impagável. Seja ao ironizar os que colocam a atuação política acima da obra literária de qualidade intrinseca, seja ao contar as muitas história que vivenciou nas últimas seis décadas.

"Não adianta fazer poesia ruim, engajada, para não mudar nada. Se é para não mudar nada é preferível fazer boa poesia", disse pouco antes de ler um trecho de sua obra mais famosa, o Poema Sujo, de 1976, escrito quando achava que seria `desaparecido´ pelo regime militar. Aplaudidíssimo, Gullar não escondeu a fragilidade e o estranhamento com que recebia a homenagem.





Ainda no sábado, na sequência de Gullar, duas lendas-vivas subiram ao palco para, digam o que disserem os jornais que apoiam o evento, frustrar o público presente. Não foi preciso nem meia-hora para que os cartunistas norte-americanos Robert Crumb e Gilbert Shelton transformassem a mesa mais concorrida desta Flip na conversa com o maior índice de evasão dos últimos tempos. Ao menos na Tenda do Telão, que começou lotada e logo estava com metade dos assentos vazios. Culpa das piadinhas de Crumb sobre o tamanho das bundas das brasileiras? Penso que não e acho que o mediador, o editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, teve boa dose de responsabilidade para o fracasso da conversa, que não revelou absolutamente nada. Principalmente pela desastrada atenção que deu à esposa de Crumb, a também desenhista Aline Crumb, que convidada a subir ao palco, acabou monopolizando o encontro diante de um apático Shelton que poucas oportunidades teve para falar.

quinta-feira, agosto 05, 2010

com uma conferência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as bases do pensamento do sociólogo Gilberto Freire, teve início, ontem a noite, a oitava edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, como o evento é mundialmente conhecido (seus organizdores já cogitam a criação de uma edição inglesa, o Flip UK). E a simples opção do tucano já rendeu ao evento sua primeira polêmica: além das críticas de autores de ficção e de ensaistas literários, como Marcelino Freire, que pela primeira vez não virá a cidade histórica, um grupo de cidadãos ontem se postou na entrada da Tenda dos Autores com camisetas e cartazes com frases contra a participação do sociólogo paulista que já pediu que esquecessem o que ele escreveu. Apesar disso, FHC frustrou os que esperavam polêmica, atendo-se a apresentar a um público heterogêneo sua avaliação do principal livro de Freire, Casa Grande E Senzala (ainda que, o tempo todo, destacando não ser um profundo conhecedor da obra de Freire). Entre as mesas desta quinta-feira uma das que promete ser das mais concorridas dos últimos anos: a da chilena Isabel Allende, autora de, entre outros sucessos, A Casa dos Espíritos.

segunda-feira, julho 26, 2010

Tipos Latinos

A Bienal Tipos Latinos 2010 apresenta cerca de 80 trabalhos tipográficos de designers da América Latina. Em sua quarta edição, a exposição divide-se em sete categorias, de acordo com a destinação de uso das fontes criadas - desde aquelas voltadas à composição de texto corrido às experimentais, que não priorizam a leitura. Entre os autores selecionados, estão os brasileiros Fernando Caro, Marconi Lima, Pedrina Reis e Ana Paula Megda.
Terça a sexta, das 10 às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada franca - Piso Flávio de Carvalho

sábado, julho 24, 2010



E então? Passado o impacto inicial, que tal começar a aproveitar o que São Paulo tem de melhor a oferecer: a vida cultural e artística. Sim, porque na capital paulista até o mais `mudérno´ frequentador da Baixa Augusta tem que suar se quiser acompanhar seja lá qual for a cena. Na música, por exemplo, o caso de Guilherme Granado e seu Bodes e Elefantes é sintomático do que estou tentando dizer.

Na internet é fácil encontrar menções ao "projeto paralelo" do multi-instrumentista que toca no Hurtmold...Peraí. Como é que é? Hurt o quê? Pois é. Hoje "projeto paralelo" não é mais um privilégio de músico entediado com o sucesso alcançado pelo grupo que o alçou à fama. Nãããão. Hoje, "projeto paralelo" é o equivalente à dupla jornada de quem tem que ralar muito para saciar a fome, seja no sentido literal, seja figuradamente.

