sexta-feira, abril 06, 2007

sexta-feira, 06 de abril de 2007



Elsa & Fred – um amor de paixão
De 06.04 a 12.04 - Sessões 16 – 18:30 – 21 horas


Embora já esteja disponível em vídeo, a comédia volta à tela do Cine Arte Posto 4, em Santos. Ótimo programa para este feriado de Páscoa.
"A convivência com a filha e a perda da esposa fazem com que Alfredo, ou Fred, decida mudar de casa. Este homem, idoso, vai morar num edifício onde conhece Elsa, uma senhora um pouco mais velha que ele. De espírito jovem e sonhador, a moça mexe com a cabeça do novo vizinho. Logo, os dois estão absolutamente encantados e aprendendo a aproveitar as delícias do amor mesmo no fim de suas vidas. O filme foi indicado ao Goya 2006 de melhor ator, além de ter sido premiado em vários festivais de cinema pelo mundo.
Elsa e Fred - Um Amor de Paixão teve como cenários Itália e Espanha. China Zorrilla, que interpreta Elsa, é uruguaia e tem 84 anos. Já o espanhol Manuel Alexandre, intérprete de Fred, tem na vida real 88 anos de idade. A bela história pode ser resumida numa frase de Elsa a seu amado : “Você não tem medo de morrer, você tem medo é de viver".


(Elsa y Fred)Argentina-Espanha / 2005 / 108 minutos - comédia dramática

Direção - Marcos Carnevale

Elenco - Manuel Alexandre, China Zorrilla, Bianca Portillo, Roberto Carnaghi, José Ángel Egido, Gonzalo Urtizberéa, Omar Muñoz, Carlos Álvarez-Novoa, Federico Luppi, Fanny

segunda-feira, abril 02, 2007

segunda-feira, 02 de abril de 2007


O ADORÁVEL MONSTRO DO EDREDOM
Após algum tempo sem ser visto - período durante o qual muitos duvidaram de sua existência -, o adorável monstro do edredom foi fotografado por nosso intrépido fotógrafo, que descobriu sob que edredom ele hibernava e, depois de muita espera, conseguiu registrar o feliz instante em que o monstrinho arregala os olhos e volta à vida seca. Espantada com o flash, a adorável criatura levantou-se e, após devorar toda sorte de guloseima que encontrou a sua frente, saiu correndo apressada rumo à Esplanada dos Ministérios, onde passa boa parte do dia rindo. Embora seja espécie singular, alguns cientistas afirmam que o monstro do edredom não corre risco de extinção.



terça-feira, março 27, 2007

terça-feira, 27 de março de 2006

AÇÃO ENTRE AMIGAS
marco antonio rodrigues
As blogueiras do quintal de casa (http://quintal-de-casa.blogspot.com/) podem se considerar blogueiras de sucesso. Orientam-se pelo gosto de se expressar sobre tema qualquer e de qualquer maneira. Comentam e estimulam o trabalho umas das outras, trocam elogios, às vezes farpas discretas, outras nem tanto. Inegável que se trata de um blog ativo, “bostado” (como gostam de dizer as amigas) e comentado, na maioria das vezes por elas próprias. A metáfora escatológica, de fertilização do quintal, deve resultar em flores e hortaliças, graças ao bichinho da literatura que vez por outra vem picando (sic) as moças.

Eis, porém, que a solução se desdobra em problema, quando o veneno do tal bichinho passa a intervir na criação e no comentário. No universo literário, para algo ser bom, outros algos precisam ser ruins. Na expressão do mestre Antonio Candido, “é preciso muito estrume para que nasça uma flor”, e assim retornamos à metáfora escatológica do quintal. Mas entre amigos, em certo sentido, tudo “precisa” ser bom, mais por ser “de quem” que por ser o “que é”. Daí a crítica velada nos comentários, expressa pelos comparativos (isso me lembra aquilo), pela mudança de assunto ou pelo simples silêncio. Afinal, julgamento dos mais cruéis é não merecer comentários.

Assim se desenrola a ação entre amigas, ora leve e despretensiosa, ora puramente jocosa, ora séria e intimista – o que acaba por ser um bom retrato do humor feminino. Se tiver continuidade e freqüência, o arquivo poderá resultar num rico retrato de uma amizade entre iguais (pois mulheres) diferentes (pois gerações e origens variadas). Fica porém o desafio de não se entregar à facilidade do chiste, nem à sedução das belas letras. Quem sabe, pensar com André Breton que “a literatura é um dos mais tristes caminhos que levam a tudo”.

quinta-feira, março 22, 2007

quinta-feira, 22 de março de 2007

AUTO-RETRATO "Mesmo não sendo barro amorfo, ainda não estou solidificado. Ainda sou capaz de sentir e de me transformar, ainda sou capaz de ver o momento não como alguma coisa de estático, mas como oportunidade para reiniciar minha formação" (adaptado de Roman Jakobson)



sexta-feira, março 16, 2007

sexta-feira, 16 de março de 2006

HYGIENE EM SANTOS


A oportunidade é imperdível para os que estão em Santos. O Grupo XIX de Teatro (www.grupoxixdeteatro.ato.br) leva à cidade, neste fim de semana (17 e 18/03), a peça Hygiene. A encenação, que retrata o dia-a-dia dos moradores dos primeiros cortiços e sua resistência ao processo de higienização sanitária implementado por sucessivos governos, não poderia acontecer em local mais apropriado: no centro da Cidade.

A peça começa às 15h. (o ideal é confirmar), na Igreja do Valongo, de onde o elenco segue até a Casa da Frontaria Azulejada. Os ingressos custam R$ 10.

sábado, março 10, 2007

sábado, 10 de março de 2007

"A maior parte dessa molecada não é recuperável. Esta é a sina deles"
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar de 51 anos, não faz parte da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente que, no dia 26 de fevereiro, se reuniu com entidades de defesa dos direitos humanos, no Congresso. Mesmo assim, ele compareceu à plenária a fim de registrar sua posição favorável ao endurecimento das penas aplicadas aos jovens em conflito com a lei.

