sexta-feira, outubro 31, 2008

Teatro Macapaense

foto: divulgação
Hoje (31) é o último dia para quem estiver por Macapá conferir que na "capital do meio do mundo" também se faz teatro de qualidade. O grupo Os Desclassificáveis encerra a temporada do espetáculo Bent, no Sesc Araxá, às 20 h. Ingressos a R$ 5.

Escrita em 1979 pelo dramaturgo norte-americano Martin Sherman, a história trata da perseguição nazista aos homossexuais à partir da segunda metade da década de 1930.

quinta-feira, outubro 30, 2008

UM LUGAR BONITO


As placas de sinalização indicam que, oficialmente, a edificação construída no século XVIII se chama Fortaleza de São José. No entanto, desde a reforma que consagrou o local às margens do Rio Amazonas como motivo de orgulho dos macapaenses, todo o entorno da fortaleza passou a ser chamado popularmente como “Lugar Bonito”.
O Parque do Forte, realmente, está muito bem cuidado. A fortaleza em si também está em bom estado de conservação, sendo um dos principais atrativos turísticos da capital amapaense.

Além disso, a brisa e a umidade fluvial são motivos a mais para que macapaenses de todas as idades e classes sociais que buscam refúgio contra o calor “do meio do mundo” (Macapá é cortada pela linha do Equador) se espalhem por bancos e pelos jardins que cercam a fortaleza.

terça-feira, outubro 28, 2008

Naked Lunch Amazônico

Não, não é. Se você, como eu quando me deparei com esse bicho em uma das ruas de Macapá, estiver pensando que isso é um besouro, quero dizer-lhe que não, não é um besouro.

Eu não usei qualquer alucinógeno durante minha estadia em Macapá (AP). Nem mesmo a famosa gengibirra eu experimentei. Talvez por isso essa coisa não tenha chegado a conversar comigo. Mesmo assim, a partir do depoimento de macapaenses que viram essas fotos, posso lhe assegurar que isso é uma barata. Uma barata d´água. E as fotos falam por sí: uma barata d´água maior do que uma caneta. Alguém me disse que "ah, mas essa deve ser filhote". Outra pessoa me disse que ela voa. E uma terceira que sua "picada" provoca febre. A partir daí, passei a dormir com as janelas fechadas.

Ainda bem que a idéia de que há cobras rastejando pelas ruas das cidades da Amazônia não passam de "folclore", fruto da ignorância. Basta que haja baratas desse porte capazes de voar.
(Não entendeu o título deste post? Não sabe o que é Naked Lunch? Clique aqui. Aqui ó! )

segunda-feira, outubro 27, 2008

SANTOS?

Não. Macapá.


Porque, diferentemente da cidade paulista onde todos os canais "correm para o mar", na capital amapaense essa água suja e fétida vai poluir o Rio Amazonas.

sexta-feira, outubro 17, 2008

O que Obama diz ouvir e o que os eleitores tiveram que escutar

Só o tempo dirá se Barack Obama será, se eleito, capaz de minimizar os efeitos da atual crise mundial para a economia norte-americana e, ao mesmo tempo, aplacar a antipatia que os Estados Unidos alimentaram junto a boa parte da comunidade internacional durante os últimos oito anos.

Em relação ao Brasil e a América Latina, especialistas afirmam que o democrata tende a ser tão protecionista quanto qualquer outro presidente norte-americano foi ou será. Entretanto, uma coisa é fato: Obama é pop.

Filho de um imigrante queniano e mulçumano, o candidato nasceu no Havaí, viveu alguns anos de sua infância na Indonésia e, de volta aos EUA, estudou na prestigiada Harvard. Durante a campanha presidencial, no entanto, alegou não ser mulçumano e evitou ressaltar o fato de poder se tornar o primeiro negro da História a governar a maior potência mundial. Além disso, também não costuma falar sobre a controversa questão da anexação, em 1898, do arquipélago havaiano pelos EUA.

