terça-feira, maio 29, 2007

terça-feira, 29 de maio de 2007

Faltando 36 dias para o início da Festa Literária Internacional de Parati (FLIP), seus organizadores divulgaram o programa dos cinco dias de debates, leituras e shows. Este ano será a terceira vez que vou ao evento e recomendo. Chegarei ansioso para ouvir a Jim Dodge, Mia Couto, Mário Bortolotto e o roteirista de filmes com 21 Gramas e Babel, Guillermo Arriaga. E, sem dúvida, a polêmica deve ficar por conta da mesa que reunirá Fernando Morais, Paulo Cesar de Araújo e Ruy Castro. Araújo é o autor da biografia de Roberto Carlos que foi censurada pelo "rei". Apesar de os bate-papos serem pagos (Tenda dos Autores, R$ 20 e Tenda da Matriz, R$ 6), em anos anteriores foi possível acompanhar tudo por um telão localizado na Tenda da Matriz.
Programa

Quarta-feira, 04 de julho de 2007
20h - HOMENAGEM A NELSON RODRIGUES e SHOW DE ABERTURA

Homenagem a Nelson Rodrigues com Barbara Heliodora - 20h
Show de abertura - 21h - Orquestra Imperial convida João Donato
A FLIP dá início a sua quinta edição honrando o seu prenome: festa. Uma apresentação da transbordante Orquestra Imperial, o maior coletivo de talentos contemporâneos da música brasileira, abre o festival com carnaval e funk, gafieira e soul, samba e bolero. Criada pouco antes da primeira FLIP, em 2002, a OI conta com 18 integrantes. Entre eles estão desde músicos experimentados, como Wilson das Neves, de 70 anos, um dos maiores bateristas da história da MPB, até uma generosa fornada de revelações mais recentes, como Rodrigo Amarante (Los Hermanos), os três integrantes do grupo + 2 (Moreno Veloso, Kassin e Domenico), as neodivas Thalma de Freitas e Nina Becker e o guitarrista Pedro Sá. Acostumados a se apresentarem com convidados especiais, de Caetano Veloso a Lobão, de Bebel Gilberto a Dudu Nobre, eles convidam ao palco da Tenda da Matriz um dos músicos mais talentosos já produzidos pelo país, para uma parceria inédita.
Nascido no Acre, João Donato mudou-se para o Rio ainda moleque, e com 15 anos já brilhava no cenário musical carioca tocando um acordeão quase de seu tamanho. Um dos artífices da bossa nova, o pianista, arranjador, cantor e compositor não se amarrou ao gênero dos banquinhos e barquinhos. Foi tocar jazz nos EUA. Passou quase todos os anos 60 por lá, compartilhando palcos e estúdios com astros da música instrumental americana, como Stan Kenton, Herbie Mann e Wes Montgomery. Voltou ao Brasil em 1972 e de lá pra cá, aparecendo mais ou menos, consolidou seu papel de músico completo e inquieto: neste ano já fez turnês pelo Brasil e pelo Japão e lançou dois CDs, um solo e outro com o velho comparsa Bud Shank. Em Parati ele acrescentará a juventude de seus 72 anos à dos jovens imperiais, na primeira grande festa da Festa.

Local: TENDA DA MATRIZ R$ 20
Quinta-feira, 05 de julho de 2007

10h
Mesa 1 - FUTURO DO PRESENTE
Cecília Giannetti, Fabrício Corsaletti e Verônica Stigger
Uma romancista do Rio de Janeiro, um poeta do interior de São Paulo, uma contista de Porto Alegre. Seja com a prosa seca e urbana de uma, com a poesia lírica com algum cheiro de terra do outro ou com narrativas alucinadas com aroma de lua da terceira estes três jovens escritores realimentam a ficção brasileira ao apresentarem dentro de uma bibliografia ainda curta o extremo vigor literário. Nesta conversa, eles apresentam o que ainda virá, e já está sendo, na literatura nacional.
11h45
Mesa 2 - UIVOS
Chacal e Lobão
Os dois têm mais em comum do que os apelidos de feras caninas. Em campos diferentes, estes dois cariocas inconformados vêm fazendo há um par de décadas o mesmo processo. Extrair poesia do cotidiano mais banal e transformá-la em coisa falada. Lobão canta seus poemas, Chacal lê suas criaturas em eventos como o Centro de Experimentação Poética 20000, encontro de poetas que criou há mais de dez anos no Rio. Ambos letristas experientes, falarão na FLIP sobre a música que há na poesia e a poesia que vira música.
15h
Mesa 3 - NELSON RODRIGUES - ATO 2
Augusto Boal e Eduardo Tolentino
Durante a ditadura, quando Augusto Boal foi preso acusado de subversão, Nelson Rodrigues publicou um artigo defendendo fervorosamente o dramaturgo. "Sua vida é uma apaixonada meditação sobre o mistério teatral", concluia. Nesta mesa, Boal, hoje o nome mais conhecido do teatro brasileiro fora do país, divide um pouco desses mistérios com Eduardo Tolentino, fundador do grupo Tapa e premiado diretor teatral que já se notabilizou como um apaixonado "meditador" dos mistérios dramatúrgicos de Nelson Rodrigues.
17h
Mesa 4 – SOBRE MACACOS E PATOS
Jim Dodge e Will Self
Dois talentos literários excêntricos e irreverentes falam do processo criativo na literatura. Até que ponto pode ser ensinado? O autor cult Jim Dodge, diretor do Programa de Escrita Criativa da Humboldt State University, na Califórnia, tem o dever de responder que sim. No entanto, os exercícios de sala de aula dificilmente produziriam outra pata obesa e incapaz de voar, como a protagonista de sua inequecível novela Fup. Uma oficina literária tampouco ensinaria a criar as aberrações, mutantes e visionários grotescos que povoam a ficção de Will Self. Mas então, o que alimenta a criatividade dos escritores?

19h
Mesa 5 - TÃO LONGE, TÃO PERTO
Kiran Desai e William Boyd
“De onde você vem?” Nem todos podem responder essa pergunta aparentemente simples com facilidade. Dois escritores brilhantes, autores de obras premiadas, questionam se a identidade é determinada pelo lugar de origem e discutem de que maneira a vida itinerante moldou a ficção que produzem. O segundo romance de Kiran Desai, O Legado da Perda, uma reflexão delicada sobre a solidão do deslocamento, ganhou o Man Booker Prize de 2006. William Boyd é o autor de A Good Man in Africa e Armadilho. Seu nono romance, Fuga, recém-lançado no Brasil, recebeu na Inglaterra o prestigiado Costa Award de melhor romance em 2006.
Sexta-feira, 06 de julho de 2007