Polêmico, Bolsonaro concedeu uma entrevista a diversos jornalistas presentes no local e, tão logo os holofotes se apagaram, deixou o recinto onde representantes do grupo de mais de 100 parlamentares e do Conanda concordavam com a tese de que a redução da maioridade penal e a ampliação de três para cinco anos no tempo de internação de jovens em conflito com a lei são inegociáveis.

Poucos veículos deram espaço para as declarações do deputado. Sensatamente, julgo eu. Infelizmente, no entanto, é preciso considerar que suas opiniões refletem a de uma grande parcela dos ‘cidadãos de bem’, um conceito abstrato e não muito bem explicado do qual o deputado abusa desde antes da realização do referendo sobre o desarmamento, ocasião em que Bolsonaro espalhou pelas ruas do Rio de Janeiro outdoors com a frase “Entregue sua arma! Os vagabundos agradecem. Bolsonaro, pelo direito à legítima defesa”.

Decidi reproduzir aqui a íntegra das respostas do deputado que, entre outras conclusões, estabelece um paralelo entre a punição aos jovens infratores e o abate de aeronaves de traficantes pelas Forças Armadas.


_ Deputado, as entidades e os deputados aqui reunidos defendem que reduzir a maioridade penal e ampliar as penas aplicadas não resolveria o problema da violência praticada por jovens. O que o senhor pensa disso?

_ Primeiramente, é preciso deixar claro que a síntese deste debate é angariar recursos para essas entidades. Ou seja, se elas perderem os menores de 16 ou 17 anos [com a aprovação da redução da maioridade penal], diminui o número de pessoas internadas [cumprindo penas de reabilitação social, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA] e, consequentemente, haverá menos verbas para elas. Eu prefiro entulhar penitenciárias de marginais de 16 ou 17 anos do que encher cemitérios com pessoas inocentes.

_ Mas o senhor acha mesmo que esta é a solução?

_ Pode escrever: a maior parte dessa molecada que pratica esses crimes não é ‘recuperável’. Você pode colocá-los em uma casa de freiras que eles não irão se recuperar. A sina deles é exatamente esta.

_ O senhor acha pouco o tempo de internação determinado pelo ECA?

_ Eles têm de se punidos e a pena tem de ser proporcional ao crime. É inadmissível querermos apenas ampliar de três para cinco anos o tempo de internação dos menores. [tempo estabelecido pelo ECA para a internação em instituições de reabilitação social de menores em conflito com a lei]. O simples fato de termos aprovado uma lei que permite às Forças Armadas brasileiras abater aviões suspeitos de transportar drogas ou armas reduziu em 70% o número de vôos clandestinos na Amazônia. Exatamente pelo medo. Da mesma forma, essa garotada, uma minoria que ‘eles’ [não fica claro se o deputado se refere exclusivamente ao que alguns chamam, jocosamente, de os defensores dos direitos humanos, ou ao senso comum, já que a frase é defendida por todos, de educadores aos jornalistas mais liberais] dizem que é o futuro do Brasil, essa garotada, sabendo que será punida, vai se inibir e pensar duas ou três vezes antes de comentar uma maldade.

_ Então o senhor acredita que uma pena maior vai levar o jovem a pensar duas vezes?

_ Olha, primeiramente, eu sou favorável à redução da maioridade penal. Aqui também está se discutindo a possibilidade de aumentar para cinco anos o tempo de reclusão. Isso eu sou contra. Justamente porque a pena tem de ser proporcional ao crime. Até ouço muita gente que diz, à boca pequena, que se fizerem uma barbaridade com um parente seu, ou mata ou manda matar. Isso então acaba estimulando os grupos de extermínio. Se o Estado não pune, cada um parte para fazer justiça com as próprias mãos.

_ O senhor está defendendo essa idéia? Acha que isso realmente acontece?

_ Isso acontece e eu peço a Deus que não aconteça com um filho meu. Se acontecer, ou eu mato, ou eu providencio alguém para matar. A Justiça se baseia em cláusulas pétreas [direitos e deveres constitucionais que só podem ser modificados mediante revisão da Constituição Federal], mas a minha vida não é pétrea. A vida dos cidadãos de bem não é pétrea. Para um pai, não há o que justifique. Se fosse com um filho meu, eu deixaria de ser homem se não matasse ou providenciasse matar aquele médico que abusou de crianças de 11 e 12 anos. Se o Estado não pune, você vai procurar a Justiça pelas próprias mãos.

_ Uma punição maior para os menores não acabaria penalizando apenas pessoas com menos condições econômicas? No caso dos jovens brasilienses que queimaram o índio Galdino, por exemplo, o crime foi, de certa forma, atenuado e a pena minimizada.

_ A pena tem de ser proporcional ao crime e não a cor da pele.

_ O senhor defende a redução da maioridade penal para quantos anos?

_ Eu defendo 14 anos, mas se conseguirmos 16 anos já está de bom tamanho.

_ Os movimentos de defesa dos direitos da criança e do adolescente alegam que a redução não resolveria o problema do envolvimento de menores de idade com o crime, mas sim geraria uma redução do aliciamento, ou seja, as quadrilhas passariam a empregar crianças cada vez mais novas. O que o senhor acha disso?

_ Ah, mas então vamos passar a maioridade penal para 35 anos. Aí quem tiver até 30 anos não comete mais crime.

_ Éééééééé......rs,rs,rs,rs,rs,rs,rs hã, hã
... Obrigado pela atenção, deputado.

terça-feira, março 06, 2007

terca-feira, 06 de marco de 2007

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo
Atenção, este é um texto pretensamente sério, apesar do trocadilho do título. Trata de algo que li na edição de fevereiro da Rolling Stone nacional e que diz muito sobre os norte-americanos, um povo pragmático, que vê cifrões em qualquer debate e que, como citou Max Weber, “tira sebo do gado e dinheiro do homem”.

Pois bem. Agora eles já têm motivos para refletir sobre as decisões de George Bush e seus falcões. Agora eles já estão alertados de que, em termos financeiros, a guerra “do terror”, como é dito no filme Borat, custará cerca de US$ 2,267 TRILHÕES aos contribuintes.

