Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo 2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Copa do Mundo 2014. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, abril 24, 2013

Cultura do Espetáculo



O multimidiático Carlinhos Brown deve ser um artista plástico muito, mas muito bom mesmo. 

Além de compor, cantar, tocar, julgar e "inventar" instrumentos, musicais, ele, nas horas vagas - segundo o Correio Braziliense, no meio da noite - pinta. E borda. Não só parcerias artísticas, mas, aparentemente, acordos.

Ainda que, segundo o Correio, o baiano tribalista há apenas onze meses encarasse a pintura como um hobby, ele conseguiu ontem (23) o feito de ocupar o Palácio do Planalto, em Brasília, com sua exposição O Olhar Que Ouve. A abertura do evento contou inclusive com a presença da própria presidenta Dilma Rousseff. 

Detalhe: a exposição tem o mesmo nome daquela com que, há apenas seis meses, o próprio Carlinhos Brown ocupou uma das galerias da Caixa Econômica Federal. Não vi a nenhuma das duas, mas, das duas umas: ou faltou inspiração ou se trata da mesma exposição. Ou seja, Brown é um raro caso de talento espontâneo a conseguir ocupar, em tão pouco tempo, dois dos espaços de exposição mais nobre da capital federal. Com a palavra, artistas plásticos consagrados que não tem obtido o mesmo retorno...

Carlinhos também tem se mostrado um bom administrador. No ano passado, ele pediu a patente da caxirola, instrumento musical de plástico "inspirado" no caxixi, tradicional instrumento de percussão muito comum em rodas de capoeira e que ele aparece tocando nas fotos ao lado da presidenta Dilma. Segundo sua parceira na empreitada, a agência multinacional The Marketing Store anunciou  a Agência Brasil em outubro de 2012, cerca de 190 milhões de unidades do chocalho escolhido pelo Ministério do Esporte como um dos instrumentos oficiais da Copa do Mundo deverão ser produzidos e colocadas à venda por um preço à época ainda não definido. 

Para finalizar, a mesma Caixa Econômica Federal, que, ainda segundo o Correio Braziliense, foi responsável por lançar Brown como artista plástico ("O Jorge Hereda [presidente da CEF] foi a minha casa e disse "tem um monte de coisa boa, vamos fazer uma exposição". E eu disse que não, que sou tímido, músico e que isso é para curtir. No dia seguinte ele ligou e disse "Vamos fazer uma exposição sim. Você vai ser lançado como um artista visual" - diz Brown ao repórter do Correio na matéria linkada acima) firmou, em janeiro deste ano, um protocolo de intenções para a instalação e restauração da nova sede da Caixa Cultural Salvador no antigo Mercado do Ouro, atual Museu do Ritmo, DO QUAL BROWN É PROPRIETÁRIO. (Isso foi noticiado pelo NE 10)


sexta-feira, outubro 12, 2012

Equívocos da Co...a

Conhecida por suas bem-acabadas e milionárias campanhas de publicidade, a Coca-Cola conseguiu, com uma estratégia que pode vir a se revelar equivocada, o que nem a antipatia contra a Fifa e contra os grupos de mídia mais poderosos do país havia conseguido até agora: catalizar a indignação de um segmento da sociedade contra a forma como vem sendo conduzida a organização da Copa do Mundo de 2014. 

Semanas após a Fifa apresentar ao mundo a mascote oficial do mega-evento esportivo, a marca de refrigerantes espalhou por dez das 12 cidades-sede dos jogos (só ficaram de fora Manaus e Natal) réplicas do simpático tatu-bola cujo nome ainda está sendo escolhido. Cada uma das cópias foi oportunamente instalada em locais de grande movimento, inclusive em pontos turísticos tombados como patrimônio histórico-cultural, caso da Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) (veja dois posts abaixo) e diante do Farol da Barra, em Salvador (BA). 

Muitos não viram problema algum na associação da empresa privada, patrocinadora oficial da Copa, com a "mascote" de um evento que está recebendo vultosas somas de recursos públicos na forma de reconstrução de estádios e obras de infra-estrutura que, embora bem-vindas e necessárias, estão sendo planejadas em virtude das necessidades e prioridades da organizadora do torneio, ou seja, a Fifa, e não da população. Muitos outros, contudo, ficaram indignados ao ver o espaço público loteado à iniciativa privada e, diante do boneco `vestindo´uma camiseta vermelha com a logomarca Coca-Cola, não demoraram a acusar a "privatização do espaço público".

O episódio mais violento até o momento ocorreu na semana passada, em Porto Alegre (RS), onde policiais militares chegaram a disparar balas de borracha contra centenas de manifestantes que tentavam `liberar´ uma praça.