Difícil de entender? Pois então vejamos se eu consigo explicar onde quero chegar. A fama do Hurtmold extrapolou o círculo dos iniciado quando o grupo passou a tocar com o hermano Marcelo Camelo. Após isso, Granado encontrou tempo para gravar seu segundo trabalho com a Bodes e Elefantes, na qual toca com M. Takara, que também é seu companheiro no... Hurtmold. E no São Paulo Underground.

Entendeu? O projeto paralelo atende mais à vontade da fazer algo diferente, sem que isso signifique tocar com parceiros diferentes. De qualquer forma eu cansei de tentar explicar essa tal de cena paulistana que conta ainda com nomes como Cidadão Instigado, Rômulo Fróes, Cérebro Eletrônico e vários outros que vão demorar um tempinho a começar a aparecer nos jornais e na tv.

Assim como as opções artísticas de cada um varia conforme o projeto, os resultados são díspares. No caso do Bodes e Elefantes, como escreveu Luis Fernando Santos no site Banana Mecânica, "quanto crédito merece um disco que tentou, gritou e experimentou fazer diferente, mas que esqueceu de comunicar?".

Não chega a ser indigesto, pelo contrário, mas soa difícil o trabalho do Bodes, com músicas longuíssimas e um uso excessivo de sobreposição de sons, distorções e citações. De qualquer forma, está aí...vejamos se consigo baixar o vídeo.

quinta-feira, julho 22, 2010

Música Incidental Pra Viajar

Direto do Centro Cultural Vergueiro, onde Guilherme Granado lança o segundo álbum de seu projeto solo...

espaço reservado para o vídeo

domingo, julho 18, 2010

Semifosco Trotamundo

Em duas semanas...Orla da Praia de Santos (SP); Terminal Barra Funda, em São Paulo (SP); Marina Silva inaugura a primeira das Casas de Marina (espécie de comitê eleitoral organizado voluntariamente por seus simpatizantes) no bairro de Campo Lindo, extremo Sul de São Paulo; o candidato presidencial José Serra faz campanha no centro de Campinas (SP); o candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckimin, e o candidato ao Senado, Orestes Quércia, ajoelhados na Igreja Matriz de Jundiaí (SP); Aeroporto Internacional de Brasília (DF); vegetação resiste à seca em Superquadra de Brasília (DF); Avenida Consolação, em São Paulo (SP) com o Minhocão ao fundo e Santos, hoje (18)

























































domingo, julho 04, 2010

Orgulho de Ser Santista

Evoé José Bonifácio, Bartolomeu de Gusmão, Benedicto Calixto, Gilberto Mendes, Plínio Marcos e aos muitos Querôs, Celso Amorim, Mário Covas, Sérgio Mamberti, Renato Teixeira, Vicente de Carvalho, Tomas Rittscher (o primeiro homem no Brasil a deslizar sobre uma onda usando uma prancha, ainda em 1934), Aloizio Mercadante, Esmeraldo Tarquínio, Nuno Leal Maia, Homero Naldinho, Almir e Picuruta Salazar e a todos os H-Prol boy´s (espécie de Dogtown caiçara).

Um salve aos irmãos José e Raphael Herrera, a Nair Lacerda, Cassiano Nunes, Oscar Magrini, Garage Fuzz e Charlie Brown Jr., Cristiano Navarro, Bete Mendes, Rubens Edwald Filho, José Roberto Torero, Rui Ribeiro Couto, ao cientista José Fernando Perez, Paulo Vilhena, Abel Neto, Luciano Faccioli, Rogério Sampaio, Fábio Goulart, Paulo Celestino e Luiz Fernando Marques (Lube), do Grupo XIX de Teatro. E principalmente aos portuários e sindicalistas que fizeram com que, por muito tempo, a hoje "sonífera ilha" fosse conhecida como a "Capital Vermelha" do país.