Com seu histórico, Obama parece ter reacendido em boa parte do eleitorado as esperanças sobre a terra “das Oportunidades” ou “Promissora” . Sua campanha foi exitosa ao associá-lo à mudança com que sonha parcela dos norte-americanos e do resto do mundo após oito anos de gestão Bush Jr.

Somados todos esses fatores e considerada a estratégia de sua campanha, Obama atraiu o apoio de músicos, atores e artistas em geral. Além de reforçar sua imagem de sujeito “cool”, as celebridades com certeza lhe trarão votos preciosos.

O cd lançado por seu comitê para arrecadar fundos para sua campanha contou com nomes de peso da música e virou um sucesso na internet. Músicos do peso de Sheryl Crow, Lionel Richie, Adam Levine (do Maroon 5), Stevie Wonder, John Mayer, Jill Scott e outros cederam suas canções para que Obama recolhesse alguns dólares com a venda de Yes, We Can: Voices of a Grassroots Movement.


Obamas Music

Eu, no entanto, acho que o cd não está à altura das músicas de que Obama diz gostar durante entrevistas sobre o assunto. Portanto, tomando por base as entrevistas que o candidato concedeu às revistas Rolling Stone e Blender, preparei um playlist com “as canções do Obama”. Somei às músicas citadas pelo democrata algumas que foram gravadas por artistas entusiasmados com sua candidatura.

À Blender, Obama apresentou a seguinte relação musical: Ready or Not (Fugees); What´s Going On (Marvin Gaye); I´m On Fire (Bruce Spingsteen); Gimme Shelter (Rolling Stones); Sinnerman (Nina Simone); Touch the Sky (Kanye West); You´d Be So Easy to Love (Frank Sinatra); Think (Aretha Franklin); City of Blinding Lights (U2) e Yes We Can (Will.i.am, do Black Eyed Peas).

À Rolling Stone, Obama destacou o quanto gosta de Bob Dylan e de Bruce Springsteen. Também disse gostar de jazz. Em outras entrevistas, ele citou a obra de Louis Armstrong. Como não mencionou uma música em particular, escolhi uma de que gosto muito e que, se fosse o coordenador da campanha, diria ser oportuna: We Have All The Time in the World. Quer uma mensagem mais esperançosa que essa para vender para o eleitorado.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Toca o play!

Demorei a atualizar a parada de sucessos semi-foscos, mas eis, ao lado, minha segunda tentativa de bancar o dj.

De Stevie Wonder à Amy Winehouse, procurei unidade em The Jacksons Five, Outkast, Macy Gray, George Clinton e dois rappers da chamada "old school": o forte apelo dançante da música black.

E, ao final, ainda há um link para minha primeira experiência com o imeem (#01). Só rock.

Semana que vem, na sexta (17), tem o #03: Obama´s Music. E o atual playlist é transferido para aqui abaixo.



)

sexta-feira, outubro 03, 2008

Impressões de um semi-fosco numa cidade classe média

O bar do Hotel Acácia não funciona. Há tempos que nenhum hóspede pedia um vinho por aqui. Daí o gerente ter se esquecido de mandar os funcionários atualizarem os preços.

Treze reais por uma garrafa de tinto de La Rioja, Argentina, foi a melhor coisa que encontramos em São Caetano do Sul (SP) - minto, há também uma boa pista de skate em frente ao terminal de ônibus, no Centro -, cidade com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e apenas 15 quilômetros quadrados. De resto, nada digno de nota.

Compreensível. Quem viaja para a “melhor cidade do país” e se põe a procurar cortiços não deve mesmo esperar o sono dos justos. Como punição, coube-me carregar o insustentável peso de um notebook que não tem dúvidas e que se nega a me revelar onde se esconde a interrogação. O celular que trouxe comigo só faz chamadas de emergência. Para o caso de eu precisar acionar a polícia ou o SAMU sulsaocaetanense. E meu cartão do banco também não funciona. Ou seja, viajei mil quilômetros para exercitar o desapego.

