domingo, março 01, 2009

De: Carlos Leite leiteempedra@ig.com.br
Assunto : Saudaciones, compañero (6)
Para : semifosco semifosco@blogspot.com
28 de feb 2009 22:02



Amigo, agora sim minha viagem começa a ganhar um ar aventuresco. Deixei Quito hoje (28) cedo. Um táxi me deixou no terminal de onde saem os ônibus para a cidade de Latacunga, capital da província (estado) de Cotopaxi, onde está o vulcao ativo mais alto do mundo (5.897 metros), o Cotopaxi.

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O ônibus é barato (US$ 1.50), mas como parece ser regra no Equador, faz várias paradas ao longo do percurso para apanhar mais passageiros. Assim, demora duas horas para percorrermos os 89 quilômetros que separam as duas cidades. E em cada parada uma horda de ambulantes invade o veículo, oferecendo de àgua a pedaços de frangos fritos. Também nao é incomum passageiros viajando com pequenos cachorros em seus colos.

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Nada disso, no entanto, conseguiu roubar minha atençao da paisagem andina. De Quito, que está a cerca de 2.800 metros do mar, o ônibus tem que galgar aos poucos a Cordilheira dos Andes. A estrada é sinuosa e dei graças a Deus por a Rodovia Panamericana estar em boas condiçoes, pois confesso que em alguns trechos tive medo de que o motorista nao consiguisse fazer a curva.

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Apesar do sol de meio-dia, viajamos com praticamente todas as janelas fechadas. Desse modo, fingi ignorar o frio que faz do lado de fora e segui fotografando a paisagem que um brasileiro como eu classificaria como árida, embora essa nao pareça ser a palavra exata, já que, à distância, o verde cobre as montanhas e picos.

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Minha primeira impressao de Latacunga nao foi das melhores. Tu me conhece e sabe que nao sou lá muito exigente, mas, pelo que vi até aqui, e pelo pouco que tenho viajado, já deu para concluir que o Equador ainda tem muito o que melhorar em termos de infra-estrutura turística.

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Saltei próximo ao terminal de ônibus e caminhei algumas poucas quadras para chegar ao modesto Residencial Santiago (US$ 8 por pessoa a diária, sem café da manha, que custa outros US$ 2). Saca aquela sensaçao que nos acomete quando pedimos um sanduíche ou refeiçao com base no que vemos em uma foto do cardápio e ao receber o pedido o produto nao faz jus à propaganda? Pois foi como me senti diante do hotel que havia escolhido após uma pesquisa na internet. Por problemas nos banheiros, tive que trocar de quarto por duas vezes. E em nenhum dos três porque passei encontrei vestígios do que havia visto na internet. Por sorte, a dona era atenciosa e seu esforço para agradar - e, lógico, a idéia de quanto estou economizando ficando aqui mesmo - me levou a desistir de procurar outro lugar.

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Há pouco para se ver na cidade. Ainda desconfiado por conta da disenteria que tive após almoçar em Otavalo, andei bastante à procura de um lugar que me parecesse limpo. Como nao quis arriscar e eventualmente comprometer minha ida, amanha, ao Vulcao Cotopaxi, preferi nao experimentar a comida típica local, o chugchucara. Imagino que um suiço ou holandês faria a mesma expressao que eu diante desta iguaria. Por fim, encontrei o Restaurante Rodelu, que funciona no térreo do hotel de mesmo nome, entre as ruas Quito e Padre Salcedo.
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Voltei para o hotel, dormi um pouco e, ao voltar a sair, já nao havia nada o que fazer, mesmo sendo sexta-feira. Quase tudo ja estava fechado e acabei tendo que voltar a comer no Rodelu. Há na Praça de Santo Domingo um café onde parecem se reunir turistas e locais. Por US$ 1 tomei um café com amareto que me devolveu a cor a cara (faz frio, muito frio a noite) e agora estou aqui te escrevendo esta longa e detalhista mensagem que você me pediu para colocar no seu blog que ninguém lê. E estou bem.

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Com as ruas desertas e a iluminaçao pública acesa, a cidade ficou um pouco mais bonita. E o que importa é que estou vivo em Latacunga, a milhares de quilômetros de casa e, principalmente, do trabalho que deixei para viajar. Ainda estou longe da praia e das ondas, mas quem sabe amanha eu nao descubro que é possível praticar snowboarding no Cotopaxi.

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Desde Equador, te envio um calido abraço fuerte

Carlos "Leche"

De: Carlos Leite leiteempedra@ig.com.br
Asunto : Saudaciones, compañero (5)
Para : semifosco semifosco@blogspot.com
27 de feb 2009 20:45

Amigo, você já tomou chá de orégano? Pois saiba que é um santo remédio para o fígado. Pelo menos é o que me dizem os funcionários do albergue Alcala, sensibilizados com meu estado. Logo após te escrever, comecei a sentir uma indisposiçao, um enjôo, certamente causado pelo frango que comi ontem, em Otavalo.
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Confesso estar estranhando um pouco a comida. Talvez tenha a ver com minha necessidade de buscar lugares baratos, mas, até o momento, nao fiz nenhuma refeiçao digna de nota. Pelo contrário. A comida típica é feita à base de batata e milho, quase sempre acompanhada ou de frango, ou de uma carne semelhante ao músculo ou ao que chamamos de carne de segunda.
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Após várias xícaras de chá de orégano, me senti um pouco mais disposto e sai para dar minha última volta por Quito. Ainda bem que deixei para o fim a visita ao Museu do Banco Central, no mesmo bairro onde estou hospedado (La Mariscal) onde pude conhecer um pouco mais sobre a história do Equador, principalmente sobre o período inca. Em seu vasto acervo, o museu guarda desde peças cerâmicas com mais de 6 mil anos, até máscaras cerimoniais feitas em ouro e peças religiosas do período colonial. Para estrangeiros, a entrada custa US$ 2.

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

De: Carlos Leite leiteempedra@ig.com.br
Asunto : Saudaciones, compañero (4)
Para : semifosco semifosco@blogspot.com

27 de feb 2009 09:45

"El Valle del Amanecer, Otavalo, es probablemente el mercado más famoso en Sudamérica. Los visitantes de todo el mundo llegan a su plaza para llevarse las mejores artesanías y obras de arte y para gozar el paisaje circundante de esta región fértil y hermosa".


Estou extasiado com a beleza andina. Ontem, enquanto o ônibus avançava pela Rodovia Panamericana Norte rumo a cidade de Otavalo, eu pensava que somente pelo trajeto já teria valido a pena encarar as duas horas de estrada.
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Embora suas construçoes pareçam novas e haja poucas indícios aparentes de sua história, Otavalo foi sede de uma importante comunidade indígena que, no século XIV, resistiu fortemente à dominaçao inca, cuja expansao militar e política a partir da regiao Sul do atual Peru teve início em 1200 e combinou açoes violentas contra os povos resistentes, à alianças militares e comerciais com os demais.
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Infelizmente, cheguei um pouco tarde à cidade e boa parte dos artesaos já desarmavam suas barracas. Pelo mesmo motivo, nao me dispus a ir muito além do centro e, assim, nao visitei o Cuicocha, um lago natural formado a partir de uma antiga cratera vulcanica. Caminhei sem destino, almocei, comprei algumas lembranças e voltei a Quito.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

(RE:) EQUADOR

De: Carlos Leite leiteempedra@ig.com.br
Assunto : Saudaciones, compañero (3)- 25.02.09
Para : semifosco semifosco@blogspot.com
mar, 25 de feb 2009 23:30
Compañero,
As 13 horas de viagem até o Equador a que me referi na outra mensagem incluem, lógico, a conexao feita em Bogotá, Colômbia. Nao me recordo ao certo, mas creio ter passado umas cinco horas zanzando pelo free shopp, observando os soldados da Força Nacional colombiana inspecionarem cada mala ou caixa embarcada nos aviões. Tá na cara a preocupacão do governo com possíveis atos terroristas e com o narcotráfico.


