


Dois, cinco ou dez? Afinal, quantos presos terão sido esquartejados na Casa de Custódia Viana (Cascuvi), no Espírito Santo?
Ontem (21), o secretário de Justiça do Espírito Santo, Ângelo Roncalli, reconheceu à Agência Brasil, da EBC (uma empresa pública de comunicação), que cinco detentos foram esquartejados. Isso após ter refutado denúncia do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que aponta a existência de pelo menos dez casos.
Em sua primeira entrevista ao site, Roncalli havia assegurado que apenas duas ocorrências teriam sido registradas. Cavando informações, o repórter Marco Antonio Soalheiro acabou tendo acesso a laudos da Polícia Civil entregues ao Conselho Estadual de Direitos Humanos. Os documentos confirmam pelo menos três casos. A matéria foi publicada na véspera da visita de Roncalli à redação da Agência Brasil, em Brasília.
Além de corrigir o número e explicar as dificuldades enfrentadas pela equipe do governador Paulo Hartung (PMDB), a visita serviu para que Roncalli revelasse o prazo para a abolição do uso de contêineres como espaços para a detenção de presos provisórios no Espírito Santo.
Em até quarenta dias, os 306 (sim, 306!) homens (e aqui é preciso ressaltar: homens! Presos, sim, mas humanos a quem, segundo o próprio Roncalli, o estado deve punir com a supressão temporária do convívio social, mas também reeducar) presos em compartimentos de aço mal-ventilados devem ser transferidos para o novo Centro de Detenção Provisória do município de Serra, na Grande Vitória.
De acordo com o secretário, que está no cargo desde 2006, o uso de contêineres foi uma “solução provisória” adotada no fim de 2007 pela Secretaria de Segurança Pública a fim de enfrentar o enfrentar o aumento da população carcerária e a necessidade de reformar ou mesmo fechar unidades prisionais com “problemas estruturais”.
Perguntado se ele, ou o governo, se arrependiam pela "solução" encontrada, Roncalli se limitou a responder que a iniciativa era necessária, mas temporária.
Há algum tempo eu não visitava madrinha Naninha. FI-LO no último fim de semana. Entre uma xícara de café forte e uma fatia de bolo de fubá, conversávamos amenidades quando, mais uma vez, ela me proporcionou um insight político. Ainda que não se importe com política partidária, limitando-se, na maioria das vezes, a se indignar com o último escândalo parlamentar, a madrinha tem o olhar arguto dos ingênuos.
Pois é, Billy Hooper. Sorte sua não ter ficado para ver a situação atual. Os covardes venceram e, hoje, ninguém mais teme aquilo que gente como você representou um dia. E olha que, pelo menos na aparência, há tipos capazes de provocar mais estranhamento do que você, Wyatt Fonda e todos aqueles hippies branquelos que vocês encontraram ao longo de sua jornada sem-destino.
mente normais. É por isso que Lou Reed era necessário”.

Há ainda bons documentários sobre bandas de rock que sintetizam um movimento musical influente, como o punk (Joe Strummer: O Futuro está para Ser Escrito) e a new wave (Stop Making Sense, sobre os Talking Heads). Além disso, há Stoned - A História Secreta dos Rolling Stones e a cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis (Control). Em um irônico contraponto à viagem de Leite em busca de “emoções” e de “experiências de vida” (LEIA OS POSTS ABAIXO), eu, o semifosco autor deste blog me vi obrigado a lidar com situações muito mais desagradáveis que os ônibus velhos, a comida ruim ou os efeitos da altitude. E sem a compensação das belas paisagens e das ondas encontradas por meu amigo no país vizinho.Foram 22 dias enfurnado em um hospital público de Santos (SP). Quatorze noites dormindo, ou melhor, cochilando, sentado em uma cadeira desconfortável, às voltas com sondas, soros, medicamentos, injeções e uma coletânea de histórias e situações escabrosas que, no fim, serviram para me devolver a esperança no serviço público de saúde (ainda que haja muito que melhorar).
Graças ao esforço e à competência dos médicos e enfermeiros do Hospital Guilherme Álvaro, meu pai deixou a UTI em dois dias, superando o momento mais crítico, durante o qual chegamos a temer o pior. Infelizmente, nos dias seguintes, outros pacientes teriam sorte diferente. Só da ala médica em que estávamos eu presenciei oito deles sendo retirados já sem vida. Um stress a mais na já estressante rotina de quem está internado.
Passando tanto tempo em um mesmo lugar, é natural que as pessoas acabem por se aproximar e passem a conversar umas com as outras. Ainda mais em se tratando de um hospital, local onde as pessoas estão mais fragilizadas e receptíveis a compartilhar suas angústias. E de tudo que vi e ouvi nestes dias, o que mais me impactou foram os relatos dos parentes de duas pessoas internadas devido à toxoplasmose, contraída após comerem carne de porco. Detalhe: não há qualquer vínculo entre os dois pacientes, cada qual morando em uma cidade diferente.Uma das vítimas, uma garota de 21 anos, teve os movimentos, a fala e a memória comprometidos e, segundo seu namorado, ficará internada até julho ou agosto. Durante esses quatro ou cinco meses, seus parentes terão que se revezar para não deixá-la sozinha no hospital. Apesar do atendimento digno de elogios, não há enfermeiros em quantidade suficiente para acompanhar os pacientes o tempo todo. Quando chega um novo interno, seus parentes são logo alertados por outras pessoas sobre a necessidade de “não darem bobeira” e de estarem atentos o tempo todo. Principalmente durante as madrugadas.
Eu mesmo pude comprovar que o alerta não é exagero. Certa noite, às vésperas da primeira alta prevista e não concretizada, sem ninguém mais no quarto além de nós dois, meu pai foi abatido por uma infecção que provocou uma forte febre. Tremendo muito, ele quase não conseguia respirar e com dificuldade conseguiu chamar meu nome e me despertar.