Em homenagem a todos os santista, uma mostra de algo de essencial que resiste à modorra e à turma do Não que tenta a todo o custo silenciar a alma festiva da população: a Roda de Samba do Ouro Verde (clique aqui para saber mais)




segunda-feira, junho 21, 2010


"Atenção! Pensando em sua comodidade, nos dias em que houver jogo da seleção brasileira, a CPTM irá adiantar o horário de pico. Próxima estação, Imperatriz Leopoldina. Desembarque pelo lado esquerdo do trem".
Bem-vindo a São Paulo. Graças a Deus, aqui há sempre alguém preocupado com a nossa comodidade e disposto a nos aliviar de qualquer peso necessário.
Após duas semanas de muito frio, a temperatura voltou a esquentar e o semifosco redator começa a se animar a percorrer o roteiro culturas da louca paulicéia. Uma peça com a Denise Fraga - A Alma Boa de Setsuan, de Bertold Brecht -, outra do CPT do Antunes - Policarpo Quaresma -, um filme meia-boca - Pânico na Neve e, hoje, um bom show da banda Guizado.

terça-feira, maio 25, 2010

Quem pode explicar a razão do pinto de peitos ter nascido com o bico preto?



Hã?



Sim meninos, o pinto de peitos tem o bico preto e o seu pio é escuro



Que raios o Fernando Catatau tá querendo dizer? Fernando quem? Catatau, o cearense que, vivendo em São Paulo, se tornou um dos artistas a personifica o que é a nova música em tempos de pulverização do sucesso: ralação esquema punk. Do it yourself.


Além de tocar no Cidadão Instigado - que parece mesmo ser sua prioridade -, o cara é o guitarrista por detrás do festejado último disco do Otto, toca com Vanessa da Mata, grava com o coletivo Instituto...e compõe coisas como isso...
Ele não é hermano







Fica dado o recado: dia 17 de junho, Cidadão Instigado toca em Brasília.

segunda-feira, maio 24, 2010

A Difícil Arte de Partir - VOL. 1: Explicações

Eu e minha namorada tínhamos acabado de entrar em casa quando o telefone tocou. Atendi a contragosto, mas me animei quando reconheci a voz amiga vinda do outro lado da linha. Ainda que ela soasse ansiosa.
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_ Porra! Que história é essa? - intimou a voz.
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_ Ô, off the boff! A que devo a honra após tanto tempo? - ironizei, adivinhando a razão da irritação de meu amigo Carlos Leite, o surfista prego que conheci assim que cheguei em Brasília e que, neste espaço de cinco anos, largou um emprego estável e pouco promissor, deixou a namorada, vendeu a bateria que não poderia carregar consigo e passou a viver de pequenos expedientes que lhe possibilitem cair na estrada em busca de ondas. Oceânicas ou sensoriais.
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_ Não vem com história não, véio! Tu não ia me contar?
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_ Ué, estava esperando você voltar seja lá de onde esteja chegando.
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_ Eu estava em Natal, mas agora estou indo praí.
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E desligou. Passados vinte minutos ouvi o barulho da catraca de uma bicicleta e do pneu sob o piso de mármore. O interfone tocou e eu nem precisei perguntar quem era. Abri as portas e o sujeito bronzeado não tardou a surgir diante de mim. Abracei-o mais efusivamente que de costume – já havia dito a minha namorada que nos últimos dias tenho andado emotivo.
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_ Pô, paulista. Como assim?
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_ Pois é! Já tá sabendo, não é?
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_ Caraco, meu. Tu tá louco?
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_ Já ouvi isso de outras pessoas, mas imaginei que você, mais do que ninguém, iria entender. Afinal, esse sempre foi meu plano. Comentei isso contigo várias vezes.
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_ Sim, mas não tem nada a ver, véio! Tu é sussa, tá a pampa aqui. Vai fazer o quê em Caos?
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_ Trabalhar. No mesmo emprego, só que a noventa quilômetros da praia. Cara, pensa só. Vou voltar a pegar onda ao menos aos finais de semana. Se marcar, consigo uma vez ou outra fazer um bate-volta no meio da semana. Não estou entendendo tua reação.
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_ Pô, véio...com quem mais aqui em Brasília eu vou assistir a vídeos de surf? Quem teria ido comigo àquela exposição de pranchas no Park Shopping? E quem vai querer ouvir meus relatos quando eu voltar das surf-trips?
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_ Eu acho que você tá precisando arrumar uma namorada, mas quanto às histórias, continua me escrevendo que eu as publico no meu blog. Deve ter três ou quatro pessoas que as lêem.
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_ Véio, já pensou no trânsito, no barulho? Como é que tu vai trocar essa tranquilidade, esse céu, por aquela selva de concreto?
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_ Pois é! Eu já pensei nisso. E concluí que é uma pena que dificilmente a gente consiga unir o melhor de dois mundos. Depois, eu vou e se não der certo volto com a certeza de que aqui é meu lugar. Melhor que passar mais cinco anos prometendo que no próximo ano eu vou. Aliás, se você não tivesse família e amigos de infância aqui eu diria que você deveria fazer o mesmo.
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_ O argumento não pareceu convencer meu amigo, mas como não soube o que dizer, Leite lançou um olhar a nossa volta como quem tentasse memorizar um cenário que sabe que verá pela última vez. Caminhou até a estante e correu os dedos pelos vídeos de surf até retirar um: Nalu.
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_ Cê tá louco?!? Aqui é meu QG. Pode não ter onda, praia, grandes shows, muvuca nas ruas, mas ainda é das melhores cidades do país para se viver.
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_ Concordo em parte contigo. E por isso mesmo essa não foi uma decisão fácil. Por mais que eu sempre tenha dito que ia, na hora h foi difícil me decidir a abrir mão das comodidades brasilienses. Mas acho que pra mim agora deu.
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_ Então você está decidido?
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_ Acho que as circunstâncias decidiram por mim, mas lembre-se da primeira conclusão: Remou, tem que dropar.
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_ Sei, sei....E a segunda é que a onda do vizinho sempre nos parece mais lisa e cavada que a nossa.
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_ Ah, deixa disso, cara...Até parece que tu tem razão para ficar com inveja de mim. Até porque tu quase não para mais aqui. Pensa só: vai ficar mais fácil a gente marcar uma session juntos. Quando for a São Paulo basta me ligar. Vai até poder ficar em casa.
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_ Então é isso? Você está certo disso?
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_ Sim. Estes são meus últimos dias em Brasília.
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_ Pô, então tu podia ao menos me deixar esse vídeo de lembrança, não?

