sábado, setembro 04, 2010

Espanhóis agradam público de festival ibero-americano de artes cênicas de Santos


Com propostas e o emprego de recursos cênicos distintos, as duas companhias teatrais espanholas convidadas para o Mirada - 1º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos (SP) agradaram ao público que prestigiou, ontem (3) à noite, as apresentações.

O Xarxa Teatre, grupo valenciano de teatro de rua, ocupou parte do jardim do Emissário Submarino, à beira-mar, para encenar o espetáculo El Foc Del Mar (O Fogo do Mar). Parte do repertório da companhia, o espetáculo pirotécnico vem sendo encenado desde 1994 e, segundo o próprio grupo, já foi exibido em mais de 40 países.

Segundo o ator e assistente de direção Oscar Luna, o público compreendeu a proposta do grupo de encenar uma grande festa de rua, com o uso de fogos de artifício, música percussiva e as cores vivas e formas geométricas normalmente associadas à cultura mediterrânea que, juntos, remetem às tradições festivas de Valencia.

"É um espetáculo um pouco diferente pois não contamos uma história própriamente dita, não há uma única palavra. Nossa intenção é fazer uma festa teatral a partir das tradições valencianas e tínhamos a expectativa de ver como o público iria reagir. A resposta foi boa" , disse Luna à Agência Brasil.

"Linda! Valeu muito a pena. O trabalho é uma maravilha", disse a aposentada Vilma Rodrigues de Campos Melo, moradora de Laranjal Paulista, no interior do estado, que aproveitou a visita à filha que mora em Santos para assistir, de graça, ao grupo espanhol. A professora de educação física Adriana Barbieri também elogiou o trabalho do Xarxa. "Viemos por conta da sinopse que nos entregaram na rua e valeu. Não foi preciso que os atores falassem nada. Foi maravilhoso, ainda mais por ser na praia".

Em seguida, uma parcela do público seguiu da praia para o Serviço Social do Comércio (Sesc) de Santos, onde ocorre parte dos espetáculos fechados. Não foi no teatro, contudo, que a Compañia de Teatro Animalario encenou a história do boxeador basco José Manuel Ibar, o Urtain, que dá nome à peça. Um ringue cenográfico, além de toda a estrutura de iluminação, foi montado no ginásio.

Cadeiras foram dispostas para o público em torno do ringue como a reproduzir uma arena de luta e, por duas horas, a plateia acompanhou a ascensão e o declínio do jovem, que chamou a atenção de especialistas ao demonstrar extrema força física levantando pedras e que acabaria por se tornar campeão europeu de pesos-pesados em meio à ditadura de Francisco Franco (1938-1973).

"Gostei bastante da peça e achei diferente a ideia do ringue, algo que torna a representação ainda mais realista. Acho que com a iluminação e com a narrativa, eles conseguiram fazer com que o público viajasse pela história", disse o jornalista Eduardo Ricci que já havia assistido, na quinta-feira (2), ao espetáculo mexicano De Monstruos e Prodigios. "O que é legal é ver a diversidade. Eu, por exemplo, jamais havia visto um cavalo em cena como vi ontem [no espetáculo mexicano], e as questões alegóricas também foram bem interessantes".

O festival segue até o próximo dia 11, e as duas peças voltam a ser apresentadas hoje (4). Toda a programação está disponível no site www.mostrasescdeartes.com.br/mirada. As peças apresentadas em espaços fechados custam R$ 10 (R$ 5 a meia-entrada e R$ 2,50 para comerciários). Já as encenadas em um dos sete espaços ao ar livre são gratuitas.

Argentina é homenageada em Festival de Artes Cênicas de Santos



A Argentina é o primeiro país a ser homenageado no Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos, evento realizado pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) de São Paulo e cujos organizadores, já na abertura de sua primeira edição, ontem (2) a noite, manifestaram a expectativa de que se estabeleça como mais um importante evento do calendário artístico nacional.

Segundo o gerente do Sesc de Santos, Luiz Ernesto Figueiredo Neto, a intenção é que o festival aconteça a cada dois anos, na cidade, e que a cada edição um novo país seja homenageado. Ainda assim, ele destaca que, mesmo atravessando um mau momento econômico, a Argentina tem uma produção dramatúrgica importante e multifacetada.

Para dar conta de representar a diversidade estética e temática do teatro contemporâneo argentino, os curadores do festival convidaram cinco criadores, entre eles o diretor e dramaturgo Daniel Veronese, um dos fundadores da companhia El Periférico de Objetos, criada em 1989 e que já trabalhou no Brasil, onde, em 2009, dirigiu a peça Gorda, com Fabiana Karla e Michel Bercovitch.

No Mirada, Veronese apresentará três espetáculos: O Desenvolvimento da Civilização Vindoura, no próximo domingo (5); Todos os Grandes Governos Tem Evitado Ao Teatro Íntimo, no dia 6 e Espia a Uma Mulher Que Se Mata, no dia 7. As duas primeiras são as versões pessoais de Veronese para os clássicos A Casa de Bonecas e Hedda Gabler, do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Já a última é uma versão do argentino para Tio Vânia, do russo Tchekhov.

Entre os argentinos, também se apresentará em Santos, nos dias 6 e 7, a companhia Teatro Timbre 4, fenômeno da cena independente portenha que busca romper com a representação tradicional e que já percorreu Estados Unidos, Portugal, Espanha, Bósnia-Herzegóvina, Irlanda e o próprio Brasil com a peça A Omissão da Família Coleman.

Já nos dias 7 e 8, o espetáculo Lote 77 permitirá ao público do Mirada conhecer o trabalho do ator e diretor Marcelo Mininno, autor do texto que trata da construção social e histórica do conceito de masculinidade visto pela ótica de trabalhadores rurais.

Já a atriz e diretora Lía Jelín, junto com as atrizes Marta Bianchi e Noemi Frenkel, se serve das histórias de vida das escritoras Alejandra Pizarnik (1936-1972) e Silvina Ocampo (1903-1994) para lançar um olhar feminino e literário sobre a história recente da Argentina. Dias 4 e 5.

Nada do Amor me Provoca Inveja, monólogo encenado nos dias 9 e 10 por María Merlino e dirigido por Diego Lerman, parte das desavenças entre as cantoras e atrizes Libertad Lamarque e Eva Duarte para discutir a memória política e social do país. Na vida real, Libertad teria dado um tapa no rosto da jovem Eva, que logo depois se casou com o presidente Juan Perón, entrando para a história como "a mãe dos pobres" Evita Perón. Libertad, por sua vez, passou a ser boicotada em seu próprio país e teve que se mudar para o México, onde morreu no ano de 2000.

