Estava pensando em bobeiras que nunca escrevei quando me lembrei de um outro episódio envolvendo palavras que me surpreendeu. Mas desta outra vez foi algo que ouvi. Apesar da palavra - na verdade, um nome – me ser familiar, me dei conta de nunca tê-la pronunciado alto antes. Estava sentado no meio-fio esperando pela minha mãe. Ao meu lado, alguém que não me lembro quem (devo estar com algum problema de memória!) a chamou: “Nair”. Pensei comigo, “Vejam só. Não é que o nome da minha mãe é bonito".
quinta-feira, novembro 30, 2006
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Estava pensando em bobeiras que nunca escrevei quando me lembrei de um outro episódio envolvendo palavras que me surpreendeu. Mas desta outra vez foi algo que ouvi. Apesar da palavra - na verdade, um nome – me ser familiar, me dei conta de nunca tê-la pronunciado alto antes. Estava sentado no meio-fio esperando pela minha mãe. Ao meu lado, alguém que não me lembro quem (devo estar com algum problema de memória!) a chamou: “Nair”. Pensei comigo, “Vejam só. Não é que o nome da minha mãe é bonito".
segunda-feira, novembro 27, 2006
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Tem oito dias desde minha chegada à capital mineira, de onde retornei no último sábado e onde passei a última semana trabalhando de onze a treze horas diárias. Direto, sem pausa. Não deu para conhecer muito além do trajeto Aeroporto/hotel/UFMG, onde acontecia o 3º Encontro Educacional do Mercosul. Por sorte - ou, azar - o Aeroporto de Confins faz jus ao nome. Fica, realmente, próximo aos confins do mundo. De van, são cerca de 40 minutos sacudindo pelas ruas em obra até o centro.
Pela janela do táxi, ou nas rápidas caminhadas noturnas pelo centro, para ir jantar, deu para sacar que a cidade é dinâmica, que o barato é louco, o vapor é total e, principalmente, que é verdade factual a história de que Belô é uma das cidades com a maior concentração de mulher bonita do país. Lógico que, diante da relatividade do conceito, não vou eu, semi-fosco afetado pela saudade da namorada e pelo cansaço de uma semana ouvindo falar em integração dos povos do bloco, querer que me acreditem. Para los chicos, vale a pena conferir com os próprios olhos. Recomendo uma mesa do Western House, de preferência na calçada da Rua Guajajara, altura do 466, no Centro.
De mais a mais, não tenho muito mais o que escrever. Poupo-os, eventuais leitores e amigos, dos detalhes das discussões infinitas, das deliberações e recomendações dos intermináveis grupos de trabalho, das falas ministeriais. Sim, voltei de bode. Cara amarrada e abatido. Não quero nem ouvir falar em desarollo, en la educación como um bien público y en la integración de la educación de los hermanos. Cansei. Como diz a atriz do Terças Insanas, "Me deixem ser burro. A inteligência dói".
quinta-feira, novembro 16, 2006
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Brasília é uma capital muito perigosa. E olha que eu nem mesmo estou me referindo ao entorno, às cidades-satélites da capital federal. Não. Falo unicamente da Ilha da Fantasia composta pelo Plano Piloto e pelos Lagos Sul e Norte.
Enquanto caminha pelas entrequadras, se o sujeito incauto escapa de ser atingido por uma jaca, é vitimado por uma manga. Ou por um abacate. Ou, no melhor dos casos, por um jambolão que, ainda que eventualmente lhe manche a roupa, pelo menos não oferece o risco de um traumatismo.
É realmente necessário andar esperto em Brasília. E não pensem que o perigo se resume à flora. Não! A fauna também oferece sérios riscos à saúde, principalmente dos novos candangos. Quando não à integridade física, aos nervos dos mais sensíveis. Por exemplo, as cigarras de Brasília (aliás, no início de cada primavera, melhor seria dizer Brasília das cigarras, pois é como se todas migrassem para cá. Pelo menos minha namorada garante que em Florianópolis não há cigarras. Segundo ela, lá é terra de formiga, de trabalho).
Seguindo o raciocínio, as cigarras, em Brasília, distraem, irritam e fazem mal ao sono. Não bastasse elas começarem a cantar tão logo o sol aparece no horizonte, elas não respeitam a lei do silêncio e, vez por outra, se põem a cantar tarde da noite. E não apenas uma. São milhares. No meio do dia você já se esqueceu de como soa o tráfego, as ruas, o aspirador de pó, sem o fundo sonoro das cigarras.
