terça-feira, setembro 30, 2008
segunda-feira, setembro 29, 2008
A Cauda Longa**
Nesta primeira experiência, baixei algumas músicas apenas para ver se a ferramenta iria funcionar bem no meu blog. Deu certo.
(** O livro A Cauda Longa (Ed. Campus, 229 pág) foi publicado nos EUA em julho de 2006 e é o resultado de um detalhado estudo desenvolvido por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, que analisa as alterações no comportamento dos consumidores e do próprio mercado a partir da convergência digital e da Internet. Trata-se da teorização de um fenômeno já existente e em virtuosa ascensão na indústria do entrenimento, que tem gerado um movimento migratório da cultura de hits para a cultura de nichos, a partir de um novo modelo de distribuição de conteúdo e oferta de produtos.
Antes da Internet, a oferta de produtos era feita única e exclusivamente através de meios físicos: um produto físico, distribuído através de um modelo de distribuição físico, exposto em lojas físicas, que atendiam os consumidores de determinada região. Nesse modelo, os custos de armazenagem, distribuição e exposição dos produtos são muito altos, o que torna economicamente viável apenas a oferta de produtos populares, para o consumo de massa. E é justamente por isso que crescemos acostumados a consumir um número reduzido de mega-sucessos; pop stars, block busters etc. Um varejista tradicional, que tem custos fixos altíssimos para manter sua loja aberta, não tem espaço nas prateleiras para ofertar um produto que não venda pelo menos algumas dezenas de exemplares todo mês. Essa é a cultura de hit.
Com o surgimento do mundo virtual, estamos cada vez mais transformando em bits o que antes era matéria. E é justamente o rompimento das barreiras físicas que torna possível a criação de modelos de negócios de Cauda Longa, em que a oferta de produtos é praticamente ilimitada, uma vez que os custos de armazenagem e distribuição digitais são infinitamente inferiores. Produtos economicamente inviáveis no modelo de hit encontram no meio digital seus consumidores. Por sua vez, os consumidores que antes tinham acesso a um número reduzido de conteúdos, passaram a ter uma variedade quase que infinita de novas opções. E passaram a experimentar mais, consumir produtos que até então desconheciam. É essa variedade e essa nova experimentação que proporcionam as alterações no consumo tradicional (Não é à toa que a geração da Internet é menos fiel às marcas e mais predisposta a consumir novos produtos).
O que antes era um mercado ignorado, não só passa a ter valor como vem crescendo a cada ano. Peguemos como exemplo o mercado de músicas digitais. Somadas, todas as centenas de milhares de músicas menos populares, de bandas menores ou desconhecidas no mainstream (novos nichos), cujas faixas vendem apenas alguns downloads ao ano na iTunes, já representam um volume de vendas equivalente ao dos poucos hits produzidos para vender milhões de unidades. - fonte: Wikipédia)
sexta-feira, setembro 26, 2008
foto: CaetanaDe passagem pela França, o surfista prego brasiliense viu nosso conterrâneo brilhar nas ondas de Hossegor. E numa demonstração de que surfista não é alienado, Leite visitou Paris, chegando inclusive a dar três voltas ao redor da Torre Eiffel. Perguntado sobre a emoção de ter estado em um dos mais conhecidos cartões-postais mundiais, Leite foi suscinto. "Falta uma feirinha com barracas de sururu, açaí e de pastel e caldo de cana como as que a gente encontra na Torre de TV, em Brasília".
Leite só diz ter ficado eufórico ao se dar conta de que a bonitona que dirigia o carro que quase o atropelou era ninguém mais do que a atual primeira-dama francesa. "Ela olhou esse latino estuporado junto à calçada e eu tive certeza de que era a Laura Pausini".