Agora, voltando ao Equador, quero deixar bem claro que ao destacar as semelhanças com o Brasil e outros lugares onde já estive, nao tinha a intenção de criticar ou menosprezar a cultura local. Nem poderia, já que escrevi apenas poucas horas após desembarcar pela primeira vez no país e depois de um rápido passeio pela vizinhança do albergue onde estou hospedado.

Hoje sim já penso poder dizer algo um pouco mais substancial sobre Quito, cidade considerada Patrimônio Cultural da Humanidade e que me surpreendeu por ser muito mais interessante, grande e bonita do que eu podia supor. Para uma cidade de tal porte, me atreveria até mesmo a dizer que ela é organizada, embora tenha lido uma entrevista com um urbanista que critica a falta de ordenamento da capital que, segundo ele, cresce 3,5% ao ano. (Ele talvez sonhe com o Plano Piloto de Brasília, mas deveria conhecer Sao Paulo).

Cedo, apanhei um táxi que me deixou ao pé do Vulcao Pichincha. Dali, por US$ 8, subi de teleférico os 4050 metros da montanha de mesmo nome, até um ponto de onde, em dias claros, se pode avistar toda a cidade. De teleférico, a subida dura cerca de 15 minutos, de forma que a altitude e a beleza do percurso fazem valer a pena o gasto. Nunca imaginei que eu, um brasiliense saudoso da praia, fosse me emocionar com as montanhas e com o silêncio. Tanto que nem me incomodei com o frio.

Para descer apanhei uma van que por US$ 1 me deixou no Centro Histórico, bem diante do Palácio do Carondelet, onde trabalha o presidente Rafael Corréa. De acordo com o funcionário que guiou o grupo ao qual me juntei para visitar o edifìcio, Corréa é o primeiro presidente equatoriano a permitir que cidadaos e turistas conheçam o local, palco de episódios trágicos da história nacional.

Agora, você vai ficar chocado ao saber que diante da imponente igreja construída pela Companhia de Jesus, no século XVI, eu me lembrei do que você me disse uma vez sobre eu viajar para tantos lugares e nao me preocupar com nada além da qualidade das ondas e do surf. Pois é, meu amigo, talvez eu esteja prestes a me tornar um velho afrescalhado, mas andei pensando sobre isso e decidi nao apenas ficar mais tempo em Quito, mas também ir sem pressa rumo ao litoral Sul do Equador, onde está meu destino da vez, o motivo maior de minha vinda: a praia de Montañitas.

Pelo que vi até agora, creio que valerá a pena, pois confesso estar surpreso com esta cidade. Até mesmo a uma exposicao de quadros eu fui. Era de graça e como me lembrei de já ter lido algo sobre o tal pintor russo, Marc Chagall (1887-1985), decidi dar uma chance ao Centro Cultural Metropolitano. Sorte minha, pois se nao entendi muito bem as 51 gravuras originais que o pintor fez para o livro A Odisséia, de Homero (IX a.C.), pude ver as 185 fotos selecionadas para o World Press Photo 2008, um importante prêmio de fotojornalismo.

Imagino o quanto você deve estar surpreso comigo, mas olha, você ficaria realmente surpreso se pudesse ver que, assim como eu, a maioria das pessoas que entravam para apreciar as duas exposiçoes pareciam humildes, talvez estivessem passando e, como eu, ao ver que a entrada era gratuita, decidiram conhecer o local. Achei isso muito significativo. Assim que conseguir baixar as fotos que tirei, te mando cópias.

Abraço do amigo
Carlos Leite

terça-feira, fevereiro 24, 2009

VC TEM 01 NOVA MENSAGEM

De : Carlos Leite leiteempedra@ig.com.br
Asunto : Saudaciones,compañeiro - 24.02.09
Para : semifosco
semifosco@blogspot.com - mar, 24 de feb 2009 13:40

Hola,compañero semifosco.

Escrevo para contar que cheguei ontem a noite a Quito. Sim, isto mesmo. Consegui um acordo para que o gerente da loja me demitisse e, com a rescisao mais o Fundo de Garantia (o acordo previa que eu abrisse mao da multa de 40%), cai na estrada novamente. E tenho que te agradecer, já que essa viagem só se tornou possível graças ao link que você me enviou - lembra? Para aquela matéria que demonstrava que as passagens aéreas compradas no exterior saem mais baratas que no Brasil.

Inicialmente pensei em ir para Itacaré ou para o litoral Norte de SP, mas me lembrei da matéria e, consultando o site panamenho da Avianca - uma companhia aérea colombiana - consegui comprar bilhetes de ida e volta por menos de US$ 500. Ou seja, quase a mesma quantia que gastaria para ir a Bahia.

Assim, graças ao poder da informaçao, cá estou eu, após 13 horas de viagem a partir do Aeroporto de Guarulhos (SP) e um bom banho quente, escrevendo do lobby do albergue (ou Hostal) Alcala, em pleno bairro boêmio La Mariscal, em uma fria noite quiteña.

Acabo de chegar de uma breve caminhada de reconhecimento e posso te assegurar que esta é a palavra exata, reconhecimento, já que este bairro é a máxima representaçao de que a globalizaçao "planificou" o mundo, tornando-o mais uniforme.

Com suas boates, seus cafés e restaurantes de comida tailandesa, marroquina, libanesa e tudo mais que você imaginar, Mariscal é como a Lagoa da Conceiçao, em Florianópolis, sem a lagoa. Ou como Paraty e Ilhabela, para ficar apenas nos destinos brasileiros.

A familiaridade, aliás, vai além. Na capa do El Comércio (US$ 0.35) de hoje, a manchete "La Humanidad celebró el Carnaval, pese a la crisis" explica o destaque dado a imagem de uma mulher em cima de um carro alegórico da...Grande Rio, do Rio de Janeiro. E nao bastasse isso, o jornal reporta para a ameaça local da Dengue.

Para encerrar e te provar que nao exagero ao dizer que me sinto em casa, veja os filmes em cartaz no Cinemark muito longe da sua casa: Operacao Valquiria, com Tom Cruise; Sim, Senhor, com Jim Carrey; O Curioso Caso de Benjamin Button, com Brad Pitt; a Pantera Cor de Rosa, com Steve Martin e Quem quer ser um Milionário, Oscar de melhor filme.

Agora, experimenta ver o que está passando aí próximo a sua casa.

Abraçao do seu brother,
Carlos Leite

sábado, fevereiro 14, 2009

Charlie Winston...


...cantor e compositor folk britânico, cujo disco parcialmente reproduzido aqui intitula-se HOBO (vagabundo; sem-lar). Irmão do também músico Tom Baxter, abriu shows de Peter Gabriel após este conhecer sua música. Por ora, é tudo que sei, mesmo após pesquisa ao google.

