segunda-feira, abril 02, 2012

Denúncia...

                                                  fotos: Marcello Casal


Adolescentes que vivem nas ruas denunciam abusos sexuais cometidos por PMs em área central de Brasília

Meninos e meninas que vivem nas ruas do Distrito Federal acusam policiais militares de agressão física e sexual. As denúncias mobilizaram a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e são semelhantes às investigadas pelo Ministério Público há pouco mais de três anos. A mais recente delas é de uma jovem moradora de rua, de 16 anos, que registrou um boletim de ocorrência, no início de março, acusando dois policiais militares de abuso sexual.

Em um vídeo produzido pela vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Érika Kokay (PT-DF), ao qual a Agência Brasil teve acesso, menores não identificados acusam policiais de humilhação, espancamento e apropriação de pequenas quantias de dinheiro. Há relatos de abusos sexuais e a acusação de que policiais militares forçaram alguns jovens a se atirar de uma ponte (Ponte do Bragueto, em uma área nobre da capital) de cerca de 4 metros de altura sobre o Lago Paranoá. Muitas vezes, com pés ou mãos atados. Juntamente com o vídeo, a parlamentar encaminhou um ofício ao secretário de Segurança, Sandro Avelar, no qual os nomes de dois policiais são mencionados.

Até hoje não tivemos nenhum retorno da Corregedoria da PM [sobre as denúncias investigadas em 2008]. O que sabemos é que pelo menos um dos policiais denunciados continua atuando na rodoviária [do Plano Piloto, no centro da cidade]. E novas denúncias continuam chegando ao nosso conhecimento”, disse uma educadora social ligada ao Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra a Criança e o Adolescente, que pediu para não ser identificada.

Ela diz que conhece pelo menos 12 jovens (entre meninos e meninas) que relatam histórias de abuso sexual cometidos por policiais. 

“O importante é que tudo seja apurado. Além de muito coerentes, as denúncias guardam, entre si, uma lógica muito intensa e vêm de diferentes pontos da cidade, de adolescentes e crianças que, muitas vezes, não se conhecem”, diz Érika Kokay.

As queixas quanto à violência policial contra moradores de rua também estão registradas em um estudo financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP) do governo do Distrito Federal. Nenhum menor de idade, contudo, declarou ter sido alvo de violência sexual praticada por policiais.

Dos 127 adolescentes ouvidos, 47% contaram ter sofrido algum tipo de violência. “Embora quase 8% desses tenham admitido abuso sexual, não temos relatos de que policiais tenham feito isso contra os adolescentes, mas sim cometido agressões físicas, verbais e psicológicas”, diz a socióloga Bruna Gatti, uma das idealizadoras da pesquisa. Já entre os adultos, houve quem respondesse ter sido vítima de abuso sexual por policiais. A pesquisa não indica, porém, quando isso ocorreu.

O presidente do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Michel Platini, exige apuração rigorosa das denúncias. “Parece haver um Estado paralelo, cujos agentes atuam na clandestinidade. São denúncias muito graves que, apesar das dificuldades, precisam ser apuradas. Considerando os depoimentos, há muita violência acontecendo nas madrugadas de Brasília. Enquanto a cidade dorme alheia a tudo, as sessões de tortura acontecem.”

O corregedor-geral da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Francisco Carlos da Silva Niño, afirma que a corporação não aceita qualquer tipo de abuso por parte de seus integrantes e que qualquer denúncia é investigada. Em entrevista à Agência Brasil, ele destaca que, muitas vezes, as próprias características da população de rua, como a falta de residência fixa ou de hábitos rotineiros, dificultam a apuração policial. O coronel ressaltou que esse trabalho precisa ser rigoroso para evitar que um agente seja punido equivocadamente.

Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública ainda não se manifestou. 



“Dois policiais abusaram de mim”, afirma jovem

No início de março, Vanessa*, de 16 anos, caminhava, de madrugada, pelo Setor Comercial Sul do Plano Piloto com mais três colegas. Todos menores de idade e moradores de rua. Como a própria jovem, que diz ter abandonado a mãe, usuária de drogas, e os sete irmãos (dois deles, também viciados) por causa da convivência difícil em casa, mas também porque já estava viciada em crack. Droga que experimentou aos 14 anos, oferecida por uma vizinha.
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Apesar de ficar em plena região central da capital federal, a cerca de 2 quilômetros do Congresso Nacional, à noite, o Setor Comercial fica quase deserto, tomado apenas por traficantes e prostitutas. De acordo com Vanessa, foi ali que ela e os colegas foram abordados por dois policiais que estavam em uma viatura.
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“Os policiais revistaram os meninos e não encontraram nada. Então, eles disseram que iam me levar para uma policial feminina me revistar. Eu pedi para os meninos não deixarem eles me levarem, mas eles não podiam fazer nada”, contou Vanessa à Agência Brasil.
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Segundo a jovem, a viatura seguiu até o final da Asa Sul e parou em um matagal, próximo a uma faculdade. Vanessa conta que ali os dois militares desceram da viatura e a retiraram do veículo, ordenando que ela tirasse toda a roupa.
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“Eles também tiraram a roupa e abusaram de mim. Depois me levaram de volta para o Setor Comercial Sul. Os meninos ainda estavam lá perto, me esperando, porque sabiam o que ia acontecer. E eu só chorava”, contou a jovem, que diz conhecer os dois militares. “Eles já tinham me segurado antes, mas não tinham abusado de mim. Só tomaram meu dinheiro. Só que desta [última] vez eu não tinha dinheiro e aí eles abusaram de mim.”
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Inicialmente, Vanessa não quis contar a ninguém o que tinha acontecido. “Fiquei com medo. E também não gostava de lembrar o que tinha acontecido. É muito difícil ficar lembrando o que aconteceu. Dói demais.” Depois, encorajada por educadores sociais, decidiu registrar um boletim de ocorrência, segundo ela, na 5ª Delegacia de Polícia, e se submeter a exame de corpo de delito.
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“Os policiais prometeram investigar. Disseram que a história não iria vazar e que eu não preciso me preocupar, mas estou com medo. Eu espero ser protegida e que a Justiça seja feita. Que estes dois policiais sejam afastados para que eles não continuem a fazer a mesma coisa. Se deixar eles lá, a mesma coisa que fizeram comigo, eles vão fazer com muitas outras.”
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Hoje, Vanessa está protegida, abrigada junto com outra jovem, Sabrina, de 16 anos, que também afirma ter sido vítima de policiais militares. Sabrina, contudo, diz que os policiais não chegaram a abusar sexualmente dela.
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“Eu estava vendendo droga. Os policiais vieram, me pegaram e me bateram. E isso não aconteceu nem uma, nem duas vezes. Numa das vezes, eles me algemaram, me botaram dentro da viatura e me levaram para um lugar muito distante. Entraram comigo dentro de um matagal e me mandaram tirar a roupa. Me bateram e, depois, me largaram lá”, diz a jovem.
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Procurada desde a última quinta-feira (29) para comentar o assunto, a Secretaria de Segurança Pública ainda não se manifestou. O corregedor da Polícia Militar, coronel Francisco Carlos da Silva Niño, disse que, desde pelo menos 2008, a corporação recebe semelhantes denúncias, e que, apesar das dificuldades, procura apurar todas elas. Procurada pela reportagem da Agência Brasil no final da tarde de hoje (2), a assessoria da PM informou que o comando da corporação analisaria as informações antes de se manifestar.
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Em um vídeo produzido pela vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Érika Kokay (PT-DF), vários outros jovens dão depoimentos idênticos ao das duas jovens entrevistas pela Agência Brasil, com o aval de educadores sociais.

