(II) Quando "collas" e "cambas" se enfrentam por uma suposta autonomia
Para um estrangeiro, era difícil distinguir quem era quem em meio à correria. Ao mesmo tempo, era impossível ficar alheio ao ódio que punha em campos opostos os chamados “collas” e “cambas”.

Para o cientista político Alfonzo Román, essa rixa entre os dois grupos foi determinante para o resultado da consulta. Román criticou os líderes sociais que, segundo ele, estimularam o ódio para conquistarem votos. “Diante da incapacidade de apresentarem propostas ideológicas, uma nova filosofia de Estado, tomaram como bandeira as diferenças culturais, raciais, étnicas e sociais”, afirmou Román, responsabilizando governo e oposição pela divisão “do país, das cidades, das regiões, dos povos. Os resultados também são reflexo de uma luta de classes, devido à diferenças culturais e de pontos de vista”.


O cientista, no entanto, teme pelo acirramento da disputa. “A menos que as pessoas que estão à frente dessa confrontação tenham nobreza para sentar e negociar um projeto de Constituição que aglutine todos os setores do país, vamos terminar em uma confrontação.”





Só para se ter uma idéia, os votos eram contados manualmente, em blocos, pelos próprios mesários, que abriam as urnas dentro de salas onde não havia a presença de qualquer pessoa contrária à autonomia. Os votos iam sendo contabilizados de forma rudimentar, anotados em lousas e os ditos observadores internacionais eram pessoas convidadas pela Corte Departamental de Santa Cruz e integravam organismos como o Partido Cristão Cubano com sede em Miami (EUA). 

O projeto de lei havia sido apresentada por Morales em dezembro de 2007 à Câmara dos Deputados, que o aprovou há quatro meses. Na última quinta-feira (8), o Senado o sancionou.Para o vice-ministro de Coordenação Governamental, Héctor Arce, a iniciativa vai muito além do referendo revogatório originalmente sugerido pelo próprio Morales, já que os bolivianos irão avaliar as propostas, programas e ações de seus governantes. Para Arce, diante disso, não há qualquer sentido na realização das consultas sobre a autonomia de Pando, Beni e Tarija. “Estas são consultas que ao invés de fazer bem a autonomia lhe estão causando um tremendo dano. Essas consultas estão à margem da lei e alguém vai ter de se responsabilizar”.






