Leio que os “eleitores de São Caetano do Sul não se iludem com ações populistas”. Bom isso, né. Assim eu fico mais tranqüilo. Porque embora a prefeitura tenha reconhecido que a cidade tem sim cortiços, ninguém soube me apontar um. Agora, a cidade tem eleitor classe média. Ah, isso tem. Do tipo que toma vinho a R$ 13. O que eles sabem da vida eu ainda não descobri.

segunda-feira, setembro 29, 2008

A Cauda Longa**


Viva a tecnologia! Graças às novas ferramentas tecnológicas que, como o imeen (http://www.imeem.com) ampliam as possibilidades de produção e de compartilhamento de conteúdo, o escriba resiliente agora é, também, um dj semi-fosco. Toda as semanas, de preferência às segundas-feiras, vou procurar listar aí ao lado dez das músicas que tenha ouvido e gostado durante a semana. Se quiser, você ouvirá mais de meia-hora de música sem intervalos comerciais. Se não quiser ou não gostar da "programação", você pode ir a internet e montar sua própria parada de sucessos. De graça.

Nesta primeira experiência, baixei algumas músicas apenas para ver se a ferramenta iria funcionar bem no meu blog. Deu certo.








(** O livro A Cauda Longa (Ed. Campus, 229 pág) foi publicado nos EUA em julho de 2006 e é o resultado de um detalhado estudo desenvolvido por Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, que analisa as alterações no comportamento dos consumidores e do próprio mercado a partir da convergência digital e da Internet. Trata-se da teorização de um fenômeno já existente e em virtuosa ascensão na indústria do entrenimento, que tem gerado um movimento migratório da cultura de hits para a cultura de nichos, a partir de um novo modelo de distribuição de conteúdo e oferta de produtos.

Antes da Internet, a oferta de produtos era feita única e exclusivamente através de meios físicos: um produto físico, distribuído através de um modelo de distribuição físico, exposto em lojas físicas, que atendiam os consumidores de determinada região. Nesse modelo, os custos de armazenagem, distribuição e exposição dos produtos são muito altos, o que torna economicamente viável apenas a oferta de produtos populares, para o consumo de massa. E é justamente por isso que crescemos acostumados a consumir um número reduzido de mega-sucessos; pop stars, block busters etc. Um varejista tradicional, que tem custos fixos altíssimos para manter sua loja aberta, não tem espaço nas prateleiras para ofertar um produto que não venda pelo menos algumas dezenas de exemplares todo mês. Essa é a cultura de hit.

Com o surgimento do mundo virtual, estamos cada vez mais transformando em bits o que antes era matéria. E é justamente o rompimento das barreiras físicas que torna possível a criação de modelos de negócios de Cauda Longa, em que a oferta de produtos é praticamente ilimitada, uma vez que os custos de armazenagem e distribuição digitais são infinitamente inferiores. Produtos economicamente inviáveis no modelo de hit encontram no meio digital seus consumidores. Por sua vez, os consumidores que antes tinham acesso a um número reduzido de conteúdos, passaram a ter uma variedade quase que infinita de novas opções. E passaram a experimentar mais, consumir produtos que até então desconheciam. É essa variedade e essa nova experimentação que proporcionam as alterações no consumo tradicional (Não é à toa que a geração da Internet é menos fiel às marcas e mais predisposta a consumir novos produtos).

O que antes era um mercado ignorado, não só passa a ter valor como vem crescendo a cada ano. Peguemos como exemplo o mercado de músicas digitais. Somadas, todas as centenas de milhares de músicas menos populares, de bandas menores ou desconhecidas no mainstream (novos nichos), cujas faixas vendem apenas alguns downloads ao ano na iTunes, já representam um volume de vendas equivalente ao dos poucos hits produzidos para vender milhões de unidades. - fonte: Wikipédia)


sexta-feira, setembro 26, 2008

UM BRASILEIRO EM PARIS foto: Caetana

No afã de noticiar o bom desempenho do surfista guarujaense Adriano Mineirinho no circuito mundial de surf (post abaixo), o blog deixou de creditar a agilidade jornalística de nosso correspondente globetrotter Carlos Leite. Foi ele quem, por e-mail, nos contou as boas novas. Diretamente da terra de Jean-Paul Sartre, Pasteur, Jean Renoir e de Jordy.