Portanto, clique play e conheça sua música antes que ele se torne "in" ou algo do tipo e as informações sobre ele sobrepujem as sobre seu trabalho.


Charlie Winston

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Contra a nudez gratuita

Em outubro de 2008, o ator Pedro Cardoso criticou, publicamente, o que classifica como "a banalização da nudez". Para ele, que faz questão de destacar que não é contrário à pornografia no âmbito "privado", o limite que separa a indústria do entretenimento do da pornografia é tênue e os profissionais de comunicação devem estar conscientes disso, evitando servir de ferramenta para diretores e roteiristas que, segundo ele, levam para o palco suas frustrações sexuais.
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Em novembro, Cardoso concedeu uma entrevista ao jornalista Roberto D´Ávila. Como não poderia deixar de ser, o jornalista abordou o tema ainda fresco na mídia, que não teve dificuldades para encontrar atores, atrizes e diretores de cinema, teatro e tv indignados com o Cardoso.
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Inflamado pela "chama sagrada da idéia", como classificou Dávila, surpreendido pela profundidade da discussão proposta por Cardoso, o ator acabou enveredando por algo que poderia ser saldado como uma crítica à divisão do trabalho. Uma pena estar faltando, no youtube, a parte em que Cardoso fala sobre a origem da polêmica, ou seja, porque decidiu falar abertamente contra a nudez e o sexo gratuito, principalmente na TV aberta.
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Para Cardoso, diante da recente prevalência de diretores, o ator tem perdido a real noção de suas responsabilidades. Na parte 3, Cardoso declara que o Brasil é o país do pequeno poder. "O cara que vai para o cargo de diretor e acha que aquilo é um poder...Não diga para um ator fazer isso ou aquilo. Pergunte a ele o que ele acha que o personagem deve fazer". Para ele, "um diretor não é uma peça importante. Eu acho que é uma função como outra qualquer e que o fundamental nessa arte (teatro) é o escritor e o ator".
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ONDE CARDOSO FALA ATOR/DIRETOR, LEIA-SE A PROFISSÃO DE PREFERÊNCIA, POIS O PENSAMENTO SE APLICA A TODOS.


terça-feira, fevereiro 03, 2009

Não Li e Não Gostei

Havia dois fóruns mundiais - o econômico, em Davos, na Suíça, e o social, na nossa tórrida Belém (PA) - acontecendo simultaneamente, em meio à crise econômica mundial que já consumiu milhares de empregos em todos o mundo.

Havia os últimos arranjos partidários para as eleições que definiriam os novos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.

Havia a polêmica em torno da concessão de asilo político, pelo governo brasileiro, ao ex-militante de esquerda, Cesare Battisti.


Isso para não falar da entrada em vigor do novo salário mínimo e da ampliação do número de beneficiários do Bolsa Família. Só que aí já seria pedir demais, afinal, por mais azedo que fosse o texto, leitores menos atentos poderiam concluir que o governo é bacana. Vai daí que, com tudo isso e muito mais, a ultra-direitista Veja achou por bem brindar seus leitores com um assunto da maior relevância: Por que eles nunca crescem?

Não, meu amigo, eles, no caso, não é uma referência às pequenas e médias empresas, tolhidas pelas dificuldades de obter financiamentos atraentes. Eles, como deixa claro a capa, são os jogadores brasileiros de futebol, “milionários de calção”, vítimas da “síndrome de Peter Pan”.

O mesmo leitor desatento que poderia concluir que o governo é bacana (o que, definitivamente, a Veja não endossa) chega à banca, vê a capa da revista semanal de maior vendagem no Brasil e conclui apressadamente, “Ah, esses malandros nunca crescem mesmo”. Pronto! De acusado, Robinho passa a ser culpado do crime de estupro.

Mas é isso aí. O País merece Veja, Big Brother, Luciana Gimenez, Zorra Total, Video Show, Caras.


sábado, janeiro 31, 2009




Enfim, doze meses após a animação iraniana Persépolis ter sido exibida nos cinemas brasileiros, a Euoropa Vídeo lança o filme em dvd. Indicado ao Oscar 2008 e vencedor de prêmios internacionais, o filme é dirigido por Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, cujo hq serviu de base para a produção desta animação.

Como diz a sinopse, "é a comovente história da própria Marjane, uma jovem que cresceu no Irã durante a Revolução Islâmica. Através de seus olhos precoces de nove anos, vemos as esperanças de um povo golpeado pela tomada do poder pelos fundamentalistas". Ainda jovem, ela deixa seu país e busca abrigo em Viena, mas, após algum tempo, decide retornar ao Irã, onde encontrará muitas mudanças.

domingo, janeiro 25, 2009

Arquitetura da Destruição

Vá lá que Oscar Niemeyer já ultrapassou um século de vida, massss... é de causar estupor o artigo publicado esta semana pelo jornal Correio Braziliense. Assinado pelo arquiteto, o texto é uma auto-defesa em que Niemeyer procura justificar seu polêmico projeto de construir, em plena Esplanada dos Ministérios, a monumental (e, com certeza, dispendiosa) Praça da Soberania. Entre outras coisas, Niemeyer acusa os críticos de, mesmo não entendendo nada de arquitetura, usar os jornais brasilienses para "aparecer", criticando a nova empreitada sem compreenderem sua importância.

Projetada para ser construída ao lado da Rodoviária do Plano Piloto e próximo ao recém-inaugurado Complexo Cultural da República, onde hoje há um imenso gramado emoldurado pelos edifícios ministeriais, a praça abrigaria o Memorial dos Presidentes da República (?!?) e um Monumento ao Cinquentenário de Brasília, a ser comemorado em 2010.

Para quem está acostumado a ouvir falar sobre "um dos maiores gênios do século" como "o último comunista", é algo estranho verificar a maneira com que Niemeyer e os sucessivos governos do Distrito Federal concordam sobre a necessidade de inaugurar novas e sempre grandiosas obras que "complementem o plano original" que é Brasília.

As obras do "último comunista" nunca se destinam a qualquer uma das cidades-satélites, onde se reúnem mais de 1 milhão de trabalhadores (de todas as classes sociais) que tornam Brasília real, e não apenas o cartão-postal que é o Plano Piloto.

Pelo tom de meu texto, dá para notar que sou dos que consideram desnecessária essa tal praça e seu chifre de concreto de "100 metros de altura". Prefiro o gramado onde, algum dia, ainda pretendo jogar uma bolinha com os amigos (nestes quatro anos de Brasília, nunca vi ninguém fazendo isso, mas imagino que não seja proibido). Só que, como não entendo lhufas de arquitetura e o centenário arquiteto dá a entender que eu, cidadão comum, não tenho direito a escolher entre grama e concreto armado (mesmo sendo um dos tantos que vai pagar), reproduzo abaixo o texto da também arquiteta e professora da Universidade de Brasília (UNB), Sylvia Ficher, publicado originalmente no site dedicado à arquitetura e urbanismo mínimo denominador comum.


Criador Versus Criatura - Sylvia Ficher

Coitada de Brasília, Oscar Niemeyer não gosta mais dela. Infelizmente, não dá mais para ignorar a realidade que aí está. Infelizmente, não dá para encontrar outra explicação para o estrago que o grande arquiteto federal vem fazendo, já há algum tempo, em sua principal obra, aquela que lhe rendeu suas mais altas honrarias, aquela que lhe garantiu uma posição ímpar no ranking dos arquitetos do século XX.