quinta-feira, setembro 25, 2008
Você viu? O surfista guarujaense Adriano Mineirinho obteve o terceiro lugar no Quiksilver Pro France 2008, oitava etapa do campeonato mundial de surf, o chamado WCT. O campeão de Hossegor foi o também australiano Adrian Buchan. Em sua primeita vitória no WCT, Buchan superou o octacampeão mundial Kelly Slater. Com o segundo lugar, o fenômento norte-americano está prestes a erguer o título de campeão mundial pela nona vez. Para tanto, basta que ele termine em nono lugar na próxima etapa do circuito, que acontecerá nas pesadas ondas de Mundaka, na Espanha. Caso contrário, o WCT deve mais uma vez ser definido em Santa Catarina.
domingo, setembro 21, 2008
sábado, agosto 23, 2008
Sábado, 23 de agosto de 2008
Coincidências. Mexendo em meus livros, saquei algo de literatura beatnik, o que me fez lembrar de que, por volta de 1992, fui com uma antiga namorada ao cine arte de Santos (SP), onde assistimos ao Almoço Nú, de Cronenberg (post abaixo).
Era a segunda vez que íamos ao cinema e não tenho dúvidas de que, após meu convite para vermos Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, (nos revezamos nos cochilos!), as alucinadas cenas com máquinas de escrever que se transformam em baratas devem tê-la feito pensar se aquela relação não estaria fadada ao fracasso.
Enfim, dois ou três dias depois desse “revival”, eu andava pelos corredores atulhados das Lojas Americanas do Brasília Shopping à procura de um açucareiro de vidro, com tampa de rosca e provavelmente importado da China, quando me deparei com uma cópia de Almoço Nú, em DVD, na bacia das almas, ou seja, em meio às promoções de R$ 9.90.
Comprei na esperança de assistir com minha atual namorada, que não mostrou qualquer entusiasmo. Mais velho e escaldado pela experiência, achei melhor não insistir, afinal, a relação vai muito bem, obrigado.
Sábado, 23 de agosto de 2008
ana, ao passar por uma banca de jornal do Centro de São Paulo, a capa do livro Quando eu era o tal – minha vida na Jack Kerouac School, de Sam Kashner, chamou minha atenção. Há algum tempo eu andava querendo lê-lo e inclusive cheguei a sugerir que me dessem como presente de amigo-secreto. Isso enquanto ele estava caro. Agora, como não o ganhei, achei melhor não perder a oportunidade de adquiri-lo por...R$ 9.90.Na mesma noite, em um quarto barato da Avenida São João, ouvindo os atuais “junkies” viciados em crack uivarem na cinzenta noite paulistana, comecei a ler sobre a experiência de Kashner como primeiro “aluno” da Jack Kerouac School of Disembodied Poetics, um curso de literatura criado em 1975 por Allen Ginsberg e um professor de meditação budista tibetano, onde “lecionavam” Burroughs, Peter Orlovsky, Gregory Corso e outros.
Apesar dos vários erros de edição (atenção, editora Planeta) e da impressão de que Kashner, um autor semi-desconhecido norte-americano, parece querer `aparecer na foto´ ao lado de alguns dos mais significativos escritores das últimas décadas (Kerouac, apesar da obra irregular, sem duvida o é, graças a On The Road), o livro traz algumas observações interessantes, desconstruindo ou pelo menos rearranjando o mito sobre esses homens, então famosos e velhos.
De qualquer forma, todo esse blá-blá-blá é só para eu citar uma das passagens que mais me impressionaram nas cem primeiras páginas: a repercussão do lançamento dos primeiros livros desses autores, no final da década de 1950.
“Aprendi que Allen tornou-se o mais notório poeta da América enquanto estava fora do país, na metade dos anos cinqüenta. Ele visitava Burroughs em Tanger, no Marrocos, quando ficou sabendo que [o editor e poeta] Lawrence Ferlinghetti e o gerente da livraria City Ligts [que pertencia a Ferlinghetti] haviam sido presos por vender Howl [Uivo e Outros Poemas] para dois policiais à paisana após ter sido acusado de `promover obscenidades´ ao usar o Correio norte-americano para enviar cópias do livro a diversas celebridades”.
“A União Americana pela Liberdade Civil então viu uma oportunidade de gerar um caso importante para a Primeira Emenda, fazendo barulho pela liberdade de expressão. Ferlinguetti contratou um time de advogados de primeira e foi à júri no verão de 1957. Allen pensava não ter qualquer chance e permaneceu longe durante todo o julgamento, viajando pela Europa”.