Cícero



E diz que só queria descansar
De quem a gente mesmo escolheu ser



Diz a lenda
que ele trocou suas certezas
por alguns sonhos mágicos

quarta-feira, março 28, 2012

Driver



Só eu não entendi Driver?

E, ainda assim, (ou, talvez, por isso mesmo) gostei. Mesmo que o filme com Ryan Gosling não tenha atingido a minha expectativa -alimentada por tantas críticas e comentários positivos -, vai levar nota 6,729. Até porque, discordo de que a violência seja gratuita.

(Só um detalhe: desconfio de que se você assistir com atenção ao trailler abaixo e tiver alguma imaginação para preencher os espaços em branco, não precisará ir ao cinema. Eu, ainda bem, não tinha visto o trailler antes)

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Cahuita, Zancudo e XIS

 
Às vezes penso em adquirir dois cães só  para poder dar-lhes nomes. E olha que eu nem gosto tanto assim de animais de estimação. A questão é que acho os nomes caninamente falando sensacionais.

Chamaria-os de Zancudo e Cahuita. Duas praias da Costa Rica. Coisa fina.

Zancudo seria um cão vira-lata, grande, negro. Metido a bravo, mas inofensivo (ao contrário de la playa de arena oscura y ollas fuertes). Já Cahuita seria, de preferência, uma golden retriever de pelo claro e longo, serena e observadora. Na minha fantasia  momentânea (daquelas que não cogitamos realizar), os dois tomariam conta do quintal onde eu manteria uma mini-ramp de pouco mais de um metro de altura para rolês de skate nos finais de tarde. Aos fins de semana,  eles me levariam para passeios demorados. Na praia. Qualquer praia onde, depois, sozinho, eu pudesse surfar. E, talvez, tomar uma água de coco



Aliás, por falar em coco, por onde andará o XIS, hein? Sim, o rapper, autor de Chapa o Coco, uma das faixas do excelente disco Fortificando a Desobediência (ouvir), de 2001, que eu e Antonio costumávamos ouvir enquanto faxinávamos a República Caiçara na Belacap, muitos séculos atrás. Onda vem, onda vai...

segunda-feira, março 26, 2012

Da fria curitibana...



Coisas da internet. Sabe como é. A banda grava um single, cria uma conta no myspace, disponibiliza a música na internet e, de repente, quando você vê, todo o povo "in" tá comentando e espalhando a novidade através das redes sociais. 

Depois de A Banda Mais Bonita Da Cidade, a bola da vez parece ser a curitibana Goo Goes Lave que divulgou há apenas dois dias, no youtube, seu primeiro e, até agora, único single conhecido.

Please Don´t Act Your Age é pegajoso e forte candidato a bombar nas pistas de dança. Tanto que, com pouco mais de mil acessos no youtube, já permitiu aos três integrantes da banda (Ule, Diogo Zavadzki e Beto Bolliger) divulgarem um primeiro show na capital paranaense, para breve.
A novidade é que, às 15h30 do dia 26 de março, a página no facebook tem apenas 17 horas desde sua criação, enquanto o vídeo da música foi "lançado" no youtube há apenas dois dias.

Melodia no Coração do Brasil


Presença constante nos palcos do Sesc-SP, Luiz Melodia é, de longe, o músico brasileiro de quem eu mais já vi shows. Ainda assim, a cada nova apresentação sua, cresce minha admiração pelo Pérola Negra. Uma das mais belas interpretações masculinas da MPB.

No sábado, para minha surpresa, Melô tocou no pequeno palco do Sesc Garagem, em Brasília (DF). A R$ 10 a inteira. (enquanto quem quisesse assistir a outro gênio, Paulinho da Viola, no Teatro Nacional, tinha que desembolsar R$ 260). Mesmo com as cadeiras extras colocadas no centro do palco de arena, o número de pessoas do lado de fora deve ter beirado o dobro das que conseguiram ingresso.

Acompanhado apenas pelo fiel violonista Renato Piau, com quem toca desde o lançamento do clássico Pérola Negra (1973), Melô fez um show intimista, mas extremamente divertido, graças a maior proximidade com a plateia. Com mais espaço, Piau também brilhou, mostrando um talento nem sempre explicitado quando acompanhado por toda a banda de Melodia. Até uma música sua, o Blues do Piauí, o violonista apresentou. Dando a Melodia o tempo necessário para ir ao camarim reclamar a taça de vinho que reivindicou durante todo o show. Bola fora da organização.

Além de uma excepcional versão de UM NEGRO GATO, Melô resignificou (ao menos pra mim) o seu próprio verso "acalma os sentidos dos erros que faço"

(Espero que o ECAD não venha me cobrar direitos por divulgar, sem fins lucrativos e como forma de compartilhar minha admiração, trechos de um show a que assisti)


 

domingo, março 25, 2012

Sempre pode piorar....


"Pode se preparar para dormir mais tarde, porque hoje tem a estreia do mais novo programa da Globo, The Ultimate Fighter, o reality show que vai selecionar um único lutador para participar do UFC". Ouvi isso há pouco, no Fantástico.

A culpa é minha, comentarão meus três leitores. O que estava fazendo que, na falta de companhia melhor, não estava deitado com um livro? Maldade. A notícia era tudo pelo que eu esperava para fechar meu final de semana. Saber que poderei "dar uma espiadinha" em 16 orelhas de couve-flor confinados numa casa, disputando seja lá o que for.

Nem acredito que conseguíamos dormir e nos preparmos para mais uma longa semana de ônibus cheio, trânsito engarrafado, poluição, dinheiro público desviado, alto custo de vida e falta de segurança sem termos visto o quanto é sacrificada a vida dos lutadores de MMA.