Eu, semi-fosco que sou, dia destes consegui ser atingido por uma nos olhos. Isso porque eu uso óculos. Pois nem assim. A desgraçada conseguiu entrar entre meus olhos e a lente do óculo. E ficou ali, batendo asas, eu sentindo o frêmito na pálpebra do olho esquerdo...
É, Brasília é realmente muito perigosa.
segunda-feira, novembro 13, 2006
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
UM LIVRO - O Alienista. Será o melhor conto de Machado de Assis? Não saberia dizê-lo, pois além de entender pouco do riscado (na verdade, em se tratando de literatura, entendo apenas do que gosto e não gosto), conheço quase nada de Machado. Até bem pouco tempo, gostava de polemizar menosprezando a unanimidade em torno de sua obra. Dizia a todos que preferia Lima Barreto (ainda prefiro, mas, hoje, já admito que isso é pessoal). Acho que a culpa por esta minha rebeldia era das professoras do ensino médio, que nos obrigam a ler livros inacessíveis - pelo menos, na época, para mim - à nossa sensibilidade de adolescentes criados em meio à cultura audiovisual.
Mas voltando à dica, muitos afirmam ser o melhor conto do autor. Para quem não leu ou não lembra do que leu apenas para fazer a prova, a editora LP&M disponibilizou a obra através da coleção Pocket, que é boa e barata. Além disso, para os mais preguiçosos, o conto tem uma vantagem. Exige folêgo curto, já que tem apenas 86 páginas, tamanho pequeno. Ao menos um livro do Machado já se poderá dizer ter lido.
UM VÍDEO - Tudo bem. Chamem-me de obsessivo, de exagerado. Até de quinta-coluna. Mas volto a indicar um filme argentino. O Cachorro, de Carlos Sorín.
terça-feira, outubro 31, 2006
segunda-feira, outubro 30, 2006
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Queria ir à exposição do artista plástico e escultor indiano Anish Kapoor, em cartaz até o dia 7 de janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), mas os dias passaram, a semana acabou e eu não fui. No cinema, a mesma coisa. Pretendia assistir ou a Elza e Fred - Um Amor de Paixão ou O Buda. Derrotado pela preguiça, não fui a nenhum dos dois. Não assisti à apresentação do grupo de dança de Florianópolis, Cia. 11, nem à peça de teatro que estava em cartaz a poucos metros da minha casa.
E por que tanto cansaço? Talvez pela batalha que travei para comprar o meu primeiro celular. Se bem que desconfio que foi mais de fundo moral. Abri mão do único título que me distinguia e me tornei mais um cidadão rastreável.
Assim, por hoje, tudo que tenho a sugerir é o vídeo Três Enterros de Melquiades Estrada, dirigido por Tommy Lee Jones e que só fui me animar a assistir após atentar para o detalhe que o roteiro foi escrito por Guilherme Arriaga, o mesmo do excelente Amores Brutos e 21 gramas. No fim das contas, descobri que a direção e a interpretação de Jones também são certeiras.
Já para ler, bem, descobri João Gilberto Noll. Mas sobre este eu prefiro falar numa outra hora, porque agora bateu uma preguiça.
quarta-feira, outubro 25, 2006
quarta-feira, 25 de outubro de 2006




Resumo da ópera para os que não sabem do que se trata: o experiente repórter político Raimundo Rodrigues Pereira publicou na edição de CartaCapital de 18/10 a primeira matéria de, até agora, duas, sobre o tratamento dado pela mídia aos fatos que antecederam a realização do primeiro turno. Leia-se, a exibição das fotos tiradas pela Polícia Federal do dinheiro apreendido na operação que deteve os militantes petistas envolvidos na compra do Dossiê Vedoin.
Em linhas gerais, a reportagem “Os Fatos Ocultos” procura demonstrar que a mídia, em especial a Globo, omitiu informações cruciais ao divulgar as fotos e, assim, contribuiu para que houvesse um 2º turno, prejudicando a candidatura de Lula. Dada a riqueza de detalhes apurados pelo repórter, os editores imaginaram estar, com a matéria, dando sua contribuição a um eventual Dossiê da Mídia.