A manifestação gaúcha parece ter sido o sinal para a abertura da temporada de caça ao tatu promocional. Passados dois dias, dois homens furaram a réplica instalada na Esplanada dos Ministérios (veja o vídeo no post abaixo). Conforme a Agência Brasil noticiou ontem (veja dois posts abaixo), o Iphan não tinha autorizado a instalação do boneco no local, que é tombado e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade. O governo do Distrito Federal (GDF) sim autorizou, ainda que a legislação local proíba ou imponha uma série de condicionantes à exibição de publicidade em toda a área tombada. Cabe, neste caso, discutir quem infringiu a lei antes?

Após as ocorrências, que classificou como atos de mero vandalismo, a Coca-Cola diz estar estudando a reinstalação dos bonecos em Porto Alegre e em Brasília. Pasmem. A prefeitura gaúcha, segundo notícias de veículos locais, chegou a se oferecer para bancar o conserto do boneco (que, soube-se ontem, não foi estragado durante o tumulto, mas apenas esvaziado). 

Não sou especialista, mas creio que se eu fosse responsável pelo departamento de marketing da Coca, abortaria a ação promocional e deixaria o tatu-bola descansando em paz em algum galpão. Passada a Copa, quem sabe eles ainda não lustram a imagem chamando a mídia para registrar a doação das nove réplicas sobreviventes a instituições de abrigo de crianças e adolescentes como uma baita ação de responsabilidade social.

Para fundamentar meu conselho de leigo, vale verificar a `temperatura´ das redes sociais e reproduzir o comentário da internauta gaúcha Caroline Silveira Bauer, compartilhado por outras 1.025 pessoas no facebook e aprovado por 1.066 dos seus leitores. Boa reflexão.


Então, um espaço público e histórico de mobilizações sociais, batizado em homenagem a um opositor da ditadura civil-militar, companheiro de uma das mulheres mais combatentes pelo movimento feminino pela Anistia, é dominado, nos últimos tempos, por uma empresa privada, com o argumento da "revitalização do centro de Porto Alegre" - leia-se higienização, especulação imobiliária, etc. Ok.
Então, alertados pelo que havia acontecido na noite anterior, em relação ao Teatro da Opus e da Coca-cola - quer dizer, Araújo Viana - nada mais, nada menos do que QUINZE viaturas policiais, e o Grupo de Operações Especiais reúnem-se no largo, PARA PROTEGER UM BONECO INFLÁVEL. É importante esclarecer que este boneco inflável é um ser inanimado, bonitinho até, e se trata de uma propriedade privada. Ok, a polícia militar estava ali para proteger a propriedade privada - e a ordem política e social, por que não?
Então, um grupo de manifestantes, exercendo um dos seus principais direitos democráticos - o de protesto - e uma das principais virtudes contra governos autoritários - a desobediência civil - resolve retomar o largo, tornando-o, novamente, público. São atacados com a mais brutal violência, novamente equiparando-se a violência civil (plenamente legítima), com a violência do Estado, sua máquina, sua prática, seu terrorismo. Ok.
Vejo as mensagens e postagens de amigos que estavam lá, e que dizem que há feridos. Vejo fotos como esta e penso: a) existia policiamento, neste momento, na Redenção, local onde uma médica sofreu uma tentativa de latrocínio há dois dias? b) existiam rondas noturnas para assegurar a volta para casa de estudantes e trabalhadores para os quais o dia só termina as 23h?
Concluo que é necessário o fim das polícias militares, de governos que engulam suas revitalizações higienistas e especulatórias, e que os viúvos e as viúvas do relógio dos 500 anos aprendam, de uma vez por todas, que A PRAÇA É DO POVO, e que A BELEZA E O PROTESTO ESTÃO NA RUA.


quinta-feira, outubro 11, 2012

Mascote destruído estava instalado na Esplanada dos Ministérios sem autorização do Iphan