Eu achava impossível a tv brasileira voltar a nos surpreender após importar a fórmula Big Brother, que se adaptou tão bem ao nosso fértil solo televisivo. Felizmente, há quem pense `fora da caixinha´. Sensíveis produtores capazes de identificar o real interesse do público, aquela necessidade que nós mesmos não sabemos ter, mas que logo fica clara quando se divulga o primeiro excelente resultado de audiência.

Afinal, como a imprensa não se cansa de noticiar, o MMA é o esporte que mais cresce em popularidade no país. Já deve ser o segundo mais assistido no Brasil. A origem da informação, ou seja, a pesquisa que identificou isso, ninguém nunca viu, mas quem vai duvidar se até o Galvão Bueno passou a narrar lutas e o Ronaldo a agenciar lutadores. Estes caras sabem onde enfiam... sua torcida patriótica.

E não só eles. A Sandy, por exemplo. Após ser selecionada pela Globo para apresentar a atração, a namoradinha do país, que já tinha revelado ter um lado devassa, tornou pública sua paixão pelo MMA. Disse que treina boxe, assiste à lutas e até tieta lutadores.

(Deus! Sandy não vai ler este post, mas como eu também não vou adicioná-la ao meu facebook, fica aqui mesmo meu recado: menina, se você realmente gosta de se exercitar treinando boxe, procure outra academia, porque aqueles soquinhos que você apareceu dando no saco de pancadas indicam que alguém anda te aplicando o 171)

As outras emissoras, como sempre, irão correr atrás do "prejuízo". Talvez tenham que variar o tema, mostrando as dificuldades de jovens durante as peneiras de clubes de futebol; o desafio dos surfistas que vivem longe do mar ou pelo menos de ondas de qualidade; ginastas sem patrocínio, skatistas que só conseguem sobreviver do esporte se deixarem o país, tenistas vindos das "comunidades", corredores sem pistas de atletismo etc, etc, etc

Além da matéria caprichada sobre a nova atração da emissora, o Fantástico ainda exibiu o quadro O Que Vi Da Vida, com o também lutador Anderson Silva. Desligo a tv, pego uma revista e vou me deitar.

Entendo o quanto os atletas de qualquer esporte tem que suar para chegar a algum lugar. Admiro a disciplina e o despreendimento necessários à prática destas lutas da moda, mas, sinceramente, não creio que esse súbito interesse da Globo seja algo construtivo. Interesse, aliá, que me dá alguma esperança. Quem sabe, com a Globo encampando a prática com tanta avidez, não acontece o mesmo que vem ocorreu com o futebol brasileiro. Não. Não estou me referindo ao fato de que, hoje, um torcedor morreu e outro dois foram internados após uma briga de torcidas em São Paulo. Falo é da total falta de brilho e de organização do futebol brasileiro, administrado por...bom, a esta altura, vocês sabem por quem.

sábado, março 24, 2012

Parte da sociedade se opõe a atendimento humanizado a moradores de rua


A Constituição Federal estabelece que a assistência social deve ser prestada a quem necessite. Ainda assim, segundo servidores públicos do Distrito Federal, a atenção básica e a humanização do atendimento a moradores de rua enfrenta a oposição de muitas pessoas que não reconhecem em quem mora na rua um cidadão, detentor de direitos, entre eles, o de receber a devida atenção do Estado.

Ouvidos pela Agência Brasil, representantes das secretarias de Saúde e de Segurança Pública do Distrito Federal, além do presidente do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Michel Platini, afirmaram que o preconceito, o desconhecimento da realidade e o medo levam muitos a verem os moradores de rua apenas como uma ameaça ou um transtorno. E a exigir do Estado soluções imediatas para um problema social complexo. Para os três, os crimes contra moradores de rua de todo o país, que chegaram ao conhecimento da imprensa e da sociedade nos últimos dias, são apenas “a ponta de um iceberg”.

"Infelizmente, vivemos com a noção de que parte da sociedade quer exterminar ou higienizar [limpar as ruas da presença dos que não têm casa] estas pessoas, sem reconhecer que elas têm direitos”, comentou Antonio Garcia Reis Júnior, médico da equipe da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e responsável por atender às famílias que, sem ter onde morar, vivem nas ruas do Plano Piloto (região central da capital federal). "Há muitas pessoas que não compreendem sequer a existência de equipamentos públicos sociais destinados à população de rua.”

Segundo Reis Junior, a mesma intolerância é verificada entre alguns agentes públicos responsáveis por atender à população de rua. “A rejeição a estas pessoas vem não só de membros de uma comunidade, mas também de alguns servidores públicos e até mesmo dos próprios moradores de rua [entre si]. Há pacientes que reclamam da animosidade com que são tratados em outros equipamentos públicos, da relação com a polícia, entre outras queixas que acabam os afastando do Poder Público.”

De acordo com o major Marcos Lourenço de Brito, chefe do Núcleo de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Secretaria de Segurança Pública do DF, o medo - nem sempre sem razão - que muitos sentem ao avistar um morador de rua tem contribuído para a intolerância de quem defende uma política "higienista" como solução para o problema.

“Quando se sente importunada por moradores de rua, a comunidade em geral quer uma resposta imediata. Muitas pessoas cobram [do Poder Público] atitudes drásticas, às vezes até com viés de violência”, comentou o major. “Muitas vezes, isso resulta em atitudes isoladas, impensadas de pessoas que se sentem agredidas e que, por considerarem que o Poder Público não resolve o problema da forma como gostariam, adotam a justiça com as próprias mãos.”

Ao menos 165 moradores de rua foram mortos no Brasil entre abril de 2011 e a semana retrasada, segundo dados do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH). Além dos casos não notificados, as investigações policiais de 113 dessas ocorrências não avançaram e ninguém foi identificado e responsabilizado pelos homicídios.

Somente no Distrito Federal, nas últimas semanas, ao menos três moradores de rua foram mortos e um sobreviveu a um atentado, embora tenha tido queimaduras graves por todo o corpo. Em uma das ocorrências, a Polícia Civil apurou que um comerciante encomendou a morte dos morados de rua por R$ 100.

Diante da repercussão, o governo do Distrito Federal decidiu antecipar para os próximos dias a publicação de um decreto que institui a política de atenção a moradores de rua, estabelecendo medidas de enfrentamento às dificuldades, discriminação e violência enfrentadas por essa população. Além de uma campanha de enfrentamento à intolerância, o governo promete construir três novos abrigos e dois centros de Referência Especializados para Pessoas em Situação de Rua (Centros Pops). O governo também quer realizar cursos de capacitação em direitos humanos de 20 horas para preparar os policiais a lidar com grupos como os de moradores de ruas.