“Peritos literários foram chamados para testemunhar a favor do livro e Ginsberg teve o raro privilégio de ter seu poema chamado de `grande´e `importante´ durante o julgamento. Para mim [Kashner] soou como se o julgamento, em que foi inocentado, tivesse sido a melhor coisa que poderia ter acontecido a Allen e aos beats. Isso os tornou famosos”.
“Nessa mesma época, On the Road [Pé na Estrada] foi publicado, mas Kerouac nunca se recuperaria daquele prazeroso acontecimento. Diferentemente de Allen, a fama não lhe caiu bem. No final, ele quase não teve tempo de se acostumar a ela. Se o romance tivesse sido publicado seis anos antes, quando foi escrito, poderia ter passado despercebido, mas o julgamento da obscenidade de Howl colocou um holofote nos beats. Mesmo assim, ninguém poderia ter previsto o tipo de sucesso que On the Road teria no outono de 1957 – o resenhista do jornal The New York Times comparou-o a O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway”.
“Jack disse que se sentiu paralisado ao ler a crítica e o telefone não parou de tocar por anos. O romance ficou na lista dos mais vendidos por onze semanas. A Warner Bros. comprou os direitos para filmagem e Marlon Brando queria interpretar Dean Moriarty [Neal Cassady, o parceiro de viagem de Kerouac]”.
“E então foi a vez de Bill Burroughs, que após ter tentado trabalhar como detetive particular, garçom, exterminador de insetos e ter chegado a agir como um criminoso, falava sobre o enfado criminoso. A mesma editora City Lights recusou-se a publicar Naked Lunch, que foi então publicado em pequenas revistas e periódicos onde Ginsberg tinha alguma influência. Em 1958, a Chicago Review publicou nove páginas e então os funcionários da Universidade de Chicago se recusaram a publicar o resto do romance, descrito por um jornalista como “uma das maiores enganações de lixo impresso que eu já vi circulando publicamente”.
Funcionários da Chicago Review se demitiram e começaram suas próprias publicações. Ginsberg, Orlosvky e Corso participaram de leituras de poesia para arrecadar recursos para uma nova publicação em que pudessem terminar de publicar Naked Lunch. A primeira tiragem saiu em março de 1959 e foi imediatamente confiscada pelo Correio de Chicado como material obsceno, mas um ano depois um juiz absolveu o romance.
O editor da editora Olympia, de Paris, que mesmo tendo publicado Henry Miller havia recusado os originais do livro de Burroughs mudou de idéia diante da publicidade espontânea gerada pelo processo e ofereceu ao autor um contrato de US$ 800. Quando o livro finalmente saiu, não conseguiu uma única resenha em jornais ou revistas e Burroughs teve de se passar por crítico, escrevendo com outro nome sua própria resenha.
Em 1962 a obra seria republicada pela Groove Presse. Escritores como Norman Mailer e Nenry Miller se entusiasmariam com o romance, arrumando-lhe um lugar no panteão literário como uma espécie de obra-prima do grotesco. Uma viagem de canibalismo, violência homossexual, enforcamentos e ejaculações, o livro seria mais uma vez banido, desta vez em Boston. O caso chegou à Corte Suprema de Massachusetts e a maioria dos jurados votou que Naked Lunch não era obsceno.
Esta foi a última obra literária a ser retida por um órgão do governo. Allen Ginsberg nos contaria em classe, descrevendo o efeito do livro para o mundo nos anos 1960, que a “palavra havia sido liberada”. Para o poeta, isso era mais importante que o Dia D. escrevendo com outro nome sua pras e Burroughs teve de se fazer de cruando o livro finalmente saiu, nis do livro de Burroughs
quarta-feira, agosto 06, 2008
Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Bastariam esses três títulos para que o canadense inscrevesse sua obra entre os mais polêmicos e, porque não dizer, bizarros filmes fantásticos. No entanto, com Almoço Nú – que no Brasil recebeu o horrível título Mistérios e Paixões -, Cronenberg queria provar ser capaz de filmar uma história considerada impossível de ser filmada.