A conta foi apresentada pelo economista norte-americano Joseph Stiglitz, ganhador de um Prêmio Nobel de Economia. Para calcular o preço da carnificina e refutar as declarações iniciais do governo Bush de que a guerra geraria dividendos e se pagaria com os aumentos dos lucros com o petróleo, Stiglitz considerou os gastos para enviar e manter as tropas yankees no Oriente Médio, os cuidados médicos e pensões para veteranos, o aumento com os gastos do Departamento de Defesa, as perdas que a economia terá com os feridos e a elevação dos preços do petróleo.

Em entrevista à Rolling Stone norte-americana, reproduzida pela edição nacional, Stigitz refuta as opiniões de que a guerra estimule a economia. “Não quero reduzir isso à economia dura e fria, mas quando se educam jovens durante um período de 12 a 18 anos, isso é um investimento muito grande. Se eles então são mortos, mutilados ou ficam debilitados, estamos destruindo capital”.

O economista declara que o governo subestimou o custo social da guerra. “O impacto sobre o orçamento federal não prevê despesas que teremos no futuro com o pagamento dos cuidados médicos e das pensões por invalidez”.

Stiglitz lembra que além do desembolso da Previdência, o Tesouro norte-americano também perderá na arrecadação, uma vez que um soldado ferido ou incapaz de trabalhar recebe do governo apenas 20% do que ganha trabalhando.

“O governo está tentando vender a idéia de que as leis da economia não se aplicam à guerra. Querem nos fazer acreditar que não precisamos escolher entre armas e manteiga porque podemos ter os dois. A realidade é que esse dinheiro poderia ser empregado em outras coisas”. O próprio Stiglitz dá exemplos: um quarto do orçamento da guerra daria jeito nas contas da Previdência Sócia norte-americana pelos próximos 75 anos; com os mais de US$ 2 trilhões calculados por ele, os EUA poderiam financiar todos os compromissos mundiais de auxílio aos países pobres pelas próximas duas décadas ou colaborar com os esforços para deter o aquecimento global investindo em pesquisas.

Para o economista, os norte-americanos já sentem os efeitos da guerra. “Nosso padrão de vida será menor do que se tivéssemos feito as coisas de outro modo. A renda do americano médio já está diminuindo. A maior parte de nós está pior do que há cinco anos. Por que estamos ficando mais pobres? Este monte de dinheiro que gastamos na guerra obviamente tem algo a ver com isso”.

Vale lembrar que o futuro da economia norte-americana nos diz respeito, uma vez que todo o mundo sofreria as conseqüências do refreamento da atividade econômica dos EUA. Isso para não falar no destino do iraquianos que, diferentemente de nossos vizinhos, não tiveram outra opção além de lutar.

sábado, março 03, 2007

sábado, 3 de marco de 2007

A culpa é do sistema
Nada. O telefone só dá sinal de ocupado. Há quase três horas eu tento falar com um funcionário da TAM para reclamar que há quase três horas e meia eu estou tentando acessar a página da empresa na internet para confirmar a compra das passagens promocionais que reservei e...tum-tum-tum.

Tenho aqui na tela do micro diferentes valores para um mesmo vôo e não vejo o sentido em alguém optar por pagar a tarifa mais cara do vôo em que estou tentado embarcar ( R$ 1.139,00 ) se pode adquirir a mais em conta ( R$ 99 ) e decolar no mesmo horário, na mesma aeronave e, portanto, chegar ao destino final na mesma hora que os passageiros que economizarem R$ 1.040,00. Enfim, talvez eu devesse experimentar tentar comprar uma passagem neste valor só para testar a eficiência seletiva do sistema da empresa.

Já fiz diversas combinações de horários e aeroportos e nada dá certo. Por alguma razão, o sistema de compra virtual da empresa não permite que eu conclua a operação sem que eu informe o número do meu cartão fidelidade. Acontece que eu sou comercialmente infiel e não possuo o tal cartão – já me foi custoso conseguir um de crédito com o qual pudesse comprar parceladas as propagandeadas passagens promocionais.

Ao fim de quase três horas, consigo avançar algumas etapas, indicar meus dados, calcular o valor da compra e confirmar a compra. Imagino que tenha, enfim, conseguido as à esta altura sonhadas passagens promocionais. Ledo engano. O sistema volta a falhar e eu desisto. Da internet e do telefone, que continua tum-tum-tum.
Não é a toa que da mesma forma como não conheco ninguém que tenha ganhado na loteria, não conheco ninguém que tenha conseguido comprar passagens aéreas nestas promocões.

domingo, fevereiro 25, 2007

domingo, 25 de fevereiro de 2007


Não istrova, ô istepô! Tu estás na Ilha da Magia, Florianópolis. Mais precisamente, na praia da Armação, legítima vila de pescadores alçada à condição de ponto turístico do sul da ilha. Melhor: a casa em que estás hospedado fica a poucos metros das esquerdas da praia conhecida como Matadeiro, a mode que, se não entendes o manezes, mofas com a pomba na balaia.
O-lhó-lhó, somos manés, mas não somos bocós. O nome de ambas as praias ora fustigadas pelo vento sul - Armação e Matadeiro - vêm do tempo em que a caça às baleias ainda era permitida. Enquanto na primeira se armavam as armadilhas, na segunda, os enormes mamíferos eram sacrificados. Ainda hoje é possível encontrar enormes ossos ornamentando os jardins de algumas casas, principalmente das compradas pelos paulistas, que erguem aqui seus templos do mau gosto da classe média, destoando completamente da arquitetura local com suas imitações de colunas jônicas, dóricas ou seja lá o raio que os parta! Desconfio que deve ser paulista o dono da loja Havan, que não satisfeito de erguer em Brusque uma cópia da Estátua da Liberdade na entrada de seus estabelecimento, achou bonito o feio e fez o mesmo em Floripa.
Mas voltando às baleias, se hoje elas já não são vistas tão comumente, outros mamíferos seguem visíveis na paisagem local. Os argentinos, por exemplo, que migram a cada verão para acasalar em Canasvieiras. Hoje, protegidos pela Embratur, eles já não são mais caçados pelos manézinhos. Isso apesar de, pouco a pouco, seus pesos voltarem a ser apreciados pela cultura local.