Além da Argentina, o público também terá a chance de assistir a trabalhos da Bolívia, Colômbia, Espanha, Venezuela, Equador, México, Peru, Chile, Uruguai, Portugal e do próprio Brasil. Toda a programação do evento pode ser consultada no site www.mostrasescdeartes.com.br/mirada.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Ditaduras militares distanciaram produção teatral latino-americana


Ainda pouco conhecida do público brasileiro, a produção teatral latino-americana vem conquistando espaços de exibição Brasil afora. Além de mostras já tradicionais como as de Londrina (PR) e de Porto Alegre (RS) – nas quais é frequente a presença de grupos e companhias de países vizinhos –, eventos como o festivais Ibero-Americano de Teatro de São Paulo (SP), que este ano chegou a terceira edição, e o de Santos (SP), cuja primeira edição teve início ontem (2) a noite, tem permitido que os profissionais da área troquem experiências e que o público conheça produções de qualidade.

"A produção artística e o pensamento latino-americanos são hoje tão importantes quanto as referências europeias e norte-americanas que formaram nosso teatro ao longo da história", sustenta a ensaísta e professora da Escola de Artes Dramáticas (EAD) da Universidade de São Paulo (USP) Silvana Garcia que, em Santos, coordenará a mesa de debates Criação e Identidade no Teatro Ibero-Americano.

"Estamos recuperando um contato que, na década de 1960, foi muito importante e que, em parte, foi interrompido pela censura e pela repressão que, nos anos 1970, foram terríveis para o teatro", disse Silvana ao mencionar a interrupção de antigos festivais internacionais de teatro, responsáveis por trazer ao país nomes e obras que influenciaram toda uma geração.

A diretora Cibele Forjaz, cuja Mundana Companhia apresentará em Santos, a partir da próxima segunda-feira (6), a peça em três partes O Idiota, a reaproximação com o teatro ibero-americano é como "curar antigas feridas".

"A partir do final da década de 1960 nós tivemos ditaduras que sufocaram as manifestações artísticas em praticamente toda a América Latina. Isso, me parece, provocou um distanciamento em razão do qual a gente, hoje, normalmente conhece mais do teatro alemão do que do argentino", disse Cibele.

Para Silvana Garcia, o crescente interesse pela produção ibero-americana é consequência da revitalização, a partir do início da década de 1990, do conceito de teatro de grupos, de produção coletiva, em detrimento do destaque do diretor, característico dos anos 1980.

"Na década de 1980 houve um afastamento quase que natural em função das características locais de produção, mas a partir dos anos 1990, com a efervescência e o surgimento de uma nova geração dedicada ao teatro coletivo, nós voltamos a nos interessar por este intercâmbio e a perceber um movimento similar na América Latina", disse a professora, destacando que, hoje, a produção é heterogênea.

Festival de teatro em Santos quer promover produção ibero-americana

Sede do maior porto da América Latina, a cidade de Santos, no litoral de São Paulo, foi escolhida para abrigar um novo festival dedicado à produção teatral de países ibero-americanos. De acordo com os organizadores do evento, nada mais natural que a cidade-porto fosse escolhida por simbolizar um espaço de encontro de diferentes povos e da cultura ibero-americana.

O
rganizado pelo Serviço Social do Comércio de São Paulo (Sesc-SP) até o próximo dia 11, o Mirada – 1º Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas de Santos trará à cidade 13 peças nacionais e 18 internacionais, além de debates, exposições e mostras de vídeo que permitirão a troca de informações entre atores, diretores, dramaturgos, produtores e o público, além de poderem conhecer exemplos do que de melhor vem sendo feito em termos de teatro na Argentina, Bolívia, Colômbia, Espanha, Venezuela, no Equador, México, Peru, Chile, Uruguai, em Portugal e aqui mesmo, no Brasil. Toda a programação está disponível no site www.mostrasescdeartes.com.br/mirada.

"São todos espetáculos com diretores e grupos renomados", garantiu à Agência Brasil o gerente do Sesc de Santos, Luis Ernesto Figueiredo Neto, ao explicar que a proposta é que o festival se espalhe por toda a cidade de cerca de 430 mil habitantes. Além dos 11,5 mil lugares disponíveis para os espetáculos em locais fechados, espaços públicos ao ar livre como uma praça no jardim da praia, o Emissário Submarino e um casarão restaurado no Centro Histórico serão usados como espaço cênico.

Os ingressos para ao menos seis espetáculos já haviam se esgotado até a noite de ontem (2), quando os atores da companhia mexicana Teatro de Ciertos Habitantes subiram ao palco do Teatro do Sesc para, por meio de seu teatro-ópera, contar a história dos
castrati – jovens que, na Idade Média, eram castrados a fim de manter o timbre agudo de voz característico da infância.

A julgar por este primeiro espetáculo, nem mesmo a diferença de idiomas será um empecilho para que o público aproveite a oportunidade. Apesar de alguns problemas iniciais com a projeção, quem não domina o espanhol pode acompanhar a história com a ajuda de legendas. Já para as apresentações ao ar livre, a seleção dos espetáculos privilegiou os que proporcionam a interatividade com a plateia e de fácil compreensão.

Segundo a ensaísta e professora da Escola de Artes Dramáticas (EAD) da Universidade de São Paulo (USP) Silvana Garcia toda a iniciativa que busque aproximar os profissionais da área e o público em geral da produção artística de países vizinhos e que revele a pluralidade de gêneros e os diferentes métodos é importante.

"Este intercâmbio é fundamental. Para os profissionais, permite que se informem e aprendam técnicas e métodos de trabalho. Para o público é uma ótima oportunidade para ampliar o olhar. É importante tirarmos os olhos apenas do que é habitual e exercitar nosso olhar para o que é diferente e inédito", disse Silvana. "A produção artística e o pensamento latino-americano são hoje tão importantes quanto as referências europeias e norte-americanas que formaram nosso teatro ao longo da história".

terça-feira, agosto 31, 2010

Para além do brega paraense

StereoScope é uma banda de Belém, capital do Pará, que vem ganhando respeito e fans Brasil afora misturando Jovem Guarda à surf music e a outras influências da música pop. Hoje (30/08), o grupo tocou de graça para menos de 50 pessoas que, na maioria, davam a impressão de estarem de bobeira pelo Sesc Consolação, em São Paulo (SP). Pena, pois os quatro músicos mereciam uma platéia maior.