De passagem pela França, o surfista prego brasiliense viu nosso conterrâneo brilhar nas ondas de Hossegor. E numa demonstração de que surfista não é alienado, Leite visitou Paris, chegando inclusive a dar três voltas ao redor da Torre Eiffel. Perguntado sobre a emoção de ter estado em um dos mais conhecidos cartões-postais mundiais, Leite foi suscinto. "Falta uma feirinha com barracas de sururu, açaí e de pastel e caldo de cana como as que a gente encontra na Torre de TV, em Brasília".

Leite só diz ter ficado eufórico ao se dar conta de que a bonitona que dirigia o carro que quase o atropelou era ninguém mais do que a atual primeira-dama francesa. "Ela olhou esse latino estuporado junto à calçada e eu tive certeza de que era a Laura Pausini".

quinta-feira, setembro 25, 2008

UM BRASILEIRO NA ELITE DO SURF

Você viu? O surfista guarujaense Adriano Mineirinho obteve o terceiro lugar no Quiksilver Pro France 2008, oitava etapa do campeonato mundial de surf, o chamado WCT.
Como? Você não soube? Ah, a maioria dos ditos “jornalistas esportivos” da mídia brasileira também não, ocupados que estão com o que classificam como os “esportes populares”, ou seja, aqueles em que o dinheiro investido por patrocinadores é altíssimo, tal qual a popularíssima Fórmula 1, muito praticada em nossas estradas.

Com os pontos conquistados na etapa encerrada ontem (24), na praia francesa de Hossegor, Mineirinho passa a ocupar o quarto lugar do ranking mundial, 242 pontos atrás do terceiro colocado, o australiano Bede Durbidge. Como uma das três etapas que faltam para o término do circuito acontecerá no Brasil, Mineirinho tem grandes chances de repetir ou superar o feito do cabofriense Vitor Ribas, que, em 1999, terminou em terceiro lugar no ranking.

O campeão de Hossegor foi o também australiano Adrian Buchan. Em sua primeita vitória no WCT, Buchan superou o octacampeão mundial Kelly Slater. Com o segundo lugar, o fenômento norte-americano está prestes a erguer o título de campeão mundial pela nona vez. Para tanto, basta que ele termine em nono lugar na próxima etapa do circuito, que acontecerá nas pesadas ondas de Mundaka, na Espanha. Caso contrário, o WCT deve mais uma vez ser definido em Santa Catarina.

sábado, agosto 23, 2008

Sábado, 23 de agosto de 2008

Quando os beats se tornaram os tais?
(Primeira parte)

Coincidências. Mexendo em meus livros, saquei algo de literatura beatnik, o que me fez lembrar de que, por volta de 1992, fui com uma antiga namorada ao cine arte de Santos (SP), onde assistimos ao Almoço Nú, de Cronenberg (post abaixo).

Era a segunda vez que íamos ao cinema e não tenho dúvidas de que, após meu convite para vermos Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, (nos revezamos nos cochilos!), as alucinadas cenas com máquinas de escrever que se transformam em baratas devem tê-la feito pensar se aquela relação não estaria fadada ao fracasso.

Enfim, dois ou três dias depois desse “revival”, eu andava pelos corredores atulhados das Lojas Americanas do Brasília Shopping à procura de um açucareiro de vidro, com tampa de rosca e provavelmente importado da China, quando me deparei com uma cópia de Almoço Nú, em DVD, na bacia das almas, ou seja, em meio às promoções de R$ 9.90.

Comprei na esperança de assistir com minha atual
namorada, que não mostrou qualquer entusiasmo. Mais velho e escaldado pela experiência, achei melhor não insistir, afinal, a relação vai muito bem, obrigado.