10h
Mesa 6 – A VIDA COMO ELA FOI
Fernando Morais, Paulo Cesar de Araújo e Ruy Castro
No final de 2006 o historiador Paulo Cesar de Araújo publicou Roberto Carlos em Detalhes, biografia do cantor mais popular do Brasil nas últimas quatro décadas. Fruto de 15 anos de pesquisas e de mais de 200 entrevistas, o livro foi bem recebido pelo binônimo "público e crítica". Mas desagradou o biografado, que impediu na Justiça a circulação do livro. Nesta mesa, Araújo conversa com os dois principais biógrafos em atividade no país, que também já experimentaram o gosto dos tribunais por livros seus.
11h45
Mesa 7 - ÁLBUM DE FAMÍLIA -
Ana Maria Gonçalves e Ahdaf Soueif
Suas histórias abarcam gerações. Seus personagens atravessam continentes e culturas. Da África Ocidental ao Brasil, do Norte da África à Inglaterra, homens e mulheres que nadam contra o fluxo incessante da história — e o testemunham. Ana Maria Gonçalves, autora de Um defeito de cor, a primeira saga brasileira narrada da perspectiva de uma escrava, conversa com Ahdaf Soueif, cujos romances — como O mapa do amor — traçam o impacto emocional de andar pela corda bamba que separa o Oriente do Ocidente.

15h
Mesa 8 – TERRAS - Antônio Torres e Mia Couto
Nossa casa é a terra que deixamos para trás, o lugar ao qual jamais podemos retornar. Terra Sonâmbula, o já clássico romance de estréia do autor moçambicano Mia Couto, lança um olhar melancólico sobre um país devastado pela guerra civil. Em sua obra mais aclamada, Essa terra, o romancista baiano Antônio Torres descreve as amarguras de um imigrante nordestino forçado a deixar sua casa em busca de uma vida melhor na cidade grande. Dois narradores singulares fazem leituras de suas últimas obras e discutem como a literatura pode brotar de dentro do chão.

17h
Mesa 9 – CRIME E CASTIGO -
Dennis Lehane e Guillermo Arriaga -
A aleatoriedade da violência nos centros urbanos é apenas um dos temas que unem as obras destes dois grandes romancistas e roteiristas. O mexicano Guillermo Arriaga, autor de Um Doce Aroma de Morte, assinou os roteiros de filmes premiados, como Amores Brutos e Babel. Dennis Lehane, que escreveu uma série de romances policiais ambientados no sul de Boston, é o autor de Sobre Meninos e Lobos, adaptado para o cinema por Clint Eastwood. A morte — no papel e na tela — estará presente no cardápio de Parati.

19h
Mesa 10 - PANTERAS NO PORÃO -
Amós Oz e Nadine Gordimer
“Qualquer escritor que tenha um mínimo de valor espera propiciar um brilho tênue para iluminar o labirinto belo e sangrento da experiência humana,” diz a Prêmio Nobel Nadine Gordimer. Mas qual é o significado da literatura num país dividido pela história, embotado pela opressão ou dilacerado pela violência? Gordimer, autora de A Filha de Burger e O Engate, e Amós Oz, o mais importante romancista e militante pela paz em Israel, autor de De Amor e Trevas, falam sobre o papel da literatura no resgate de uma humanidade permeada pela injustiça.
Sábado, 07 de julho de 2007

10h
Mesa 11 – NELSON RODRIGUES ATO 3 -
Arnaldo Jabor, Leyla Perrone-Moisés e Nuno Ramos
Arnaldo Jabor é um cineasta que virou cronista, dos melhores. Nuno Ramos é um artista plástico que virou escritor, dos melhores. Leyla Perrone-Moisés é professora de literatura e ensaísta, das melhores. Jabor foi amigo de Nelson Rodrigues e quem melhor o transpôs ao cinema, em filmes como Toda Nudez Será Castigada. Nuno e Leyla escreveram instigantes ensaios sobre o dramaturgo. Nesta mesa, reunimos os três personagens em busca de um autor.

11h45
Mesa 12 – DOIS LADOS DO BALCÃO -
César Aira e Silvano Santiago -
Os talentos criativos exigidos pela ficção são distintos das faculdades analíticas necessárias ao ensaísta. Poucos autores conseguem ser igualmente bem sucedidos nesses dois âmbitos. César Aira, o mais importante romancista argentino, destaca-se também por sua crítica apurada em obras como o respeitado Diccionario de Autores Latinoamericanos. O ensaísta e crítico literário brasileiro Silviano Santiago é dono de uma narração imaginativa notável, ilustrada em obras como Em Liberdade. No palco, discutirão de que maneira essas duas áreas se sobrepõem e fecundam uma à outra.

15h
Mesa 13 – PERDOA-ME POR ME TRAIRES -
Alan Pauls e Maria Rita Kehl -
Com seu prestigiado romance O Passado, o escritor Alan Pauls usa o desencantamento de um casal para fazer um inventário das doenças contemporâneas do amor, com todos seus egocentrismos e consumismos sentimentais. "Existe alguma diferença entre o amor e a doença?", pergunta Pauls. A FLIP buscou a pessoa certa para responder à revelação da literatura latino-americana. Maria Rita Kehl entende como poucos de amor e de desamor, de doenças contemporâneas e, não menos importante, de literatura.

17h
Mesa 14 - NARRATIVAS DE CONFLITO -
Lawrence Wright e Robert Fisk -
Para Ernest Hemingway, coragem é não perder a elegância mesmo sob pressão. Essa é uma das muitas qualidades necessárias aos jornalistas que relatam os conflitos armados. Seus testemunhos nos fazem lembrar que a guerra é uma agonia para os que nela estão inseridos. Duas mentes notáveis se encontram: Robert Fisk, correspondente do jornal britânico The Independent no Oriente Médio e autor de A Grande Guerra pela Civilização e de Pobre Nação, ambos trabalhos de fôlego lançados recentemente no Brasil, conversa com o jornalista Lawrence Wright, cujo livro O vulto das torres, ganhador do Prêmio Pulitzer deste ano, revela de modo brilhante as raízes dos trágicos eventos de 11 de Setembro.

19h
Mesa 15 – DIÁRIO DE UM ANO RUIM -
J.M. Coetzee -
O ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2003 marcará presença na FLIP deste ano, trazendo, em première mundial, trechos de seu próximo livro, Diary of a Bad Year. Na obra de Coetzee, as fronteiras entre a narrativa ficcional e o discurso ensaístico nem sempre estão bem definidas. Em Parati, o autor lerá fragmentos de ensaios escritos pelo protagonista de seu novo romance, um velho acadêmico australiano que expressa suas opiniões sobre assuntos mundiais contemporâneos.

Domingo, 08 de julho de 2007

10h
Mesa 17 – SEM DRAMAS -
Bosco Brasil e Mário Bortolotto -
Nos anos 90, enquanto críticos choramingavam a falta de bons jovens dramaturgos brasileiros e diretores reclamavam da falta de patrocinadores e palcos para trabalhar alguns novos talentos arregaçaram mangas e enfrentaram as duas questões. Escreveram suas peças, montaram suas companhias, arrumaram espaços alternativos para encená-las. Deu certo. Mário Bortolotto e Bosco Brasil são a prova. Os dois ganharam os principais prêmios do país, conquistaram públicos cativos e continuam desbravando a trilha aberta por Nelson Rodrigues. No palco da FLIP debaterão para onde leva esse caminho.