Além de algumas revelações de bastidores (jornalistas teriam sido avisados da prisão dos petistas por um dos donos da produtora de marketing político que presta serviços a José Serra e a Geraldo Alckmin; as fotos do dinheiro foram entregues a alguns repórteres pelo mesmo delegado da Polícia Federal que, duas semanas antes, havia prendido os petistas), Raimundo levanta dúvidas sobre os procedimentos técnicos e éticos dos profissionais de comunicação. (Por que o Jornal Nacional de sexta-feira (29) teria dado tanto destaque à divulgação das imagens quando concorrentes já falavam do acidente com o avião da Gol?).
A principal questão, porém, é por que os jornalistas teriam omitido de seus leitores/ouvintes/telespectadores a informação de como o cd com as fotos chegara as suas mãos?
Qualquer pessoa minimamente esclarecida sabe dos interesses políticos e econômicos que permeiam a atividade jornalística. Sabe, também, que a credibilidade de um veículo é proporcional a sua capacidade de manter a isenção e a objetividade, possíveis apenas por meio da fidelidade à verdade factual e à compreensão do que é notícia de interesse público (e não do público). Pois então, neste caso, qualquer um saberia também que a informação divulgada com alarde só estaria completa caso os jornalistas revelassem as condições em que haviam obtido as cópias das fotos.
Não se tratava de revelar uma fonte, mas de deixar claro que um delegado da Polícia Federal havia entregue a cinco jornalistas um cd com 23 fotos cuja exibição havia sido desautorizada pela Justiça. Que havia lhes recomendado afirmarem ter recebido o material de alguém que o teria roubado dele próprio. E que, para dar verossimilhança ao álibi, ele, o próprio delegado, disse que forjaria um boletim de ocorrência e insinuaria aos seus superiores que o autor do furto poderia ser um jornalista mais ousado. Segundo Raimundo Pereira, o delegado chegou a recomendar que as fotos fossem editadas a fim de suprimir detalhes e despistar sua origem.
O pior. Toda a conversa entre o delegado e os jornalistas a quem entregou o cd estava gravada e foi apresentada a outros profissionais. Um deles, o repórter da Tv Globo, Luiz Carlos Azenha, chegou a veicular em seu blog (http://viomundo.globo.com) trechos desta gravação. Em uma das passagens, o delegado deixa clara sua principal preocupação ao entregar o material. “Tem de sair hoje à noite na tevê. Tem de sair no Jornal Nacional”.
É como diz Azenha na apresentação de seu blog. "Não dá para mostrar tudo na tevê".
Então, vá à net e tire suas próprias conclusões:
Os Fatos Ocultos – (a reportagem que originou a polêmica) http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=5457
Rede Globo: os fatos – (a réplica do diretor-executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo, publicada inclusive na CartaCapital desta semana, como matéria publicitária paga)
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=403JDB010
Tartufo trabalha na Globo? - (a tréplica de Mino Carta à carta-resposta de Ali Kamel)
http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=5459
O Fantasma do Paredón – (a opinião do jornalista Alberto Dines sobre a matéria de CartaCpital) http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=404JDB001
De onde veio o Dinheiro – (texto que o jornalista global Luiz Carlos Azenha publicou em seu blog sobre a montagem cenográfica em torno do dinheiro apreendido pela Polícia Federal)
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=359
Réquiem do jornalismo – (o elogio a Raimundo Pereira, a crítica ao antijornalismo e a opinião do jornalista Luis Nassif)
http://z001.ig.com.br/ig/04/39/946471/blig/luisnassif/2006_10.html#post_18660494
O 1º Golpe já houve. E o segundo? – (a opinião de Paulo Henrique Amorim fica explícita no título)
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/394501-395000/394778/394778_1.html
Quase mais uma ... (A notícia do ‘laranja’ que não era ‘laranja’ e da jornalista que não era jornalista, ambos à serviço do PSDB, foi divulgada como verdadeira pelos principais veículos da imprensa, ocupando as primeiras páginas de sexta-feira, 27. Para entender, é necessário, após assistir ao vídeo –primeiro link – ler a entrevista que o delegado da PF concedeu a Paulo Henrique Amorim – segundo link)
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/397001-397500/397246/397246_1.html
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/397001-397500/397257/397257_1.html
segunda-feira, outubro 23, 2006
segunda-feira, 23 de outubro de 2006
sexta-feira, outubro 20, 2006
sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Apontado como o melhor surfista de todos os tempos, Kelly se destaca por ser completo, dominando qualquer tipo de onda, em qualquer condição. Seja voando sobre a junção de merrecas, seja dropando atrasado e entubando fundo em ondas grandes ou perigosas como Teahupoo, no Taiti, o norte-americano parece sempre pronto a expandir os limites do esporte.
