sexta-feira, julho 31, 2009

"...No meu caminho para a terra prometida, na estrada para o inferno"

1) Highway to Hell

No último dia 27, o sexto álbum de estúdio da banda australiana AC&DC completou 30 anos de seu lançamento. Alçado ao posto nº 199 da lista que a revista Rolling Stone fez com os 500 melhores álbuns de todos os tempos, foi o último a contar com a participação do vocalista Bon Scott, escocês morto em 1980.

Na época de seu lançamento, eu ainda estava sob o efeito do Bambalalão. Por sorte, na pré-história da aldeia global, antes da MTV, do cd, da internet e do Ipod, as coisas demoravam um pouco a circular e ainda mais para se difundir. Graças a isso, talvez, eu tenha descoberto o rock com esse disco, já na pré-adolescência, em meados da década de 1980. E por algum tempo, o pequeno guitarrista Angus Young foi para mim a síntese da picardia e do rock ´n ´roll.


Estudante entediado com as aulas do Pedro II, em Santos, não tinha como não me divertir vendo Angus em sua fantasia de colegial, de calções curtos, paletó estudantil e gravata - peças de que ia se livrando à medida que o show avançava para, ao fim, abaixar o short e exibir a bunda branca para a platéia. O fã-clube adorava a banda que não soava nem um pouco pretensiosa. Na verdade, eles davam a impressão de ser a turma do fundão de qualquer sala de aula. E daí os chifrinhos, os tiques, as caretas de Angus.


Depois o tempo passou, conheci outros sons, novas bossas vieram, a MTV nos trouxe as novidades mais rapidamente e o resto é história. Até em show do Madredeus eu estive (e gostei!). Até que, dia desses, uma promoção da Livraria Primeira Leitura me devolveu o prazer de ouvir...Highway to Hell. Desde então, tenho ouvido minha dose diária de AC&DC como remédio para o desânimo. (Isso e Yggy Pop)


E só então, com os ouvidos atentos, percebi algo que nunca havia notado ou lido em qualquer lugar. Angus Young é um puta de um guitarrista. A ginástica aeróbica que ele faz no palco talvez tenha ofuscado um pouco isso, mas é evidente que Angus é a alma da banda não só pela personagem que encarna ou por seu carisma. Ele toca muito. E neste álbum, é perceptível a química entre ele e Bon Scott, que colocava muito de suas referências blues no som pesado da banda. Até hoje, fãs de todo o mundo rendem homenagens ao vocalista.
Coincidentemente, o disco que alçou a banda à fama mundial completou três décadas pouco tempo após o grupo voltar, depois de 28 anos, a ocupar o primeiro lugar da parada britânica, com o disco Black Ice, de 2008.

terça-feira, julho 28, 2009

Republicando



Auto-retrato do Autor enquanto Semifosco


"Mesmo não sendo barro amorfo, ainda não estou solidificado. Ainda sou capaz de sentir e de me transformar, ainda sou capaz de ver o momento não como alguma coisa de estático, mas como oportunidade para reiniciar minha formação" (adaptado de Roman Jakobson)"

domingo, julho 26, 2009

"Ninguém sabe como é renunciar", diz presidente

Jesus! Não sei se foi devido ao cansaço, à baixa umidade relativa do ar, ao uso inconseqüente deste fluidificante nasal ou se por tudo junto, mas eu ontem tive uma alucinação enquanto assistia ao filme Frost/Nixon.

Até onde me lembro, o ator Michael Sheen, que no filme interpreta o jornalista David Frost, comemorava o fato de ter fechado um acordo para entrevistar, com exclusividade, o ex-presidente norte-americano Richard Nixon, vivido por Frank Langella. A história é real e se passou em 1977. Frost foi o primeiro a entrevistar Nixon após este ter renunciado à presidência dos EUA, em 1974, por causa do escândalo de Watergate. Apresentador de programas de entretenimento, com fama de ser um playboy fútil e mulherengo e sem nenhuma experiência relevante
no campo da política, Frost viu na ocasião a oportunidade de dar “o pulo do gato” de sua carreira. Já Nixon encarava a entrevista como a chance de, dando sua versão dos fatos e destacando seus feitos na presidência, se redimir perante a opinião pública. Quem sabe assim, não conseguiria voltar à vida pública.