Tudo começou devagarzinho, primeiro a Praça dos Três Poderes sendo comida pelas bordas com o Panteão da Pátria, predinho sem graça e sem uso, verdadeira câmara escura que só serve para atravancar o espaço e impedir a vista… O Superior Tribunal de Justiça, a Procuradoria Geral da República e o Anexo do Supremo vieram na seqüência, bem mais pretensiosos e ainda mais fora de escala, com suas formas gratuitas e suas metragens gigantescas - afinal, quantos mais metros quadrados, melhor o honorário…

E assim, de projeto em projeto, cada vez mais intervindo na escala monumental da cidade, cada vez mais rompendo a graça e elegância da Esplanada dos Ministérios, chegou a vez do Complexo Cultural da República, com sua nanica biblioteca - nanica, talvez, por conta de um inconsciente desinteresse por edifícios úteis - e sua cúpula-museu - nem tão cúpula assim, menos ainda museu. De quebra, a bela Catedral Metropolitana perdeu sua ambientação urbana e, para piorar, foi estrangulada pela gravata de concreto que lhe dá uma rampa sem rumo ou razão.

Há coisa de dois anos, uma robótica pomba - isto mesmo, uma pomba! - seria o principal elemento da praça que, segundo o arquiteto, estava faltando no Plano Piloto: a Praça do Povo. Repetindo a ausência de paisagismo do vizinho complexo cultural, a cidade iria ganhar mais um árido calçadão, mais um inóspito vazio onde desde sempre havíamos convivido sem maiores problemas com um modesto gramado… E lembremos o que fora previsto para o local por seu legítimo idealizador: um espaço desimpedido destinado a atividades ocasionais, como paradas militares, desfiles esportivos ou procissões; nas próprias palavras Lucio Costa, "o extenso gramado destina-se ao pisoteio".

Ao que parece, Oscar Niemeyer se esqueceu da sua dileta pomba, aquela que, como afirmara veementemente à época, deveria ser a sua derradeira contribuição para Brasília e sem a qual o seu *opus* brasiliense estaria inconcluso. E parece que se esqueceu também do "povo"; agora, no mesmo local a praça será da "soberania". Lá deverá ser erigido um prédio imprescindível, seja para o povo, seja para a soberania: o Memorial dos Presidentes. E um Monumento ao Cinqüentenário de Brasília, a ser comemorado em 2010; para que ninguém deixe de entender a sua complexa simbologia, nada melhor do que um chifre de concreto, de cem metros altura, descrito como obra de grande ousadia tecnológica… Tanta construção apenas para encobrir um estacionamento subterrâneo… De quebra, na maquete eletrônica (incidentalmente, o novo tipo de empulhação arquitetônica que nos oferece o maravilhoso mundo da informática) é contrabandeado um antigo projeto vetado pelo IPHAN por desrespeitar em muito o gabarito estabelecido legalmente para o local - uma altíssima cobertura curva para abrigar shows de música popular, a qual implacavelmente lembra "as curvas do corpo da mulher amada", só que com redondinhos seios de silicone e já buchuda.

Coitada de Brasília. Afinal, apesar de tombada, há uma portaria do IPHAN que autoriza tudo isso: "Excepcionalmente, e como disposição naturalmente provisória, serão permitidas quando aprovadas pelas instâncias legalmente competentes, as propostas para novas edificações encaminhadas pelos autores de Brasília - arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer - como complementações necessárias ao Plano Piloto original". (Portaria nº 314, 8/10/1992, Art. 9º, § 3º ).

Tal qual o bordão de uma famosa personagem de programa humorístico, "Oscar Niemeyer pode!!*"

Coitada de Brasília. Para Oscar Niemeyer, ela está aí tão somente para manter ocupado o seu escritório sem risco de concorrência. Coitada de Brasília, cujo plano piloto foi escolhido transparentemente por concurso público, agora sujeita a decisões tomadas nos gabinetes de seus governantes.

Coitada de Brasília, fadada a ser conhecida daqui por diante não mais como
Patrimônio Cultural da Humanidade, porém como Capital Mundial dos Unicórnios.


sexta-feira, janeiro 23, 2009

2008 FOI UM ANO RUIM

O ano passado não foi bom. Pelo menos não musicalmente. Essa é a conclusão a que se chega considerando a lista das dez melhores músicas internacionais escolhida pela revista Rolling Stone de janeiro. No plano nacional, inclusive, a coisa não foi melhor. Basta ver a banda apresentada como a melhor do ano: NX Zero.

Se a intenção dos editores era causar polêmica, devem ter conseguido. Ou não. Afinal, não dá para levar a sério a escolha de Machine Gun como a 4ª melhor do ano. Principalmente porque a revista não apresenta seus critérios e não diz quem são os responsáveis por eleger o que houve de "melhor" em 2008.

Como não conhecia - ou não lembrava - a maioria das dez mais do ranking internacional, recorri ao imeem para poder acompanhar a avaliar o trabalho da revista. Eis aqui, em ordem decrescente para criar um suspense, o pior do melhor de 2008, as dez mais escolhidas pela Rolling Stone Brasil.

Ouça aqui as músicas



Rolling Stone Brasil Top

Em 11º lugar, Sex on Fire, do Kings of Leon
Da primeira vez que tocou no Brasil, em 2003, a banda, entao revelacao, foi apontada como a próxima “coisa” a acontecer no rock. Muitos continuam esperando. Embora a música até soe legal, parece com uma daquelas canções dos filmes da década de 1980, tipo Ruas de Fogo (Street of Fire)
http://www.interfilmes.com/filme_15428_Ruas.de.Fogo-(Street.of.Fire).html

10 – The Shock of Lightning, Oasis
Então o Oasis ainda existe? Pôxa, alguém precisa avisar a equipe do imeem ou copiar para o site o último disco da banda porque a música em questão não está disponível. Em virtude disso, as dez mais, na verdade, serão onze.

9 – Time To Pretend, MGMT
Ah, sei lá...A revista diz que o MGMT é a dupla mais cool de 2008 e que a música “transcendeu a barreira do hit instantâneo para virar hino de uma geração hedonista”.

8 – I Kissed a Girl, Katy Perry
Não conhecia, mas soa a música de produtor, saca? Daquelas que um executivo ou produtor musical escolhe uma garota bem-apessoada, contrata uns músicos capazes, escreve ele próprio umas letras para a garota cantar – de preferência, capazes de despertar falsa polêmica – e diz “Faz cara de sexy!”. Fake total, mas, em geral, essas músicas bombam nas pistas de dança.

7 – Pork & Beans, Weezer
Bom, com mais essa, a lista da revista já começa a fazer algum sentido. Simples, divertida e com uma letra engraçadinha. Para os fans, a banda já fez coisas muito melhores.

6 – Mercy, Duffy
Reconsideremos. Essa é, de longe, a melhor escolha até agora. A volta da soul music aos topos da parada e a prova de que as mulheres têm injetado swing e personalidade no pop atual.

5 – Never Miss A Beat, Kaiser Chiefs
Considerando as outras opções apresentadas até aqui, essa deveria ser a primeira da lista. O que não significa que seja nada de mais. Muito pelo contrário. A julgar por esse segundo cd da banda, o hype inicial em torno do Kaiser Chiefs talvez tenha sido injustificado.

4 – Machine Gun, Portishead
Misture o pior de Devo a Bjork e você tem...algo como essa chatice perpetuada pelo Portishead. Olha, se você já ouviu um minuto dessa faixa, pare agora pois não adianta esperar por algo que justifique a inclusão desta faixa entre as dez mais. Vai ser a mesma tortura até o final.