Na hora de adaptar a obra de Burroughs, Cronenberg se deparou com o desafio de tornar crível as alucinações de Bill Lee, um escritor que “desistiu de escrever por considerar a atividade muito perigosa”. Após algumas prisões por uso de drogas, Lee – alter ego de Burroughs, vivido pelo Robocop Peter Weller – arranja um emprego como exterminador de insetos, dividindo seu tempo entre matar baratas e discutir literatura com seus dois únicos amigos (uma referência aos escritores Jack Kerouac e Allen Ginsberg [correção: segundo Sam Kashner [Quando eu era o tal – minha vida na Jack Kerouac School – Ed. Planeta], na segunda metade dos anos 1950, Burroughs recebeu em Tânger, Marrocos, a vista de Allen Ginsberg e Peter Orlovsky, e não de Kerouac. No post acima, as reações à Almoço Nú e outras obras beats há 50 anos]).
A coisa desanda quando sua esposa, interpretada por Judy Davis, s
e torna viciada no veneno que Bill utiliza para matar os insetos. Estimulado pela mulher, que descreve o “barato” provocado pela substância como “bastante literário”, Lee toma seu primeiro pico. E logo, como Joe, está viciado.
Das conversas com as estranhas criaturas que vê nas situações mais inusitadas, Lee crê ter sido escolhido para ser um agente responsável por se introduzir em meio à corporação criminosa, reportando seus planos. Tudo isso pontuado por sua atração por um escritora que lhe lembra a esposa morta (vivida pela mesma Judy Davis) e as dúvidas sobre sua própria sexualidade. Este, ao lado de Rock Horror Show, sobre o qual ainda pretendo escrever, ocupa papel de destaque dentre os filmes mais estranhos que já assisti. Minha cópia em DVD eu comprei em uma Loja Americanas, por R$ 9,90.
terça-feira, julho 29, 2008
terça-feira, julho 08, 2008
Terça-feira, 08 de julho de 2008
Não nos deixemos enganar pelo sorridente senhor ao lado, um polemista. Antes de participar como autor convidado da Festa Literária Internacional de Parati (Flip), o colombiano Fernando Vallejo concedeu uma entrevista que motivou membros de uma comunidade virtual dedicada ao encontro literário a discutirem um eventual boicote à mesa onde Vallejo debateria com o holandês Cees Nooteboom o incerto tema “Paraíso Perdido”.Entre declarações ácidas, como a afirmação de que as estatísticas revelam que o Brasil já supera a Colômbia de dez anos atrás em termos de violência, e a defesa do controle da natalidade pelos governos, Vallejo atraiu a antipatia de muitos ao dizer que a ex-candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, libertadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, havia buscado seu próprio sequestro ao ir à região dominada pela guerrilha.
“Ingrid é uma pessoa feia e conseguiu o que queria, estar nas manchetes. Uribe também. E as Farcs são um bando de narcotraficantes assassinos. Não entendo por que as Farcs, que já causaram tanto dano à Colômbia, a soltaram. Não serviram nem para mantê-la presa”, disse o escritor, antes de afirmar que preferia que Betancourt tivesse permanecido presa. “Nos livraríamos de mais uma praga do país. A família ainda inventou que ela estava doente, e eu a vi hoje muito sã nas fotos, rosada. São mentirosos, eles e toda a classe política”.
Cees NooteboomA sugestão de boicote à participação de Valejo não pegou e, às 19 horas do sábado, tanto a Tenda dos Autores, quanto a Tenda da Matriz, de onde o público assiste aos debates por telões, estavam lotadas. E, para mim, a conversa entre o colombiano e Nooteboom acabou sendo a melhor de toda a Flip. Junto com a mesa que reuniu o brasileiro João Gilberto Nool e a cineasta argentina Lucrecia Martel.