De acordo com o último censo da população de rua da capital federal, há 2.365 pessoas vivendo nas ruas de Brasília. Para a vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, a deputada Erika Kokay (PT-DF), os assassinatos e as agressões físicas contra moradores de rua são sintomas de um problema bem maior.

“Devemos estar atentos às agressões, pois elas representam um processo de desumanização, mas também é necessário resgatarmos a lógica de que todos os seres humanos são iguais e têm direitos. Não podemos admitir que a sociedade passe a aceitar as agressões contra os moradores de rua ou qualquer outro grupo como algo natural”, afirmou a parlamentar durante audiência pública realizada nesta semana pelo Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.

Setlist para Funeral

As três canções que a personagem de John Cusack em Alta-Fidelidade (o ex-dj semifosco e dono de um sebo com mania de fazer listas de cinco melhores, Rob Gordon) elegereria para tocar durante seu enterro.

Many Rivers To Cross, Jimmy Cliff
Angel, Aretha Franklin
You´re The Best Thing That Ever Happened To Me, Gladys Knight

A manifesta fantasia do auto-sabotador: "sempre fantasiei uma linda mulher insistindo em You´re The Best Thing That Ever Happened [Você Foi A Melhor Coisa Que Já Me Aconteceu]. Mas quem seria esta mulher?".

E para não dizer que Gordon não fala de `flores´, uma boa dica para fundo sonoro durante eventuais reconciliações: Most Of The Time, de Bob Dylan (no vídeo abaixo, em uma versão mais "crua" que no filme de Stephen Frears e com legendas em espanhol).

A razão disso estar aqui? Sei lá...Quando visto pela segunda vez, o filme nem é isso tudo, valendo mais pela trilha. Ainda assim, vá lá...fica o registro. (eu hoje estou mais reticente que de costume)


terça-feira, março 20, 2012

Vidas Cruzadas

O problema, mas também a delícia, de envelhecer é que qualquer um que tenha uma boa memória e esteja atento ao que o cerca pode reunir um repertório de referências, experiências e saberes que lhe permitam estabelecer comparações e, consequentemente, valores com os quais confrontar o que lhe dizem.

Não sei porque pensei isso após assistir ao filme Vidas Cruzadas, mas desconfio que tenha sido uma maneira inconsciente de tentar entender as várias críticas elogiosas que li e o sucesso comercial da fita com Emma Stone e Viola Davis.

É um vício meu. Sei que cinema, principalmente o hollywoodiano, é entretenimento. Ainda assim, não consigo deixar de crer que algo que tenha envolvido os esforços de centenas de pessoas, consumido meses de trabalho e custado alguns milhões de dólares merece alguns instantes de reflexão. Dizer que quem manda mensagem é celular pode até soar engraçado, mas, no fundo, é terrivelmente estupidificante.

Daí que, refletindo, concluí que a história de Vidas Cruzadas é como um bandaid sobre a ferida. Aliás, um bandaid nada original, daqueles com motivos infantis. Tanto que o filme é distribuído pela Walt Disney e recomendável à crianças a partir dos 12 anos.

Entenda: não estou dizendo que o filme seja ruim. Tecnicamente, é perfeito. Além do mais, Viola Davis e Octavia Spencer estão excelentes no papel de empregadas domésticas negras maltratadas pelas patroas sulistas brancas (apesar de eu achar que a melhor interpretação é a de Bryce Dallas Howard, cujo papel de megera racista e esnobe é muito mais exigente). O problema é que, a meu ver, ele não é nada além de um forte candidato à Sessão da Tarde de aqui a alguns meses.

Por quê? Porque, ao meu ver, ele não incomoda além da dúvida sobre quantas indicações aquele prêmio acadêmico chatíssimo iria receber. Deixamos o cinema pensando em como Octavia Spencer está bem, fazendo-nos rir com tal drama humano. E não creio que um bom filme sobre a segregação racial e sobre os crimes cometidos devido à intolerância e estupidez humana possa não incomodar.

(ao meu lado, durante o filme, um casal comentava como era possível que isso tivesse acontecido, mas que, felizmente, estava superado. Pensei não só na continuidade dos problemas decorrentes da escravidão, segregação etc, mas também em como não viam que isso continua acontecendo ainda hoje. Com os índios do Mato Grosso do Sul, com os moradores de rua de todo o país, com quem trabalha em lixões)

Vidas Cruzadas pode passar por um filme excepcional, além do que é, para quem não compará-lo com outros do gênero que o precederam, como Conduzindo Miss Daysy, Uma História Americana (que também trata das relações entre negros e seus patrões) e, principalmente, Mississípi em Chamas – este último, obrigatório.



sexta-feira, março 16, 2012

HUGO CABRET


Um filme de auto-ajuda que cumpre os propósitos (palavra-chave do filme) de entreter e (re)apresentar o pioneiro George Mélies ao público enquanto assegura que todos tem seu lugar no mundo.

Uma guinada (não necessariamente para melhor) na filmografia do `esteta da violência´ Martin Scorsese, diretor de Taxi Driver, Gangues de Nova York, Ilha do Medo, entre outros. Avaliação: Fofo. 

O pensamento de um dos passageiros da "Locomotiva" Progressista Brasileira

165 moradores de rua foram mortos no país desde abril de 2011

De abril de 2011 à semana passada, 165 moradores de rua foram mortos no Brasil. O número foi divulgado hoje (15) pelo Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH) e representa ao menos uma morte a cada dois dias.

Segundo a coordenadora do centro, Karina Vieira Alves, as investigações policiais de 113 destes casos não avançaram e ninguém foi identificado e responsabilizado pelos homicídios. O CNDDH também registrou 35 tentativas de homicídios, além de vários casos de lesão corporal.