3 – Human, The Killers
““Close Your Eyes”???? Melodiazinha datada.

2 – Viva La Vida, Coldplay
“Ah, se eu, Chris Martin, fosse o Bono Vox”

E em primeirissimo lugar, Paper Planes, da indiana MIA
“Meu Deus! O que não é o relativismo cultural. Então essa foi a melhor música internacional de 2008? É tão chato ser moderno.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O MALA DO ANO

Embora a idéia não seja original, a iniciativa do jornalista Ricardo Kotscho de promover entre os leitores de seu blog (colunistas.ig.com.br/ricardokotscho) uma eleição para escolher os malas deste ano que se encerra é, no mínimo, divertida. Pena que a votação termina hoje (22).

Como, neste caso, o voto não é secreto, "darei publicidade" ao meu:

"Se, ontem (21), até o ombudsman da Folha de S.Paulo reclamou da presença excessiva do excelentíssimo ministro Gilmar Mendes no jornal, quem sou eu para não reconhecer-lhe o mérito de ter sido o “mala do ano”. E olha que, a meu ver, ele ganhou da Maísa, do SBT. Páreo duro…"

Até o momento, pesquisas de boca-de-urna indicam que Mendes tem forte chance senão de ganhar já no primeiro turno, levar a disputa para o segundo turno, superando assim fortes candidatos como Lula, Maísa, Galvão Bueno e Luana Piovani.

sábado, dezembro 20, 2008

Um tapinha global, ao vivo, não dói?

Eu queria ver se o repórter Márcio Canuto, da TV Globo, teria coragem de dar um tapa na cara, ou uma sapatada que fosse, no George W. Bush.



Imagino o seguinte diálogo entre Canuto e Bush:

_ (repórter) Eis aqui o fanático presidente norte-americano. Presidente, invadir o Iraque para defender os interesses imediatistas da indústria petrolífera ou manter o emprego na Casa Branca para um Republicano?

_ (Bush) Combater o terrorismo.

_ (repórter) E os custos? E os mortos de ambos os lados? Os prejuízos econômicos e ambientais?

_ (Bush) Foda-se

- TAPA NA RUBRA FACE PRESIDENCIAL -

_ (repórter) Que é isso, cowboy? Tenha calma, rapaz. Tenha calma. Você está impossível. Ficou entusiasmado demais - diz o repórter enquanto, agarrado ao texano, tenta lhe dar uns cascudos, no que é interrompido por ágeis mariners que o imobilizam com uma chave-de-braço.


Reconhecendo a dificuldade de alguém se aproximar do já ex-presidente norte-americano, eu ficaria satisfeito se Canuto empregasse essa sutil técnica da arte de interrogar, digo, de entrevistar - desenvolvida por agentes do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) - com Daniel Dantas, Paulo Maluf ou Darly Alves da Silva, este último condenado por ter encomendado a morte de Chico Mendes. Imagina a reação.

Só uma ressalva: O repórter semifosco soube por fontes seguras que, indiferente à ética jornalística, a mãe do rapaz esbofeteado aprovou o corretivo aplicado pelo repórter. Não bastasse abandonar o emprego e gastar toda a rescisão para ir de Fortaleza ao RJ assistir a um show, o garoto ainda renega a todo o esforço materno para lhe dar educação e fala um palavrão na tv, ao vivo. "Isso é coisa que se faça. O que os vizinhos vão pensar. Que a mãe não educou. Esse menino não se criou na rua, não".

TOM e JERRY

A BBC chancelou e o Estadão reproduziu:

Ratos são suspeitos em incêndio que matou 100 gatos

Fogo destruiu um abrigo para animais perto de Toronto, no Canadá.

"Ratos podem ser os culpados por um incêndio que matou quase 100 gatos em um abrigo para animais perto da cidade de Toronto, no Canadá.

O fogo também matou três cachorros e alguns ratos que esperavam adoção.

O relatório inicial sobre o incidente diz que ratos ou camundongos teriam roído a fiação elétrica do teto do prédio, o que teria causado o incêndio.

"É triste e irônico que ratos tenham provocado as chamas que mataram os gatos", disse o porta-voz do abrigo Sociedade Humanitária Ian McConachie.

"Infelizmente, os ratos também devem ter morrido no incêndio."

O fogo causou um prejuízo de US$ 250 mil (R$ 600 mil) e o incidente ainda está sendo investigado pelas autoridades canadenses.

Ao todo, apenas nove cachorros, dois gatos e um rato foram retirados com vida do prédio em chamas.

Eles foram mandados para outro abrigo, enquanto a sede da Sociedade Humanitária na cidade de Oshawa é reconstruída com a ajuda de voluntários. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC".

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Comentários (01)

Paladino Semifosco - A imprensa mundial tem a obrigação de acompanhar o desenrolar das investigações. Além da fumaça e do cheiro de churrasco, muitas dúvidas continuam pairando no ar.

Antes de mais nada, os investigadores devem evitar prejulgamentos, buscando identificar se os responsáveis pelo incêndio eram ratos ou camundongos, evitando assim que inocentes sejam criminalizados por algo que não cometeram. Um equívoco de tal natureza, além de lançar o descrédito sobre a Justiça, tende a reforçar velhos preconceitos contra minorias já bastante perseguidas.

Também resta saber se as autoridades canadenses pedirão o indiciamento dos responsáveis pelo incêndio que vitimou tantos pobres animais, entre eles alguns ratos órfãos já bastante maltratados pela má sorte e que morreram antes de verem realizado o sonho de encontrar uma família para chamar de sua.

Por fim, cabe a dúvida se os responsáveis por tocar fogo na palhoça serão indiciados. E, se forem, se responderão a crime culposo (sem intenção de ferir ou matar) ou doloso (intencional). Foi um crime premeditado, um múltiplo assassinato que deu errado, ou uma tentativa de suicídio que fugiu ao controle?

Qualquer que seja o caso, prevejo que a defesa deverá sustentar que seus clientes são inimputáveis por o crime ter sido motivado pela fome.



quarta-feira, novembro 19, 2008

Mídia e Operações Policiais: quem não está confuso não entendeu nada

O que fala às câmeras criou as revistas Veja (terá algum arrependimento?), IstoÉ, Quatro Rodas e os jornais da Tarde e da República. Atualmente, é diretor de redação de CartaCapital. Em suma, o jornalista Mino Carta não fez pouco pelo jornalismo tupiniquim, mas deve escapar à “honra” de ser biografado por Pedro Bial que, por razões óbvias, prefere Roberto Marinho.

Já o autor do artigo abaixo, Ricardo Kotscho, trabalhou nos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil, entre outros, ao longo de mais de 40 anos de profissão. Ligado ao PT, ou, na verdade, a Lula, a quem conheceu ao cobrir o movimento sindical e as greves metalúrgicas durante a década de 1970, assumiu a Secretaria de Imprensa e Divulgação da Presidência da República durante o primeiro governo do ex-metalúrgico. Deixou o cargo ainda durante a primeira gestão, antes que irrompe-se, em 2005, a chamada “Crise do Mensalão”.

No que pese o que alguns podem classificar como “falta de isenção” e outros como “consciência de classe”, não dá para não prestar atenção quando esses dois analisam o papel desempenhado pela mídia brasileira e os efeitos desse comportamento sobre a sociedade.