11h45
Mesa 18 – NO CORAÇÃO DA SELVA -
Luiz Felipe de Alencastro -
Para comemorar os 150 anos do nascimento do grande escritor Joseph Conrad (1857-1924), o historiador Luiz Felipe de Alencastro explora o Coração das Trevas, novela publicada em 1900 que conduz seu herói do Tâmisa ao Congo e, assim, ao coração do colonialismo europeu. Ao fazê-lo, Alencastro retorna a um espaço que conhece como poucos: o Oceano Atlântico que serviu de berço ao Brasil escravista.

15h
Mesa 19 – SOBRE MENINOS E LOBOS -
Ishmael Beah e Paulo Lins -
Dos lugares mais imprevisíveis pode brotar uma literatura vibrante. Ishmael Beah e Paulo Lins viveram em ambientes tomados de brutalidade e desespero — e resistiram, contando então suas histórias. As memórias de Beah, Muito longe de casa, são um relato fascinante de sua vida como criança-soldado em Serra Leoa e do modo como se libertou. Cidade de Deus, a obra de Paulo Lins que deu origem ao filme esplendidamente adaptado por Fernando Meirelles, romanceia a experiência de crescer numa favela assolada pelo crime. Dois sobreviventes falam do poder redentor das palavras.

17h
Mesa 20 –
DE MACONDO A McCONDO -
Rodrigo Fresán, Ignacio Padilla -
No quadragésimo aniversário da publicação do mais famoso romance latino-americano, Cem Anos de Solidão, duas vozes brilhantes da literatura mundial discutem os novos caminhos que se abrem para a ficção do continente. Rodrigo Fresán é o autor de Jardins de Kensington, um chiste caleidoscópico que trafega entre a Londres vitoriana e a psicodelia dos anos 1960. O romance Amphytrion, de Ignacio Padilla, é ambientado na Alemanha entre-guerras. Estes escritores idiossincráticos, iconoclastas e cosmopolitas mostrarão que já estamos muito longe de Macondo.
19h
Mesa 21 – LITERATURA DE ESTIMAÇÃO -
Vários autores -
Uma seleção de escritores da FLIP 2007 fazem leituras de trechos de obras que levariam para uma ilha deserta.

FLIP etc
Quarta-feira, 04 de julho de 2007
22h
Show musical - Bossa Nova, Andréa Gorgati -Voz e violão
Local: Café Paraty R$10
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Quinta-feira, 05 de julho de 2007
23h
Show musical - MPB, Terno de Damas, Trio Vocal Feminino, Baixo, Violão e Percussão
Local: Café Paraty R$ 35
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Sexta-feira, 06 de julho de 2007
23h
Show musical - MPB, Cristina Braga, Harpa, Baixo acústico, Percussão e Flauta
Local: Café Paraty R$ 35
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Sábado, 07 de julho de 2007
23h
Show musical - Choro, Trio Madeira, Brasil, Clássicos de Cordas e Choro
Local: Café Paraty R$ 35
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Domingo, 08 de julho de 2007
22h
Show musical - Bossa Nova, Andréa Gorgati - Voz e violão
Local: Café Paraty R$10

sexta-feira, maio 11, 2007

sexta-feira, 11 de maio de 2006

Carta à mãe (à moda de Henfil)
Então, mãe, veja só. Da mesma forma que a senhora, a maior parte do povo brasileiro é bom, mas não é bobo. A gente às vezes se faz de desentendido apenas porque a vida sem crença é árida demais. Isso não dá a ninguém minimamente inteligente o direito de acreditar que sejamos ingênuos.

Pois se até a senhora, assistindo aos excessos do Jornal Nacional Papal foi questionar o pai (não “o” Pai, mas o meu pai) sobre a razão do líder máximo do catolicismo, o sucessor de Pedro, vir ao Brasil... Pois então. A senhora até achou a missa bonita e, intimamente, orou a Deus para que lhe curasse a gastura, mas não se empolgou muito com o Ratzinger, hoje Bento XVI. Tudo bem, mãe, não se envergonhe não. É fato que o homem não tem o carisma do João, que beijava o solo de cada país que visitava.

Mesmo que não saiba nada sobre o histórico conservador do homem que quando prefeito da Congregação da Doutrina da Fé coordenou o processo que culminou na punição do então frade brasileiro Leonardo Boff; que é acusado de varrer para debaixo do tapete os crimes de pedofilia de alguns padres e que, ainda a caminho dos tristes trópicos, mandou um claro recado para o governo brasileiro ao ameaçar excomungar políticos mexicanos favoráveis ao aborto, a senhora sacou a distância entre o ideal e o pragmático. Se ele ainda os excomungasse por corrupção.

Sabe quem eu acho que nesta história toda acabou se saindo bem? O ministro da Saúde José Gomes Temporão. Sobre a condenação veemente do Papa ao aborto, Temporão disse que não era papel do governo discutir isso ideologicamente, mas sim com uma questão de saúde pública. Será que o ministro vai ser excomungado? Imagina o Papa vetando o ingresso no céu de um ministro do Brasil, Estado laico, exemplarmente sincretico.

Sabe, mãe, no meio de toda essa lenga-lenga dos jornais sobre a visita do Bento, com a televisão abusando dos clichês e de crianças cantando Nossa Senhora em falsete, eu garimpei uma notícia dizendo que uma das razões para o Papa vir tomar café com a gente é que ele quer que o Lula assine um acordo garantindo à Igreja todos seus direitos no território nacional (?), inclusive a consolidação de todas as isenções fiscais que recebe, obrigações no setor educacional (??) e mesmo a autorização para que missionários possam entrar em reservas ecológicas e indígenas. Também desconfio que ele deva estar preocupado com o crescimento da Igreja Universal.