Pois não é que, apesar da direção cativante de Ron Howard, eu peguei no sono. Pior. De repente eu me vi assistindo a um David Frost estupefato diante do...Dono do Maranhão, o Imortal e Vitalício “Sr. Presidente”. E o diálogo, real ou imaginário, sucedeu mais ou menos assim, embora eu não saiba precisar se em 1977 ou em 2009.

_ (Frost) O senhor sempre sustentou que não sabia de nada. Espera mesmo que acreditemos que o senhor não tinha conhecimento desses fatos?

_ (Sr. Presidente) Não tinha mesmo. Acreditava que o dinheiro tivesse fins humanitários. Que fosse para ajudar pessoas carentes. (Me pareceu ouvi-lo acrescentar um “para a instituição com fins culturais”, mas isso eu não sei se foi um acréscimo posterior de minha imaginação)

_ (Frost) Bom, o dinheiro estava sendo entregue em cabines telefônicas, com nomes falsos, e em aeroportos, por pessoas usando luvas.

_ (Sr. Presidente) Olha, eu já declarei o que tinha a declarar sobre isso. São negócios de meus advogados e eu não sabia de nada.

_ (Frost) Se eles são os único responsáveis, porque quando o senhor descobriu não chamou a polícia e mandou prendê-los? (Aqui também pensei entender Frost acrescentar um “prender esses aloprados” bem baixinho, mas restou a dúvida)

_ (Sr. Presidente) Talvez eu devesse mesmo ter feito isso. Chamar a Polícia Federal no meu gabinete e dizer, “aqui estão esses homens. Levem-nos e joguem-nos no xadrez”. Só que eu não sou assim. Eu conheço as famílias dos dois e conheço-os desde que eram crianças.

Pausa. A câmera dá um close em Frost, que parece não conseguir acompanhar o raciocínio de vossa excelência. O Vitalício, no entanto, parece perceber o descompasso entre seu pensamento e o entendimento mediano, aqui, representado pelo jornalista, e acrescenta:

_ (Sr. Pr
esidente) Não sou assim, mas, politicamente, a pressão para que eles fossem processados se tornou insuportável e EU (destaca, apontando para si próprio) então permiti isso. Cortei um braço, cortei o outro e olha que eu não sou um bom açougueiro. Sempre sustentei que o que eles estavam fazendo não era um crime. Quando se está no poder, é preciso fazer muita coisa que, no sentido mais estrito, não é legal. Só que você faz essas coisas porque elas são do interesse maior da Nação.

_ (Frost, aturdido) O senhor está dizendo que, em certas situações, o presidente pode decidir se algo é do interesse da Nação e fazer algo ilegal?

_ (Sr. Presidente) Estou dizendo que quando o presidente faz algo, não é ilegal. É nisso que acredito...mas percebo que ninguém concorda comigo.

_ (Frost) Neste caso, então, o senhor aceita esclarecer tudo de uma vez por todas, admitir que violou a lei?

_ (Sr. Presidente) ...

_ (Frost) Chamaria seus atos algo além de “erros”?

_ (Sr. Presidente) Que palavras você usaria?

_ (Frost, já suando) Minha nossa! Já que o senhor me perguntou, acho que há três coisas que as pessoas gostariam de vê-lo dizer. Primeiro, que (será que eu o ouvi dizer atos secretos e desvios de recursos) foram mais que erros, foram delitos. E que, portanto, deve ter havido um crime. Segundo, as pessoas gostariam de ouvi-lo falar “eu abusei do poder que tinha como presidente”. Terceiro, “permiti que o povo tivesse muito tempo de agonia desnecessária e quero que me desculpem por isso”.

_ (Sr. Presidente) Bom, é verdade. (Toda a equipe técnica e o próprio Frost acusa
m ansiedade. Sabem que o Vitalício está em uma sinuca de bico. Frost parece ter ganho o embate verbal) Cometi erros terríveis, erros que não são dignos de um presidente e que não atingem o padrão de excelência com que sonhei quando era menino. Esta é uma época difícil. Lamento muito por todos os meus erros, mas ninguém sabe como é renunciar à presidência. Não me humilharei, nunca. Continuo insistindo que foram erros do coração, não da cabeça. Eu derrubei a mim mesmo. Dei a eles uma espada e eles aproveitaram. Enterraram fundo e a giraram com deleite. Acho que se eu estivesse no lugar deles teria feito o mesmo...

_ (Frost) E o povo?

_ (Sr. Presidente) ...Eu o decepcionei.