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O preço da propina: R$ 18 milhões para juízes, políticos e jornalistas

Hoje (18), os jornais publicam o preço da propina paga à suposta rede de corrupção que protegia o banqueiro Daniel Dantas nas atividades criminosas de que é acusado: R$ 18 milhões

Ricardo Kotscho - http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/balaio-do-kotscho/noticias/235/


Sem muito alarde, depois de semanas dedicando os espaços nobres do noticiário à discussão sobre os métodos adotados pelos investigadores, hoje (18) os jornais publicam o preço da propina paga à suposta rede de corrupção que protegia o banqueiro Daniel Dantas nas atividades criminosas de que é acusado: R$ 18 milhões.

Pelos bilhões envolvidos nestas atividades, sei que esta quantia é troco de táxi, mas pode explicar muita coisa estranha na cobertura do caso. Quem fez esta constatação não fui eu, mas o bravo colega Luciano Mendes Costa, em seu comentário no programa de rádio do Observatório da Imprensa.

A revelação da quantia investida para conquistar os corações e as mentes de juízes, políticos e jornalistas, publicada pelo jornal "O Globo", foi feita pelo delegado Carlos Eduardo Pelegrini Magro, um dos responsáveis pelo inquérito que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, durante reunião de três horas com a cúpula da Polícia Federal, no dia 14 de julho.


Mino Carta e a "mídia nativa" (I)



Para o delegado Magro, que diz ter apreendido na operação bilhetes e informações digitalizadas num laptop, detalhando o esquema de propina, as críticas à investigação são "uma reação do crime organizado". Sobre os jornalistas, segundo ele, consta no organograma: "A gente contrata o Mangabeira [Unger, atual ministro de Assuntos Estratégicos] para chegar aos meios de comunicação".

Na mesma linha, Amaury Portugal, presidente do sindicato dos delegados da PF paulista, disse durante a abertura do congresso nacional da categoria, em São Paulo, que o crime organizado se infiltrou em todos os poderes.

"A Polícia Federal é um dos alvos disso. Nós, que conhecemos a instituição, sabemos que o que está colocado na imprensa não procede", afirmou Portugal à "Folha", a respeito das suspeitas de que houve grampo ilegal contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Mino Carta e a "mídia nativa" (II)



A reação dos delegados da Polícia Federal se deu na mesma segunda-feira em que os advogados de Dantas sofriam três derrotas na Justiça: o juiz De Sanctis foi mantido no caso pelo TRF e, além disso, foram negados dois habeas corpus que pretendiam anular a ação penal e os inquéritos policiais.

Parece que os advogados do banqueiro tentam controlar todo o processo, vetando juízes, anulando inquéritos, escolhendo políticos mais simpáticos à causa ou até indicando quais jornalistas devem ou não fazer a cobertura do caso. Podem até não conseguir, mas estão no papel deles de tentar. Resta saber como cada um cumprirá seu papel nesta história.

Mino Carta e a "malta infecta"




* (Para quem ver exagero nas afirmações acima, sugiro uma análise crítica das últimas edições de Veja e a leitura atenta da matéria "Opportunity diz que crise global prejudica mais que a Satiagraha" (acesse-a clicando aqui). Leia e depois me responda: quem são os generosos concorrentes do banco de Daniel Dantas que disseram ao repórter da Folha que a redução do valor do patrimônio líquido do Opportunity em consequência da operação policial e da crise financeira "não pode ser considerada inteiramente negativa"? Os mesmos "inimigos colecionados ao longo de 14 anos" a quem "avalistas internos" (??) do banco acusam de "contribuir financeiramente para a operação Satiagraha? Contraditórios eles, não?)

sábado, novembro 15, 2008

Sábado, 15 de Novembro de 2008

Após duas merecidas semanas de férias, volto a atualizar o playlist com as músicas que me ajudam a tornar a rotina menos semi-fosca. E depois de três relações (veja posts anteriores) com o que curto entre os "estrangeiros", nada mais justo que celebrar esse feriado apenas com canções nacionais.

Abaixo, música brasileira para dançar.

Musica Para Dancar Brasileira

quarta-feira, novembro 05, 2008

A Família Schürmann do Surf

Em outubro, a revista Fluir, publicação especializada em surf, completou 25 anos remando em meio aos tubarões e águas-viva do mercado editorial brasileiro.

Para comemorar o feito de uma turma de amigos “que sonhava em criar uma revista de surf” em uma época em que o esporte ainda não se profissionalizara, os repórteres perguntaram a 25 das pessoas mais influentes do setor quais são os seus sonhos enquanto surfistas.

As respostas variaram desde ser campeão mundial e viver profissionalmente do surf até surfar ondas perfeitas em praias com fundo de coral artificial ou piscinas com ondas. Uma boa parte, no entanto, não fugiu ao óbvio: poder correr o mundo atrás das melhores ondas com apenas alguns poucos amigos.

Contemplando (ou alimentado) tal fantasia, a revista trouxe como brinde o mais recente vídeo (Nalu) do freesurfer e big-rider Everaldo Pato.

Freesurfer é o sujeito talentoso e sortudo que, mesmo patrocinado, não tem que disputar campeonatos, bastando-lhe viajar (com parte das despesas pagas), pegar as melhores e mais vistosas ondas e possibilitar que a logomarca do patrocinador apareça bem em fotos e vídeos. Já big-rider é o cabra “hómi”, muito “hómi”, capaz de se atirar em ondas de cinco, seis metros, e que, em condições especiais, podem atingir o dobro disso.




No vídeo, ficam evidentes as razões porque o catarinense Pato é dos mais destacados big-riders do país. Talento e fissura, muita fissura para surfar em ondas de todos os tamanhos e tipo de formação e temperatura. Mas o interessante mesmo é a forma como o vídeo se relaciona com o tema central da edição de aniversário da Fluir, os tais dos sonhos.

Narrado a partir do ficcional ponto de vista da filha de Pato com sua esposa Fabiana Nigol - a pequena Nalu, do título, foi concebida durante as andanças do casal pelo globo -, o vídeo demonstra uma originalidade que transcende os habituais vídeos de surf.

Da mesma forma que Fábio Fabuloso (uma cinebiografia do paraibano Fábio Gouveia), Nalu atende às expectativas de surfistas que esperam ver Pato em ação, dropando as maiores ondas do planeta, mas também envolve quem não distingue Teahupoo de Paúba.

Para estes, o foco é deslocado para a história de um rapaz carismático e simples que, tendo um sonho, abriu mão de estabilidade, conforto e segurança para concretizá-lo. Do surfista que, fugindo aos estereótipos, casou-se e passou a viajar acompanhado pela esposa. Da garota que, insatisfeita com a rotina das grandes cidades, decidiu se aventurar e seguir ao lado do homem que ama e com quem teve sua filha, que já começa a viajar junto com os pais e seus amigos “malucos”.

Satisfeitos também devem ter ficado os patrocinadores de Pato, felizes de ver suas marcas associadas à idéia de que não há satisfação maior que a realização de um sonho.

domingo, novembro 02, 2008

Atores de Macapá lutam para atrair público e fazer teatro de qualidade

Macapá - Distantes das Regiões Sul e Sudeste, onde se concentram a maior parte da produção teatral brasileira e os principais agentes incentivadores das artes, atores macapaenses lutam contra as adversidades para fazer teatro de qualidade na “Capital do Meio do Mundo”. Embora o número de jovens interessados em teatro cresça ano a ano, Macapá ainda não conta com um único curso de graduação em artes cênicas. A falta de espaços para ensaiar e se apresentar é outro dos problemas enfrentados pelos interessados em montar um espetáculo.