Bem, é isso mãe. O Jornal onde o Bento defendeu a castidade antes do casamento, condenou a infidelidade no matrimônio, reprovou o uso de preservativos já terminou. E como eu desconfio que não vá ascender aos céus, só me resta me ligar ao Paraíso Tropical, pois hoje a mulher vai descobrir que o marido é adúltero.
Sua benção.

domingo, maio 06, 2007

domingo, 6 de maio de 2007

Carioca é campeão mundial de surf
O surfista carioca Phill Rajzman venceu o guarujaense Danilo Mulinha na final do Oxbow Pro World Longboard Championship, disputada em Anglet, na França. Esta vitória garantiu o inédito título mundial da categoria pranchões para um brasileiro.
Além do título, o time brazuca garantiu a incrível marca de três longboarders entre os quatro melhores do mundo. O surfista local de São Sebastião Carlos Bahia ficou na terceira colocação junto do havaiano Bonga Perkins.
"Estou muito contente com a minha vitória. Espero que este nosso resultado desperte o interesse dos empresários brasileiros pela modalidade. Gostaria de dedicar este vitória a minha filha Rafaela." declarou o campeão ao sair da água.
"Estou muito contente com o vice-campeonato. O mais importante é que temos um campeão brasileiro. Picuruta Salazar é meu grande exemplo e já foi três vezes vice. Esta foi a minha vez. Espero que com este resultado eu possa consiga o meu visto para os Estados Unidos para realizar meu sonho que é conhecer o Hawaii.", declarou Danilo Mulinha após a final.
Phill Rajzman solicitou a presença de Picuruta Salazar no podium, declarando que ele é um grande mestre para todos os brasileiros. "Para quem diz que longboard é esporte de velho, nós temos aqui três campeões da nova geração." afirmou Salazar.
Mica, Jaime Viúdes, Eduardo Bagé ficaram com a nona colocação. Amaro Matos, Marcelo Freitas, Roger Barros, Jonas Lima ficaram com a 17 colocação. Diego Rosa e Picuruta Salazar ficaram na 33 colocação. Robledo de Oliveira, Gabriel Nascimento, Gabriel Vicente, Marcos Reis e Marcelo Lima completaram o time brazuca na França.
O evento terminou com todos os brasileiros cantando o samba de Zeca Pagodinho "Deixa a vida me levar" na podium.
(extraído do site waves. Desative seu bloqueador de pop-ups, clique aqui e veja algumas das fotos publicadas no site)

sexta-feira, maio 04, 2007

sexta-feira, 04 de maio de 2007

Segue até amanhã, em Brasília, a Feira da Música Independente (FMI -http://www.fmi2007.com.br/ ). São shows de artistas não ligados às grandes gravadoras, multinacionais; palestras e workshops que movimentam o Teatro Nacional.

Ontem, assisti ao grupo carioca de samba Casuarina. Hoje, estou indo conhecer os belgas da Asimov, segundo o site do evento, "uma banda de rock da Bélgica comparada por críticos musicais a bandas como Foo Fighters, Coldplay, Pixies, Stone Temple Pilots". E, amanhã, com certeza, irei ouvir o Shod Group, do Uzbequistão. Sim, Uzbequistão.


Para quem está na capital, vale o programa.

sexta-feira, abril 06, 2007

sexta-feira, 06 de abril de 2007



Elsa & Fred – um amor de paixão
De 06.04 a 12.04 - Sessões 16 – 18:30 – 21 horas


Embora já esteja disponível em vídeo, a comédia volta à tela do Cine Arte Posto 4, em Santos. Ótimo programa para este feriado de Páscoa.
"A convivência com a filha e a perda da esposa fazem com que Alfredo, ou Fred, decida mudar de casa. Este homem, idoso, vai morar num edifício onde conhece Elsa, uma senhora um pouco mais velha que ele. De espírito jovem e sonhador, a moça mexe com a cabeça do novo vizinho. Logo, os dois estão absolutamente encantados e aprendendo a aproveitar as delícias do amor mesmo no fim de suas vidas. O filme foi indicado ao Goya 2006 de melhor ator, além de ter sido premiado em vários festivais de cinema pelo mundo.
Elsa e Fred - Um Amor de Paixão teve como cenários Itália e Espanha. China Zorrilla, que interpreta Elsa, é uruguaia e tem 84 anos. Já o espanhol Manuel Alexandre, intérprete de Fred, tem na vida real 88 anos de idade. A bela história pode ser resumida numa frase de Elsa a seu amado : “Você não tem medo de morrer, você tem medo é de viver".


(Elsa y Fred)Argentina-Espanha / 2005 / 108 minutos - comédia dramática

Direção - Marcos Carnevale

Elenco - Manuel Alexandre, China Zorrilla, Bianca Portillo, Roberto Carnaghi, José Ángel Egido, Gonzalo Urtizberéa, Omar Muñoz, Carlos Álvarez-Novoa, Federico Luppi, Fanny

segunda-feira, abril 02, 2007

segunda-feira, 02 de abril de 2007


O ADORÁVEL MONSTRO DO EDREDOM
Após algum tempo sem ser visto - período durante o qual muitos duvidaram de sua existência -, o adorável monstro do edredom foi fotografado por nosso intrépido fotógrafo, que descobriu sob que edredom ele hibernava e, depois de muita espera, conseguiu registrar o feliz instante em que o monstrinho arregala os olhos e volta à vida seca. Espantada com o flash, a adorável criatura levantou-se e, após devorar toda sorte de guloseima que encontrou a sua frente, saiu correndo apressada rumo à Esplanada dos Ministérios, onde passa boa parte do dia rindo. Embora seja espécie singular, alguns cientistas afirmam que o monstro do edredom não corre risco de extinção.



terça-feira, março 27, 2007

terça-feira, 27 de março de 2006

AÇÃO ENTRE AMIGAS
marco antonio rodrigues
As blogueiras do quintal de casa (http://quintal-de-casa.blogspot.com/) podem se considerar blogueiras de sucesso. Orientam-se pelo gosto de se expressar sobre tema qualquer e de qualquer maneira. Comentam e estimulam o trabalho umas das outras, trocam elogios, às vezes farpas discretas, outras nem tanto. Inegável que se trata de um blog ativo, “bostado” (como gostam de dizer as amigas) e comentado, na maioria das vezes por elas próprias. A metáfora escatológica, de fertilização do quintal, deve resultar em flores e hortaliças, graças ao bichinho da literatura que vez por outra vem picando (sic) as moças.

Eis, porém, que a solução se desdobra em problema, quando o veneno do tal bichinho passa a intervir na criação e no comentário. No universo literário, para algo ser bom, outros algos precisam ser ruins. Na expressão do mestre Antonio Candido, “é preciso muito estrume para que nasça uma flor”, e assim retornamos à metáfora escatológica do quintal. Mas entre amigos, em certo sentido, tudo “precisa” ser bom, mais por ser “de quem” que por ser o “que é”. Daí a crítica velada nos comentários, expressa pelos comparativos (isso me lembra aquilo), pela mudança de assunto ou pelo simples silêncio. Afinal, julgamento dos mais cruéis é não merecer comentários.