Nisso, algo me trouxe de volta. Se do sonho, da alucinação ou da realidade, não sei dizer. Só sei que voltei a me dar conta de meu corpo esparramado no sofá ao ouvir o som vindo da casa do vizinho. Renato Russo gritava “que país é este?”. ?.

terça-feira, julho 21, 2009

TIRANDO O ATRASO

Sete anos após seu lançamento, eu, enfim, li O Cheiro do Ralo, do quadrinista Lourenço Mutarelli. Desde sua primeira publicação, em 2002, o livro vem recebendo criticas elogiosas e vendendo bem. Em parte porque o autor já era então famoso entre os que apreciam Hqs, mas também porque a obra acabou por se tornar conhecida do grande público após o diretor Heitor Dhalia (Nina) transpor a história para o cinema, dando o papel principal para um inspirado Selton Mello.

Fiquei impressionado com a construção da novela, com a concisão e com o ritmo das sentenças construídas por Mutarelli. A história do homem atormentado pelo cheiro do ralo do banheiro do depósito onde trabalha, comprando objetos usados, se lê de um fôlego só.

Também aproveitei o final de semana para assistir ao filme que deu ao ator Sean Penn seu segundo Oscar. Lançado em 2008, Milk narra a trajetória de Harvey Milk, o primeiro homossexual norte-americano assumido a ocupar um cargo público após, já com 40 anos de idade, decidir assumir sua opção sexual e “sair do armário”.

Desde Sobre Meninos e Lobos que o antes “ex-marido de Madonna” vem participando de um filme melhor que o outro. Mesmo assim, para vários críticos, a atuação em Milk é a melhor de sua carreira. Eu ainda acrescento que é também o melhor filme de Gus Van Sant (Paranoid Park, Os Últimos Dias, Gênio Indomável, Drugstore Cowboy) em muitos anos.

sábado, julho 04, 2009

A Luta é Cultura!

Ontem (3), caiçaras, quilombolas, índios guaranis e artesãos tomaram as ruas do Centro Histórico de Paraty. Portando faixas e cartazes e avançando ao som do maracatú por entre poetas, estudantes e peruas, representantes dos moradores de comunidades tradicionais protetaram contra o que classificam como "a pressão exercida pela especulação imobiliária, a ausência de políticas públicas".

Segundo o manifesto distribuído pelo Fórum de Comunidades Tradicionais - entidade civil que diz lutar pelos direitos e pela manutenção da identidade cultural das comunidades locais - há pelo menos 30 anos a região sofre as consequências negativas da construção da Rodovia Rio-Santos. Ainda de acordo com o manifesto, a estrada pavimentou um modelo de desenvolvimento baseado no turismo, seguido pela a construção de condomínios de luxo e de empreendimentos como marinas e resorts que acabaram por determinar a expulsão dos moradores originais de suas terras.

Alvo das críticas mais contundentes, o Condomínio Laranjeiras é acusado de dificultar o acesso de moradores da Vila Oratória a suas próprias casas, além de impedir que antigos pescadores usem a praia, privatizada. A quem não se mudou para bairros periféricos, restou a alternativa de se tornar caseiro, tomando conta das casas milionárias.

"A política ambiental implementada na região desconsidera historicamente a presença das comunidades nos seus territórios, proibindo-os de manter práticas tradicionais como plantar e pescar e até mesmo construir ou reformar suas moradias, através de uma estratégia de intervenção incompatível com as possibilidades de manejo sustentável da biodiversidade na Mata Atlântica", diz a nota do Fórum de Comunidades Tradicionais.

Segundo um dos representantes da associação de moradores de Laranjeiras que pediu para não ser identificado, após a construção do condomínio, iniciada há cerca de 20 anos, as pessoas que vivem em Vila Oratória passaram a ter que se identificar na portaria instalada na única via de acesso ao local. Além disso, diz ele, há uma segunda guarita logo após a vila e esta impediria o acesso à praia de pessoas que não sejam proprietários de casas no condomínio.

Durante o protesto, que chegou a contornar a Praça da Matriz, passando ao lado da tenda onde as pessoas acompanhavam por telões as palestras de escritores convidados para a Flip, os manifestantes reclamaram da indiferença do poder público para com esta e outras questões.