Além disso, se quiserem assistir a qualquer peça de algum importante grupo teatral, os macapaenses têm que viajar para outros estados. “Nunca tivemos a oportunidade de assistir a um José Celso Martinez Corrêa, a um Antunes Filho ou a um Gerald Thomas. O que vêm são os grupos globais, um teatro de riso fácil e que tem platéia certa. Poucos grupos de teatro contemporâneo vêm a Macapá”, reclama o ator Paulo Alfaia, dizendo que a exceção são as companhias e atores que viajam o país como atração do Palco Giratório, um projeto do Serviço Social do Comércio (Sesc).

Atualmente, os mais de 300 mil moradores da capital dispõem de apenas dois espaços cênicos. Um é o Teatro das Bacabeiras. Além dos 705 lugares na platéia, o teatro conta com salas secundárias projetadas para abrigar oficinas e os ensaios de espetáculos. Boa parte dos eventos oficiais realizados em Macapá ocorre no Bacabeiras, que também é disputado por empresas interessadas em promover eventos.

O outro local destinado às encenações teatrais é o chamado Teatro Porão do Sesc Araxá. “Isso aqui era um depósito de lixo e nós decidimos transformá-lo num teatro de arena improvisado”, explica Alfaia. Além de atuar, ele dirige a única peça teatral (Bent, escrito pelo dramaturgo norte-americano Martin Sherman, retrata à perseguição nazista aos homossexuais na Alemanha da década de 1930) em cartaz durante a semana em que a reportagem da Agência Brasil passou na cidade.

Envolvido com teatro há mais de 20 anos, Alfaia diz que há poucos exemplos de atores que vivem exclusivamente das artes cênicas na cidade. Segundo ele, é muito difícil atrair o público, ainda pouco acostumado com o teatro. “É muito difícil viver de arte em Macapá. Todo o elenco tem outras atividades e a única instituição que nos dá apoio é o Sesc [Serviço Social do Comércio]. Buscamos apoio de políticos, de universidades, mas acabamos tendo que tirar dinheiro de nosso próprio bolso para produzir o trabalho da forma que queremos”, queixa-se.

Diretora-adjunta do Centro de Educação Profissional de Artes Visuais Cândido Portinari, unidade de ensino mantida pelo governo estadual e única a oferecer um curso gratuito para os interessados em se iniciar no teatro, Rosana Olívia Souza aponta duas razões principais para as dificuldades do teatro macapaense.

“Falta apoio dos empresários. Eles poderiam investir e apoiar o que é feito na cidade”, diz Rosana. “Além disso, as pessoas aqui não estão habituadas a valorizar nossos artistas, a pagar para assistir a um espetáculo teatral local. Temos peças de qualidade, mas nem mesmo as de maior sucesso local conseguem sobreviver apenas da bilheteria”, assinala a diretora.

Segundo Rosana, entre crianças, jovens e adultos, a Cândido Portinari atende cerca de 40 estudantes de teatro. O centro profissionalizante também mantém cursos de artesanato e de artes plásticas. Esse último, informa Rosana, também beneficia as artes cênicas, já que capacita profissionais que poderão trabalhar com a confecção de cenários e figurinos. “Precisamos que as pessoas vejam nas artes não apenas uma forma de entretenimento, mas também uma profissão”.

Para Alfaia, no entanto, atrair o público macapaense exige peças bem feitas e diversificadas, o que exige investimentos públicos e privados nos grupos e atores. “Temos que nos preocupar com a formação de platéia. Não dá para dizer que o macapaense não tem o hábito de ir ao teatro, porque ele só passará a frequentar um se houver uma produção cultural local. Para isso, precisamos de incentivo”, defende o ator, que diz já ter encenado peças para apenas duas pessoas, mas reconhece o esforço da Secretaria Estadual de Cultura.

“Mesmo assim, acho que é mais difícil fazer teatro em Macapá que no restante do país. Nas Regiões Sul e Sudeste, as instituições dão mais apoio às artes. Não apenas as instituições governamentais, mas também os empresários, por meio da Lei Rouanet. Aqui esse apoio não chega. Que eu saiba não há qualquer grupo beneficiado com a Rouanet”, diz Alfaia, que foi um dos ganhadores do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, com um espetáculo de outro grupo. A peça, segundo ele, ironizava o consumismo exacerbado.

sábado, novembro 01, 2008

Um "Segredinho" Escondido no "Meio do Mundo"

“Não vendemos nada além de sorvetes”, alerta Winter Júnior, como quem não soubesse que sua sorveteria, a Jesus de Nazaré, além de muito freqüentada pelos macapaenses, já se tornou ponto turístico obrigatório para quem visita a capital do Amapá.

Há 37 anos a família de Júnior vive dos sorvetes feitos com frutas e matéria-prima obtidas na própria região. Araçá, taperebá, tapioca, cupuaçu, bacuri, murici, capim santo, gengibre e jaca são alguns dos mais de 40 sabores à disposição da clientela que inclui deputados federais pelo Amapá e tripulantes de companhias aéreas. Gente que sempre dá um jeitinho de levar um isopor de sorvete para Brasília ou para suas casas.

O campeão de vendas, diz Júnior, é o chamado Marabaixo, feito com castanha do Pará, doce de cupuaçu, coco, e um “segredinho” que os proprietários não contam a mais ninguém. E olha que, de acordo com Júnior, não lhes falta generosidade para ensinar sua arte. Até mesmo em Brasília já existe uma sorveteria muito famosa cujo dono aprendeu as noções básicas do ofício na “capital do meio do mundo”.

Segundo Júnior, ainda que alguns membros da família tenham decidido diversificar os negócios abrindo estabelecimentos de outros tipos, a Jesus de Nazaré segue funcionando como quando seu pai a inaugurou. “Não servimos qualquer tipo de cobertura porque achamos que isso seria um crime. O que queremos é tirar a essência da fruta. Meu objetivo é que, quando você experimentar nosso sorvete, sinta estar comendo a fruta gelada”.

Os sorvetes não levam conservantes e são feitos em uma quantidade suficiente apenas para o dia em que são feitos. Portanto, quem chegar tarde corre o risco de não conseguir experimentar o Marabaixo. Cada bola – seja no copo, seja na casquinha – custa R$ 4.

Sorveteria Jesus de Nazaré - Rua Leopoldo Machado, 737

sexta-feira, outubro 31, 2008

Teatro Macapaense

foto: divulgação
Hoje (31) é o último dia para quem estiver por Macapá conferir que na "capital do meio do mundo" também se faz teatro de qualidade. O grupo Os Desclassificáveis encerra a temporada do espetáculo Bent, no Sesc Araxá, às 20 h. Ingressos a R$ 5.

Escrita em 1979 pelo dramaturgo norte-americano Martin Sherman, a história trata da perseguição nazista aos homossexuais à partir da segunda metade da década de 1930.

quinta-feira, outubro 30, 2008

UM LUGAR BONITO


As placas de sinalização indicam que, oficialmente, a edificação construída no século XVIII se chama Fortaleza de São José. No entanto, desde a reforma que consagrou o local às margens do Rio Amazonas como motivo de orgulho dos macapaenses, todo o entorno da fortaleza passou a ser chamado popularmente como “Lugar Bonito”.
O Parque do Forte, realmente, está muito bem cuidado. A fortaleza em si também está em bom estado de conservação, sendo um dos principais atrativos turísticos da capital amapaense.