Antes mesmo de ser destruído por desconhecidos na madrugada da última terça-feira (9), o boneco que ficou conhecido como mascote da Copa do Mundo de 2014 já corria o risco de ser removido da Esplanada dos Ministérios, na região central de Brasília.
Como a capital federal é tombada e considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, tanto a legislação nacional quanto a do Distrito Federal proíbem ou impõem condicionantes para a divulgação de publicidade ao longo da Esplanada dos Ministérios.
De acordo com a assessoria do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – entidade responsável por zelar e proteger os monumentos históricos e artísticos brasileiros, entre eles, o acervo arquitetônico e urbanístico –, o boneco foi instalado na Esplanada dos Ministérios sem autorização prévia do órgão, desrespeitando a legislação federal. Ainda de acordo com o Iphan, os técnicos já estudavam as medidas cabíveis.
Diferentemente do mascote apresentado pelo Comitê Gestor da Copa, que usava uniforme branco com os dizeres “Brasil 2014”, o boneco inflável instalado na Esplanada dos Ministérios usava uma blusa vermelha com a logomarca da Coca Cola, patrocinador oficial do evento esportivo. O boneco permaneceu no local por 15 dias.
A Brasal (fabricante da Coca-Cola no Distrito Federal e responsável pela execução da ação de marketing promocional) alega que recebeu autorização do governo do Distrito Federal para instalar o boneco. Apesar disso, o Iphan podia determinar que o boneco fosse retirado ou multar a empresa.  
Centro de decisão do poder político, onde estão instalados o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e os mais importantes prédios da administração pública federal, a Esplanada dos Ministérios concentra, além dos turistas que visitam a capital federal, um grande número de trabalhadores com alto poder aquisitivo.
Na semana passada, um boneco semelhante já havia sido alvo de protestos. Em Porto Alegre, centenas de manifestantes destruíram uma réplica do mascote durante um protesto contra a “privatização de locais públicos”. Acionados para proteger o boneco, soldados do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar entraram em confronto com os manifestantes, utilizando cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha. Várias pessoas, inclusive policiais, ficaram feridas durante o conflito.
Além de Brasília e Porto Alegre, cópias dos bonecos foram instaladas em mais oito cidades-sede dos jogos da Copa. Em Curitiba (PR), ele pode ser visto na movimentada Rua XV de Novembro, no Centro. Já em Salvador (BA), o boneco inflável está exposto diante de um dos principais cartões-postais da cidade, o Farol da Barra. Entre as 12 cidades que sediarão partidas do megaevento, apenas Manaus (AM) e Natal (RN) deixaram de receber os bonecos. Segundo a assessoria da Coca-Cola, por falta de acordo entre as fábricas e as autoridades locais.
Em Brasília, o boneco deveria permanecer na Esplanada até o próximo dia 14, quando seria transferido para uma via de acesso ao aeroporto, onde, se exposto, ficará por 21 dias. Em seguida, será instalado pelo mesmo período na Granja do Torto e, por último, na entrada da cidade de Taguatinga.  
O governo do Distrito Federal informou que a Administração Regional de Brasília autorizou a exposição do boneco por considerar a relevância da matéria para o Brasil e para a capital federal. Lembrando que a ação de divulgação ocorre, simultaneamente, em outras capitais que sediarão os jogos, o GDF defendeu que a iniciativa visa a engajar a participação da população brasiliense na realização do evento, que divulgará a cidade como destino turístico.
A Coca-Cola classificou a destruição dos bonecos como atos de vandalismo e garantiu ter cumprido todos os procedimentos indicados pelo GDF, a quem classificou de "parceiro" na instalação do boneco. A empresa adiantou que está avaliando o novo local e o momento em que voltará a instalar, na cidade, o boneco, "um símbolo de alegria e do espírito festivo do maior evento esportivo mundial".  

segunda-feira, setembro 17, 2012

Fuleragem Criativa


Fuleco? Amijubi?? Zuzeco???

PQP!!!!

Desculpem a grosseria, mas vejam só como são criativos os responsáveis pela  Copa do Mundo de 2014. Estes insignificantes neologismos são as três opções que os membros da Fifa e do comitê organizador local do evento deram aos que se dispuserem a incrementar a audiência do site do programa dominical Fantástico para, assim, poder ajudar a escolher o nome da mascote, o tatu-bola.

São tão criativos que, para conseguir mobilizar a participação popular, buscaram apoio no site de um programa global. Fantástico, afinal, a emissora sim tem o pulso popular. Tanto que ao convocar a "lenda do futebol brasileiro e membro do conselho de administração local da Copa", o ex-jogador Ronaldo, previu o inevitável: o brasileiro não perderia a oportunidade de fazer piada e chamar o bichinho roliço de... Ronaldo. Que mané Zuzeco. Rooo-nalll-do na cabeça.

Com a poderosa emissora como parceira fica fácil incutir até nas pessoas mais apáticas o senso de patriotismo necessário para que se ofereçam como voluntárias para trabalhar de graça, por 20 dias, no evento que vai movimentar milhões de dólares e, com certeza, gerar algum lucro para a Fifa, uma entidade privada.

Em tempo. As três palavras foram formadas a partir das junções, respectivamente, das palavras futebol e ecologia; amizade e júbilo e...AZUL e ECOLOGIA.

Em nota, a Fifa explicou que "as três opções foram definidas por um comitê composto por Bebeto, Arlindo Cruz, Thalita Rebouças (quero crer que a escritora), Roberto Dualibi e Fernanda Santos".