Antes mesmo de ler a referida entrevista publicada pelo O Globo eu já havia comprado um livro de Valejo, A Virgem dos Sicários. Pelo pouco que li, ele merece ser reconhecido por outros fatores que não por suas polêmicas declarações.
sábado, julho 05, 2008
Sábado, 05 de julho de 2008
Em termos de popularidade, já é possível apontar o quadrinista e escritor britânico Neil Gaiman como a grande estrela desta sexta edição da Festa Literária Internacional de Parati (Flip).sexta-feira, julho 04, 2008
Sexta, 04 de julho de 2008

Sexta, 04 de julho de 2008

Como em Porto Seguro (BA), na Flip também tem "pipoca", ou seja, a turma que acompanha a "festa" do lado de fora dos cordões, de graça.
icultou a vida dos pipocas, levando a grade até o limite da área coberta. Por sorte não choveu, mas, à noite, o sereno pode incomodar as mães que acreditam que a friagem seja maléfica. Além
disso, certas mesas mais concorridas exigem que o interessado chegue mais cedo a fim de conseguir um lugar de onde consiga ver e ouvir as palestras. Foi o caso de hoje, com a mesa que reuniu a cineasta argentina Lucrecia Martel e o escritor brasileiro João Gilberto Noll. quinta-feira, julho 03, 2008
Quinta-feira, 03 de julho de 2008
Começou ontem (2), com uma palestra do crítico literário Roberto Schwarz, a Festa Literária Internacional de Parati, Flip. Em sua exposição sobre o romance Dom Casmurro, publicado em 1889, Schwarz, um dos maiores especialistas na obra de Machado de Assis, falou sobre a evolução da leitura e da análise crítica dos livros do escritor, tido, por muito tempo, como um autor "conservador", já que "sua ironia" teria sido de difícil apreensão para a crítica da época.Na sequência da palestra de abertura, que lotou a tenda da Matriz, de onde é possível acompanhar, por telões, as palestras que ocorrem na Tenda dos Autores, houve shows do cantor paratiense Luiz Perequê
(acompanhado por uma excelente banda) e de Luiz Melodia. 
domingo, junho 29, 2008
Domingo, 29 de junho de 2007
SÃO PAULO - E o parque virou um verdadeiro 'Indierapuera'. Cerca de 4 mil pessoas, segundo estimativa da
Polícia Militar, foram na tarde de ontem ao Parque do Ibirapuera para o Motomix Rokr Festival, que destacou esse ano as bandas inglesas Fugiya & Miyagi, The Go! Team e a canadense Metric. Parecia que, para cada 10 indies, havia um cão na coleira pelo parque. Muitos espectadores aproveitaram a tarde quente e tranqüila e montaram piqueniques com cangas no gramado entre o Museu Afro e o Planetário. Outros andavam de bicicleta entre o público.Os shows começaram já com um público expressivo, às 15h, quando tocou a banda brasiliense Nancy, mas quando estava no palco, por volta das 18h40, a banda inglesa The Go! Team já tinha a praça à sua frente completamente cheia para seu concerto.
Os ingleses do Fugiya & Miyagi iniciaram o show pontualmente às 17h, tocando
Ankle Injuries, de um set de 12 canções. Fortemente influenciados pelas bandas alemãs do krautrock, especialmente Kraftwerk e Can, o quarteto britânico dá à sua mistura também um tempero de eletropop dos anos 80. É uma banda orgânica, com apenas um teclado à frente e guitarra, baixo e bateria dominando a cena. Terminaram ovacionados pela platéia, tocando alguns dos seus hits (se é que têm hits): Photocopier, Chicker Bocker e, para finalizar, Electro Karaokê (no qual o nome da banda, Fugiya & Miyagi, é repetido como um mantra, lembrando uma versão dance de We are the Robots, do Kraftwerk).Mais performática, a banda The Go! Team, conterrânea do Fugiya & Miyagi (ambos são de Brighton, Inglaterra) começou um pouco mais tarde seu show com The Power is On. Liderado pela cantora Ninja, de origem africana (que, falante e elétrica, lembra uma espécie de Preta Gil gringa), o grupo mostra também uma alternância nos vocais - as entradas das cantoras nisseis de vozes estridentes (Kim Fukami e Kaori Tsuchida) e o nome do grupo que os precedeu fazia pensar que a escalação tinha a ver com o centenário da imigração japonesa. Parece às vezes lembrar uma mistura do Pizzicato Five com o Belle & Sebastian.