Artesãos acusaram o IPHAN de, com o argumento de estar protegendo o patrimônio histórico, impedí-los de trabalhar nas ruas do Centro Histórico, ao passo que dezenas de estabelecimentos cujos proprietários, segundo eles, não passam de comerciantes intermediadores, com dinheiro para arcar com impostos e outras taxas, estão estabelecidos no local de maior afluxo turístico.

O protesto chamou a atenção dos visitantes, mas diante da inicial indiferença da imprensa, só foi ter sua eficácia confirmada no final da noite, quando Chico Buarque, ao término de sua palestra, pediu licença para falar sobre o assunto e pedir atenção ao tema.


quarta-feira, julho 01, 2009

A literatura é uma festa?

Daqui a exatos dez minutos, portanto, as 19 horas, o crítico literário Davi Arrigucci Jr. subirá ao palco da Tenda dos Autores e, com uma palestra sobre a poesia de Manuel Bandeira (autor homenageado deste ano), dará início a VII Festa Literária Internacional de Paraty (que,erroneamente, alguns insistem em grafar Parati).

Durante a tarde, o movimento ainda estava tranquilo, embora ônibus vindos do Rio de Janeiro e de São Paulo chegassem lotados a todo instante. Saí para comer algo e conferir os preparativos finais para o evento e, enquanto eu caminhava pelo Centro Histórico, me lembrei da questão apresentada pelo assessor da Flip, Flávio Moura, no blog dedicado à festa.

"Por que, afinal, tanta gente se abala até Paraty para ouvir escritores e intelectuais? Num país em que a tiragem média de um livro é de 3 mil exemplares, o que leva quase 20 mil pessoas a pegar a estrada e assistir a leituras e palestras que em outro contexto poderiam estar vazias?", questiona Moura.

Já começava a pensar nas razões que pelo quinto ano consecutivo me trazem a este pequeno paraíso do litoral sul fluminense, quando, ao chegar a Tenda da Matriz, ouço a voz inconfundível de Adriana Calcanhoto. A cantora, que se apresenta logo mais, as 21 horas, estava ali, passando o som, com apenas algumas poucas pessoas debruçadas sobre as grades que delimitam o acesso à Tenda da Matriz sem, contudo, impedir a visão do palco ou mesmo dos telões pelos quais eu e dezenas de outras pessoas iremos assistir a maioria das palestras sem gastar um tostão.
Talvez isso ajude a responder o Moura, mas, entre uma palestra e um show, eu ainda vou pensar melhor sobre o assunto...

quinta-feira, maio 28, 2009

Crise? Que Crise?


Ainda falta um mês para o início da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e, ao que tudo indica, mais uma vez o setor hoteleiro local não terá do que se queixar.

Hotéis, pousadas e até mesmo os quartos de fundos nas casas de caiçaras estão sendo disputados à tapas. A conseqüência, tal como preconiza o primeiro mandamento do mercado livre (a procura determina os preços) é que o custo da hospedagem acaba por se tornar proibitivo para muitos interessados.

Um hotel simples, próximo ao Centro Histórico, está cobrando R$ 1 mil por quatro dias (quarta a domingo) de hospedagem em um quarto com ventilador de teto. Dá R$ 250 a diária. Em dias normais, esse mesmo hotel cobra R$ 75 a diária. Já no albergue Misti Chill, os R$ 25 normalmente cobrados por uma cama em um quarto para seis pessoas saltaram para quase R$ 80 a diária. Para os mochileiros, restam os campings, mas mesmo estes têm que ser reservados com antecedência.

Como reconhece o autor do blog oficial do evento, o jornalista Flávio Moura, em Paraty a literatura se aproxima do espetáculo como poucas vezes antes no Brasil. É um tal clima de “audiência de show de rock”, como define Moura, que em comunidades do orkut dedicadas à festa há quem classifique como “um sonho” ir a Flip. Uns para acompanhar as palestras e bate papos, ainda que pelo telão, sentado do lado de fora da Tenda da Matriz. Outros, apenas pelo burburinho.

Este ano, o frisson social deve ser ainda maior, já que Chico Buarque confirmou presença para divulgar seu último livro, Leite Derramado. Além dele, os nomes que devem lotar as tendas dos Autores e da Matriz são os do jornalista norte-americano Gay Talese, o biólogo Richard Dawkins e o português António Lobo Antunes.