Com três discos na praça (Rádio 2000, de 2003; O Grande Passeio do StereoScope, de 2006 e o recente Conjunto de Rock), Jack Nilson (vocal e guitarra), Marcelo Nazareth (guitarra), Ricardo Maradei (baixo) e Daniel Pinheiro (bateria) já disseram estar interessados em desconstruir "os lugares-comuns do rock" (Jack Nilson). Não chegaram a tanto, mas as canções, de aparente simplicidade melódica são, de fato, uma boa surpresa.

A qualidade do som dos vídeos postados não está boa, mas dá para ter uma idéia de como a banda, com oito anos de carreira, se porta no palco. Para conhecer o som dos caras, vale acessar o site da gravadora Trama, que disponibiliza os dois primeiros cds para audição e para baixar. O endereço é http://tramavirtual.uol.com.br/stereoscope (Ouça com Atenção: a faixa A Lira, do álbum Rádio 2000)


segunda-feira, agosto 30, 2010

Make Me Smile - Steve Harley & Cockney Rebel

Há dias em que você acorda crente... e se dá conta de que só crendo... E então te dá vontade de revirar sua coleção em busca de uma música pop batida e perfeita com a qual você possa dançar agarrado com sua crença. E mesmo não sabendo dançar, teu credo neste dia é tão forte que te conduz ao ritmo da velha balada. Dois pra lá, dois pra cá, você se surpreende querendo crer que, talvez, a letra escrita há várias décadas exista apenas para descrever esse exato momento em que tudo parece estar ao alcance das tuas mãos. Mesmo quando, casualmente, este momento de epifania se dá numa segunda-feira e uma nuvem de poluição cobre a cidade e esconde o sol.

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sábado, agosto 21, 2010

Mart´nália é acometida por "síndrome de Vanusa" durante show em Brasília

O sujeito quando não é rico ou popular tem que ao menos procurar estar ligado e contar com alguma sorte. Ano passado, almoçando em um shopping de Brasília, me deparei com o Luiz Melodia na mesa ao lado. De um comentário despretensioso surgiu um convite para ir à apresentação que o músico faria naquela mesma noite, durante a festa de 21 anos da Fundação Cultural Palmares. Imagina você chegar a um show do Melodia e dizer aos produtores que ele mesmo o convidou...Quase não deu certo, mas isso é uma longa história e o importante é que, no fim, entramos eu e minha namorada.

Este ano, para minha surpresa, algo parecido voltou a acontecer. Com o detalhe de que eu havia chegado a Brasília a menos de 12 horas, aproveitando uma promoção de passagens aéreas a R$ 1 a volta. Só por viajar barato eu já estava satisfeito, mas aí encontrei um amigo e, a seu convite, fui parar no show Mães D’Água — Yèyé Omó Ejá, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional.

Atenção TV Brasil, atenção tevês públicas: como é que ninguém transmite um evento como este? Para celebrar os 22 anos da fundação, o diretor artístico Fábio Espírito Santo e o maestro Ângelo Rafael Fonseca bolaram o inédito encontro de sete cantoras negras que representassem e exaltassem os atributos de Yemanjá.

A proposta resultou no encontro de Alaíde Costa, Daúde, Luciana Mello, Margareth Menezes, Mart´nália, Paula Lima e Rosa Maria que, individualmente ou em duplas e, ao fim, juntas, interpretaram canções de Dorival Caymmi, Edu Lobo, Vinicius de Moraes, Baden Powell, entre outros. Com o luxuoso acompanhamento de uma orquestra completa.

Apesar de algumas deficiências técnicas, o show foi ótimo e mesmo a Luciana Mello, que eu já havia visto antes e não gostado, me surpreendeu positivamente. O único senão foi de Mart´nália, acometida por algo pior que a "Síndrome de Vanusa" já que, tráida por um problema no monitor escondido na frente do palco, revelou não saber a letra da canção O Mar Serenou, de Candeia. Atrapalhada, ao invés de parar e recomeçar após acertarem a letra no prompt, decidiu seguir em frente com um "nã-nã-nã ...quem samba na beira do mar é sereia". Constrangedor para ela, para os músicos da orquestra que seguiam atônitos e para parte da platéia que a aplaudia como que a incentivá-la a não se abater.

A letra é realmente difícil e coisas assim acontecem, mas que Mart´nália é uma cantora limitada ninguém há de negar. Contudo, tem carisma e, em sua carreira solo, tem sabido como nenhuma outra cantora recente (depois de Marisa Monte) escolher o repertório e os músicos que a acompanham. Ontem, com uma orquestra, a receita quase desandou. E cantando ao lado de uma Margareth Menezes ou junto de uma Paula Lima, sua voz sumia. Ainda assim, foi das mais aplaudidas e soube encarar com gaiatice uma segunda tentativa de interpretar a mesma canção para que ficasse registrada no DVD que a Fundação Palmares deve lançar em breve. Atenção mais uma vez tevês públicas: isso é política cultural afirmativa. E, como sugestão, que nos próximos anos a festa ocorra em um espaço aberto já que quem financia o evento é o Ministério da Cultura. Isso permitiria que mais gente visse os shows e, ao mesmo tempo, levaria mais gente a conhecer a fundação e a refletir sobre a luta antiracismo.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Poderia e deveria ter rendido muito mais, mas este é um tempo acelerado e superficial...


Conflito em torno do cumprimento de direitos humanos é inevitável, diz filósofo argentino

Agência Brasil - 18/08/2010 - 17:20

São Paulo – As divergências e os conflitos em torno do estabelecimento e do cumprimento dos direitos humanos são inevitáveis, garante o filósofo argentino Enrique Dussel, fundador da Filosofia da Libertação, corrente filosófica criada na América Latina no final da década de 1960. Para Dussel, como os direitos são conquistados mediante a mobilização dos grupos excluídos e, em geral, questionam a legitimidade de direitos já consagrados, o choque de interesses é inevitável.