Assim se desenrola a ação entre amigas, ora leve e despretensiosa, ora puramente jocosa, ora séria e intimista – o que acaba por ser um bom retrato do humor feminino. Se tiver continuidade e freqüência, o arquivo poderá resultar num rico retrato de uma amizade entre iguais (pois mulheres) diferentes (pois gerações e origens variadas). Fica porém o desafio de não se entregar à facilidade do chiste, nem à sedução das belas letras. Quem sabe, pensar com André Breton que “a literatura é um dos mais tristes caminhos que levam a tudo”.

quinta-feira, março 22, 2007

quinta-feira, 22 de março de 2007

AUTO-RETRATO "Mesmo não sendo barro amorfo, ainda não estou solidificado. Ainda sou capaz de sentir e de me transformar, ainda sou capaz de ver o momento não como alguma coisa de estático, mas como oportunidade para reiniciar minha formação" (adaptado de Roman Jakobson)



sexta-feira, março 16, 2007

sexta-feira, 16 de março de 2006

HYGIENE EM SANTOS


A oportunidade é imperdível para os que estão em Santos. O Grupo XIX de Teatro (www.grupoxixdeteatro.ato.br) leva à cidade, neste fim de semana (17 e 18/03), a peça Hygiene. A encenação, que retrata o dia-a-dia dos moradores dos primeiros cortiços e sua resistência ao processo de higienização sanitária implementado por sucessivos governos, não poderia acontecer em local mais apropriado: no centro da Cidade.

A peça começa às 15h. (o ideal é confirmar), na Igreja do Valongo, de onde o elenco segue até a Casa da Frontaria Azulejada. Os ingressos custam R$ 10.

sábado, março 10, 2007

sábado, 10 de março de 2007

"A maior parte dessa molecada não é recuperável. Esta é a sina deles"
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar de 51 anos, não faz parte da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente que, no dia 26 de fevereiro, se reuniu com entidades de defesa dos direitos humanos, no Congresso. Mesmo assim, ele compareceu à plenária a fim de registrar sua posição favorável ao endurecimento das penas aplicadas aos jovens em conflito com a lei.

Polêmico, Bolsonaro concedeu uma entrevista a diversos jornalistas presentes no local e, tão logo os holofotes se apagaram, deixou o recinto onde representantes do grupo de mais de 100 parlamentares e do Conanda concordavam com a tese de que a redução da maioridade penal e a ampliação de três para cinco anos no tempo de internação de jovens em conflito com a lei são inegociáveis.

Poucos veículos deram espaço para as declarações do deputado. Sensatamente, julgo eu. Infelizmente, no entanto, é preciso considerar que suas opiniões refletem a de uma grande parcela dos ‘cidadãos de bem’, um conceito abstrato e não muito bem explicado do qual o deputado abusa desde antes da realização do referendo sobre o desarmamento, ocasião em que Bolsonaro espalhou pelas ruas do Rio de Janeiro outdoors com a frase “Entregue sua arma! Os vagabundos agradecem. Bolsonaro, pelo direito à legítima defesa”.

Decidi reproduzir aqui a íntegra das respostas do deputado que, entre outras conclusões, estabelece um paralelo entre a punição aos jovens infratores e o abate de aeronaves de traficantes pelas Forças Armadas.


_ Deputado, as entidades e os deputados aqui reunidos defendem que reduzir a maioridade penal e ampliar as penas aplicadas não resolveria o problema da violência praticada por jovens. O que o senhor pensa disso?

_ Primeiramente, é preciso deixar claro que a síntese deste debate é angariar recursos para essas entidades. Ou seja, se elas perderem os menores de 16 ou 17 anos [com a aprovação da redução da maioridade penal], diminui o número de pessoas internadas [cumprindo penas de reabilitação social, como prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA] e, consequentemente, haverá menos verbas para elas. Eu prefiro entulhar penitenciárias de marginais de 16 ou 17 anos do que encher cemitérios com pessoas inocentes.

_ Mas o senhor acha mesmo que esta é a solução?

_ Pode escrever: a maior parte dessa molecada que pratica esses crimes não é ‘recuperável’. Você pode colocá-los em uma casa de freiras que eles não irão se recuperar. A sina deles é exatamente esta.

_ O senhor acha pouco o tempo de internação determinado pelo ECA?

_ Eles têm de se punidos e a pena tem de ser proporcional ao crime. É inadmissível querermos apenas ampliar de três para cinco anos o tempo de internação dos menores. [tempo estabelecido pelo ECA para a internação em instituições de reabilitação social de menores em conflito com a lei]. O simples fato de termos aprovado uma lei que permite às Forças Armadas brasileiras abater aviões suspeitos de transportar drogas ou armas reduziu em 70% o número de vôos clandestinos na Amazônia. Exatamente pelo medo. Da mesma forma, essa garotada, uma minoria que ‘eles’ [não fica claro se o deputado se refere exclusivamente ao que alguns chamam, jocosamente, de os defensores dos direitos humanos, ou ao senso comum, já que a frase é defendida por todos, de educadores aos jornalistas mais liberais] dizem que é o futuro do Brasil, essa garotada, sabendo que será punida, vai se inibir e pensar duas ou três vezes antes de comentar uma maldade.

_ Então o senhor acredita que uma pena maior vai levar o jovem a pensar duas vezes?

_ Olha, primeiramente, eu sou favorável à redução da maioridade penal. Aqui também está se discutindo a possibilidade de aumentar para cinco anos o tempo de reclusão. Isso eu sou contra. Justamente porque a pena tem de ser proporcional ao crime. Até ouço muita gente que diz, à boca pequena, que se fizerem uma barbaridade com um parente seu, ou mata ou manda matar. Isso então acaba estimulando os grupos de extermínio. Se o Estado não pune, cada um parte para fazer justiça com as próprias mãos.

_ O senhor está defendendo essa idéia? Acha que isso realmente acontece?

_ Isso acontece e eu peço a Deus que não aconteça com um filho meu. Se acontecer, ou eu mato, ou eu providencio alguém para matar. A Justiça se baseia em cláusulas pétreas [direitos e deveres constitucionais que só podem ser modificados mediante revisão da Constituição Federal], mas a minha vida não é pétrea. A vida dos cidadãos de bem não é pétrea. Para um pai, não há o que justifique. Se fosse com um filho meu, eu deixaria de ser homem se não matasse ou providenciasse matar aquele médico que abusou de crianças de 11 e 12 anos. Se o Estado não pune, você vai procurar a Justiça pelas próprias mãos.

_ Uma punição maior para os menores não acabaria penalizando apenas pessoas com menos condições econômicas? No caso dos jovens brasilienses que queimaram o índio Galdino, por exemplo, o crime foi, de certa forma, atenuado e a pena minimizada.

_ A pena tem de ser proporcional ao crime e não a cor da pele.

_ O senhor defende a redução da maioridade penal para quantos anos?

_ Eu defendo 14 anos, mas se conseguirmos 16 anos já está de bom tamanho.

_ Os movimentos de defesa dos direitos da criança e do adolescente alegam que a redução não resolveria o problema do envolvimento de menores de idade com o crime, mas sim geraria uma redução do aliciamento, ou seja, as quadrilhas passariam a empregar crianças cada vez mais novas. O que o senhor acha disso?

_ Ah, mas então vamos passar a maioridade penal para 35 anos. Aí quem tiver até 30 anos não comete mais crime.