Aos 77 anos, Talese é reconhecido como um dos maiores representantes do chamado new journalism, gênero que emprega técnicas narrativas ficcionais ao trabalho jornalístico, aproximando a reportagem da literatura. Dawkins (68) é um dos mais conhecidos defensores da teoria evolucionista proposta por Charles Darwin, além de ter ficado conhecido por sua defesa do ceticismo e do ateísmo após lançar, em 2006, o livro Deus, um delírio. Já Lobo Antunes, ainda pouco conhecido do grande público brasileiro, é considerado o maior escritor lusitano após Eça de Queirós. Em 2007, Lobo Antunes venceu o prestigiado prêmio Camões.

Outros 31 convidados participarão do evento que, este ano, está mais enxuto do que em 2008, quando o número de palestrantes chegou a 41. A lista completa, que inclui também o jornalista Zuenir Ventura, o escritor amazonense Milton Hatoum e a artista plástica francesa Sophie Calle, pode ser conferida no site da festa.

quinta-feira, maio 21, 2009

Presos em Contêineres


Presos em contêineres


Dois, cinco ou dez? Afinal, quantos presos terão sido esquartejados na Casa de Custódia Viana (Cascuvi), no Espírito Santo?

Ontem (21), o secretário de Justiça do Espírito Santo, Ângelo Roncalli, reconheceu à Agência Brasil, da EBC (uma empresa pública de comunicação), que cinco detentos foram esquartejados. Isso após ter refutado denúncia do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que aponta a existência de pelo menos dez casos.

Em sua primeira entrevista ao site, Roncalli havia assegurado que apenas duas ocorrências teriam sido registradas. Cavando informações, o repórter Marco Antonio Soalheiro acabou tendo acesso a laudos da Polícia Civil entregues ao Conselho Estadual de Direitos Humanos. Os documentos confirmam pelo menos três casos. A matéria foi publicada na véspera da visita de Roncalli à redação da Agência Brasil, em Brasília.

Além de corrigir o número e explicar as dificuldades enfrentadas pela equipe do governador Paulo Hartung (PMDB), a visita serviu para que Roncalli revelasse o prazo para a abolição do uso de contêineres como espaços para a detenção de presos provisórios no Espírito Santo.

Em até quarenta dias, os 306 (sim, 306!) homens (e aqui é preciso ressaltar: homens! Presos, sim, mas humanos a quem, segundo o próprio Roncalli, o estado deve punir com a supressão temporária do convívio social, mas também reeducar) presos em compartimentos de aço mal-ventilados devem ser transferidos para o novo Centro de Detenção Provisória do município de Serra, na Grande Vitória.

De acordo com o secretário, que está no cargo desde 2006, o uso de contêineres foi uma “solução provisória” adotada no fim de 2007 pela Secretaria de Segurança Pública a fim de enfrentar o enfrentar o aumento da população carcerária e a necessidade de reformar ou mesmo fechar unidades prisionais com “problemas estruturais”.

Perguntado se ele, ou o governo, se arrependiam pela "solução" encontrada, Roncalli se limitou a responder que a iniciativa era necessária, mas temporária.

terça-feira, maio 19, 2009

E Agora, José?

Há algum tempo eu não visitava madrinha Naninha. FI-LO no último fim de semana. Entre uma xícara de café forte e uma fatia de bolo de fubá, conversávamos amenidades quando, mais uma vez, ela me proporcionou um insight político. Ainda que não se importe com política partidária, limitando-se, na maioria das vezes, a se indignar com o último escândalo parlamentar, a madrinha tem o olhar arguto dos ingênuos.

A coisa se deu da seguinte forma. Conversávamos com a tv ligada quando o jornal do SBT (ou da TVS, como prefere a madrinha) noticiou que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, não aceitaria o papel de vice do governador paulista José Serra em uma eventual chapa tucana para concorrer à presidência da República no ano que vem. Pelo menos não sem consulta às bases do partido.

Ouvindo menção aos outros nomes cotados para a disputa, entre eles a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (que madrinha disse não conhecer), ela fez o seguinte comentário: “E o Lula, hein? Não pode mais participar”. Ao que eu respondi. “Só em 2014, se o PT quiser”.

E aí, em sua resposta, veio a revelação. Pois quando ela disse que votaria no “Cara” agora e sempre, eu me dei conta da sinuca de bico em que a oposição está. O que está em jogo não é 2010, mas sim os próximos oito ou doze anos de governo. Com a popularidade com que ao que tudo indica deixará a presidência, Lula já é o candidato mais forte para 2014, bastando apenas que seu sucessor, se for um petista ou alguém da base eleito com seu apoio, não cometa alguma barbaridade capaz de minar o legado político de Lula.