Não bastasse ter igualado, ainda no início da temporada 2006, o recorde de seu conterrâneo Tom Curren, outra lenda do esporte que venceu 33 etapas do circuito mundial, Kelly, na semana passada, ensinou jornalistas e surfistas a pronunciarem a palavra OCTACAMPEÃO.
Não é pouca coisa. Merecidamente, o floridiano (estado conhecido pela má qualidade de suas ondas) é o profissional mais bem-sucedido da história do surf – esporte em que os atletas só começaram a colher os benefícios da profissionalização no final da década de 70. Desde que, em 1992, com 20 anos, se tornou o mais jovem campeão mundial, Kelly foi capa de revistas extra-surf como Interview, participou do seriado Baywatch, namorou a ‘siliconizada’ atriz Pamela Anderson e a ubermodel Gisele Bundchen, emprestou seu nome para um jogo de vídeo-game, estrelou dezenas de vídeos de surf e campanhas publicitárias, publicou uma precoce autobiografia e surfou por quase todo o mundo. Agora, com 34 anos, ao vencer seu oitavo título, Kelly se torna o surfista mais velho a conquistar o tour mundial.
Mesmo que os jornais não tenham noticiado seus feitos, diga, ele é ou não o cara? Caso concorde, me faça um favor. Se acaso esbarrar com um pretenso jornalista esportivo, pergunte a ele sobre a trajetória de Kelly. Caso ele não o conheça, mande-o à merda.
terça-feira, outubro 17, 2006
terça-feira, 17 de outubro de 2006
"O mundo parece diferente para pessoas diferentes, dependendo do mapa que lhes é desenhado pelos redatores, editores e diretores dos jornais que lêem."
segunda-feira, outubro 16, 2006
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Para assistir na telinha - De início, indicarei dois, pois não estou certo de que o primeiro, a produção hispano-argentina Na Cidade Sem Limites, de 2002, esteja disponível em vídeo, já que o assisti no Cine Brasília, durante a Mostra de Cinema Espanhol. De qualquer forma, o filme de Antonio Hernandéz surpreende ao tornar um drama familiar em um excelente suspense onde nada é óbvio, sejam as relações familiares, seja a própria doença que acomete o pai e motiva a reunião familiar em um hospital de Paris.
Na impossibilidade de encontrar esta fita, fica valendo o brasileiro Nina (www.ninaofilme.com.br), primeiro longa-metragem do diretor Heitor Dhalia . Livremente inspirado no romance Crime e Castigo, do russo Dostoievski, o filme recorre aos traços do igualmente atormentado desenhista Lourenço Mutarelli para dar vida às angústias e alucinações da personagem principal, excelentemente interpretada pela atriz de A Grande Família, Guta Stresser. Além disso, o diretor mostra ter credibilidade e ser bem-relacionado, pois pode se dar ao luxo de contar com um elenco de feras: Selton Mello, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Matheus Nachtergaele, Renata Sorrah, Juliana Galdino e a ótima Myriam Muniz, um assombro no papel da velha Eulália.
Para assistir na telona – Já indiquei, anteriormente, o indie Eu, Você, Todos Nós. Assim, atualizo a dica com um filme que acaba de estrear. Dália Negra, o novo policial do diretor Brian de Palma é pipoca, mas das que têm a qualidade de proporcionar prazer momentâneo. Além de trazer beldades como Scarlett Johansson, Hilary Swank e Mia Kirshner (tudo bem, vá lá! Para as garotas, tem também o atual queridinho Josh Hartnett), prende a atenção do espectador. Algumas cenas violentas são dispensáveis, mas, afinal, isso é Hollywood.
Para ouvir em casa – Nem que seja por ocasião dos dez anos de morte de seu vocalista e letrista, Renato Russo, acho que vale a pena (re)escutar com atenção os discos da Legião Urbana. Nem que seja para verificar se suas músicas e as letras escritas por aquele que, a meu ver, foi o maior letrista do rock brasileiro, continuam dizendo algo sobre nosso tempo.