_ Éééééééé......rs,rs,rs,rs,rs,rs,rs hã, hã
... Obrigado pela atenção, deputado.

terça-feira, março 06, 2007

terca-feira, 06 de marco de 2007

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo
Atenção, este é um texto pretensamente sério, apesar do trocadilho do título. Trata de algo que li na edição de fevereiro da Rolling Stone nacional e que diz muito sobre os norte-americanos, um povo pragmático, que vê cifrões em qualquer debate e que, como citou Max Weber, “tira sebo do gado e dinheiro do homem”.

Pois bem. Agora eles já têm motivos para refletir sobre as decisões de George Bush e seus falcões. Agora eles já estão alertados de que, em termos financeiros, a guerra “do terror”, como é dito no filme Borat, custará cerca de US$ 2,267 TRILHÕES aos contribuintes.

A conta foi apresentada pelo economista norte-americano Joseph Stiglitz, ganhador de um Prêmio Nobel de Economia. Para calcular o preço da carnificina e refutar as declarações iniciais do governo Bush de que a guerra geraria dividendos e se pagaria com os aumentos dos lucros com o petróleo, Stiglitz considerou os gastos para enviar e manter as tropas yankees no Oriente Médio, os cuidados médicos e pensões para veteranos, o aumento com os gastos do Departamento de Defesa, as perdas que a economia terá com os feridos e a elevação dos preços do petróleo.

Em entrevista à Rolling Stone norte-americana, reproduzida pela edição nacional, Stigitz refuta as opiniões de que a guerra estimule a economia. “Não quero reduzir isso à economia dura e fria, mas quando se educam jovens durante um período de 12 a 18 anos, isso é um investimento muito grande. Se eles então são mortos, mutilados ou ficam debilitados, estamos destruindo capital”.

O economista declara que o governo subestimou o custo social da guerra. “O impacto sobre o orçamento federal não prevê despesas que teremos no futuro com o pagamento dos cuidados médicos e das pensões por invalidez”.

Stiglitz lembra que além do desembolso da Previdência, o Tesouro norte-americano também perderá na arrecadação, uma vez que um soldado ferido ou incapaz de trabalhar recebe do governo apenas 20% do que ganha trabalhando.

“O governo está tentando vender a idéia de que as leis da economia não se aplicam à guerra. Querem nos fazer acreditar que não precisamos escolher entre armas e manteiga porque podemos ter os dois. A realidade é que esse dinheiro poderia ser empregado em outras coisas”. O próprio Stiglitz dá exemplos: um quarto do orçamento da guerra daria jeito nas contas da Previdência Sócia norte-americana pelos próximos 75 anos; com os mais de US$ 2 trilhões calculados por ele, os EUA poderiam financiar todos os compromissos mundiais de auxílio aos países pobres pelas próximas duas décadas ou colaborar com os esforços para deter o aquecimento global investindo em pesquisas.

Para o economista, os norte-americanos já sentem os efeitos da guerra. “Nosso padrão de vida será menor do que se tivéssemos feito as coisas de outro modo. A renda do americano médio já está diminuindo. A maior parte de nós está pior do que há cinco anos. Por que estamos ficando mais pobres? Este monte de dinheiro que gastamos na guerra obviamente tem algo a ver com isso”.

Vale lembrar que o futuro da economia norte-americana nos diz respeito, uma vez que todo o mundo sofreria as conseqüências do refreamento da atividade econômica dos EUA. Isso para não falar no destino do iraquianos que, diferentemente de nossos vizinhos, não tiveram outra opção além de lutar.

sábado, março 03, 2007

sábado, 3 de marco de 2007

A culpa é do sistema
Nada. O telefone só dá sinal de ocupado. Há quase três horas eu tento falar com um funcionário da TAM para reclamar que há quase três horas e meia eu estou tentando acessar a página da empresa na internet para confirmar a compra das passagens promocionais que reservei e...tum-tum-tum.

Tenho aqui na tela do micro diferentes valores para um mesmo vôo e não vejo o sentido em alguém optar por pagar a tarifa mais cara do vôo em que estou tentado embarcar ( R$ 1.139,00 ) se pode adquirir a mais em conta ( R$ 99 ) e decolar no mesmo horário, na mesma aeronave e, portanto, chegar ao destino final na mesma hora que os passageiros que economizarem R$ 1.040,00. Enfim, talvez eu devesse experimentar tentar comprar uma passagem neste valor só para testar a eficiência seletiva do sistema da empresa.

Já fiz diversas combinações de horários e aeroportos e nada dá certo. Por alguma razão, o sistema de compra virtual da empresa não permite que eu conclua a operação sem que eu informe o número do meu cartão fidelidade. Acontece que eu sou comercialmente infiel e não possuo o tal cartão – já me foi custoso conseguir um de crédito com o qual pudesse comprar parceladas as propagandeadas passagens promocionais.

Ao fim de quase três horas, consigo avançar algumas etapas, indicar meus dados, calcular o valor da compra e confirmar a compra. Imagino que tenha, enfim, conseguido as à esta altura sonhadas passagens promocionais. Ledo engano. O sistema volta a falhar e eu desisto. Da internet e do telefone, que continua tum-tum-tum.
Não é a toa que da mesma forma como não conheco ninguém que tenha ganhado na loteria, não conheco ninguém que tenha conseguido comprar passagens aéreas nestas promocões.

domingo, fevereiro 25, 2007

domingo, 25 de fevereiro de 2007


Não istrova, ô istepô! Tu estás na Ilha da Magia, Florianópolis. Mais precisamente, na praia da Armação, legítima vila de pescadores alçada à condição de ponto turístico do sul da ilha. Melhor: a casa em que estás hospedado fica a poucos metros das esquerdas da praia conhecida como Matadeiro, a mode que, se não entendes o manezes, mofas com a pomba na balaia.
O-lhó-lhó, somos manés, mas não somos bocós. O nome de ambas as praias ora fustigadas pelo vento sul - Armação e Matadeiro - vêm do tempo em que a caça às baleias ainda era permitida. Enquanto na primeira se armavam as armadilhas, na segunda, os enormes mamíferos eram sacrificados. Ainda hoje é possível encontrar enormes ossos ornamentando os jardins de algumas casas, principalmente das compradas pelos paulistas, que erguem aqui seus templos do mau gosto da classe média, destoando completamente da arquitetura local com suas imitações de colunas jônicas, dóricas ou seja lá o raio que os parta! Desconfio que deve ser paulista o dono da loja Havan, que não satisfeito de erguer em Brusque uma cópia da Estátua da Liberdade na entrada de seus estabelecimento, achou bonito o feio e fez o mesmo em Floripa.
Mas voltando às baleias, se hoje elas já não são vistas tão comumente, outros mamíferos seguem visíveis na paisagem local. Os argentinos, por exemplo, que migram a cada verão para acasalar em Canasvieiras. Hoje, protegidos pela Embratur, eles já não são mais caçados pelos manézinhos. Isso apesar de, pouco a pouco, seus pesos voltarem a ser apreciados pela cultura local.