“Quando as vítimas [de um sistema] se dão conta de que seus direitos não estão incluídos na lista de garantias vigentes, elas rompem com o consenso”, disse Dussel à Agência Brasil, ao participar da 1ª Semana de Educação em Direitos Humanos, evento realizado pela Universidade Metodista e que ocorre até amanhã (19), em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Segundo ele, não há como estabelecer uma lista de direitos fundamentais que sirva adequadamente a todas as épocas e situações. “O consenso em torno dos direitos em vigor, num determinado momento histórico, é fruto de um movimento anterior e toda vez que os dominados – aqueles que não participaram do acordo que definiu esses direitos – passam a exigir um novo direito, os dominadores passam a reprimir essa nova consciência crítica. Está gerado o conflito”, afirmou.

“Durante os conflitos, o direito já consagrado, muitas vezes, perde sua legitimidade enquanto as novas exigências, quando legítimas, pouco a pouco, passam a ser aceitas, terminando por se tornar o novo consenso. De qualquer forma, sempre haverá excluídos”, comentou Dussel, que hoje é professor da Universidade Metropolitana do México, país onde se exilou em meados da década de 1970, fugindo da perseguição sofrida durante a violenta ditadura militar argentina. Para ele, a América Latina experimenta a oportunidade de uma “segunda independência”.

“A experiência política latino-americana é uma novidade na história mundial. É algo muito, muito importante, a eleição de um indígena [Evo Morales] para a presidência da Bolívia; um operário [Luiz Inácio Lula da Silva] no Brasil; um ex-guerrilheiro como Maurício Funes em El Salvador; um bispo progressista [Fernando Lugo] no Paraguai; um Rafael Correa [presidente do Equador] e um Hugo Chávez [presidente da Venezuela]. Temos um verdadeiro laboratório político aqui”, comentou Dussel, entusiasta de iniciativas como a criação, na Venezuela, do Poder Cidadão, criado para garantir a participação institucional da população na estrutura de poder e para fiscalizar os outros Quatro Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral).

domingo, agosto 15, 2010

A falta que um assobio faz

* (reproduzo abaixo um poema escrito pela jornalista e professora universitária santista, Lidia Maria de Melo, autora de, entre outros, "Raul Soares, Um Navio Tatuado em Nós", livro em que documenta o vergonhoso episódio do navio-cárcere que permaneceu ancorado na baía de Santos e no qual prisioneiros do regime militar foram mantidos presos entre abril e outubro de 1964. Segundo ela mesma, o poema abaixo começou a ser escrito em 2000, mas só foi concluído em 2009, de maneira que, apesar de algumas mudanças recentes, ainda representa o pensamento de muitos)



Um Assobio
Lidia Maria de Melo


Minha cidade mudou de cor.
Já foi vermelha, desbravadora,
mais que temida: foi respeitada.

Minha cidade tinha
um característico viço incomum.
Homens erguiam sacas de café, de açúcar
e tantos outros produtos
que garantiam sustento digno.

Minha cidade era de brios.
Já foi grevista, polêmica,
operária, dona de vida à toa na beira do cais,
artística, intelectual,
poética, teatral,
vanguarda política e musical.

Minha cidade foi palco de eternos e heroicos dribles,
célebres conquistas,
inesquecíveis vitórias.
Gerou discursos, comícios,
inflamadas assembleias.
Inspirou prosas e versos.
Minha cidade já teve siso, ares sombrios...
Minha cidade sempre se defendeu.

Nos últimos tempos, minha cidade contraiu
uma palidez preocupante,
uma cruel anemia.
Minha cidade ficou branca.
Mas não com ares de paz.

Seus meninos tombam, abatidos,
ainda no vigor dos hormônios.
Minha cidade virou manchete
na internet, rádios, jornais e emissoras de TV.

Minha cidade perdeu o sono
e morre de medo.
Minha cidade anda doente,
necessitada de intensivos cuidados.
Minha cidade precisa
é recuperar o bom humor de um assobio.

** (Agora que melodia mágica deve ser esta a ser assobiada para que nossa cidade recupere o bom-humor que permita a volta dos shows na praia e o uso adequado do Teatro Municipal e da Cadeia Velha? Que desestimule aqueles que pensam em promover abaixo-assinados para impedir o uso da Concha Cústica ou para fechar o Ouro Verde? Que devolva à Avenida Mário Covas, seu verdadeiro nome e aos jovens à esperança de poderem dar o melhor de si em sua própria terra?)

segunda-feira, agosto 09, 2010

FLIP

Fui, vi e voltei. Não plenamente satisfeito, mas tampouco insatisfeito. Digamos que, das seis edições da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) a que estive presente, a deste ano foi a mais...insossa. Culpa do menor espaço dedicado à ficção? Da ausência de boas polêmicas? Do meu desconhecimento (compartilhado por boa parte do público) a respeito da obra do sociólogo Gilberto Freyre?

Para os organizadores, "a diversidade de temas garantiu o sucesso" desta oitava edição da Flip. Segundo eles, entre 15 e 20 mil pessoas acompanharam as 19 mesas de debates e conversas que aconteceram entre a quarta-feira e o último domingo. Consequentemente, as receitas da festa saltaram de R$ 5,9 milhões em 2009 para R$ 6,3 milhões este ano. Um bom sinal, lógico, mas, para mim, a seleção dos autores convidados ficou mais irregular que as ruas de pedras da cidade.

Quem esperava que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se valesse do convite para proferir a conferência de abertura do evento para fazer proselitismo político acabou acompanhando a uma "conferência extremamente complexa", nas palavras do diretor de programação da Flip, Flávio Moura. Não achei isso e o próprio FHC repetiu mais de duas vezes não conhecer a fundo a obra de Freyre, mas o que importa é que ele respeitou o caráter do evento e se absteve de fazer política, salvo por uma ou duas alfinetadas sutis.

Já a chilena Isabel Allende, autora de, entre outros, A Casa dos Espíritos, fez piada de si mesma e das mulheres chilenas em geral, contou que o poeta Pablo Neruda a incentivou a se tornar escritora dizendo que as características que a tornavam a pior jornalista em atividade em seu país seriam as mesmas que poderiam ajudá-la a se transformar em uma boa autora de ficção, evitou se alongar na descrição de sua pouca vivência com seu tio, o presidente morto durante um golpe militar, Salvador Allende, e defendeu a literatura como paixão. Infelizmente, não parecia estar em um de seus melhores dias e o jornalista Humberto Werneck não conseguiu extrair muito mais dela.