Vais dar as fuças por cá? Então, não seja tanso e procure: 1) a lanchonete Nutri para refeições leves; 2) a pizzaria Aloha! 3) o Restaurante Vieira, na própria Armação, que disputa com o 4) o internacionalmente famoso Arante, na praia do Pântano do Sul, o título de fazer o melhor pirão do Brasil.

Uma vez no Arante, uma única ressalva: não se deixe enganar pelo garçom. Um sequência de frutos do mar serve perfeitamente quatro e até cinco pessoas.

domingo, fevereiro 18, 2007

Domingo, 18 de fevereiro de 2006

BRASÍLIA DO ROCK, SOUL, FUNK, MPB...
Um pouco da diversidade musical brasiliense vista através de alguns dos shows que registrei em 2006: Gerson King Combo; sni durante o Festival da Música Independente (FMI); a brasiliense Casa de Farinha, vencedora de um prêmio APCA, e a também brasiliense Móveis Coloniais de Acajú têm público cativo; talentosa e intimista, a paulistana Céu vem comendo pelas beiradas e conquistando crítica e público; de pernambuco, Mombojó; Bataclafe; "musquitinho...barulhinho": metade da dupla de rock-eletrônico brasiliense Lucy and the Popsonics e a musicalmente bem focada Pata de Elefante.


















quarta-feira, fevereiro 14, 2007

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007



"Nossa Senhora do Cerrado, protetora dos pedestres que cruzam o Eixão às seis horas da tarde, cuidai para que eu chegue são e salvo, na casa da Noemia..."

Admito que há um certo descuido de minha parte, mas não conheço nenhuma outra capital brasileira onde eu iria me aventurar a usar, às 23 horas, passarelas como estas que ficam no Eixão, em Brasília.

A opção para quem teme atravessá-las (e há quem não as utilize nem mesmo durante o dia com bem mostra a música gravada pela Legião Urbana) não é menos arriscada: a pista expressa do eixão.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Vem aí mais um feriado. O carnaval se aproxima e o surfista prego do Cerrado já está tirando o pó da prancha para uma nova tentativa de surfar. Tem dois meses que ele não cai na água salgada em busca de ondas, mas mesmo assim, promete se divertir bastante, bem além da quarta-feira de Cinzas.
Enquanto a segunda de carnaval não chega, o prego recomenda: assistam Pecados Íntimos. Ignorem as resenhas de jornais e arrisquem o ingresso. Principalmente para quem gostou de Beleza Americana.
Outra dicas, agora de vídeo: Paradise Now e Meu econtro com Drew Barrymore. Para às retinas, o livro do best-seller, porém ótimo escritor, Graham Greene, Fim de Caso. A adaptação para o cinema também é ótima e fica valendo a dica de vídeo.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Até há bem pouco tempo, eu tinha uma infinita paciência com bêbados anônimos. Buscava absorver de suas palavras desconexas um significado que acreditava transcender às “portas da percepção”. Além do mais, dava real atenção aos loucos, aos pobres e a todo tipo de gente que vive à margem.

Eu, então, acreditava sinceramente que vender brincos de casca de coco, pulseirinhas e outros badulaques nas ruas era uma maneira de negar o sistema. Calçando sapatos sociais marrons e usando uma daquelas gravatas baratas, azuis, admirava os hippies e seus cabelos compridos, suas roupas sujas e sua expressão fora de órbita.

Eu era receptivo com qualquer pedinte. Mesmo que não pudesse aplacar sua fome de comida, podia ao menos minimizar a falta de atenção que os condena à invisibilidade.

De certa forma, eu os admirava. A todos os que sobreviviam às adversidades. Aos mendigos, aos bêbados, aos que não se adaptavam à hierarquia, aos desempregados, enfim, aos fracos destes nossos “tempos modernos”. Eu intuía que eles sabiam algo, que tinham a chave dos mistérios de porque os demais, com seus rígidos horários, seus décimo-terceiro salários, suas férias planejadas pela CVC, seus homer-theater, carros do ano, roupas de marca, filhos na escola particular, financiamentos e cartões de crédito, porque eles, com todas as comodidades, não eram felizes.

Eu não queria, lógico, ser como eles, mas imaginava que só aprendendo algo de suas experiências me seria possível delinear o caminho do meio. Assim, fui seguindo, desatento à sedução das facilidades. Acontece que, como já devem ter notado, este é um texto que emprega o pretérito.

Agora, me dou conta de que já não tenho mais nenhuma paciência para os desconhecidos bêbados que continuam surgindo pela vida a fora. Já não tenho paciência nem mesmo para minha própria embriaguez. Pior que isso. Às vezes noto sinais de que receio de estar assinando certificado de otário se atender o pedido de alguém que me pede algum dinheiro para supostamente comer algo. E daí se não for? Se for para a cachaça?

Vivo correndo e desatento a minha volta, cego para a miséria de minha vizinhança e me lamentando pela pobreza mundial. Digo que ela nada me ensinou e que nada mais tem a me ensinar, mas, no fundo, sei que a verdade a que não posso fugir é que já não acredito ser possível mudar nada. Nem a miséria, nem a mim mesmo.

Sigo trabalhando, produtivo como o empregado do mês, incorporando aos poucos a justificativa de que já é difícil o bastante cada um cuidar de si. Se alguém vem me falar sobre mudar o mundo, penso na desordem do meu quarto, de meus pensamentos. Penso na minha vidinha. E quando baixo os olhos, envergonhado, os sapatos são outros, mais caros, mas ainda são marrons.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

O PODER DO MITO
Vocês não vão acreditar, mas eu ontem reencontrei Sísifo. Achava que aquele grego já tinha morrido. Que nada. Ele está aqui, em Brasília, trabalhando no bloco D da 103 Norte. Demorei a reconhecê-lo, mas a postura arqueada, os ombros caídos e aquele sorrisinho submisso e nervoso o traíram.