Sábado, 23 de agosto de 2008

As primeiras reações à obra beatnik

(continuação do post acima)


Esta semana, ao passar por uma banca de jornal do Centro de São Paulo, a capa do livro Quando eu era o tal – minha vida na Jack Kerouac School, de Sam Kashner, chamou minha atenção. Há algum tempo eu andava querendo lê-lo e inclusive cheguei a sugerir que me dessem como presente de amigo-secreto. Isso enquanto ele estava caro. Agora, como não o ganhei, achei melhor não perder a oportunidade de adquiri-lo por...R$ 9.90.

Na mesma noite, em um quarto barato da Avenida São João, ouvindo os atuais “junkies” viciados em crack uivarem na cinzenta noite paulistana, comecei a ler sobre a experiência de Kashner como primeiro “aluno” da Jack Kerouac School of Disembodied Poetics, um curso de literatura criado em 1975 por Allen Ginsberg e um professor de meditação budista tibetano, onde “lecionavam” Burroughs, Peter Orlovsky, Gregory Corso e outros.

Apesar dos vários erros de edição (atenção, editora Planeta) e da impressão de que Kashner, um autor semi-desconhecido norte-americano, parece querer `aparecer na foto´ ao lado de alguns dos mais significativos escritores das últimas décadas (Kerouac, apesar da obra irregular, sem duvida o é, graças a On The Road), o livro traz algumas observações interessantes, desconstruindo ou pelo menos rearranjando o mito sobre esses homens, então famosos e velhos.

De qualquer forma, todo esse blá-blá-blá é só para eu citar uma das passagens que mais me impressionaram nas cem primeiras páginas: a repercussão do lançamento dos primeiros livros desses autores, no final da década de 1950.

“Aprendi que Allen tornou-se o mais notório poeta da América enquanto estava fora do país, na metade dos anos cinqüenta. Ele visitava Burroughs em Tanger, no Marrocos, quando ficou sabendo que [o editor e poeta] Lawrence Ferlinghetti e o gerente da livraria City Ligts [que pertencia a Ferlinghetti] haviam sido presos por vender Howl [Uivo e Outros Poemas] para dois policiais à paisana após ter sido acusado de `promover obscenidades´ ao usar o Correio norte-americano para enviar cópias do livro a diversas celebridades”.

“A União Americana pela Liberdade Civil então viu uma oportunidade de gerar um caso importante para a Primeira Emenda, fazendo barulho pela liberdade de expressão. Ferlinguetti contratou um time de advogados de primeira e foi à júri no verão de 1957. Allen pensava não ter qualquer chance e permaneceu longe durante todo o julgamento, viajando pela Europa”.

“Peritos literários foram chamados para testemunhar a favor do livro e Ginsberg teve o raro privilégio de ter seu poema chamado de `grande´e `importante´ durante o julgamento. Para mim [Kashner] soou como se o julgamento, em que foi inocentado, tivesse sido a melhor coisa que poderia ter acontecido a Allen e aos beats. Isso os tornou famosos”.

“Nessa mesma época, On the Road [Pé na Estrada] foi publicado, mas Kerouac nunca se recuperaria daquele prazeroso acontecimento. Diferentemente de Allen, a fama não lhe caiu bem. No final, ele quase não teve tempo de se acostumar a ela. Se o romance tivesse sido publicado seis anos antes, quando foi escrito, poderia ter passado despercebido, mas o julgamento da obscenidade de Howl colocou um holofote nos beats. Mesmo assim, ninguém poderia ter previsto o tipo de sucesso que On the Road teria no outono de 1957 – o resenhista do jornal The New York Times comparou-o a O Sol Também se Levanta, de Ernest Hemingway”.

“Jack disse que se sentiu paralisado ao ler a crítica e o telefone não parou de tocar por anos. O romance ficou na lista dos mais vendidos por onze semanas. A Warner Bros. comprou os direitos para filmagem e Marlon Brando queria interpretar Dean Moriarty [Neal Cassady, o parceiro de viagem de Kerouac]”.