The Go! Team, que é liderado por Ian Parton (ele formou a banda em 2004, depois de compor as canções do grupo no computador), foi formado como num encontro às cegas: os músicos foram recrutados às pressas para abrir um show do Franz Ferdinand. Com uma abordagem cartunística, mais uma boa dose de colagens pós-modernas (sua linha de frente parece também a do Cibo Matto, da cantora americana Yuka Honda), a banda fez a noite ficar mais dançante. A banda tocou duas músicas novas e vários hits, como Keys to the City e Everyone's a vip to Someone.
A banda que encerraria a noite seria o Metric, grupo canadense liderado pela bela cantora Emily Haines. Eles pretendiam tocar seus grandes hits, como Monster Hospital e Empty.
terça-feira, maio 13, 2008
Terça-feira, 13 de maio de 2008
domingo, maio 11, 2008
Santa Cruz de la Sierra, 07 de maio de 2008
À frente do movimento autonomista que ganhou forças após a chegada, em 2006, do índio aimara Evo Morales à presidência da Bolívia, Santa Cruz foi a primeira província (estado) boliviana a consultar sua população a respeito do estatuto autonômico que grupos de oposição ao governo federal pretendem ver implementado.Em toda Santa Cruz, a votação ocorreu no dia 4 de maio. Outros três dos nove estados bolivianos também já agendaram as datas para realizar semelhantes consultas. Em Pando e Beni a votação está prevista para ocorrer no próximo 1 de junho. Já em Tarija, a consulta deverá acontecer no dia 22 do mesmo mês.
Na prática, os estatutos autonômicos são espécies de Constituições estaduais que, em vigor, delegariam mais poderes aos governantes locais, hoje, resumidos nas figuras dos prefeitos (governad
ores) e alcaides (algo como os sub-prefeitos de algumas capitais brasileiras).Em Santa Cruz, 85,5% dos votos válidos aprovaram a autonomia. Ocorre que, segundo a própria Corte Departamental Eleitoral de Santa Cruz (responsável por organizar a consulta a pedido do prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, sem o aval do Conselho Nacional Eleitoral, que declarou a iniciativa inconstitucional), enquanto 14,4% dos eleitores habilitados votaram contra o estatuto autonômico, o índice de abstenção chegou a 37,9%.
Como tinham estimulado os cruzenhos a não comparecerem às urnas para que não validassem uma consulta que não fora convocada pelo Congresso Nacional e que organismos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) não reconheciam como legítima, os líderes da campanha contra as mudanças contabilizam os quase 38% de ausentes aos que rechaçaram o estatuto autonômico votando pelo “não”. Com o resultado, sustentam o que Morales classificou como “um fracasso rotundo” da campanha autonomista. Juntos, os votos no não e abstenções totalizam 52,4% dos votos.
De qualquer forma, os números só comprovaram a divisão da sociedade cruzenha, o que, por sua vez, seria um indício do que está ocorrendo em maior ou menor grau em toda a Bolívia.


Em Santa Cruz, os que votaram a favor da proposta de autonomia criticam o que classificam como excessivo poder de La Paz, capital do país. Em sua quase totalidade, se opõem ao governo de Morales e às mudanças estruturais que este propõem, como a reforma agrária. Alegam ser favoráveis à descentralização das decisões políticas e econômicas como forma de permitir que os estados decidam onde e como investir os recursos a que têm direito.
Para os que se opõem ao estatuto, a iniciativa visa desestabilizar o governo de Morales e significa, na prática, uma quase declaração de independência. À frente deste grupo estão os
chamados “massistas”, integrantes ou simpatizantes do partido de Morales, Movimento ao Socialismo (MAS).Estes afirmam que os estados não podem assumir a competência exclusiva por temas como educação, saúde, segurança pública e até a prerrogativa de aprovar convênios internacionais. O ponto mais controverso, no entanto, é a possibilidade de os governantes estaduais administrarem os recursos naturais existentes em seus territórios e a propriedade da terra, estabelecendo o tamanho, características e parâmetros de cumprimento das funções econômica e social da terra.