Após muito tempo rolando pedra montanha acima, Sísifo conseguiu deixar o último trabalho e receber uma espécie de promoção, tornando-se faxineiro do edifício destinado a militares. Segundo ele, a pena é mais leve, embora tão inútil quanto a anterior.

Todos os dias, por volta das 13 horas, ele é obrigado a espalhar uma lama pelo chão de mármore e, com a ajuda de uma enceradeira, deixar o piso brilhando. Acontece que o piso em questão é a passarela de um prédio sem muro ou cerca, utilizado pelas pessoas como atalho. E, então, chove, as pessoas entram e saem pela portaria do prédio, pisam distraídas sobre o recém-terminado serviço de Sísifo sem se darem conta de sua existência... Tudo isso para que, no dia seguinte, o grego possa recomeçar tudo de novo.

Para ele, no entanto, poderia ser pior. Ele agradece o fato de os deuses terem permitido que ele use a enceradeira. E lembra, com certo regozijo, que seu amigo Prometeu foi condenado à pena bem mais severa apenas por ter presenteado a humanidade com o fogo celestial furtado por ele. Para quem não se recorda da trágica história, Prometeu foi acorrentado a uma rocha. Todos os dias, uma águia vinha lhe comer o fígado, que se recompunha durante a noite apenas para que o suplício fosse retomado no dia seguinte.

Pensando por este prisma, até que ele está certo. Fora que, além de agora receber vale-transporte, ele tem direito a 30 dias de descanso que pode vender para reforçar o orçamento doméstico. Por outro lado, como escreveu Camus em um texto dedicado ao hoje humilde faxineiro, "não há punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança".

quinta-feira, janeiro 18, 2007

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

ESTEREÓTIPOS, SEGUNDO O AURÉLIO, SÃO O MESMO QUE CLICHÊS
Este mês, a revista Playboy capturou a “perseguida” da surfista Andréa Lopes. Já na edição da semana passada de CartaCapital, o especialista em empresas e negócios, Thomaz Wood Jr., escreveu sobre a decisão tomada em dezembro de 2005, pelo dono da Clark Foam, Gordon Clark, de fechar a mais tradicional fabricante de blocos de poliuretano com que são feitas as pranchas de surf.

A Clark Foam detinha 90% do mercado norte-americano e 60% do mundial, o que vai garantir uma aposentadoria tranqüila a Clark, surfista septuagenário que, na década de 60, começou o negócio para poder estar próximo ao mar e do surf.

Segundo Wood, Clark, que estudou matemática, física e química, “costumava ser comparado a Bill Gates, pelo seu poder e controle da cadeia produtiva, e a Howard Hugues, por seu comportamento recluso e excêntrico”.

Especula-se que, além de concluir que, daqui a poucos anos, será difícil disputar mercado com os blocos chineses que começam a invadir as oficinas de shapers de todo o mundo, Clark avaliou os prejuízos que sua atividade vinha causando ao meio ambiente e optou por encerrar seu negócio milionário. Claro, há também o aspecto de que Clark já não é nenhum garoto e, aparentemente, não tem herdeiros que se interesse por tocar a Clark Foam.

No Natal passado, ao passar por uma loja Americanas, me surpreendi ao me deparar com quatro dvd´s, edições especiais de filmes dirigidos pelos surfista Bruce Brown entre os anos 1960 e 1970.

Brown é um dois maiores responsáveis por construir no imaginário coletivo o mito do surfista em busca de ondas perfeitas e do verão sem fim, título de seu filme mais conhecido – Endless Summer. Brown influenciou tudo o que veio depois em termos de filmes sobre surf, demonstrando que era possível capturar a atenção do público leigo e ganhar muito dinheiro com isso.

Em 2002, no Brasil, o filme Surf Adventures foi produzido pela Conspiração Filmes, de olho apenas nos surfistas. Embora o projeto inicial fosse levar a película à telona, os envolvidos não esperavam que o filme atraísse 200 mil pessoas ao cinema, tornando-se o terceiro documentário mais visto no país, naquele ano. Hoje, o dvd também está a venda nas mesmas lojas Americanas. Inclusive de Brasília, a mais de mil quilômetros da praia mais próxima.

Nos EUA, um ano depois, o ex-skatista, ex-surfista, ex-empresário e, como Clark, milionário, Stacy Peralta lança o documentário Riding Giants, sobre o surf e os surfistas que desafiam ondas gigantes, equivalentes a prédios de quatro, cinco andares.

(Dois anos antes, Peralta havia ganhado o prêmio de melhor direção de documentários no mais prestigiado festival de cinema independente americano, o Sundance, com seu filme sobre a evolução do skate e o significado da existência da equipe Zephir. O roteiro de Dogtown and Z-Boys é tão bom e legítimo que Peralta não teve dificuldade para convencer o ator Sean Penn a ser o narrador da história. E ainda foi contratado por estúdios de Holliwood para escrever um roteiro fictício sobre a mesma história, que virou filme e pode ser encontrado em quase todas as locadoras. No entanto, se for o caso, prefira o documentário original).

Voltando ao Brasil, em 2004, o documentário Fábio Fabuloso, uma videobiografia sobre a trajetória do paraibano Fábio Gouveia, um dos surfistas mais carismáticos da história do esporte, ganhou os prêmios de melhor documentário, segundo o público, no Festival do Rio de Janeiro, e do júri oficial, na Mostra de Cinema de São Paulo. Além das cenas com a família, dos detalhes sobre as dificuldades para deixar a vida simples na Paraíba e se adaptar às ininterruptas viagens ao redor do mundo, do fato do “Fia” ser um piadista e, lógico, de muito surf em ondas de qualidade, a ótima trilha sonora, mesclando ritmos nordestinos à música eletrônica, e o roteiro narrado em forma de cordel conquistaram a simpatia do público. Tanto que também está a venda nas...Lojas Americanas.

O octacampeão mundial Kelly Slater é nome de jogo de vídeo-game. Filmes publicitários utilizam a imagem de surfistas para vender cerveja, carros e outras bugigangas para as quais querem dar um ar “cool”. E, tenho certeza, você com certeza tem em seu guarda-roupa uma peça de roupa de alguma marca de surfwear ou ao menos uma bermuda de tactel, adotada como uniforme oficial dos surfistas.