Eis a opinião de um leitor da Folha de S.Paulo sobre o assunto:

(Estudo a partir do retrato do papa Inocêncio X de Velázquez - Francis Bacon)

"Ótimo! Bom começo! Agora, só falta fixar o objetivo de tê-los [moradores de rua] todos na horizontal antes do final de 2012. Afinal, morador de rua serve exatamente para quê? alguem aí arrisca um palpite? Rua é lugar de passagem, não é residência, nem moradia: o termo está impróprio e o sujeito em questão deveria voltar a ser designado como "vadjio ou vaghabwndo", como desde o início dos tempos e em todo o mundo! Podem acabar com êles ou pelo óbito compulsório, ou pela concentração dêles em fazendas reabilitação". Caio Márcio Rodrigues - SP



Evidentemente, a Folha não é responsável pela opinião de seus leitores. A questão é que,  eu, que sou leigo, vejo na mensagem acima elementos que poderiam caracterizar ao menos dois crimes: incitação à violência e discriminação. Estando eu correto, o site deveria reproduzir este tipo de pensamento? Deixar de publicar a manifestação do leitor seria censura? 

quarta-feira, março 07, 2012

Surfando diante do Congresso

                                           foto: José Cruz / ABr


Movimento dos Sem Praia invade o Congresso Nacional para protestar contra a aprovação do Código Florestal e reivindicar a construção de fundos artificiais que permitam o melhor aproveitamento das ondulações que atingem o litoral brasileiro  e a instalação de piscinas de ondas artificiais nas cidades do interior. O grupo também pleiteia a concessão de um auxílio-migratório, benefício pago aos surfistas  que, durante o verão, são impedidos de praticar o esporte devido à falta de ondas.  

terça-feira, março 06, 2012

Pedalando por mais segurança no trânsito


Ciclistas de várias cidades brasileiras realizam hoje (6) à noite uma manifestação para pedir mais atenção dos governos às bicicletas como meio de transporte a ser levado em conta na elaboração de políticas públicas de mobilidade. O objetivo é exigir mais segurança no trânsito por meio de ações como a construção de ciclovias e a realização de campanhas educativas para sensibilizar os motoristas e os ciclistas sobre seus direitos e deveres previstos no Código de Trânsito Brasileiro.

As manifestações estão previstas para ocorrer a partir das 19h, e, segundo informações divulgadas pelas redes sociais, há grupos locais organizando-as em Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Caxias do Sul (RS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Gramado (RS), Laranjeiras do Sul (PR), Londrina (PR), Manaus (AM), Maringá (PR), Natal (RN), Parnamirim (RN), Ponta Grossa (PR), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Lourenço (MG), São Luís (MA), São Paulo (SP), Timbó (SC) e Vitória (ES).

Chamada de Bicicletada Nacional, a iniciativa é uma ampliação dos passeios que grupos realizam semanalmente em cidades de todo o país e foi desencadeada depois que ao menos menos três ciclistas perderam a vida, atropelados em apenas um dia.

Na última quinta-feira (2), a bióloga Juliana Dias, 33 anos, foi atropelada por um ônibus quando transitava pela Avenida Paulista, em São Paulo, uma das mais conhecidas vias do país. No mesmo dia, pelo menos mais dois ciclistas também morreram atropelados.

O mecânico Hélio Nunes da Costa, 43 anos, foi atingido por um carro ao tentar atravessar a BR-316, na região metropolitana de Belém (PA) e a poucos metros de uma passarela de pedestres. A terceira morte foi registrada no Riacho Fundo (DF).

Somente na capital paulista, 439 ciclistas morreram no trânsito entre 2005 e 2010, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

segunda-feira, março 05, 2012

reimprinting = reprogramação



"Surfe nas ondas do caos e aprenda 
a redesenhar sua própria realidade"


Pense por você. Questione a autoridade.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Arte Radical

Meu amigo Carlos Leite prestigiou a exposição em cartaz na galeria Ecco. Mais detalhes, logo mais...

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Esportes Radicais

Acho melhor eu voltar a andar de skate ou então começar a praticar algum esporte menos radical, tipo kite-surf. Pela foto abaixo, dá para concluir que este negócio de futebol é perigoso demais. E olha que a foto não revela que, neste mesmo dia, um saiu do campo direto para a UTI, por problemas cardíacos.

Mr. Finger


Mr. Finger, ex-contador, exímio guitarrista, hábil prestidigitador e folgazão contumaz em raro momento de descanso

Por que filmar Hoover?



Por que Hoover?

Estou me fazendo esta pergunta desde o dia em que assisti ao mais recente filme dirigido por Clint Eastwood, J. Edgar, com Leonardo DiCaprio no papel principal. Provavelmente porque a resposta não está nas telas. Se estivesse, eu, como nos filmes anteriores de Eastwood, não teria lembrado de que, politicamente, o diretor é extremamente conservador.

A cinebiografia do polêmico criador do FBI, John Edgar Hoover, é, a meu ver, um ponto negativo na curva até então ascendente que Eastwood vinha construindo com suas recentes realizações (Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal; Sobre Meninos e Lobos, Garota de Ouro, Gran Torino, Cartas de Ywo Jima, Invictus).

Declínio moral? Homens de bem?

A orientação ideológica do diretor era irrelevante ao assistir seus filmes anteriores. Já quando se propõe a contar a trajetória pessoal e profissional do homem que conduziu o FBI com mãos de ferro por 48 anos, Eastwood derrapa. Não apenas porque o resultado final é frouxo - o que, em muitos momentos, leva o espectador (principalmente os não norte-americanos) a desinteressar-se pela história -, mas principalmente porque a impressão que se tem é que a maior polêmica em torno de Hoover teria sido se ele era ou não homossexual. Ou até que ponto as expectativas e cobranças maternas teriam influenciado as posteriores decisões do homem todo poderoso que, de alguma forma, influenciou os rumos do século XX. E aí eu não consigo deixar de pensar na visão de mundo político-ideológica do diretor.

Em uma entrevista à revista Isto É, o diretor admitiu que cresceu vendo Hoover como um herói, “um dos policiais mais admirados e temidos dos Estados Unidos”. “Muito mais tarde”, contudo, Eastwood descobriu que a história não era bem assim. Minha impressão é que, em algum momento, `Dirty Harry´ (o policial durão que tornou o ator e diretor um astro) descobriu que seu modelo era gay.

Sob as ordens de Hoover, o FBI investigou e perseguiu milhares de cidadãos suspeitos de serem ou terem ligações com comunistas. Entre estes estava Charles Chaplin e Martin Luther King (o que aparece muito superficialmente no filme). Por ordem de Hoover, o bureau violou a correspondência e grampeou telefonemas de Albert Einstein a fim de encontrar indícios de que este teria ligações com o Kremlin. Em sua autobiografia (Flashbacks: LSD, a Experiência Que Abalou o Sistema - voltarei a falar sobre isso noutro dia), o psicólogo e papa da lisergia sessentista, Timothy Leary, se refere ao diretor do FBI como um dos "cínicos agressores do processo democrático" que administravam o governo norte-americano quando ele foi preso.

Nem sequer a suposta frase com que o recém-empossado presidente Lyndon Johnson descarta a ideia de demitir Hoover é mencionada, embora revele como o detentor dos temidos dossiês políticos era visto entre os poderosos: “prefiro tê-lo [Hoover] dentro da barraca, mijando para fora, do que tê-lo do lado de fora, mijando para dentro”.