Vais dar as fuças por cá? Então, não seja tanso e procure: 1) a lanchonete Nutri para refeições leves; 2) a pizzaria Aloha! 3) o Restaurante Vieira, na própria Armação, que disputa com o 4) o internacionalmente famoso Arante, na praia do Pântano do Sul, o título de fazer o melhor pirão do Brasil.

Uma vez no Arante, uma única ressalva: não se deixe enganar pelo garçom. Um sequência de frutos do mar serve perfeitamente quatro e até cinco pessoas.

domingo, fevereiro 18, 2007

Domingo, 18 de fevereiro de 2006

BRASÍLIA DO ROCK, SOUL, FUNK, MPB...
Um pouco da diversidade musical brasiliense vista através de alguns dos shows que registrei em 2006: Gerson King Combo; sni durante o Festival da Música Independente (FMI); a brasiliense Casa de Farinha, vencedora de um prêmio APCA, e a também brasiliense Móveis Coloniais de Acajú têm público cativo; talentosa e intimista, a paulistana Céu vem comendo pelas beiradas e conquistando crítica e público; de pernambuco, Mombojó; Bataclafe; "musquitinho...barulhinho": metade da dupla de rock-eletrônico brasiliense Lucy and the Popsonics e a musicalmente bem focada Pata de Elefante.


















quarta-feira, fevereiro 14, 2007

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007



"Nossa Senhora do Cerrado, protetora dos pedestres que cruzam o Eixão às seis horas da tarde, cuidai para que eu chegue são e salvo, na casa da Noemia..."

Admito que há um certo descuido de minha parte, mas não conheço nenhuma outra capital brasileira onde eu iria me aventurar a usar, às 23 horas, passarelas como estas que ficam no Eixão, em Brasília.

A opção para quem teme atravessá-las (e há quem não as utilize nem mesmo durante o dia com bem mostra a música gravada pela Legião Urbana) não é menos arriscada: a pista expressa do eixão.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Vem aí mais um feriado. O carnaval se aproxima e o surfista prego do Cerrado já está tirando o pó da prancha para uma nova tentativa de surfar. Tem dois meses que ele não cai na água salgada em busca de ondas, mas mesmo assim, promete se divertir bastante, bem além da quarta-feira de Cinzas.
Enquanto a segunda de carnaval não chega, o prego recomenda: assistam Pecados Íntimos. Ignorem as resenhas de jornais e arrisquem o ingresso. Principalmente para quem gostou de Beleza Americana.
Outra dicas, agora de vídeo: Paradise Now e Meu econtro com Drew Barrymore. Para às retinas, o livro do best-seller, porém ótimo escritor, Graham Greene, Fim de Caso. A adaptação para o cinema também é ótima e fica valendo a dica de vídeo.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Até há bem pouco tempo, eu tinha uma infinita paciência com bêbados anônimos. Buscava absorver de suas palavras desconexas um significado que acreditava transcender às “portas da percepção”. Além do mais, dava real atenção aos loucos, aos pobres e a todo tipo de gente que vive à margem.

Eu, então, acreditava sinceramente que vender brincos de casca de coco, pulseirinhas e outros badulaques nas ruas era uma maneira de negar o sistema. Calçando sapatos sociais marrons e usando uma daquelas gravatas baratas, azuis, admirava os hippies e seus cabelos compridos, suas roupas sujas e sua expressão fora de órbita.

Eu era receptivo com qualquer pedinte. Mesmo que não pudesse aplacar sua fome de comida, podia ao menos minimizar a falta de atenção que os condena à invisibilidade.

De certa forma, eu os admirava. A todos os que sobreviviam às adversidades. Aos mendigos, aos bêbados, aos que não se adaptavam à hierarquia, aos desempregados, enfim, aos fracos destes nossos “tempos modernos”. Eu intuía que eles sabiam algo, que tinham a chave dos mistérios de porque os demais, com seus rígidos horários, seus décimo-terceiro salários, suas férias planejadas pela CVC, seus homer-theater, carros do ano, roupas de marca, filhos na escola particular, financiamentos e cartões de crédito, porque eles, com todas as comodidades, não eram felizes.

Eu não queria, lógico, ser como eles, mas imaginava que só aprendendo algo de suas experiências me seria possível delinear o caminho do meio. Assim, fui seguindo, desatento à sedução das facilidades. Acontece que, como já devem ter notado, este é um texto que emprega o pretérito.

Agora, me dou conta de que já não tenho mais nenhuma paciência para os desconhecidos bêbados que continuam surgindo pela vida a fora. Já não tenho paciência nem mesmo para minha própria embriaguez. Pior que isso. Às vezes noto sinais de que receio de estar assinando certificado de otário se atender o pedido de alguém que me pede algum dinheiro para supostamente comer algo. E daí se não for? Se for para a cachaça?

Vivo correndo e desatento a minha volta, cego para a miséria de minha vizinhança e me lamentando pela pobreza mundial. Digo que ela nada me ensinou e que nada mais tem a me ensinar, mas, no fundo, sei que a verdade a que não posso fugir é que já não acredito ser possível mudar nada. Nem a miséria, nem a mim mesmo.

Sigo trabalhando, produtivo como o empregado do mês, incorporando aos poucos a justificativa de que já é difícil o bastante cada um cuidar de si. Se alguém vem me falar sobre mudar o mundo, penso na desordem do meu quarto, de meus pensamentos. Penso na minha vidinha. E quando baixo os olhos, envergonhado, os sapatos são outros, mais caros, mas ainda são marrons.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

O PODER DO MITO
Vocês não vão acreditar, mas eu ontem reencontrei Sísifo. Achava que aquele grego já tinha morrido. Que nada. Ele está aqui, em Brasília, trabalhando no bloco D da 103 Norte. Demorei a reconhecê-lo, mas a postura arqueada, os ombros caídos e aquele sorrisinho submisso e nervoso o traíram.

Após muito tempo rolando pedra montanha acima, Sísifo conseguiu deixar o último trabalho e receber uma espécie de promoção, tornando-se faxineiro do edifício destinado a militares. Segundo ele, a pena é mais leve, embora tão inútil quanto a anterior.

Todos os dias, por volta das 13 horas, ele é obrigado a espalhar uma lama pelo chão de mármore e, com a ajuda de uma enceradeira, deixar o piso brilhando. Acontece que o piso em questão é a passarela de um prédio sem muro ou cerca, utilizado pelas pessoas como atalho. E, então, chove, as pessoas entram e saem pela portaria do prédio, pisam distraídas sobre o recém-terminado serviço de Sísifo sem se darem conta de sua existência... Tudo isso para que, no dia seguinte, o grego possa recomeçar tudo de novo.

Para ele, no entanto, poderia ser pior. Ele agradece o fato de os deuses terem permitido que ele use a enceradeira. E lembra, com certo regozijo, que seu amigo Prometeu foi condenado à pena bem mais severa apenas por ter presenteado a humanidade com o fogo celestial furtado por ele. Para quem não se recorda da trágica história, Prometeu foi acorrentado a uma rocha. Todos os dias, uma águia vinha lhe comer o fígado, que se recompunha durante a noite apenas para que o suplício fosse retomado no dia seguinte.