Mas pior sorte teve o experiente Silio Boccanera. Após anos como repórter correspondente no exterior, Silio tentou conduzir o bate-papo com o indiano Salman Rushdie para temas controversos como o extremismo religioso (sobretudo o mulçumano), as críticas que apontam uma "visão estereotipada" na obra de Rushdie e a situação iraniana. Em tom ríspido, o autor indicou ter vindo ao Brasil para falar de seu novo livro e não de política. O jornalista se fez de desentendido e seguiu a mesma linha, pouco interessado em divulgar a obra do indiano. Dá para condená-lo por isso? Acho que não, né?

Mas foi só as 17h15 de sábado que enfim as Musas baixaram sobre a Tenda dos Autores. Dando mais munição aos que defendiam que a Flip, por seu caráter, deve privilegiar os autores ditos "literários" (contistas, cronistas, romancistas e poetas), o poeta Ferreira Gullar fez a palestra "do ano".





Prestes a completar 80 anos e recém-agraciado com o Prêmio Camões, a maior distinção literária da língua portuguesa, Gullar esteve impagável. Seja ao ironizar os que colocam a atuação política acima da obra literária de qualidade intrinseca, seja ao contar as muitas história que vivenciou nas últimas seis décadas.

"Não adianta fazer poesia ruim, engajada, para não mudar nada. Se é para não mudar nada é preferível fazer boa poesia", disse pouco antes de ler um trecho de sua obra mais famosa, o Poema Sujo, de 1976, escrito quando achava que seria `desaparecido´ pelo regime militar. Aplaudidíssimo, Gullar não escondeu a fragilidade e o estranhamento com que recebia a homenagem.





Ainda no sábado, na sequência de Gullar, duas lendas-vivas subiram ao palco para, digam o que disserem os jornais que apoiam o evento, frustrar o público presente. Não foi preciso nem meia-hora para que os cartunistas norte-americanos Robert Crumb e Gilbert Shelton transformassem a mesa mais concorrida desta Flip na conversa com o maior índice de evasão dos últimos tempos. Ao menos na Tenda do Telão, que começou lotada e logo estava com metade dos assentos vazios. Culpa das piadinhas de Crumb sobre o tamanho das bundas das brasileiras? Penso que não e acho que o mediador, o editor-executivo da Folha, Sérgio Dávila, teve boa dose de responsabilidade para o fracasso da conversa, que não revelou absolutamente nada. Principalmente pela desastrada atenção que deu à esposa de Crumb, a também desenhista Aline Crumb, que convidada a subir ao palco, acabou monopolizando o encontro diante de um apático Shelton que poucas oportunidades teve para falar.

quinta-feira, agosto 05, 2010

com uma conferência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as bases do pensamento do sociólogo Gilberto Freire, teve início, ontem a noite, a oitava edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, como o evento é mundialmente conhecido (seus organizdores já cogitam a criação de uma edição inglesa, o Flip UK). E a simples opção do tucano já rendeu ao evento sua primeira polêmica: além das críticas de autores de ficção e de ensaistas literários, como Marcelino Freire, que pela primeira vez não virá a cidade histórica, um grupo de cidadãos ontem se postou na entrada da Tenda dos Autores com camisetas e cartazes com frases contra a participação do sociólogo paulista que já pediu que esquecessem o que ele escreveu. Apesar disso, FHC frustrou os que esperavam polêmica, atendo-se a apresentar a um público heterogêneo sua avaliação do principal livro de Freire, Casa Grande E Senzala (ainda que, o tempo todo, destacando não ser um profundo conhecedor da obra de Freire). Entre as mesas desta quinta-feira uma das que promete ser das mais concorridas dos últimos anos: a da chilena Isabel Allende, autora de, entre outros sucessos, A Casa dos Espíritos.

segunda-feira, julho 26, 2010

Tipos Latinos

A Bienal Tipos Latinos 2010 apresenta cerca de 80 trabalhos tipográficos de designers da América Latina. Em sua quarta edição, a exposição divide-se em sete categorias, de acordo com a destinação de uso das fontes criadas - desde aquelas voltadas à composição de texto corrido às experimentais, que não priorizam a leitura. Entre os autores selecionados, estão os brasileiros Fernando Caro, Marconi Lima, Pedrina Reis e Ana Paula Megda.
Terça a sexta, das 10 às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
Entrada franca - Piso Flávio de Carvalho

sábado, julho 24, 2010



E então? Passado o impacto inicial, que tal começar a aproveitar o que São Paulo tem de melhor a oferecer: a vida cultural e artística. Sim, porque na capital paulista até o mais `mudérno´ frequentador da Baixa Augusta tem que suar se quiser acompanhar seja lá qual for a cena. Na música, por exemplo, o caso de Guilherme Granado e seu Bodes e Elefantes é sintomático do que estou tentando dizer.

Na internet é fácil encontrar menções ao "projeto paralelo" do multi-instrumentista que toca no Hurtmold...Peraí. Como é que é? Hurt o quê? Pois é. Hoje "projeto paralelo" não é mais um privilégio de músico entediado com o sucesso alcançado pelo grupo que o alçou à fama. Nãããão. Hoje, "projeto paralelo" é o equivalente à dupla jornada de quem tem que ralar muito para saciar a fome, seja no sentido literal, seja figuradamente.

Difícil de entender? Pois então vejamos se eu consigo explicar onde quero chegar. A fama do Hurtmold extrapolou o círculo dos iniciado quando o grupo passou a tocar com o hermano Marcelo Camelo. Após isso, Granado encontrou tempo para gravar seu segundo trabalho com a Bodes e Elefantes, na qual toca com M. Takara, que também é seu companheiro no... Hurtmold. E no São Paulo Underground.

Entendeu? O projeto paralelo atende mais à vontade da fazer algo diferente, sem que isso signifique tocar com parceiros diferentes. De qualquer forma eu cansei de tentar explicar essa tal de cena paulistana que conta ainda com nomes como Cidadão Instigado, Rômulo Fróes, Cérebro Eletrônico e vários outros que vão demorar um tempinho a começar a aparecer nos jornais e na tv.

Assim como as opções artísticas de cada um varia conforme o projeto, os resultados são díspares. No caso do Bodes e Elefantes, como escreveu Luis Fernando Santos no site Banana Mecânica, "quanto crédito merece um disco que tentou, gritou e experimentou fazer diferente, mas que esqueceu de comunicar?".