Um dos líderes do movimento pró-autonomia, o fazendeiro Branco Marinkovic negou a intenção de separar Santa Cruz do restante do país e de enfraquecer politicamente a Morales. “Este nunca foi um movimento pela independência do estado. E não tem nada que ver com o governo de Morales. Este é um processo de muitos anos e que chegou ao seu ápice agora, mas que poderia acontecer com qualquer outro presidente”.
Possível candidato da oposição à Presidência da Bolívia e presidente do Comitê Pró-Santa Cruz, Marinkovic está entre os homens mais ricos do país. Ele diz a verdade quando alega que o movimento pela autonomia dos estados vem de longa data. Razão pela qual os próprios massistas defendem a autonomia. Para eles, no entanto, essa não deve servir para reforçar o poder amealhado pelas elites tradicionais. Nos panfletos que distribuía para convencer as pessoas a não votarem pela autonomia defendida pelo Comitê Pró-Santa Cruz e pelo governador, o grupo defendia a “autonomia legal e para todos”, sugerindo que somente a promulgação da nova Constituição tornará isso possível. quinta-feira, maio 08, 2008
Santa Cruz de la Sierra, 04 de maio de 2008
(II) Quando "collas" e "cambas" se enfrentam por uma suposta autonomia
Para um estrangeiro, era difícil distinguir quem era quem em meio à correria. Ao mesmo tempo, era impossível ficar alheio ao ódio que punha em campos opostos os chamados “collas” e “cambas”.

Para o cientista político Alfonzo Román, essa rixa entre os dois grupos foi determinante para o resultado da consulta. Román criticou os líderes sociais que, segundo ele, estimularam o ódio para conquistarem votos. “Diante da incapacidade de apresentarem propostas ideológicas, uma nova filosofia de Estado, tomaram como bandeira as diferenças culturais, raciais, étnicas e sociais”, afirmou Román, responsabilizando governo e oposição pela divisão “do país, das cidades, das regiões, dos povos. Os resultados também são reflexo de uma luta de classes, devido à diferenças culturais e de pontos de vista”.


O cientista, no entanto, teme pelo acirramento da disputa. “A menos que as pessoas que estão à frente dessa confrontação tenham nobreza para sentar e negociar um projeto de Constituição que aglutine todos os setores do país, vamos terminar em uma confrontação.”





Só para se ter uma idéia, os votos eram contados manualmente, em blocos, pelos próprios mesários, que abriam as urnas dentro de salas onde não havia a presença de qualquer pessoa contrária à autonomia. Os votos iam sendo contabilizados de forma rudimentar, anotados em lousas e os ditos observadores internacionais eram pessoas convidadas pela Corte Departamental de Santa Cruz e integravam organismos como o Partido Cristão Cubano com sede em Miami (EUA). 

O projeto de lei havia sido apresentada por Morales em dezembro de 2007 à Câmara dos Deputados, que o aprovou há quatro meses. Na última quinta-feira (8), o Senado o sancionou.Para o vice-ministro de Coordenação Governamental, Héctor Arce, a iniciativa vai muito além do referendo revogatório originalmente sugerido pelo próprio Morales, já que os bolivianos irão avaliar as propostas, programas e ações de seus governantes. Para Arce, diante disso, não há qualquer sentido na realização das consultas sobre a autonomia de Pando, Beni e Tarija. “Estas são consultas que ao invés de fazer bem a autonomia lhe estão causando um tremendo dano. Essas consultas estão à margem da lei e alguém vai ter de se responsabilizar”.
domingo, abril 27, 2008
Santos, 27 de abril de 2008
Carlos Leite chega a Santos em meio ao swell que atingiu o litoral Sudeste no final de abrilCarlos Leite não discriminava a ninguém. Enxergando mal, em parte devido à contraluz, em parte pela própria miopia, o surfista brasiliense incentivava cada um que dropava uma onda da série.