Pensando por este prisma, até que ele está certo. Fora que, além de agora receber vale-transporte, ele tem direito a 30 dias de descanso que pode vender para reforçar o orçamento doméstico. Por outro lado, como escreveu Camus em um texto dedicado ao hoje humilde faxineiro, "não há punição mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança".

quinta-feira, janeiro 18, 2007

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

ESTEREÓTIPOS, SEGUNDO O AURÉLIO, SÃO O MESMO QUE CLICHÊS
Este mês, a revista Playboy capturou a “perseguida” da surfista Andréa Lopes. Já na edição da semana passada de CartaCapital, o especialista em empresas e negócios, Thomaz Wood Jr., escreveu sobre a decisão tomada em dezembro de 2005, pelo dono da Clark Foam, Gordon Clark, de fechar a mais tradicional fabricante de blocos de poliuretano com que são feitas as pranchas de surf.

A Clark Foam detinha 90% do mercado norte-americano e 60% do mundial, o que vai garantir uma aposentadoria tranqüila a Clark, surfista septuagenário que, na década de 60, começou o negócio para poder estar próximo ao mar e do surf.

Segundo Wood, Clark, que estudou matemática, física e química, “costumava ser comparado a Bill Gates, pelo seu poder e controle da cadeia produtiva, e a Howard Hugues, por seu comportamento recluso e excêntrico”.

Especula-se que, além de concluir que, daqui a poucos anos, será difícil disputar mercado com os blocos chineses que começam a invadir as oficinas de shapers de todo o mundo, Clark avaliou os prejuízos que sua atividade vinha causando ao meio ambiente e optou por encerrar seu negócio milionário. Claro, há também o aspecto de que Clark já não é nenhum garoto e, aparentemente, não tem herdeiros que se interesse por tocar a Clark Foam.

No Natal passado, ao passar por uma loja Americanas, me surpreendi ao me deparar com quatro dvd´s, edições especiais de filmes dirigidos pelos surfista Bruce Brown entre os anos 1960 e 1970.

Brown é um dois maiores responsáveis por construir no imaginário coletivo o mito do surfista em busca de ondas perfeitas e do verão sem fim, título de seu filme mais conhecido – Endless Summer. Brown influenciou tudo o que veio depois em termos de filmes sobre surf, demonstrando que era possível capturar a atenção do público leigo e ganhar muito dinheiro com isso.

Em 2002, no Brasil, o filme Surf Adventures foi produzido pela Conspiração Filmes, de olho apenas nos surfistas. Embora o projeto inicial fosse levar a película à telona, os envolvidos não esperavam que o filme atraísse 200 mil pessoas ao cinema, tornando-se o terceiro documentário mais visto no país, naquele ano. Hoje, o dvd também está a venda nas mesmas lojas Americanas. Inclusive de Brasília, a mais de mil quilômetros da praia mais próxima.

Nos EUA, um ano depois, o ex-skatista, ex-surfista, ex-empresário e, como Clark, milionário, Stacy Peralta lança o documentário Riding Giants, sobre o surf e os surfistas que desafiam ondas gigantes, equivalentes a prédios de quatro, cinco andares.

(Dois anos antes, Peralta havia ganhado o prêmio de melhor direção de documentários no mais prestigiado festival de cinema independente americano, o Sundance, com seu filme sobre a evolução do skate e o significado da existência da equipe Zephir. O roteiro de Dogtown and Z-Boys é tão bom e legítimo que Peralta não teve dificuldade para convencer o ator Sean Penn a ser o narrador da história. E ainda foi contratado por estúdios de Holliwood para escrever um roteiro fictício sobre a mesma história, que virou filme e pode ser encontrado em quase todas as locadoras. No entanto, se for o caso, prefira o documentário original).

Voltando ao Brasil, em 2004, o documentário Fábio Fabuloso, uma videobiografia sobre a trajetória do paraibano Fábio Gouveia, um dos surfistas mais carismáticos da história do esporte, ganhou os prêmios de melhor documentário, segundo o público, no Festival do Rio de Janeiro, e do júri oficial, na Mostra de Cinema de São Paulo. Além das cenas com a família, dos detalhes sobre as dificuldades para deixar a vida simples na Paraíba e se adaptar às ininterruptas viagens ao redor do mundo, do fato do “Fia” ser um piadista e, lógico, de muito surf em ondas de qualidade, a ótima trilha sonora, mesclando ritmos nordestinos à música eletrônica, e o roteiro narrado em forma de cordel conquistaram a simpatia do público. Tanto que também está a venda nas...Lojas Americanas.

O octacampeão mundial Kelly Slater é nome de jogo de vídeo-game. Filmes publicitários utilizam a imagem de surfistas para vender cerveja, carros e outras bugigangas para as quais querem dar um ar “cool”. E, tenho certeza, você com certeza tem em seu guarda-roupa uma peça de roupa de alguma marca de surfwear ou ao menos uma bermuda de tactel, adotada como uniforme oficial dos surfistas.

Então, se você é daqueles que ainda vêm os surfistas como uma bando de idiotas desmiolados e não entendeu o sentido deste texto, aqui vai uma última chance para você refletir sobre estereótipos.

Em 2003, em parceria com Drew Kampion, o mesmo Bruce Brown que dirigiu Endlles Summer lançou um livro de luxo, com capa dura, pela seletíssima editora Taschen. O nome do livro, Stoked – História da Cultura do Surf, deixa bem claro sua pretensão. Mostrar como, desde que era praticado por reis havaianos, o surf influenciou nossa cultura, seja na música, na moda, seja no comportamento e, mais recentemente, nas artes plásticas.

Já no prefácio do livro, Brown ironiza o velho preconceito em torno dos surfistas. “Um livro sobre a cultura do surf. Bah! Sempre nos disseram que éramos um bando de inconscientes sem cultura. No início dos anos 1950, quando comecei a surfar, o comentário mais freqüente de meus pais e amigos não surfistas era: “Quando crescer, você se dará conta de que esteve perdendo tempo, ao invés de fazer algo de útil”.

Brown continuou não só fazendo o inútil como, a partir de dado momento, concluiu que valia a pena registrar seus amigos praticando aquela inutilidade. The Endless Summer fez tanto sucesso que atraiu a atenção de estúdios de Hollywood. No entanto, todos diziam a Brown que, para triunfar, ele deveria se mudar para a Cidade dos Sonhos. Ao que ele respondia. “Prefiro ser leiteiro na praia que viver em Hollywood, longe do mar”.

Brown seguiu sua crença e, se não fez sucesso na indústria cinematográfica, ao menos parece um sujeito realizado nos extras da coleção de dvd´s lançada quarenta anos após sua filmagem.