Nada disso aparece no filme. Eastwood parece disposto a mostrar apenas o quanto a ambição ou o senso de dever de Hoover (a conclusão depende de que lado do espectro político o espectador estiver) o fizeram abdicar no aspecto pessoal. O problema é que, diante dos fatos que cercam a biografia de Hoover, há pouco espaço para as soluções de roteiro conciliadoras que Eastwood emprega em outras obras, como Invictus, sobre Nelson Mandela e seus antigos opressores.

Enfim, embora `assistível, J. Edgar um filme superficial que não ajuda a esclarecer quem foi Hoover, que influência ele - ou melhor, seus arquivos secretos - exerceu sobre a política norte-americana e nem tampouco porque Eastwood decidiu filmar sua história à moda de uma história de resignação e amor frustrado. 


segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Por Uma Vida Menos Ordinária


Que tipo de gente dedica a segunda-feira de carnaval a limpar a casa ao som de punk-rock?

clique aqui para ouvir Give Me Convenience Or Give Me Death (1987), dos Dead Kennedys


clique aqui para ouvir Time´s Up (1991), dos Buzzcocks


domingo, fevereiro 19, 2012

Folia brasileira na Austrália



Exclusivo. O skatista florianopolitano Pedro Barros venceu esta madrugada (19) o Aberto da Austrália de Surf (Australian Open Of Surfing), na categoria bowl (piscina). Confirmando a excelente fase e o ótimo desempenho neste tipo de pista, o manezinho ficou à frente de atletas consagrados, como o também brasileiro Bob Burnquist, que terminou em quarto lugar.

Barros já havia vencido a etapa do Bowl-A-Rama disputada em Wellington, Nova Zelândia, na semana passada. Além disso, o garoto (prestes a completar 17 anos) já tem duas medalhas de ouro do X-Games, a mais importante competição de esportes radicais.

O irônico é que eu não soube pela imprensa da vitória do brasileiro, mas sim por sua avó, que mora em Brasília (DF). Isso apesar de ter assistido ao programa de esportes dominical da Globo e a um outro de uma tv local. Tudo bem que a coisa ainda tá fresca, mas também encontrei poucas informações nos sites brasileiros  de notícias (exceção da publicada no blog especializado E.V.O.M.). E ainda tem quem menospreze o trabalho de certos assessores de imprensa. Há jornalistas que só mesmo recebendo em mãos o release mastigado... 

sábado, fevereiro 18, 2012

Ministra cobra responsabilidade da família de jovem assassinada


Pode-se discordar das opiniões da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mas é necessário reconhecer que, ao contrário da maioria dos seus pares e dos parlamentares brasileiros, a gaúcha não se furta à polêmica. Hoje (18), ela fez um polêmico "desabafo" ("isso está no meu coração, precisando ser dito") que deverá lhe causar aborrecimentos caso a imprensa não esteja ocupada apenas com o carnaval. Não descarto, contudo, que a ministra, já acostumada às críticas à atuação da secretaria e à defesa dos Direitos Humanos, tenha decidido expressar o que muitas pessoas comentavam à boca miúda (comentário que não ameniza em nada a responsabilidade do assassino de Eloá Pimentel, Lindemberg Alves)

Ao citar caso Eloá, ministra cobra responsabilidade de famílias na proteção de crianças e adolescentes
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), sugeriu hoje (18) que a família de Eloá Pimentel também tem sua parcela de responsabilidade no envolvimento da adolescente com Lindemberg Alves, condenado a mais de 98 anos pelo assassinato da jovem.

“Vejam o que é a morte da menina Eloá. Uma situação absurda, que revolta o povo brasileiro, mas em todos os noticiários vemos que aquele que matou a Eloá entrou na sua casa e pediu autorização para a sua família para ter uma relação [namoro] com ela, que tinha [na época] 12 anos”, disse a ministra.

Sem poupar críticas ao assassino pelo crime ocorrido em outubro de 2008, Maria do Rosário foi taxativa: a família não deveria ter permitido que Eloá namorasse com Lindemberg, já na época, maior de idade.

“Ele é responsável pelos seus atos e pelo crime. Foi condenado a mais de 98 anos de prisão e eu acho que foi feita justiça, mas quero dizer que nenhuma família, ninguém, deve permitir que crianças estejam mantendo relações em qualquer lugar, permitidas ou não. As crianças brasileiras tem que ser mais protegidas pelos seus pais e suas mães”, declarou a ministra.

Questionada sobre qual seria, em sua opinião, a idade apropriada para que pais autorizassem seus filhos a namorar, a ministra evitou dar sua opinião pessoal, respondendo com base na legislação em vigor. “Não sou eu que julgo isso, mas a legislação diz que com menos de 14 anos, qualquer relação sexual é uma violação e um estupro de vulneráveis. E não basta fazermos leis. É preciso que todos as cumpram. Por isso estou chamando a atenção para este aspecto”, comentou a ministra, demonstrando estar ciente da polêmica que suas declarações podem suscitar.

O “desabafo”, conforme classificou Maria do Rosário, foi um alerta para que a sociedade assuma sua responsabilidade na proteção das crianças e adolescentes. Pela legislação brasileira, cabe ao Estado, à sociedade e à família zelar pelo bem-estar e pelos direitos dos jovens.

“Será que é possível que pais e mães não estejam atentos [para o fato] que, com 12 anos de idade, não é possível que os meninos e as meninas estejam sexualizados precocemente?”, questionou a ministra. “O governo federal, os municípios e os estados estão trabalhando muito para formar a rede de proteção [às crianças e adolescentes], mas precisamos que a sociedade esteja mais atenta”, cobrou a ministra.

“Precisamos não só de governos mais atentos – e estamos tentando fazer nossa parte -, mas também de pais e mães mais atentos, cuidadores e sociedades mais atentos. A sociedade tem que fazer sua parte. Se vocês tiverem dúvidas sobre se uma menina ou um menino está sofrendo um abuso, sigam a intuição e denunciem. Busquem o apoio do Disque 100, do Conselho Tutelar, da polícia. Se, na dúvida, não denunciamos [um caso suspeito], uma criança pode ser morta ou abusada”.                                                                                (fonte Agência Brasil)

E provando que quem não está confuso é porque não entendeu nada, para completar, quando se imagina que o representante legal da família vai rebater a tentativa da ministra de apontar parte da responsabilidade da(s) família(s), o que ele faz? Parabeniza-a pela coragem de, como muitos querem crer, `tocar o dedo na ferida´

Advogado da família de Eloá diz que é mesmo preciso mais atenção dos pais sobre atitudes dos filhos

O advogado da família da jovem Eloá Pimentel, Ademar Gomes, disse hoje (18), que a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, tem razão ao cobrar dos pais mais atenção sobre as atitudes e decisões dos filhos. Procurado pela Agência Brasil, Gomes elogiou as declarações da ministra, mas acrescentou que o governo tem que se preocupar com a educação e com o que classificou de “falta de limites dos meios de comunicação”.