“E então foi a vez de Bill Burroughs, que após ter tentado trabalhar como detetive particular, garçom, exterminador de insetos e ter chegado a agir como um criminoso, falava sobre o enfado criminoso. A mesma editora City Lights recusou-se a publicar Naked Lunch, que foi então publicado em pequenas revistas e periódicos onde Ginsberg tinha alguma influência. Em 1958, a Chicago Review publicou nove páginas e então os funcionários da Universidade de Chicago se recusaram a publicar o resto do romance, descrito por um jornalista como “uma das maiores enganações de lixo impresso que eu já vi circulando publicamente”.

Funcionários da Chicago Review se demitiram e começaram suas próprias publicações. Ginsberg, Orlosvky e Corso participaram de leituras de poesia para arrecadar recursos para uma nova publicação em que pudessem terminar de publicar Naked Lunch. A primeira tiragem saiu em março de 1959 e foi imediatamente confiscada pelo Correio de Chicado como material obsceno, mas um ano depois um juiz absolveu o romance.

O editor da editora Olympia, de Paris, que mesmo tendo publicado Henry Miller havia recusado os originais do livro de Burroughs mudou de idéia diante da publicidade espontânea gerada pelo processo e ofereceu ao autor um contrato de US$ 800. Quando o livro finalmente saiu, não conseguiu uma única resenha em jornais ou revistas e Burroughs teve de se passar por crítico, escrevendo com outro nome sua própria resenha.
Em 1962 a obra seria republicada pela Groove Presse. Escritores como Norman Mailer e Nenry Miller se entusiasmariam com o romance, arrumando-lhe um lugar no panteão literário como uma espécie de obra-prima do grotesco. Uma viagem de canibalismo, violência homossexual, enforcamentos e ejaculações, o livro seria mais uma vez banido, desta vez em Boston. O caso chegou à Corte Suprema de Massachusetts e a maioria dos jurados votou que Naked Lunch não era obsceno.

Esta foi a última obra literária a ser retida por um órgão do governo. Allen Ginsberg nos contaria em classe, descrevendo o efeito do livro para o mundo nos anos 1960, que a “palavra havia sido liberada”. Para o poeta, isso era mais importante que o Dia D. escrevendo com outro nome sua pras e Burroughs teve de se fazer de cruando o livro finalmente saiu, nis do livro de Burroughs

quarta-feira, agosto 06, 2008

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008


ALMOÇO INDIGESTO

Quando assumiu o desafio de transpor para as telas dos cinemas o romance Almoço Nú (Naked Lunch), de Willian S. Burroughs, o mais alucinado entre os escritores beatniks, o cineasta David Cronenberg (1943) já havia se tornado mundialmente conhecido por Scanners (1981), A Hora da Zona Morta (1983) e A Mosca (1986).

Bastariam esses três títulos para que o canadense inscrevesse sua obra entre os mais polêmicos e, porque não dizer, bizarros filmes fantásticos. No entanto, com Almoço Nú – que no Brasil recebeu o horrível título Mistérios e Paixões -, Cronenberg queria provar ser capaz de filmar uma história considerada impossível de ser filmada.

Na hora de adaptar a obra de Burroughs, Cronenberg se deparou com o desafio de tornar crível as alucinações de Bill Lee, um escritor que “desistiu de escrever por considerar a atividade muito perigosa”. Após algumas prisões por uso de drogas, Lee – alter ego de Burroughs, vivido pelo Robocop Peter Weller – arranja um emprego como exterminador de insetos, dividindo seu tempo entre matar baratas e discutir literatura com seus dois únicos amigos (uma referência aos escritores Jack Kerouac e Allen Ginsberg [correção: segundo Sam Kashner [Quando eu era o tal – minha vida na Jack Kerouac School – Ed. Planeta], na segunda metade dos anos 1950, Burroughs recebeu em Tânger, Marrocos, a vista de Allen Ginsberg e Peter Orlovsky, e não de Kerouac. No post acima, as reações à Almoço Nú e outras obras beats há 50 anos]).