Então, se você é daqueles que ainda vêm os surfistas como uma bando de idiotas desmiolados e não entendeu o sentido deste texto, aqui vai uma última chance para você refletir sobre estereótipos.

Em 2003, em parceria com Drew Kampion, o mesmo Bruce Brown que dirigiu Endlles Summer lançou um livro de luxo, com capa dura, pela seletíssima editora Taschen. O nome do livro, Stoked – História da Cultura do Surf, deixa bem claro sua pretensão. Mostrar como, desde que era praticado por reis havaianos, o surf influenciou nossa cultura, seja na música, na moda, seja no comportamento e, mais recentemente, nas artes plásticas.

Já no prefácio do livro, Brown ironiza o velho preconceito em torno dos surfistas. “Um livro sobre a cultura do surf. Bah! Sempre nos disseram que éramos um bando de inconscientes sem cultura. No início dos anos 1950, quando comecei a surfar, o comentário mais freqüente de meus pais e amigos não surfistas era: “Quando crescer, você se dará conta de que esteve perdendo tempo, ao invés de fazer algo de útil”.

Brown continuou não só fazendo o inútil como, a partir de dado momento, concluiu que valia a pena registrar seus amigos praticando aquela inutilidade. The Endless Summer fez tanto sucesso que atraiu a atenção de estúdios de Hollywood. No entanto, todos diziam a Brown que, para triunfar, ele deveria se mudar para a Cidade dos Sonhos. Ao que ele respondia. “Prefiro ser leiteiro na praia que viver em Hollywood, longe do mar”.

Brown seguiu sua crença e, se não fez sucesso na indústria cinematográfica, ao menos parece um sujeito realizado nos extras da coleção de dvd´s lançada quarenta anos após sua filmagem.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Longa Viagem Noite Adentro
(ou de como Winona Ryder roubou minha outra camiseta)
Quando, enfim, se decidiu e bateu a porta, ela disse que eu temia amadurecer e me tornar velho. Ela estava enganada. Desde que me deixou, há poucos meses, envelheci alguns anos. Os vincos em meu rosto e as olheiras são indícios das noites mal-dormidas. O pior: não amadureci.

Na última sexta-feira, por exemplo, decidi alongar o fim-de-semana. Senti vontade de ver gente, de sair sem destino certo. Me vesti, baguncei o cabelo e ganhei a rua. Só não tirei os óculos porque isso representaria um enorme risco de eu ser atropelado.

Passei diante do Restaurante Chaminé, na 402 Norte e segui até a 203 Norte, onde o garçom do Manga Rosa recolhia cadeiras esvaziadas. Do outro lado da rua, algumas pessoas faziam a social no Balaio Café. No Armazém do Ferreira também havia um número considerável de pessoas, mas estas me pareceram enjoadas demais para meu estado de espírito.

Segui até o Eixão. Sabia aonde minha caminhada noturna me levaria. Sem ver alma viva que não as que passavam velozes em seus carros, continuei em direção à Rodoviária. Próximo ao Teatro Nacional Cláudio Santoro, três figuras furtivas surgiram das sombras de um ponto de ônibus. Tive medo, claro, mas se eram malandros, devem ter concluído que, em Brasília, um sujeito caminhando de madrugada não deve ter muito a oferecer.

Parei alguns instantes diante da Rodoviária do Plano Piloto. Observava “as luzes de Natal” e aquela paisagem de cartão-postal, com os edifícios dos ministérios e, ao fundo, o Congresso. Meu Deus! Mas que cidade fria. Só nos resta mesmo trabalhar, cortar madeira, lapidar palavras e ignorar o desastre social a nossa volta. As luzes podem ser bonitas, mas o significado das construções já não me comove. Diferentemente da feia, suja e mal-cuidada Rodoviária do Plano Piloto.

Atravessei-a. À noite, após os trabalhadores terem retornado a suas casas nas cidades satélites, a Rodoviária acomoda todo tipo de desafortunados. Famílias que vêm a Brasília mendigar durante o verão, desocupados, sem-tetos e hippies encardidos se misturam aos funcionários da limpeza, a taxistas e perueiros sonolentos. À noite, o cheiro de urina da rodoviária que a elite não utiliza se torna mais perceptível.

Sigo adiante. À direita fica o shopping. Fechado. À esquerda...bem, à esquerda fica o inclassificável, o diverso, o mau-afamado Conic. O local mais heterogêneo de Brasília. Diferentemente do templo do consumo ao lado, com suas entranhas abertas para os pedestres tal qual uma...bem, deixa para lá.

Mesmo, porém, para grande parte dos que vivem no e do Conic, é tarde. Bares, igrejas, livrarias, lojas de skate, óticas, o enorme templo da Universal, tudo está fechado a uma da manhã. Apenas os cines pornôs e os puteiros do lado externo do prédio funcionam à vista das pessoas a esta hora. Só procurando bem para encontrar, no subsolo, a entrada da boate Espaço Galeria.

Entro ao som de Rock The Casbah, do The Clash. Três garotos de colete, blazer e óculos escuros dançam animadamente no centro da pista ainda vazia. Uma garota com vários pieciengs no rosto beija uma loira muito bonita. Nas paredes, além de fotos de astros do rock, quadros com fotos de modelos semi-nús. E o som bombando. Ramones, The Killers, Beck, The Hives, White Strippes, Iggy Pop, Beatles, Rolling Stones, Strokes, Franz Ferdinand.

Velho ou não, tomo, logo de cara, duas caipirinhas. Não são lá grande coisa, mas, in rock we trust. O negócio é ir para o meio da pista, chacoalhar o esqueleto e deixar o resto por conta do estrobo. Quem quer amadurecer? Quem aqui quer escapar à ditadura da juventude? A publicidade, os estúdios de cinema, as rádios fms, a tv, as revistas semanais, a moda, Beavis & Buthead, os dedinhos da Eliana, Michael Jackson, tudo, tudo o que é comercializável neste mundo é jovem e esbanja ATITUDE. Quem quer envelhecer? Que importa que ela tenha batido a porta com força? Que diabos, esta caipirinha só tem gelo. Que coisa. O quem quer este metrossexual me encarando com seu topetinho e cinto com estampa de vaca malhada?

