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sexta-feira, janeiro 18, 2013

Reclamações ADES


A questão de consumir alimentos à base de soja se tornou um conflito ético desde que visitei o Mato Grosso do Sul, há alguns anos. Ao ver as extensas plantações da leguminosa e os efeitos que a crescente demanda do produto provoca não só para o meio-ambiente, mas também para as populações tradicionais, sobretudo para as comunidades indígenas, fiquei tentado a pelo menos reduzir a compra desses produtos.

Vale dizer que, para mim, esse não é um conflito de fácil resolução, já que, recentemente, fui diagnosticado como tendo uma intolerância à lactose, o que me levou a aumentar o consumo dos sucos de soja. Além disso, é preciso considerar que o meu consumo não é assim tão impactante, já que boa parte da soja plantada é usada para...alimentar gado.

Esta semana, o que era apenas uma preocupação sócio-ambiental ganhou um importante componente para que eu tome uma decisão: agora é uma questão de saúde. Pública.

Na terça-feira (11), abri uma caixa de ADES que havia comprado pouco tempo antes, mas válida até o dia 03 de maio deste ano. Como já tinha jantado na rua, tomei um único copo (é comum eu virar 3/4 da caixa de uma única vez) e fui dormir. Já no dia seguinte comecei a me sentir indisposto. Inicialmente, achei que não fosse nada, que podia ter `misturado´ algo que não caiu bem, muito embora eu não tivesse comido nada suspeito.

A coisa piorou na quinta-feira (13), dia em que eu mal consegui me concentrar no trabalho devido à dor de cabeça e a um enjôo insistente. Mesmo sem muita fome, consegui empurrar o almoço pra dentro e segurar a onda até voltar pra casa no fim do dia. Tomei um Eparema, dei um tempo até que um indício de fome surgisse e pensei comigo: "Vou comer algo leve pra ver se melhoro". E apanhei na geladeira a caixa de Ades aberta apenas dois dias antes e da qual, lembrem, já havia tomado um copo.

Qual não foi minha surpresa ao levantar a tampa e notar pequenas manchas pretas no bocal da caixa. Não havia cheiro e o aspecto era normal, talvez apenas um pouco mais ralo que de costume. Mesmo assim, fui até o banheiro e despejei um pouco do líquido. E então, algo estranho, preto, começou a surgir.  Perplexo, peguei a tesoura e abri a caixa. O que havia dentro?

Veja as fotos abaixo e reflita sobre o quão saudável pode ser este produto. Outra surpresa foi ser informado pela Anvisa e pela Vigilância Sanitária do Distrito Federal que eles não aceitam denúncias diretamente contra o estabelecimento que produz o produto - no caso, a multinacional Unilever -, mas apenas contra o estabelecimento onde eu o comprei, mesmo eu dizendo que, aparentemente, não havia problema com a comercialização, mas sim com a fabricação, já que o prazo de validade não havia expirado e a caixa estava devidamente lacrada. Recomendaram que eu procurasseo Procon, mesmo eu insistindo que estava reclamando como cidadão preocupado com um problema de saúde pública, e não como um consumidor interessado em uma eventual reparação individual. Hoje é sexta e continuo mal.

Como disse outro dia, em um e-mail a amigos, "infelizmente, estamos nos acostumando com a tese de que é mais fácil fazer valer nossos direitos como consumidores do que como cidadãos, razão porque está mais fácil ver respeitado o Código de Defesa do Consumidor do que a Constituição Federal"

(Ah, Unilever. As fotos, sem qualquer manipulação, bem como a caixa e "corpos estranhos" estão em meu poder, à espera de uma resposta mais satisfatória do Poder Público)





terça-feira, setembro 25, 2012

As mentiras que os homens contam


O Tio Rei, ontem (24), extrapolou em sua função de bem-desinformar seus leitores. Vejam o que escreveu o ideólogo dos reaças ao responder recente texto publicado pela psicanalista Maria Rita Kehl, que criticou a ação da polícia paulista e a política de segurança pública do governo de São Paulo (texto com o qual discordo, não pela opinião em si, mas por considerar sua divulgação inoportuna, já que Maria Rita integra a Comissão Nacional da Verdade, tendo uma missão, portanto, muito mais importante para o país do que ficar discutindo com os tucanos) 

"É simplesmente mentira — uma mentira escandalosa! — que o regime militar tenha “massacrado milhares de camponeses e índios”. Isso não aconteceu. Não há menor evidência de que tenha acontecido. Não há indícios. Não há fatos. Não há pessoas reclamando os corpos. Não há, atenção!, nem mesmo boatos"

Não há indícios? Não há boatos?? Será porque as cinco mil páginas resultantes das investigações de uma comissão de inquérito e que formavam o Relatório Figueiredo `sumiram´ oportunamente em um incêndio no edifício-sede do antigo Ministério do Interior? Ou será que o instruído Tio Rei nunca ouviu falar das denúncias feitas por funcionários da própria Funai a respeito do extermínio dos waimiri-atroari durante a construção da BR-174? Será que o Reinaldo Azevedo (gostaria de não escrever seu nome, mas tem hora que é necessário apontar o diabo) sabe o que se passou em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, onde ainda hoje os índios que lutam para reaver as terras tradicionais de onde foram expulsos para dar espaço a grandes fazendas são mortos? Será que o colunista tem alguma dúvida de que a política desenvolvimentista da segunda metade do século passado acelerou o processo de aproximação com grupos indígenas que viviam isolados e que, por isso, morreram contagiados por doenças do homem civilizado? 

Se ele desconhece isso - e se vocês, meus três leitores também desconhecem - sugiro que acesse este link. É a cópia do relatório e as conclusões da Comissão Parlamentar  de Inquérito  (CPI) destinada a apurar denúncias relativas à invasão de reservas indígenas. TREZENTOS E OITENTA E QUATRO páginas de "indícios" de desmandos, corrupção e violência institucional. Instalada em 1978 (durante o regime militar), não é coisa de "petralhas", como diria o Tio Rei aos seus sobrinhos.