Felizmente, o mundo não acabou no Calaf.
(Veja post anterior).
A bem da verdade, não dá nem mesmo pra dizer que EU tenha me acabado no Calaf. Por mais que o power-trio brasiliense Passo Largo (vídeo abaixo) tenha se empenhado para nos dar oportunidade para isso.
A única coisa que acabou ontem a noite foi o estoque de freiras, diabinhas, policiais, Minnies e outras fetichistas lindas, leves, suadas e mais ou menos desimpedidas à solta no salão. Por sinal, acabou bem rápido. Resultado natural de festa cujo esquenta começa sete horas antes, com o bloco na rua, bêbados e equilibristas sob a sombra das raparigas em flor.
Tudo bem. Antes das fantasias, adereços e históricos de bons antecedentes virarem cinzas (vixi! desculpem o inoportuno mau-gosto da frase), vem a terça-feira gorda. O risco de pegar um resfriado e o suplício das últimas horas - e só - a me aproximar da personagem do conto em que Caio Fernando Abreu explica o sentido ritualístico da data.
Desperto com "a boca gosmenta de tanta cerveja morna" e me lembro que nem o Papa segurou a onda durante a festa pagã.
É como prescreve Xico Sá: "a vida não tem alvará, baby".
Vou indo, comer meus cereais. Porque, nos dias de hoje, é vital manter alguma regularidade. Nem que seja intestinal. (O que me faz lembrar de uma última citação, pra encerrar: "de dentro vem o que por fora se revela", preconizou o sábio Lao-Tsé há cerca de 2,6 mil anos, no belíssimo Tao Te King).