_ As mulheres são vingativas. Elas sempre fazem isso.

_ Haã???

_ Roubam vocês quando vão embora. Você não viu o clip da Lily Allen? É daquele jeito que uma mulher rancorosa pensa que tem de agir – diz ele, rindo e apontando para minha camiseta, onde se lê Winona Ryder stole my other t-shirt.

_ Ah, que se dane. Eu não sou tão moderno.

O negócio é continuar chacoalhando e socando o ar, torcendo para que o efeito do estrobo me faça parecer o Astaire deste pardieiro. A intenção é reavivar o que sentia aos dezesseis, simulando uma dança espasmódica nas matinês da Lofty, junto com meus amigos. Só que eu não tenho mais dezesseis, meus amigos não estão aqui, minhas articulações doem e aquela garota está apalpando os seios de outra garota.

Quem quer envelhecer? Se minha pernas permitirem, eu, amanhã, vou andar de skate. Vou fazer como o cara do Beleza Roubada. Largar meu trabalho e me empregar em um McDonald´s. Voltar a tomar vinho barato direto do gargalo. Que se dane que a gordura transaturada contribui para entupir as artérias gordurosas deste sistema intravenosos corrompido pelo espírito capitalista carcinogênico da jovem velha guarda da Música Pra Besta brasileira. Esta caipirinha podia vir com menos gelo. Talvez se adicionassem açaí ou pó de guaraná....Por precaução, melhor eu chegar para perto daqueles casais heteros.

Eu vou te provar. Eu não temo envelhecer, embora tenha medo de a garota ao lado me dizer que o som que está tocando e que eu nunca tinha ouvido é da banda sensação do momento. Eu tenho medo é de me acontecer algo enquanto volto para casa pelas ruas desertas de Brasília e, assim, não envelhecer. Me dá medo atravessar a passarela por sob o Eixão. Seguir pelas ruas silenciosas. Ruas vazias que me permitem enfiar o dedo no nariz sem cerimônia. Ruas tranqüilas e arborizadas que, eu sei!, escondem perversões, taras, volúpia, fetiches. Enquanto eu, distraidamente, caminho trôpego futucando o nariz.

Chego em casa e desabo na cama. Pronto. Está feito. Amanhã, estarei um dia mais velho. Isto é fácil. O que tarda é o vinho a amadurecer.

domingo, janeiro 14, 2007

domingo, 13 de dezembro de 2006

CARPE DIEM

...então, Dna. Emília, como eu ia dizendo, Brasília é uma cidade boa para se viver. Talvez um pouco difícil de se acostumar para quem vem do litoral, mas, mesmo assim, boa. Vivemos com menos estresse do que em São Paulo e com algumas oportunidades que fazem a estadia valer a pena. Principalmente pelas pessoas. Como diz a propaganda de uma rede de tevê local, Brasília é a capital da diversidade (tudo bem, eu sei, São Paulo também o é, mas, a propaganda diz isso). Principalmente humana.
Não imagino em que outro lugar tanta gente especial se reuniria e se conheceria. Aqui, no Parque da Cidade, em dezembro de 2006, uma amostra de como podem ser os fins de semana na capital do país. 'Los cantantes' são a jornalista Ana Cláudia, comunista (ou seria apenas socialista?) condenada pela Justiça a prestar serviços comunitários, e o servidor público Marco Antonio, que além de, na década de 80, ter sido um cabeludo metaleiro do ABC paulista, hoje é de 'Domínio Público' (clique sobre a palavra se quiser ler algumas obras na faixa). Os demais, são, na maioria, novos-candangos, pessoas singulares e especiais que se encontraram em Brasília, mas há também ao menos dois raros exemplares de brasilienses.
Até que a Justiça decida proibir a veiculação deste vídeo, basta clicar sobre o link abaixo e aguardar até que sua máquina 'baixe' o arquivo, que, inexplicavelmente, não é visto como um mico por nenhum dos envolvidos. Nem por mim, que apareço em cenas tórridas, quase à Cicarelli.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

ANO NOVO, VELHAS QUESTÕES
Eu ontem não tinha nada a declarar sobre o recesso de final de ano. Voltei atrás. Tem algumas observações que quero registrar.

Prosseguindo com a apuração do Data-bus, mais uma vez Santos sai na frente. Até mesmo da capital do país, Brasília, cujo Plano Piloto é tido como a região de maior renda per capta brasileira. Pois enquanto o ônibus mais barato em Brasília continua custando R$ 2, em Santos, no último dia do ano, subiu para R$ 2,20. Comparando o poder aquisitivo médio dos santistas com os brasilienses, dá para sacar que tem algo de errado no litoral. Da última vez que o governo do Distrito Federal autorizou os empresários a aumentarem as passagens na surdina, no último dia do ano de 2005, estudantes promoveram mobilizações durante dois meses. Um amigo me garante que em Uberaba está R$ 1,70.

A boa nova foi saber que Santos conta com um novo cinema. É bom variar. Após a demolição do Iporanga e do fechamento do Indaiá, a abertura do Espaço Unibanco do shopping Miramar é motivo de alegria. Tomara que a programação faça jus ao similar paulistano. E que a prometida e aguardada reforma do Cine Arte se concretize. Aquele espaço, uma conquista dos santistas, merece melhor tratamento.

A julgar pelos cartazes que emporcalham as ruas da cidade com sua propaganda ostensiva, os palcos santistas continuam dominados. Pelo funk e, inexplicavelmente, pelo pagode. Não samba. Pagode mesmo. Posso estar errado, mas Santos parece ser o último reduto do pagode mela-cueca.

Aliás, no quesito shows, talvez os munícipes devessem acionar o Ministério Público e citar os prefeitos por improbidade administrativa. Gastar recursos públicos para contratar determinados artistas, faça-me o favor. Em São Vicente, por exemplo, este fim de semana tem Guilherme & Santiago e Edu Ribeiro. Se joga lá.