Para ler no Parque da Cidade ou na praia – Os textos são bons, embora sejam o que, em jornalismo, se chama de frios, ou seja, que não tem data de validade porque não são factuais. De qualquer forma, o lançamento da revista Piauí (R$ 7,50) foi “o fato” para o mercado editorial. E como é uma empreitada do diretor de videodocumentários João Moreira Salles (Notícias de Uma Guerra Particular, Entreatos), filho de banqueiro e irmão do Walter Sales de Central do Brasil, é lógico que a revista vai virar assunto obrigatório de mudérnos, estudantes de jornalismo e afins. Mas o que me incomodou foi o fato de que continuamos em desvantagem frente à geração anterior. O melhor texto é do Ivan Lessa, o mesmo que, em 60, escrevia para O Pasquim. Ironia fina.
sexta-feira, outubro 13, 2006
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
“Já que excesso de cultura pode tornar a vida mais infeliz quando não se tem coragem de errar...porque conhecer melhor o mundo costuma tornar as decisões mais lentas, uma vez que aumentam os detalhes, as alternativas e as consequências a serem consideradas... as perguntas que realmente merecem sacrifício e empenho para serem respondidas, as respostas que nos repartem em partidos e que pesarão no momento de julgarmos e sermos julgados são meia dúzia. Ou um pouco mais. Aqui seguem dez delas:
01 – Em que ponto o resultado de uma fecundação se torna uma pessoa?
02 – O corpo de cada um é um patrimônio pessoal sobre o qual somos absolutamente soberanos ou recursos biológicos que nos são emprestados por um prazo limitado e pelo qual há alguma obrigação de zelo?
03 – Dentro de quais condições e em que medidas a humanidade deve usufruir os recursos naturais?
04 – Qual o máximo de recursos monetários que se deve permitir que uma pessoa ganhe sem que ela tenha trabalhado para tanto?
05 - A privacidade, no sentido do espaço onde estamos livres de sermos julgados, consiste num modo de fazer ou naquilo que se faz?
06 – Qual o tamanho do esforço que a sociedade deve despender para tornar um indivíduo auto-suficiente quando as oportunidades que a média das pessoas recebe não são o bastante?
07 – Quando um crime ou pecado causa tanto estrago que torna impossível ao culpado compensar o mal cometido?
08 – Até onde é possível transformar quimicamente a personalidade de alguém sem que suas vontades e desejos se tornem as do fabricante ou as do psiquiatra?
09 – Quais idéias são tão perigosas que não valhem a pena deixar circular e discutir, já que proibí-las não as tornarão menos convincentes?
10 – Para que serve a Arte?”
quarta-feira, outubro 11, 2006
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Não tenho vergonha de dizer que quando atendi a quarta chamada - esta, de trabalho - estava chorando. Da mesma forma que para meus amigos e para milhares de fãs da Legião Urbana, eu parecia ter perdido alguém muito próximo. Lembro de diversos apresentadores da MTV, Soninha entre eles, consternados, apresentando seus programas com as pálpebras inchadas. Por quase dois dias, shows, entrevistas e clipes da Legião ocuparam quase que a totalidade da grade da emissora.
Hoje, entendo porque. Renato Manfredini Júnior (1960 – 1996) foi realmente muito próximo e teve influência direta sobre a educação sentimental de milhares de pessoas.
Por mais de uma década, desde que, em 1985, o primeiro disco da banda chegou às rádios e estourou sucessos como Ainda é Cedo, Geração Coca-Cola, Soldados e Por Enquanto, as letras de Renato e a postura da banda conquistaram não apenas a simpatia do público, mas uma admiração que levou jornalistas a atribuírem a seu vocalista uma liderança quase messiânica sobre os fãs. Ledo engano. Estes ouviam-no e assimilavam quando ele dizia não haver nada de especial em si mesmo. Ainda que isso contribuísse ainda mais para que o achassem especial, impedia que se tornassem tietes. Assim, Renato não era adorado por ser famoso, por dar entrevistas ou porque aparecia na tevê. Em geral, era admirado pela capacidade de se comunicar com quem o ouvia.
