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sábado, julho 27, 2013

Let´s Don´t Worry


KCT! O que dizer? Atraso, problemas com o som, dois corpos tentando ocupar o mesmo lugar, banho de cerveja quando você não está podendo beber nem água gelada, baforada de cigarro na cara, patricinhas de salto agulha fazendo social e tagarelando sem parar... nada foi capaz de ofuscar o brilho da apresentação gratuita dos músicos do projeto/banda Playing For Change, ontem (26) a noite, em Brasília. Afinal, "let´s don´t worry my brother [...] we must find a peace [...] and you have got the good vibration"* Agora, o semifosco aqui,ainda sonado, inadvertidamente deletou o outro e melhor vídeo já editado, de forma que, para meus três leitores que não estiveram lá, resta esse aí abaixo e o arrependimento.




* Permita não se preocupar meu irmão [...] Temos de encontrar a paz [...] e você tem uma boa vibração

quinta-feira, julho 25, 2013

Soul Samba de Sá


Eu ia escrevendo "esta noite, a potente voz grave de Sandra de Sá preencheu de swing e simpatia o teatro lotado da Caixa Cultural, em Brasília, levando os fãs a cantarem junto com ela os maiores sucessos da carreira desta carioca que já faturou cinco prêmios Sharp como melhor cantora brasileira (88; 90; 93; 95 e 2005)"..., mas quer saber, além de já ser tarde, todos - até meus três leitores - conhecem a nêga. E melhor que ler uma pretensa e rudimentar crítica musical minha é conferir a própria Sandra de Sá cantando durante o show. Outra coisa é que, além do vídeo-testemunho da apresentação (abaixo), este texto vale pelo título. Ou não, embora eu modestamente defenda que Sandra deveria me pagar um royaltie e usá-lo em um próximo disco em que explicitasse ainda mais suas influências de soul e samba.

Eis um primeiro vídeo. Depois baixo outro. Pra quem não foi, é isso ou conseguir um ingresso e ir pessoalmente conferir amanhã (26/07) este "aperitivo" acústico que a cantora está apresentando na companhia de dois excelentes instrumentistas, ansiosa, conforme ela mesma demonstrou, para trazer o show e a banda completa à capital federal.    

 

domingo, julho 15, 2012

Tulipa Ruiz - nada efêmera


                                   "Vou ficar mais um pouquinho para ver se eu aprendo alguma coisa nesta parte do caminho"

Olha, amigo,  insisto: não acredite no chavão de que a música popular brasileira anda uma merda só porque as rádios e os programas de auditório `só querem tchu, só querem tchá´ pensando em `se te pegam´ a fim de lobotomizar sua atenção, sedando seu espírito crítico e lançando-o em um estado de baixa reatividade emocional. (como já sabem meus três leitores, odeio clichês do tipo, "ah, mas Brasília não tem o que fazer!")  

Os verdadeiros artistas da nova safra musical ainda não chegaram aos comerciais anti-pirataria produzidos pela Abert ou à programação da maioria das rádios do país. E, talvez, nunca cheguem, embora sejam muitos, diversos entre si e estejam oxigenando a cena contemporânea. 

De Norte a Sul, de Leste a Oeste, os criadores com alguma chance de produzir algo que não seja tão efêmero quanto o maior sucesso mensal de todos os tempos estão nos palcos de pequeno e médio porte, nos blogs de opinião como A Musicoteca, nos palcos de entidades sócio-culturais como o Sesc e no youtube, disputando sua atenção com muita porcaria chancelada por quem segue a máxima que ninguém jamais deixou de ganhar dinheiro por subestimar a inteligência do público. E só alguns poucos receberão o visto para adentrar as terras da Grande Família, em Jacarepaguá, ou o Reino de Deus, por exemplo.

Cabe aos interessados pesquisar e fugir ao fast-food cultural servido frio pelos programadores desinteressados. Porque estes só querem manter as coisas como antes, indiferentes à realidade de que, embora não pareça, estão gradualmente perdendo audiência - já que, com mais e novos canais de comunicação, inclusive direta e pessoal, muita gente já se deu conta de que nem só de Big Mac vive o homem e decidiu montar seu próprio playlist.  

É a tal da Teoria da Cauda Longa, conforme divulgada, em 2006, pelo então editor-chefe da revista Wired, Chris Anderson.

 

A cantora paulista Tulipa Ruiz é uma destas "novas vozes brasileiras". Embora tenha lançado um único disco (o segundo já está pronto e deve sair em breve), já conquistou uma legião fiel de fãs e inscreveu ao menos uma composição (Efêmera, registrada acima) entre as mais queridas e lembradas por quem curte a nova cena. 

Filha de pai músico, a ex-jornalista e ilustradora de 33 anos demorou a decidir enveredar pela música. Quando o fez, precisou de pouco mais de um ano para lançar o elogiadíssimo cd Efêmera (2010) e ganhar o público com a qualidade de suas composições e sua simpatia.

Sempre acompanhada por bons instrumentistas, Tulipa conquista de cara. Na última sexta-feira (13), em Brasília (DF), ao se apresentar de graça na abertura do Festival Internacional de Humor e Arte em Aids, entrou no palco aplaudidíssima pelo público já devidamente entusiasmado com os shows anteriores do rapper Gog e da, para mim, maior aposta musical do país, a brasiliense Ellen Oléria. Bastou uma canção e ela já tinha a todos nas mãos, se permitindo inclusive ousadias como a louca e arrastada interpretação da música Da Maior Importância, do Caetano Veloso - algo que poderia ter custado a perda do interessa da plateia até mesmo para artistas com muito mais tempo de estrada que ela. 

No dia seguinte, conversando com amigas que estiveram na área externa do Museu Nacional, uma constatação que comprova minha impressão de que o show foi ótimo: todos acordamos assoviando ou cantando alguma das músicas de Tulipa. Um bem-estar nada efêmero.