Além disso, a brisa e a umidade fluvial são motivos a mais para que macapaenses de todas as idades e classes sociais que buscam refúgio contra o calor “do meio do mundo” (Macapá é cortada pela linha do Equador) se espalhem por bancos e pelos jardins que cercam a fortaleza.

terça-feira, outubro 28, 2008

Naked Lunch Amazônico

Não, não é. Se você, como eu quando me deparei com esse bicho em uma das ruas de Macapá, estiver pensando que isso é um besouro, quero dizer-lhe que não, não é um besouro.

Eu não usei qualquer alucinógeno durante minha estadia em Macapá (AP). Nem mesmo a famosa gengibirra eu experimentei. Talvez por isso essa coisa não tenha chegado a conversar comigo. Mesmo assim, a partir do depoimento de macapaenses que viram essas fotos, posso lhe assegurar que isso é uma barata. Uma barata d´água. E as fotos falam por sí: uma barata d´água maior do que uma caneta. Alguém me disse que "ah, mas essa deve ser filhote". Outra pessoa me disse que ela voa. E uma terceira que sua "picada" provoca febre. A partir daí, passei a dormir com as janelas fechadas.

Ainda bem que a idéia de que há cobras rastejando pelas ruas das cidades da Amazônia não passam de "folclore", fruto da ignorância. Basta que haja baratas desse porte capazes de voar.
(Não entendeu o título deste post? Não sabe o que é Naked Lunch? Clique aqui. Aqui ó! )

segunda-feira, outubro 27, 2008

SANTOS?

Não. Macapá.


Porque, diferentemente da cidade paulista onde todos os canais "correm para o mar", na capital amapaense essa água suja e fétida vai poluir o Rio Amazonas.

sexta-feira, outubro 17, 2008

O que Obama diz ouvir e o que os eleitores tiveram que escutar

Só o tempo dirá se Barack Obama será, se eleito, capaz de minimizar os efeitos da atual crise mundial para a economia norte-americana e, ao mesmo tempo, aplacar a antipatia que os Estados Unidos alimentaram junto a boa parte da comunidade internacional durante os últimos oito anos.

Em relação ao Brasil e a América Latina, especialistas afirmam que o democrata tende a ser tão protecionista quanto qualquer outro presidente norte-americano foi ou será. Entretanto, uma coisa é fato: Obama é pop.

Filho de um imigrante queniano e mulçumano, o candidato nasceu no Havaí, viveu alguns anos de sua infância na Indonésia e, de volta aos EUA, estudou na prestigiada Harvard. Durante a campanha presidencial, no entanto, alegou não ser mulçumano e evitou ressaltar o fato de poder se tornar o primeiro negro da História a governar a maior potência mundial. Além disso, também não costuma falar sobre a controversa questão da anexação, em 1898, do arquipélago havaiano pelos EUA.

Com seu histórico, Obama parece ter reacendido em boa parte do eleitorado as esperanças sobre a terra “das Oportunidades” ou “Promissora” . Sua campanha foi exitosa ao associá-lo à mudança com que sonha parcela dos norte-americanos e do resto do mundo após oito anos de gestão Bush Jr.

Somados todos esses fatores e considerada a estratégia de sua campanha, Obama atraiu o apoio de músicos, atores e artistas em geral. Além de reforçar sua imagem de sujeito “cool”, as celebridades com certeza lhe trarão votos preciosos.

O cd lançado por seu comitê para arrecadar fundos para sua campanha contou com nomes de peso da música e virou um sucesso na internet. Músicos do peso de Sheryl Crow, Lionel Richie, Adam Levine (do Maroon 5), Stevie Wonder, John Mayer, Jill Scott e outros cederam suas canções para que Obama recolhesse alguns dólares com a venda de Yes, We Can: Voices of a Grassroots Movement.


Obamas Music

Eu, no entanto, acho que o cd não está à altura das músicas de que Obama diz gostar durante entrevistas sobre o assunto. Portanto, tomando por base as entrevistas que o candidato concedeu às revistas Rolling Stone e Blender, preparei um playlist com “as canções do Obama”. Somei às músicas citadas pelo democrata algumas que foram gravadas por artistas entusiasmados com sua candidatura.

À Blender, Obama apresentou a seguinte relação musical: Ready or Not (Fugees); What´s Going On (Marvin Gaye); I´m On Fire (Bruce Spingsteen); Gimme Shelter (Rolling Stones); Sinnerman (Nina Simone); Touch the Sky (Kanye West); You´d Be So Easy to Love (Frank Sinatra); Think (Aretha Franklin); City of Blinding Lights (U2) e Yes We Can (Will.i.am, do Black Eyed Peas).

À Rolling Stone, Obama destacou o quanto gosta de Bob Dylan e de Bruce Springsteen. Também disse gostar de jazz. Em outras entrevistas, ele citou a obra de Louis Armstrong. Como não mencionou uma música em particular, escolhi uma de que gosto muito e que, se fosse o coordenador da campanha, diria ser oportuna: We Have All The Time in the World. Quer uma mensagem mais esperançosa que essa para vender para o eleitorado.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Toca o play!

Demorei a atualizar a parada de sucessos semi-foscos, mas eis, ao lado, minha segunda tentativa de bancar o dj.

De Stevie Wonder à Amy Winehouse, procurei unidade em The Jacksons Five, Outkast, Macy Gray, George Clinton e dois rappers da chamada "old school": o forte apelo dançante da música black.

E, ao final, ainda há um link para minha primeira experiência com o imeem (#01). Só rock.

Semana que vem, na sexta (17), tem o #03: Obama´s Music. E o atual playlist é transferido para aqui abaixo.



)

sexta-feira, outubro 03, 2008

Impressões de um semi-fosco numa cidade classe média

O bar do Hotel Acácia não funciona. Há tempos que nenhum hóspede pedia um vinho por aqui. Daí o gerente ter se esquecido de mandar os funcionários atualizarem os preços.

Treze reais por uma garrafa de tinto de La Rioja, Argentina, foi a melhor coisa que encontramos em São Caetano do Sul (SP) - minto, há também uma boa pista de skate em frente ao terminal de ônibus, no Centro -, cidade com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e apenas 15 quilômetros quadrados. De resto, nada digno de nota.

Compreensível. Quem viaja para a “melhor cidade do país” e se põe a procurar cortiços não deve mesmo esperar o sono dos justos. Como punição, coube-me carregar o insustentável peso de um notebook que não tem dúvidas e que se nega a me revelar onde se esconde a interrogação. O celular que trouxe comigo só faz chamadas de emergência. Para o caso de eu precisar acionar a polícia ou o SAMU sulsaocaetanense. E meu cartão do banco também não funciona. Ou seja, viajei mil quilômetros para exercitar o desapego.

Leio que os “eleitores de São Caetano do Sul não se iludem com ações populistas”. Bom isso, né. Assim eu fico mais tranqüilo. Porque embora a prefeitura tenha reconhecido que a cidade tem sim cortiços, ninguém soube me apontar um. Agora, a cidade tem eleitor classe média. Ah, isso tem. Do tipo que toma vinho a R$ 13. O que eles sabem da vida eu ainda não descobri.