Não chega a ser indigesto, pelo contrário, mas soa difícil o trabalho do Bodes, com músicas longuíssimas e um uso excessivo de sobreposição de sons, distorções e citações. De qualquer forma, está aí...vejamos se consigo baixar o vídeo.

quinta-feira, julho 22, 2010

Música Incidental Pra Viajar

Direto do Centro Cultural Vergueiro, onde Guilherme Granado lança o segundo álbum de seu projeto solo...

espaço reservado para o vídeo

domingo, julho 18, 2010

Semifosco Trotamundo

Em duas semanas...Orla da Praia de Santos (SP); Terminal Barra Funda, em São Paulo (SP); Marina Silva inaugura a primeira das Casas de Marina (espécie de comitê eleitoral organizado voluntariamente por seus simpatizantes) no bairro de Campo Lindo, extremo Sul de São Paulo; o candidato presidencial José Serra faz campanha no centro de Campinas (SP); o candidato tucano ao governo de São Paulo, Geraldo Alckimin, e o candidato ao Senado, Orestes Quércia, ajoelhados na Igreja Matriz de Jundiaí (SP); Aeroporto Internacional de Brasília (DF); vegetação resiste à seca em Superquadra de Brasília (DF); Avenida Consolação, em São Paulo (SP) com o Minhocão ao fundo e Santos, hoje (18)

























































domingo, julho 04, 2010

Orgulho de Ser Santista

Evoé José Bonifácio, Bartolomeu de Gusmão, Benedicto Calixto, Gilberto Mendes, Plínio Marcos e aos muitos Querôs, Celso Amorim, Mário Covas, Sérgio Mamberti, Renato Teixeira, Vicente de Carvalho, Tomas Rittscher (o primeiro homem no Brasil a deslizar sobre uma onda usando uma prancha, ainda em 1934), Aloizio Mercadante, Esmeraldo Tarquínio, Nuno Leal Maia, Homero Naldinho, Almir e Picuruta Salazar e a todos os H-Prol boy´s (espécie de Dogtown caiçara).

Um salve aos irmãos José e Raphael Herrera, a Nair Lacerda, Cassiano Nunes, Oscar Magrini, Garage Fuzz e Charlie Brown Jr., Cristiano Navarro, Bete Mendes, Rubens Edwald Filho, José Roberto Torero, Rui Ribeiro Couto, ao cientista José Fernando Perez, Paulo Vilhena, Abel Neto, Luciano Faccioli, Rogério Sampaio, Fábio Goulart, Paulo Celestino e Luiz Fernando Marques (Lube), do Grupo XIX de Teatro. E principalmente aos portuários e sindicalistas que fizeram com que, por muito tempo, a hoje "sonífera ilha" fosse conhecida como a "Capital Vermelha" do país.

Em homenagem a todos os santista, uma mostra de algo de essencial que resiste à modorra e à turma do Não que tenta a todo o custo silenciar a alma festiva da população: a Roda de Samba do Ouro Verde (clique aqui para saber mais)




segunda-feira, junho 21, 2010


"Atenção! Pensando em sua comodidade, nos dias em que houver jogo da seleção brasileira, a CPTM irá adiantar o horário de pico. Próxima estação, Imperatriz Leopoldina. Desembarque pelo lado esquerdo do trem".
Bem-vindo a São Paulo. Graças a Deus, aqui há sempre alguém preocupado com a nossa comodidade e disposto a nos aliviar de qualquer peso necessário.
Após duas semanas de muito frio, a temperatura voltou a esquentar e o semifosco redator começa a se animar a percorrer o roteiro culturas da louca paulicéia. Uma peça com a Denise Fraga - A Alma Boa de Setsuan, de Bertold Brecht -, outra do CPT do Antunes - Policarpo Quaresma -, um filme meia-boca - Pânico na Neve e, hoje, um bom show da banda Guizado.

terça-feira, maio 25, 2010

Quem pode explicar a razão do pinto de peitos ter nascido com o bico preto?



Hã?



Sim meninos, o pinto de peitos tem o bico preto e o seu pio é escuro



Que raios o Fernando Catatau tá querendo dizer? Fernando quem? Catatau, o cearense que, vivendo em São Paulo, se tornou um dos artistas a personifica o que é a nova música em tempos de pulverização do sucesso: ralação esquema punk. Do it yourself.


Além de tocar no Cidadão Instigado - que parece mesmo ser sua prioridade -, o cara é o guitarrista por detrás do festejado último disco do Otto, toca com Vanessa da Mata, grava com o coletivo Instituto...e compõe coisas como isso...
Ele não é hermano







Fica dado o recado: dia 17 de junho, Cidadão Instigado toca em Brasília.