Enquanto isso, a roda de samba do Ouro Verde continua animada. E as praias de Santos, impróprias. Mas em Maresias (São Sebastião – SP) também tinha esgoto correndo a céu aberto.

Aliás, um atendente do restaurante me garantiu que o público de Maresias está mudando. Pit-boys e patricinhas continuam freqüentando a mais badalada das praias do litoral norte de São Paulo. Mesmo assim, achei que este ano o movimento estava bem mais tranqüilo do que em anos anteriores. Melhor para quem vai com intenção de curtir um dos trechos mais bonitos do litoral brasileiro. Opinião de diversos turistas viajados que conheci trabalhando em hotéis.

O que vai ser da classe média santista daqui a alguns poucos anos? Digo, para onde irão aqueles que hoje moram próximos à praia quando os espigões que vêm sendo erguidos estiverem prontos. Li na Tribuna que os compradores são santistas. Só se forem os aposentados dos tempos áureos de Cosipa e Codesp. Ou os que retornam à cidade após se aposentarem.

Por falar em A Tribuna, por que será que o jornal é o único do país a chamar do presidente de Luis Ignácio? De onde vem este g do sobrenome? Me explicaram que esta era a grafia correta até o então sindicalista mudar seu nome e acrescentar o Lula ao sobrenome. Não sei se a versão confere, mas, de qualquer forma, o jornal já poderia ter adotado a nova grafia.


terça-feira, janeiro 09, 2007

terça-feira, 09 de janeiro de 2007

Mais de um mês sem atualizar este blog. E, para meu desconforto, isto não significa que eu esteja cheio de novidades para contar. Lógico que, dentro daquilo a que me propus inicialmente, teria algo para compartilhar com eventuais leitores (entre eles, minha querida Dona Emília). Vi a alguns bons filmes (Céu de Suely; mesmo o Diamante de Sangue, interessante), li uns poucos livros legais, ouvi algumas coisas bacanas (o disco ao vivo da Mart´nália é ótimo) e, sem dúvida, trabalhei muito. O mais legal, sem dúvida, foi ter viajado com minha namorada durante o feriado de Reveillon, revisto os amigos, os familiares, prestigiado a roda de samba do Ouro Verde e, após quase quatro meses, pegar quatro ondinhas. Parece pouco, mas na piscina que se tornou o litoral paulista durante os quase dez dias que passei na praia, foi um feito e tanto. Então, lógico que eu poderia falar sobre isso, mas....que interesse tem isto. Desta forma, sem nada de interessante para dizer, e, ainda assim, dizendo minha falta de assunto, só me resta concordar com a coluna do Carlos Nader, publicada na edição de dezembro da revista Trip.

Berrando e andando
Na ânsia de ser percebido, o artista grita tanto que não se entende mais nada o que ele diz

Arte e criatividade, temas desta Trip, não escapam às regras da época lotada em que vivemos. E em sua generalidade carregam o mesmo dilema específico com o que deparo agora, aqui mesmo, neste começo vazio de coluna.Num mundo saturado de meios, mensagens, modas e maneirismos, vou ter de, criativamente, gritar para que minha idéia seja comunicada. Gritando, contribuirei para que o mundo fique ainda mais saturado. Contribuindo para que o mundo fique ainda mais saturado, tornarei as idéias, inclusive as minhas, ainda mais difíceis de serem comunicadas.
A criatividade contemporânea vive um eterno domingo de pizzaria, em que o paradoxo da gritaria se instalou ruidosamente. Um círculo vicioso. Quanto mais se grita, menos se ouve. Claro que os gritos a que me refiro aqui são metafóricos. Na “comunicação criativa” de hoje, na arte, consciente ou não, um grito pode estar travestido de sacada inteligente, de gesto contundente, de piada obrigatória, de funk carioca, de história dos descendentes de Cristo, de tubarão num tanque de formol, de trepada flagrada numa praia da Espanha.

Tudo sai do nada
Nada contra os gritos, e muito menos contra as trepadas flagradas. Quase tudo pode ser bonito. Viva o grito. Viva o funk do Rio. Viva o fuck da Espanha. Mas vivam também todos os outros tons. Há poucos ouvidos para eles, agora que criatividade virou sinônimo de contundência. Tem sido assim. Aqui e aí, na arte ou na publicidade, na música ou na TV, os criativos contemporâneos estão via de regra em busca de uma idéia redonda, redondinha, redondíssima, que se comunique como uma bomba inteligente.
Então, pausa. Vamos ao dicionário. Em algum lugar da definição de “criar” do Houaiss, o leitor vai encontrar “extrair do nada”. Extrair do nada. Não poderia haver nada mais distante da era de excessos em que vivemos. Não só a palavra “nada”, como a própria idéia contida em “extrair”. Hoje, os verbos que querem definir o conceito de “criar” vão no sentido oposto. Ninguém parece querer extrair nada, só colocar mais. Produzir, inventar, trabalhar... A criação contemporânea é quase que exclusivamente uma atividade, uma pró-atividade, uma hiperatividade.

Aproveito o dicionário na mão para visitar uma outra palavra, o sinônimo de “criação” de que mais gosto. “Concepção”. Amo a ambigüidade fora de moda desse nome. Acho que temos muito o que aprender com ela. “Conceber” tem em si, ao mesmo tempo, um sentido e seu sentido inverso. Por exemplo: fulano concebe um poema. Sicrano não concebe a existência da poesia. Sim, “conceber” quer dizer simultaneamente “exprimir” e “entender”, duas ações diametralmente opostas. Algo como emitir e receber, falar e ouvir.
É esta a essência da criação, desde sempre. A de ser uma energia vital que nasce da interação de pólos opostos. Do esperma da atividade e do óvulo da passividade. Ou vice-versa. Talvez então seja este um dos grandes desequilíbrios da nossa época. Do pólo da atividade estamos bem servidos. Nunca houve tantos canais e ferramentas para que a criatividade humana se manifeste. Estamos podendo falar como nunca. E estamos falando como nunca. Mas estamos ouvindo?

*Carlos Nader, 41, não tem nada a ver com tudo – prefere o que é específico. Seu e-mail é: carlos_nader@hotmail.com