Desta perspectiva, Serra se arrisca ao tentar evitar que o PSDB consulte seus filiados para definir o melhor candidato para as próximas eleições. Se perder a presidência tendo dividido o partido, o paulista com certeza pagará o pato sozinho e não faltarão companheiros de legenda e analistas políticos a criticar sua ambição política desmedida.

Pelo jeito que a carruagem vai, se não voltar ao Palácio do Planalto em 2010, só restará a oposição torcer para que o próximo governo vá mal. Ou então tentar modificar a atual legislação eleitoral para evitar que Lula possa lançar sua candidatura em 2014.

Será isso, madrinha?

segunda-feira, maio 18, 2009

As capas das semanais da vez










Ao saudoso Billy

A última foto de Billy
Pois é, Billy Hooper. Sorte sua não ter ficado para ver a situação atual. Os covardes venceram e, hoje, ninguém mais teme aquilo que gente como você representou um dia. E olha que, pelo menos na aparência, há tipos capazes de provocar mais estranhamento do que você, Wyatt Fonda e todos aqueles hippies branquelos que vocês encontraram ao longo de sua jornada sem-destino.

Está muito claro que as coisas não saíram como sua geração imaginou quando defendeu a imaginação no poder. Sei que vocês não gostam que mitifiquemos algo que não vivemos, mas é óbvio que as coisas mudaram bastante. E, se não necessariamente para pior, também não foi para melhor.


Quer um exemplo? Lembra-se daquele garoto que publicou um primeiro texto na Rolling Stone no mesmo ano (1969) em que a tua história chegava ao cinema? Sim, o tal de Lester Bangs. Pois saiba que ele também não ficou para ver o oco. Morreu em 1982, gordo, supostamente devido a uma overdose de medicamentos quando tentava se livrar do alcoolismo.
(foto: Lester Bangs)
Morto, acabou virando cult entre estudantes de jornalismo e profissionais que o lêem, mas que escrevem conforme determinam os manuais de redação como o da Folha de S.Paulo, publicado pela primeira vez em 1984, apenas dois anos após a morte de Bangs.

Bangs hoje está envolto na mesma substância intangível que buscava mimetizar de seus ídolos: a tal “Atitude” cool. Em maior grau, o mesmo aconteceu com o pai do jornalismo gonzo Hunter Thompson. Ambos inclusive viraram personagens de filmes hollywoodianos. O primeiro, em 2000, no filme Quase Famosos, de Cameron Crowe. O segundo, em Medo e Delírio em Las Vegas, interpretado por Johnny Deep. A diferença é que se antes a atitude chocava, agora, serve para vender cartão de crédito para universitários.

Selecionado, editado e compilado, Bangs – que foi despedido da Rolling Stone por ser desrespeitoso com os músicos que entrevistava – hoje serve duplamente ao sistema: aos negócios, contribuindo para que as máquinas registradoras não enferrujem, e aos que o lêem, a quem oferece um vislumbre para além das camisas-de-força dos manuais que pregam a objetividade jornalística, inviabilizando análises subjetivas como a que ele chegou ao entrevistar Lou Reed.

“O fato é que Lou [Reed], como todos os heróis, está aí para tomar porrada. Eles não seriam heróis se não fossem uns miseráveis cães sarnentos, os párias da terra, e mais, a única razão para se construir um ídolo é joga-lo por terra novamente, como qualquer outra coisa. Heróis são uma puta coisa estúpida de se ter e um bloqueio geral a tudo que você queira conquistar por conta própria”. (do artigo Vamos Agora Louvar os Famosos Duendes da Morte, publicado na revista Creem, em março de 1975)

Engraçado é que o próprio Bangs ridicularizava o tipo de armadilha a qual ele e muitos outros de sua geração (você e Wyatt Fonda entre eles) se encontram presos.

“O mito heróico dos anos 60 era o sujeito detonado. Viva rapidamente, seja mau, encrenque-se, morra jovem. Em parte, isso tinha a ver com a inexistência absoluta de heróis reais, objetivos, decididos, de cabeça erguida, nobre e de sucesso. Eu mesmo sempre quis imitar o filho-da-puta mais autodestrutivo que eu visse, caso ele se comportasse com algum senso de estilo. Aproveitar as experiências transviadas desses caras para sair do corpo por tabela compensava, de alguma maneira, o vazio de nossas próprias vidas horrivelmente normais. É por isso que Lou Reed era necessário”.