segunda-feira, maio 24, 2010

A Difícil Arte de Partir - VOL. 1: Explicações

Eu e minha namorada tínhamos acabado de entrar em casa quando o telefone tocou. Atendi a contragosto, mas me animei quando reconheci a voz amiga vinda do outro lado da linha. Ainda que ela soasse ansiosa.
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_ Porra! Que história é essa? - intimou a voz.
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_ Ô, off the boff! A que devo a honra após tanto tempo? - ironizei, adivinhando a razão da irritação de meu amigo Carlos Leite, o surfista prego que conheci assim que cheguei em Brasília e que, neste espaço de cinco anos, largou um emprego estável e pouco promissor, deixou a namorada, vendeu a bateria que não poderia carregar consigo e passou a viver de pequenos expedientes que lhe possibilitem cair na estrada em busca de ondas. Oceânicas ou sensoriais.
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_ Não vem com história não, véio! Tu não ia me contar?
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_ Ué, estava esperando você voltar seja lá de onde esteja chegando.
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_ Eu estava em Natal, mas agora estou indo praí.
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E desligou. Passados vinte minutos ouvi o barulho da catraca de uma bicicleta e do pneu sob o piso de mármore. O interfone tocou e eu nem precisei perguntar quem era. Abri as portas e o sujeito bronzeado não tardou a surgir diante de mim. Abracei-o mais efusivamente que de costume – já havia dito a minha namorada que nos últimos dias tenho andado emotivo.
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_ Pô, paulista. Como assim?
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_ Pois é! Já tá sabendo, não é?
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_ Caraco, meu. Tu tá louco?
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_ Já ouvi isso de outras pessoas, mas imaginei que você, mais do que ninguém, iria entender. Afinal, esse sempre foi meu plano. Comentei isso contigo várias vezes.
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_ Sim, mas não tem nada a ver, véio! Tu é sussa, tá a pampa aqui. Vai fazer o quê em Caos?
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_ Trabalhar. No mesmo emprego, só que a noventa quilômetros da praia. Cara, pensa só. Vou voltar a pegar onda ao menos aos finais de semana. Se marcar, consigo uma vez ou outra fazer um bate-volta no meio da semana. Não estou entendendo tua reação.
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_ Pô, véio...com quem mais aqui em Brasília eu vou assistir a vídeos de surf? Quem teria ido comigo àquela exposição de pranchas no Park Shopping? E quem vai querer ouvir meus relatos quando eu voltar das surf-trips?
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_ Eu acho que você tá precisando arrumar uma namorada, mas quanto às histórias, continua me escrevendo que eu as publico no meu blog. Deve ter três ou quatro pessoas que as lêem.
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_ Véio, já pensou no trânsito, no barulho? Como é que tu vai trocar essa tranquilidade, esse céu, por aquela selva de concreto?
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_ Pois é! Eu já pensei nisso. E concluí que é uma pena que dificilmente a gente consiga unir o melhor de dois mundos. Depois, eu vou e se não der certo volto com a certeza de que aqui é meu lugar. Melhor que passar mais cinco anos prometendo que no próximo ano eu vou. Aliás, se você não tivesse família e amigos de infância aqui eu diria que você deveria fazer o mesmo.
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_ O argumento não pareceu convencer meu amigo, mas como não soube o que dizer, Leite lançou um olhar a nossa volta como quem tentasse memorizar um cenário que sabe que verá pela última vez. Caminhou até a estante e correu os dedos pelos vídeos de surf até retirar um: Nalu.
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_ Cê tá louco?!? Aqui é meu QG. Pode não ter onda, praia, grandes shows, muvuca nas ruas, mas ainda é das melhores cidades do país para se viver.
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_ Concordo em parte contigo. E por isso mesmo essa não foi uma decisão fácil. Por mais que eu sempre tenha dito que ia, na hora h foi difícil me decidir a abrir mão das comodidades brasilienses. Mas acho que pra mim agora deu.
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_ Então você está decidido?
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_ Acho que as circunstâncias decidiram por mim, mas lembre-se da primeira conclusão: Remou, tem que dropar.
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_ Sei, sei....E a segunda é que a onda do vizinho sempre nos parece mais lisa e cavada que a nossa.
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_ Ah, deixa disso, cara...Até parece que tu tem razão para ficar com inveja de mim. Até porque tu quase não para mais aqui. Pensa só: vai ficar mais fácil a gente marcar uma session juntos. Quando for a São Paulo basta me ligar. Vai até poder ficar em casa.
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_ Então é isso? Você está certo disso?
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_ Sim. Estes são meus últimos dias em Brasília.
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_ Pô, então tu podia ao menos me deixar esse vídeo de lembrança, não?

domingo, abril 18, 2010

Moby em Brasília

PQP! Que show o dj norte-americano Moby deu esta madrugada, em Brasília.

Com a área externa do Museu da República lotada e sob o característico céu estrelado da capital federal, Richard Melville Hall, 44 anos, se valeu da companhia de uma excelente banda de apoio (que backing vocal!) para provar que a música eletrônica há muito não se resume mais ao “putz, putz” que alguns djs insistem em tocar (de hoje, basta citar as versões de Walk on The Wild Side, de Lou Reed, e a canção Honey, em que Moby competentemente encaixa um trecho de Whole Lotta Love, do Led Zeppelin).

O mais legal é que, lá pelas tantas, me dei conta de que gosto de Moby além do que imaginava, pois o cara é autor de várias músicas que assobiava sem saber de quem eram. Quer ver? Ouça Why does my heart feel so bad?, Porcelain, Disco Lies ou Troubles So Hard, para ficar apenas em algumas das que integraram o set list, em Brasília.

Assim, a semana do aniversário de 50 anos de Brasília começou bem.

sexta-feira, abril 16, 2010

Moby, de graça em Brasília

Neste sábado (17), brasilienses e quem estiver visitando a capital federal poderão curtir, de graça, o show do inglês MOBY. A apresentação está marcada para as 24h, no Museu da República, na Esplanada dos Ministérios.


quarta-feira, abril 14, 2010

Lembranças

Vai entender porque dentre tantas publicidades históricas, a que mais marcou minha infância foi essa, da dedetizadora D.D.Drin. Embora tenha ido ao ar no final da década de 1970, em São Paulo, ainda hoje eu me lembrava da letra da música, do efeito de luzes piscando e, principalmente, de que, na época, achava uma maldade interromperem uma festa tão animada e ainda por cima matarem os insetos-músicos. Quase ninguém com quem conversei se lembrava do comercial, mas ainda assim eu imagino que ele deve ter feito muito sucesso, já que permaneceu no ar durante anos.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Quarta-feira de Cinzas em Brasília

Hoje aprendi duas coisinhas interessantes observando os jornalistas que trabalhavam na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, local onde o governador afastado José Roberto Arruda está preso desde a última quinta-feira. As duas mais significativas foram protagonizadas pelo repórter da Rede Bandeirantes, Fábio Panunzzio.

A primeira foi sobre o respeito que inspira um microfone e uma câmera de tevê, principalmente se usados por um profissional convicto de estar agindo corretamente.


Como um pequeno grupo de simpatizantes de Arruda estava atrapalhando o trabalho dos repórteres, gritando próximo às câmeras para tentar convencer o advogado de defesa de Arruda a não falar com os “urubus”, Pannunzio, ao fim da entrevista, não se conteve e reclamou com um dos homens, que elevou o tom das acusações, passando a xingar os repórteres.


Diante da intolerância e da má-educação da claque do governador, e vendo que o homem de cerca de dois metros e no mínimo 100 quilos, começava a se encher de razão, Pannunzio não pensou duas vezes. Chamou seu câmera, ligou o microfone e foi para cima do sujeito, visivelmente intimidado pelos equipamentos e por perguntas como se ele acreditava na inocência de Arruda, se tinha emprego e, se sim, o que estava fazendo no meio da tarde gritando em frente à PF.


A segunda lição, infelizmente protagonizada pelo próprio Pannunzio, foi de algo que, acredito, um jornalista deve evitar ao máximo: discutir com esse tipo de energúmeno. Não há razão capaz de se contrapor aos interesses que movem um sujeito como este. Não há sequer o que garanta que esses grupos sejam adeptos da discussão de pontos-de-vista sem que ela descambe para a violência.