Sem reconhecer ninguém entre as centenas de cabeças que via boiando por toda a praia de Santos (SP) - pelo menos umas duas dezenas a sua volta - Leite extravasava a alegria diante das excelentes ondas urrando a cada série que despontava no fundo, a cada boa manobra, sua ou de qualquer outro surfista. E como, apesar do crowd, estivessem sobrando ondas nessa excepcional manhã de domingo
(27), vários outros surfistas agiam como Leite, gritando uns para os outr
os.
O santista-brasiliense estava pleno de luz, confiante em si mesmo e em que nada naquele dia daria errado. Não só devido ao sol, à energia da água do mar, mas por algo que Leite teria muita dificuldade de explicar se alguém lhe perguntasse o motivo do sorriso. Era um misto de satisfação e segurança por estar surfando no quintal-de-casa com a euforia de ter feito a opção certa.
Leite havia deixado Brasília na sexta-feira a noite, após assistir na tv, na noite anterior, as notícias sobre a forte ressaca que atingira boa parte do litoral brasileiro.
Checando sites de previsão de ondas, confirmou que as séries, na praia do Itararé, em São Vicente, chegavam a dois metros de altura. Titubeou um pouco, mas decidiu-se ao saber que uma companhia aérea estava vendendo passagens a preços promocionais.
Chegou ao aeroporto de Brasília às 18 horas, com a prancha embaixo do braço, R$ 20 no bolso, um cartão de crédito e nenhuma passagem reservada. Sabia de dois vôos para São Paulo, o primeiro dali a meia hora. O segundo saindo às 19h, com escala em Goiânia. Foi obrigado a apanhar o segundo.
Não bastasse o inconveniente de se afastar ainda mais do oceano rumo ao interior do país, a decolagem demorou mais de uma hora além do previsto. A euforia crescia. Quando desembarcou, por volta das 23 horas, se viu às voltas com a falta de logística do setor de transporte. 
Àquela hora, não havia mais ônibus direto para a Baixada Santista. O ônibus comum que poderia apanhar até o metrô do Tatuapé só sairia perto da meia-noite e não chegaria à estação antes do horário de encerramento do metrô. Um outro ônibus, de outra companhia, sairia de Guarulhos à meia-noite e cinco e apesar de ir até o Terminal Rodoviário do Tietê, também só chegaria lá após o término do expediente da maioria das companhias de ônibus. Por último, a condução que a empresa aérea colocava à disposição dos seus clientes só sairia à 1h30, quase duas horas após a chegada do vôo.
Desta forma, Leite se viu obrigado a pedir que um amigo o resgatasse na estação República, diante da Praça da República, em pleno centro de São Paulo, um local pouco aconselhável para alguém carregando uma mochila e uma prancha a aquela hora. Talvez por isso mesmo Leite tenha, inconscientemente, tentado se livrar da mochila ao descer do ônibus. A sua versão é de que, cansado, adormecera e só acordou ao ouvir à distância o motorista gritando. Preocupado com a prancha, Leite desceu correndo e esqueceu-se de apanhar suas coisas no bagageiro superior. Só conseguiu recuperar a mochila na manhã seguinte. Felizmente, com tudo, inclusive a máquina fotográfica que apanhara de sua namorada. 
Com receio de ficar dando mole no centro de São Paulo, Leite decidiu apanhar um táxi para ir direto para a casa de seu amigo, onde passaria a noite. Como este estava ocupado, na rua, e foi pego de surpresa pelo pedido de auxílio do surfista, Leite teve de aguardar, dormindo, por mais de duas horas sentado no sofá do hall do prédio do amigo. Não bastasse tudo isso, ainda teve de dividir a cama de casal do amigo e acordar as sete horas da manhã.
Diante das excelentes ondas que dropava, as primeiras desde que voltara da Costa Rica, há um mês, Leite sentia que não podia se queixar da vida. Muito pelo contrário.


MAS PARA QUANTOS ELE SERÁ DESEJÁVEL?