Entendeu, Billy? Será por isso que você, Wyatt, Hendrix, o Rei Lagarto, Che, Kerouack, Dean, Miles, Bukowski e tantos outros de sua geração continuam sendo necessários? E será que essa necessidade não é escamoteada porque serve para vender camisetas?

Wyatt e Billy confraternizando

quarta-feira, maio 13, 2009

Mais uma investigação contra servidores do Congresso


NOTÍCIAS

PF vai investigar denúncias de irregularidades em contratos do Senado


A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal abriu hoje (13) inquérito para investigar eventuais irregularidades nos contratos firmados pelo Senado com instituições financeiras contratadas para conceder empréstimos consignados a servidores da Casa, com desconto mensal em folha de pagamento.

O requerimento feito pelo procurador Gustavo Pessanha Velloso, da Procuradoria Geral da República no Distrito Federal, chegou hoje à Superintendência da PF em Brasília, que, prontamente, acatou o pedido, instaurando o inquérito. O delegado Gustavo Buquer será o responsável por conduzir as investigações, que ainda não têm prazo para conclusão.

Segundo a assessoria da Polícia Federal, a investigação será específica sobre os empréstimos consignados, não sendo possível, ainda, afirmar que vá se estender a outras denúncias.

O MPF, no entanto, espera que, ao investigar o suposto esquema, a PF também averigue a acusação feita pelo ex-diretor de Recursos Humanos do Senado João Carlos Zoghbi. Segundo Zoghbi, o ex-diretor geral do Senado Agaciel Maia teria montado um esquema para fraudar contratos de terceirização de serviços prestados ao Senado.

Zoghbi é o principal alvo das denúncias sobre irregularidades nos empréstimos consignados. Ele é acusado de criar empresas de fachada para intermediar os empréstimos feitos aos servidores da Casa. A ex-babá de Zoghbi consta como sendo sócia majoritária de três dessas empresas. Apesar das suspeitas, o ex-diretor só deixou o cargo após a imprensa divulgar que, irregularmente, ele teria cedido um apartamento funcional a seu filho.

terça-feira, maio 12, 2009

Um Desastre Nacional

Na última segunda-feira (11), o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri afirmou que os mais de 40 mil homicídios registrados anualmente no país indicam que o setor, no Brasil, é um verdadeiro desastre. Segundo Balestreri, isso se deve, entre outras causas, ao modelo equivocado vigente durante os últimos 40 anos.

A matéria completa está disponível na Agência Brasil
(http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/05/11/materia.2009-05-11.5146860681/view). Ouça, abaixo, as declarações de Balestreri.



Segurança Pública no Brasil é um desastre -

sexta-feira, maio 08, 2009


Começou na última terça-feira (5) e segue em cartaz até o próximo dia 24, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília (DF), a mostra Tribos Urbanas no Cinema. Com curadoria do músico paulista Tatá Aeroplano e consultoria do professor e escritor João Braga, a mostra apresenta 20 filmes que retratam dez diferentes `tribos´ definidas por interesses comuns refletidos em seus comportamentos, modos de pensar, vestir e agir e, sobretudo, gostos musicais.

Cada filme exibido ao longo da semana retrata, de alguma forma, os diferentes grupos selecionados. É o caso do clássico Sem Destino (Easy Rider) - com Dennis Hopper, Peter Fonda e um ainda jovem Jack Nicholson, em seu primeiro papel de destaque no cinema - a retratar beatniks e hippies. Ou os premiados documentários dirigidos pelo ex-skatista Stacy Peralta, Dogtown and Z-Boys (sobre a origem do skate e o surgimento de seus primeiros ícones) e Riding Giants (sobre o fascínio do surf e a emoção e os riscos do town in – modalidade do esporte praticada em ondas gigantes).

Há ainda bons documentários sobre bandas de rock que sintetizam um movimento musical influente, como o punk (Joe Strummer: O Futuro está para Ser Escrito) e a new wave (Stop Making Sense, sobre os Talking Heads). Além disso, há Stoned - A História Secreta dos Rolling Stones e a cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis (Control).


A programação completa da mostra pode ser conferida no site http://www44.bb.com.br/appbb/portal/bb/ctr2/bsb/NoticiaDetalhe.jsp?Noticia.codigo=166034