A coisa desanda quando sua esposa, interpretada por Judy Davis, se torna viciada no veneno que Bill utiliza para matar os insetos. Estimulado pela mulher, que descreve o “barato” provocado pela substância como “bastante literário”, Lee toma seu primeiro pico. E logo, como Joe, está viciado.

A partir daí, o escritor começa a ter alucinações em que é perseguido pela polícia por assassinar sua esposa à maneira de Guilherme Tell, ou seja, praticando tiro ao alvo. Lee vê máquinas de escrever se transformando em baratas que falam e que lhe desvendam um esquema internacional de tráfico de uma substância alucinógena obtida à partir da carne de um inseto brasileiro.

Das conversas com as estranhas criaturas que vê nas situações mais inusitadas, Lee crê ter sido escolhido para ser um agente responsável por se introduzir em meio à corporação criminosa, reportando seus planos. Tudo isso pontuado por sua atração por um escritora que lhe lembra a esposa morta (vivida pela mesma Judy Davis) e as dúvidas sobre sua própria sexualidade.

Este, ao lado de Rock Horror Show, sobre o qual ainda pretendo escrever, ocupa papel de destaque dentre os filmes mais estranhos que já assisti. Minha cópia em DVD eu comprei em uma Loja Americanas, por R$ 9,90.

terça-feira, julho 08, 2008

Terça-feira, 08 de julho de 2008

Não nos deixemos enganar pelo sorridente senhor ao lado, um polemista. Antes de participar como autor convidado da Festa Literária Internacional de Parati (Flip), o colombiano Fernando Vallejo concedeu uma entrevista que motivou membros de uma comunidade virtual dedicada ao encontro literário a discutirem um eventual boicote à mesa onde Vallejo debateria com o holandês Cees Nooteboom o incerto tema “Paraíso Perdido”.

Entre declarações ácidas, como a afirmação de que as estatísticas revelam que o Brasil já supera a Colômbia de dez anos atrás em termos de violência, e a defesa do controle da natalidade pelos governos, Vallejo atraiu a antipatia de muitos ao dizer que a ex-candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, libertadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, havia buscado seu próprio sequestro ao ir à região dominada pela guerrilha.
“Ingrid é uma pessoa feia e conseguiu o que queria, estar nas manchetes. Uribe também. E as Farcs são um bando de narcotraficantes assassinos. Não entendo por que as Farcs, que já causaram tanto dano à Colômbia, a soltaram. Não serviram nem para mantê-la presa”, disse o escritor, antes de afirmar que preferia que Betancourt tivesse permanecido presa. “Nos livraríamos de mais uma praga do país. A família ainda inventou que ela estava doente, e eu a vi hoje muito sã nas fotos, rosada. São mentirosos, eles e toda a classe política”. Cees Nooteboom

A sugestão de boicote à participação de Valejo não pegou e, às 19 horas do sábado, tanto a Tenda dos Autores, quanto a Tenda da Matriz, de onde o público assiste aos debates por telões, estavam lotadas. E, para mim, a conversa entre o colombiano e Nooteboom acabou sendo a melhor de toda a Flip. Junto com a mesa que reuniu o brasileiro João Gilberto Nool e a cineasta argentina Lucrecia Martel.

Antes mesmo de ler a referida entrevista publicada pelo O Globo eu já havia comprado um livro de Valejo, A Virgem dos Sicários. Pelo pouco que li, ele merece ser reconhecido por outros fatores que não por suas polêmicas declarações.

sábado, julho 05, 2008

Sábado, 05 de julho de 2008

Em termos de popularidade, já é possível apontar o quadrinista e escritor britânico Neil Gaiman como a grande estrela desta sexta edição da Festa Literária Internacional de Parati (Flip).