Hoje, lógico, ouço Legião de outra forma. Mas a admiração por suas mensagens não diminuiu. Pelo contrário. Ao ver garotos e garotas que estavam nascendo em 1996 cantando as mesmas músicas que eu cantava nas rodinhas de violão de meus tempos de adolescente, acompanhado por meus amigos, sei que Renato Russo e a Legião deixaram uma obra perene.
segunda-feira, outubro 09, 2006
segunda-feira, 09 de outubro de 2006
Porém, a fatia do bolo que cabe ao MinC é de apenas 0,5% do orçamento total da União. Em 2005, isso significou menos de R$ 350 milhões. Não fossem os recursos arrecadados graças às leis de incentivo fiscal e, provavelmente, o ministério morreria de inanição. A Lei Rouanet, por exemplo, só no ano passado movimentou mais de R$ 600 milhões de reais ao permitir que empresas invistam em cultura parte do que teriam de recolher aos cofres do Estado sob a forma de impostos. Impostos que se transformariam – ou deveriam – em investimentos em Educação, Saúde, Saneamento Básico e...Cultura.
O problema deste modelo, segundo alguns especialistas da área é que, com isso, o governo deixa a cargo da iniciativa privada a responsabilidade por definir o que vale a pena ser visto, lido, ouvido, enfim, conhecido.
Some-se à falta de dinheiro a carência de recursos humanos do MinC (hoje, são 2,5 mil servidores. Correção: A exemplo da CartaCapital, escrevi que há 20 anos o MinC não realiza concurso público. Na verdade, após duas décadas sem contratar, no início deste ano o ministério fez um novo concurso. Os aprovados estão sendo convocados) e está criado o cenário para que surja o abismo entre as propostas apresentadas pelos sucessivos ministros e a real capacidade de ação da pasta.
quinta-feira, outubro 05, 2006
quinta-feira, 05 de outubro de 2006
Época,Veja e Istoé (R$ 7,90 cada) chegaram às bancas de todo o país no domingo (1º) em que os brasileiros decidiam os rumos políticos dos próximos quatro anos. CartaCapital (R$ 7,50) preferiu atrasar a publicação da edição semanal. Graças a isso, trouxe uma primeira radiografia do resultado das urnas de todo o país. Sem falar das notícias mais atuais a respeito do acidente aéreo em que morreram 155 pessoas.
quarta-feira, outubro 04, 2006
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
terça-feira, 3 de outubro de 2006
No Plano Piloto, é no Conic que o povo se encontra. O pernambucano Francisco Gonçalves da Silva, o Zé do Pífano, sabe disso. Afinal, não há nada mais povo que um pernambucano que viva da venda dos pífanos que fabrica. Assim, lá vai ele pelos corredores do Conic, entre a admiração e a surpresa dos que param para ouvir sua arte.
sábado, setembro 30, 2006
sábado, 30 de setembro de 2006
sexta-feira, setembro 29, 2006
sexta-feira, 29 de setembro de 2006
DIVERSÃO E ARTE
Hoje, Lenine bate papo e toca de graça no pocket show da FNAC. Infelizmente, o local comporta apenas 50 pessoas. No Arena Futebol Clube, o Cordel do Fogo Encantado lança seu novo álbum, Transfiguração (R$30). Seguindo a programação musical, tem ainda Jorge Mautner de graça em Taguatinga, Jah Live no Minas Brasília Tênis (R$15), Alzira Espíndola na Funarte (R$5) e o concerto sinfônico gratuito da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional.
Três festas: Cerrado Rock in Concert, Fashion Club e minhas sempre elegidas festas no Conic - a da vez se chama Cicciolina (R$10), uma provocação às eleições deste domingo (Cicciolina, para quem não se lembra, é o nome da estrela pornô Illona Staler, que, em 1980, foi eleita para o parlamento italiano). Se não bastasse acontecer no Conic, o local mais diverso e democrático da capital, tem entre suas atrações uma dj que atende pelo nome artístico de Sarah Vah! rs,rs,rs,rs,rs.
Tem teatro também. Segue a Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília, que ocupa, além de duas salas do Teatro Nacional, a Funarte, o teatro do Centro Cultural Banco do Brasil, o da Caixa e o Sesc Garagem da 913 Sul.
Some-se a isso os 47 títulos atualmente em cartaz nos diversos cinemas de Brasília e mais a penca de exposições e fica fácil de concluir que a vida cultural brasiliense não é tão incipiente quanto pode parecer a quem não procura por boas opções.
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Ele toca violão, canta, discorre sobre passagens bíblicas, discute a natureza da espiritualidade e manteve centenas de internautas na expectativa se conseguiria vencer à distância entre Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, e Brasília, para onde viajou disposto a processar o criador de uma comunidade com seu nome no orkut. Conheça Frei Tim, uma quase celebridade virtual que tem seus passos monitorados pela rede mundial. 