domingo, abril 18, 2010

Moby em Brasília

PQP! Que show o dj norte-americano Moby deu esta madrugada, em Brasília.

Com a área externa do Museu da República lotada e sob o característico céu estrelado da capital federal, Richard Melville Hall, 44 anos, se valeu da companhia de uma excelente banda de apoio (que backing vocal!) para provar que a música eletrônica há muito não se resume mais ao “putz, putz” que alguns djs insistem em tocar (de hoje, basta citar as versões de Walk on The Wild Side, de Lou Reed, e a canção Honey, em que Moby competentemente encaixa um trecho de Whole Lotta Love, do Led Zeppelin).

O mais legal é que, lá pelas tantas, me dei conta de que gosto de Moby além do que imaginava, pois o cara é autor de várias músicas que assobiava sem saber de quem eram. Quer ver? Ouça Why does my heart feel so bad?, Porcelain, Disco Lies ou Troubles So Hard, para ficar apenas em algumas das que integraram o set list, em Brasília.

Assim, a semana do aniversário de 50 anos de Brasília começou bem.

sexta-feira, abril 16, 2010

Moby, de graça em Brasília

Neste sábado (17), brasilienses e quem estiver visitando a capital federal poderão curtir, de graça, o show do inglês MOBY. A apresentação está marcada para as 24h, no Museu da República, na Esplanada dos Ministérios.


quarta-feira, abril 14, 2010

Lembranças

Vai entender porque dentre tantas publicidades históricas, a que mais marcou minha infância foi essa, da dedetizadora D.D.Drin. Embora tenha ido ao ar no final da década de 1970, em São Paulo, ainda hoje eu me lembrava da letra da música, do efeito de luzes piscando e, principalmente, de que, na época, achava uma maldade interromperem uma festa tão animada e ainda por cima matarem os insetos-músicos. Quase ninguém com quem conversei se lembrava do comercial, mas ainda assim eu imagino que ele deve ter feito muito sucesso, já que permaneceu no ar durante anos.