Hoje (5), dia em que também estiveram no centro do palco da Tenda dos Autores o angolano Pepetela, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, o psicanalista e ensaísta da Folha de S.Paulo, Contardo Calligaris, o norte-americano Richard Price, o romancista italiano Alessandro Baricco, o holandês Cees Nooteboom, o colombiano Fernando Vallejo e o dramaturgo inglês Tom Stoppard, Gaiman foi o mais assediado pelo público em busca de autógrafos.

Após o término do debate com Price (mediado por Marcelo Tas), Gaiman passou cinco horas - sim, cinco horas - autografando exemplares não apenas do já clássico HQ, Sandman, mas também de seus romances.
-
Houve quem entrasse na fila mais de uma vez apenas pela oportunidade de se aproximar do autor que, ao lado de Alan Moore, ajudou a revitalizar os quadrinhos durante a década de 1980.
-
O fato acabou criando uma situação no mínimo constrangedora para Price, que deixou a mesa de autógrafos ao fim de dez minutos, enquanto uma fila enorme se estendia pela Praça da Matriz. Horas depois, Baricco e Calligaris concluiriam seu debate, autografariam seus livros, deixariam o local e Gaiman permaneceria ali, atendendo fans de todas as idades. Só deixou a mesa porque desde o início, já havia avisado que não perderia a palestra de Stoppard, marcada para as 19h.

Durante a palestra, em que falou sobre o processo de criação de histórias em quadrinhos, a importância dos diálogos em seus livros e as diversas formas com que sua obra é recebida em diferentes países (na Polônia, por exemplo, disse Gaiman, ele primeiro se tornou conhecido por seus livros de ficção. Só então surgiu os poloneses passaram a se interessar por Sandman e por suas outras histórias para HQs), o autor contou um episódio que deixou claro o grau de devoção a que chegam alguns de seus fans.

"Gosto bastante quando vejo um fã tatuado com um de meus personagens", explicou Gaiman. "Mas, certa vez, em Los Angeles, durante uma tarde de autógrafos, um cara pediu para que eu autografasse embaixo de uma tatuagem em seu braço. Eu peguei a caneta e autografei. Passado algum tempo, eu continuava assinando livros, o sujeito voltou, apanhou a fila e, na sua vez, parou na minha frente. Ele tinha tatuado meu nome por cima da assinatura que eu fizera horas antes. Ainda dava para ver o sangue escorrendo. Aquilo não foi legal".

sexta-feira, julho 04, 2008

Sexta, 04 de julho de 2008


Ninguém toca no assunto, mas lógico que há um outro bom motivo para aceitar o convite para participar da Flip, não? Melhor dizendo, ontem (3), o jornalista e escritor Xico Sá sugeriu que há um certo estímulo etílico a turbinar a tertúlia literária. Não à toa, em séculos passados, parati era sinônimo da melhor cachaça produzida no país.

Sexta, 04 de julho de 2008

Como em Porto Seguro (BA), na Flip também tem "pipoca", ou seja, a turma que acompanha a "festa" do lado de fora dos cordões, de graça.

No caso da festa literária, as cordas carnavalescas são substituídas por assépticas e frias grades de metal que isolam a chamada Tenda da Matriz da principal praça da cidade.

Quem se dispõe a gastar R$ 8 pode acompanhar sentado, por três telões e com direito a fones de ouvidos, as palestras que ocorrem a cerca de 200 metros dali, na Tenda dos Autores, onde os ingressos custam R$ 25.

Lógico que a economia tem inconvenientes. Este ano, por exemplo, a organização do evento dificultou a vida dos pipocas, levando a grade até o limite da área coberta. Por sorte não choveu, mas, à noite, o sereno pode incomodar as mães que acreditam que a friagem seja maléfica. Além disso, certas mesas mais concorridas exigem que o interessado chegue mais cedo a fim de conseguir um lugar de onde consiga ver e ouvir as palestras. Foi o caso de hoje, com a mesa que reuniu a cineasta argentina Lucrecia Martel e o escritor brasileiro João Gilberto Noll.