“A ministra está de parabéns em suas declarações, mas o governo também deve pensar em limites aos meios de comunicação para que as famílias possam então cobrar seus filhos. Hoje, com os meios de comunicação invadindo nossas casas com cenas que envergonham toda a família, fica difícil os pais controlarem os jovens”, destacou o advogado, criticando alguns programas de TV. “A qualquer hora é possível vermos cenas de sexo na televisão”, completou.

O advogado chegou a parabenizar a ministra pela coragem de falar publicamente sobre o tema, mas frisou que não se pode transferir à família a responsabilidade pelo desfecho do caso. “O assassino extrapolou e é o maior responsável pela morte da Eloá, tanto que a Justiça o condenou a mais de 98 anos de prisão, mas não podemos perder de vista que esse é um caso como tantos outros que acontecem, cometido por um jovem de máformação, que não teve uma educação adequada, criado com liberdade excessiva”, frisou Gomes.

Ele garantiu que a família de Eloá tentou impedir que ela namorasse com Lindemberg Alves, mas não conseguiu se sobrepor à vontade da jovem, assassinada em maio de 2008. “Hoje é muito difícil impor limites às crianças e aos jovens”, disse o advogado, lembrando o caso de Flávia Anair de Lima, morta no ano passado. Flávia, que tinha 16 anos, morreu após cair da sacada do apartamento onde vivia com o então namorado, o ex-jogador de futebol, Rafael Silva, de 20 anos. Como o casal teria brigado horas antes, a polícia investiga o que de fato aconteceu.

Também no ano passado, a Justiça condenou o ex-jogador de futebol Janken Ferraz Evangelista, de 30 anos, pelo assassinato de sua mulher, Ana Claúdia Melo da Silva, que, ao ser morta, em 2009, tinha 18 anos. Segundo notícias publicadas na época, o casal se conheceu quando Ana tinha 14 anos.                         (Fonte: Agência Brasil)

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Nós Somos A Multidão

Trailer do documentário norte-americano "We Are Legion - The Story of the Hacktivists" (nós somos legião - a história dos hackers ativistas), ainda sem previsão de lançamento no Brasil.

domingo, fevereiro 12, 2012

Metal Contra As Nuvens


Eles fazem parte do vocabulário do rock´n´roll. São as vogais do alfabeto do rock"
Cris Robinson, Black Crowes

"Para mim, quatro dos maiores músicos que já pisaram nos palcos do rock´n´roll"
Richie Sambora, Bon Jovi

"A combinação [de talentos dos quatro integrantes] é simplesmente uma daquelas coisas que acontecem uma vez em um milhão"
Lenny Kravitz

Estive na primeira apresentação deles em Nova York. Tinha 16, 17 anos, e aquele show mudou a minha vida. Já havia ouvido o [primeiro] disco deles e ficado estupefato, mas quando os vi ao vivo, foi, tipo, "caramba..."
Ace Frehley, Kiss

"Não conheço ninguém que acredite que existe um baterista melhor do que John Bonham. Isso é inquestionável"
Dave Grohl, Foo Fighter (e ex-baterista do Nirvana)


É sempre a mesma coisa. Ponho o primeiro disco do Led Zeppelin para tocar, o da famosa foto do Hindenburg em chamas, e logo me pego imaginando o que significou para um jovem acomodado em sua casa, ouvir, em 1969, os primeiros acordes de Good Times, Bad Times explodindo de suas caixas de som. Como terá ele reagido à faixa de abertura do primeiro disco daquela que muitos críticos reconheceriam tardiamente ter sido a "maior e mais poderosa banda de rock da Terra" de sua época? Aos exatos 13 segundos de tic-tic-tics do chimbal, de ataque surdo aos bumbos da bateria e ao memorável riff da guitarra de Jimmy Page. E, mais: como terá ele se sentido ao fim dos 44,28 minutos de audição e à descoberta do "dirigível de chumbo"?

Whole Lotta Led Zeppelin - A História Ilustrada da Banda Mais Pesada de Todos os Tempos (Ed. Agir, 288 páginas), organizado pelo jornalista Jon Bream, é uma valiosa ajuda para quem se dispor a fazer este exercício de perspectiva. Ou melhor dizendo, para quem quiser entender como Page, o vocalista Robert Plant, o baterista John Bonham e o baixista John Paul Jones ajudaram a consolidar a mística de abusos e exageros dos astros do rock´n´roll, inaugurada pelos também britânicos Rolling Stones numa época em que a música ainda era mais que um simples produto embalado para azeitar as engrenagens da indústria cultural.

Para o fans, um livro imperdível que comprova que, ao contrário do que o próprio autor afirma no primeiro capítulo do livro, o Led Zeppelin não "é, foi e sempre será a banda Jimmy Page". Não. O grande diferencial do grupo foi justamente potencializar o talento de quatro músicos talentosíssimos sem que as partes se diluíssem em meio ao todo. Ou seja, no "zeppelin de chumbo", todos tinham o mesmo espaço. Não à toa, todos os quatro integrantes costumam ser apontados como referências e frequentam as listas de melhores de todos os tempos elaboradas por seus pares e por críticos musicais.

Sem se alongar em tecnicismos, o livro se torna atraente a qualquer um que goste de música, principalmente pelas histórias de bastidores, fartamente ilustradas com belas fotos da época. Conta como Page, que já vinha de um outro grupo de sucesso, o Yardbirds (no qual tocaram Jeff Beck e Eric Clapton), selecionou o então desconhecido Robert Plant, jovem vocalista de uma banda universitária, o "maníaco" baterista "que gostava de tocar alto" John Bonham e o multi-instrumentista John Paul Jones, que o procurou após ler um artigo sobre o novo grupo de Page.

"Tínhamos, os quatro, personalidades e interesses muito diferentes, mas acredito que, de alguma forma, fomos reunidos pela divina providência para tocarmos juntos", definiu Page em uma entrevista concedida 35 anos após o primeiro ensaio conjunto, em 1968, no porão de uma loja de discos londrina. "Houve um tipo de silêncio aturdido, expectante. Nunca tinhamos tocado juntos e, de repente, estavamos reunidos e foi muito estranho, quase assustador. Tão bom que foi estranho. E esse aspecto permaneceu conosco do primeiro ao último dia".

Embora não seja correto afirmar que Page era "O" dono da banda, não dá para negar que foi ele sim o maior responsável pelo sucesso e erros do grupo, já que, além de selecionar os músicos e compor a maioria das canções, o guitarrista produziu ele próprio os oito discos de estúdio e um ao vivo lançados entre 1969 e 1978.

"Eu queria controle artístico total, porque sabia exatamente o que queria fazer com aqueles caras", diz Page sobre sua a "abordagem incomum" que adotou em seu novo projeto, três décadas antes do chamado rock independente comprovar ser sustentável.

A série de artigos entrevistas, análises e comentários de quase uma centena de pessoas (o escritor beatnik William Burroughs entre elas) reunidas no livro, também relembra as histórias e lendas geradas em meio às facilidades e exageros à disposição dos jovens astros ingleses. Os encontros com as fans durante as turnês (Uma das groupies favoritas de Page, Lori Maddox, tinha apenas 14 anos quando eles se conheceram. Nascido em 1944, Page devia ser uns quinze anos mais velho); as festas regadas à álcool e drogas; o vício; as perdas familiares; a bem-sucedida administração dos negócios (a cargo do quinto Zeppelin, o agressivo empresário Peter Grant, cuja ligação com "gângsteres" ou meros criminosos também ficou famosa), o que permitiu ao grupo ser o primeiro do show business a ter seu próprio avião...

Tudo já sugerido no imperdível filme de Cameron Crowe, Quase Famosos, de 2001.(Filme em que Crowe conta sua experiência pessoal de, com apenas 15 anos, ter acompanhado uma turnê do Zeppelin para escrever um artigo para a revista Rolling Stone)

O Zeppelin durou pouco mais de dez anos. Não sobreviveu à morte do baterista, supostamente asfixiado em seu próprio vômito ao dormir após ter tomado algo como 24 doses de vodka durante 24 horas. Durante o tempo que durou, seus integrantes inscreveram seus nomes no panteão dos mitos da música. Mais que isso. Criaram um gênero: a palavra heavy metal [metal pesado], segundo consta, foi aplicada pela primeira vez por um crítico para definir o som elétrico que os ingleses influenciados pelo blues norte-americano faziam.

Por isso mesmo, Whole Lotta Led Zeppelin é material obrigatório para quem curte rock.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

O público brasiliense acolhe bem a novidade

Musicalmente falando, creio estar no lugar certo, na hora certa. 

Impressão confirmada pelas minhas duas últimas idas a Santos, onde, ao chegar no Bar do Torto, me deparei com a mesma banda de sete anos atrás fazendo um cover de J.Quest e um dj tocando Rappa e Legião Urbana. 

Nada contra estas bandas. Música não necessariamente tem data de validade (algumas têm) .O problema é que, em Santos e em vários outros lugares, o tempo parece ter parado. A ponto de a única rádio audível ser a KISS, com os clássicos do rock de há 30 anos. 

A impressão é que, nestes lugares, programadores, músicos comodistas, donos das casas noturnas e o próprio público (que, como já escrevi aqui, adora aplaudir sua própria boa memória para refrões manjados) somaram forças para boicotar a nova música brasileira no momento em que a cena vive sua maior pujança. Quem gosta de música e se beneficia da internet sabe do que estou falando. Especialistas apontam: em nenhum outro momento a música brasileira foi tão diversa e rica. E, com certeza, não estão se referindo a Michel Teló ou ao sucesso descartável do próximo carnaval baiano. 

Morando em Brasília, tudo isso salta à vista. A cidade que foi tida como a capital do rock nacional quando, nos anos 1980, o chamado BRock irrompia tímido nas rádios e tvs, hoje disputa com outras duas ou três (incluída Belém do Pará) o título de capital da boa música. 

Graças à boas escolas de música, a um público não só receptível, mas ávido pelo novo e à mistura de gente de todo o país, cada um com seu gosto e suas preferências, aqui é possível ouvir muita  música boa, E não apenas vinda de fora, mas também produzida na própria cidade, nos mais diversos gêneros. Do rap ao pop, tem pra todos, como provam Gog, Ellen Oléria, Móveis Coloniais de Acaju, Lucy and the Popsonics, Hamilton de Holanda, entre outros. Em seus respectivos gêneros musicais, cada um destes já atingiu algum grau de reconhecimento nacional. 

Agora, porque volto a escrever sobre isso?  Porque um fato que inclusive virou notícia no site G1 confirmou minha tese, reforçando ainda mais minha implicância com a cena santista. 

Apenas poucos meses após lançar seu primeiro cd solo na internet (veja bem, somente na internet) o jovem cantor e compositor carioca CíceroLins faz hoje (9) seu primeiro show na capital federal, cidade com a qual não tem nenhuma ligação prévia e que sequer conhecia. Pois bem. OS INGRESSOS ESTÃO ESGOTADOS DESDE ONTEM, segundo a direção da casa onde ele se apresentará (Feitiço Mineiro). Tudo bem que é um espaço pequeno, intimista, adequado para Cícero apresentar as dez músicas do álbum Canções de Apartamento, mas, ainda assim, não deixa de ser sintomático. 

Em Brasília, ao longo dos últimos anos, eu tive oportunidade de conhecer praticamente tudo o que anda rolando na cena musical brasileira. A oferta é tamanha que, algumas vezes, perdi a chance por falta de tempo, grana ou disposição. De qualquer forma, a cidade me deu esta perspectiva. Fora das rádios e dos programsa de auditório de nossas tvs, a música brasileira vive um ótimo momento. 

Para baixar e ouvir o cd Canções de Apartamento e conhecer Cícero Lins, clique aqui.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

O Cinema Iraniano Vai Muito Bem

Caramba!

Que filme.

Não há como não classificar como minimamente sensacional o filme iraniano A Separação, dirigido por Asghar Farhadi.  

Excelentes interpretações. Direção envolvente. Roteiro livre de maniqueísmos. Uma história verossímil que, em sua simplicidade, é capaz de desvendar os absurdos da vida cotidiana: seja sob o jugo dos aiatolás, seja sob supostos regimes democráticos, "o inferno são os outros".

Separação, para mim, está muito além de tudo que já foi dito ou escrito sobre ele e entrou fácil na lista de meus melhores (na qual já há ao menos um outro título iraniano, `Salve o Cinema´)

Compartilho abaixo o trailler, mas adianto que o grande barato é assistir ao filme sem assistir ao trailler, que, inevitavelmente, entrega muitas das surpreendentes reviravoltas do roteiro.

Ah! A indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro? Bom, isso é detalhe... (ainda que sugestione muita gente que, de outra forma, jamais iria ao cinema para ver uma película iraniana). Se bem que um eventual prêmio por melhor roteiro original seja justíssimo.