Mais tarde, o clima voltou a esquentar após um sem-noção (este “contrário à corrupção que atinge os três poderes nacionais”) se aproximar do grupo de cerca de 70 pessoas e, sozinho, atear fogo a três bonecos de isopor com as fotos de Arruda e dos presidentes do Senado, José Sarney, e do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Além disso, o fogo também chamuscou uma bandeira do Brasil e isso foi a deixa para que o grupo que apóia Arruda fosse para cima do sujeito, que só conseguiu escapar ileso graças à presença e à intervenção dos jornalistas que praticamente o escoltaram para longe, enquanto policiais militares observavam a confusão sem nada fazer.

Torço para que o governador Arruda ou renuncie logo ao cargo, ou para que a PF o transfira para outro lugar mais afastado pois ao longo de dois meses e meio de crise política, a tensão vem crescendo dia a dia e, se as coisas continuarem como estão, não tardaremos a testemunhar algo mais grave.

(PRESTEM ATENÇÃO A PARTIM DOS 3MIN36 - Se não conseguir assistir na janela abaixo, acesse http://videos.band.com.br/v_49907_manifestantes_a_favor_de_arruda_hostilizam_jornalistas.htm)

Nos bastidores, o boato é de que Arruda deve renunciar ao cargo nesta quinta-feira (18). Se isso de fato acontecer, não está descartada a possibilidade de o governador seja transferido para a Penitenciária da Papuda, onde continuaria preso.

Três dias, três filmes

Sinédoque, Nova York.

Que raio é esse?!?! O filme é bom?
Depende do gosto do freguês. Quem já está familiarizado com os estranhos roteiros bolados por Charlie Kaufman (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Quero Ser John Malkovich) sabe mais ou menos o que esperar da primeira experiência do roteirista por detrás das câmeras. Já pra quem gosta de blockbuster (e só disso), alugar essa fita fica por conta e risco.

Mas, enfim, o filme é bom? Depende do gosto do freguês. Pro Luiz Zanin, do Estadão, “em ambiente tão medíocre quanto o do cinema contemporâneo, ele até destoa pela originalidade, mas também ilustra a distância que existe entre colocar uma idéia em palavras e transpô-la em seguida para o cinema […] Quer dizer, equilibrar a recusa da redundância com a virtude da inteligibilidade”.

Entendeu? Bom, a história contada por Kaufman também não é fácil de acompanhar. E assistir a este filme implica, para quem quiser responder se ele é ou não é bom, a concordância em revê-lo com calma uma segunda vez. Agora, goste ou não da condução da trama, o que não dá para negar é que o gordinho Philip Seymour Hoffman é sinônimo de boa atuação.

Carnaval Federal

20:30, Brasília (DF), 26º

O Balaio tá fechado. O Armazém do Ferreira também. Até a boate Velvet fechou as portas durante o carnaval. Depois do pôr-do-sol, poucos pedestres caminham pela Asa Norte. Mesmo os automóveis esvaziaram as principais vias do bairro. Dá para atravessar tranquilamente a L2, a W3 e até mesmo o Eixão.

O silêncio se sobrepõe ao som da batucada distante. Passando ligeiro, de bicicleta, adivinho umas poucas tevês ligadas nas amplas salas dos apartamentos funcionais. No ponto de ônibus, a moça, empregada do supermercado, espera o ônibus que a levará de volta para casa, onde vai tentar repor o sono da gandaia seguida por um dia registrando códigos de barras.

Conjunto Nacional fechado, Rodoviária esvaziada, Esplanada dos Ministérios assombrada, a noite é diferente do Conic pra cá. Oito e meia da noite e ainda tem tiozinho fazendo cooper no Parque da Cidade, tem uns boys jogando futvôlei, garotada do Entorno comendo pipoca na fila da roda-gigante. Mas o que tem mais, a esta hora, é casalzinho em atitude suspeita.

De bike é fácil sair pra qualquer lado. Aproveito o declive para descer pela S2 sem esforço, vendo as primas sentadas no calçadão. A tranquilidade da capital engana. O “crime” tá aí pra quem tiver disposição. Que o diga os dois guris que se esgueiram pelo estacionamento do Conic, a chamada Cracolândia.

O governo até que tentou organizar um carnavalzinho ali entre a Rodoviária e o Museu da República, mas o negócio é deprimente. Pra mim, a melhor política do GDF para o carnaval seria não investir nada, deixar por isso mesmo. Se a festa é popular como dizem não deveria depender de dinheiro público para acontecer. Caso contrário é negócio.

E se for colocar dinheiro na folia, que seja para por o bloco nas ruas do Entorno, onde o cidadão passa os dois dias de folga (quando os tem) diante da tevê ou no bar. No Plano, o cara disposto pega avião e vai passar o final de semana na praia, vai de carro pra Chapada...Quem fica quer mais é silêncio. Quer maldade discreta, caminhar no Eixão, pegar um cinema, a noite um showzinho.

Pedalando pela L2, me dou conta de ter feito a escolha certa. Brasília é um dos melhores lugares para se estar neste Carnaval. Se não ligo a televisão, dá até pra esquecer da Ivete Sangalo e da Cláudia Leite e não pensar nos R$ 800 que playboy paga por um abadá. Além disso, viajar agora é mais caro e com o dinheiro que economizei dá para ir duas vezes para Santos, onde a roda do Ouro Verde pega sem cobrança de entrada ou couvert.

sábado, fevereiro 13, 2010

A Boa Hoje É...

A la la ô, mas que calor! Camiseta ensopada de suor, vou resgatar minha civilidade em uma sala de cinema. Principalmente porque, enfim, o filme argentino O Segredo de Seus Olhos estreou em algumas cidades brasileiras (Brasília e São Paulo entre elas).
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Não me canso de escrever a respeito do mais recente filme de Juan José Campanella (O Filho da Noiva e Clube da Lua) - uma das melhores películas que assisti em 2009 e indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Mas vou poupá-los da ladainha! Se alguém quiser ler mais sobre a história e ver o trailler, basta clicar aqui ou procurar o comentário do dia 10 de janeiro.

A outra dica para quem está fugindo do samba enredo e das marchinhas carnavalescas é ouvir e baixar as músicas da banda pernambucana Sweet Fanny Adams (mesmo nome de um LP lançado pela banda de glam rock Sweet**, em 1974, mas também uma gíria bastante comum na Inglaterra que quer dizer "absolutamente nada"). Rock dançante, bom para quem gosta de som indie. A gente até desculpa o fato dos garotos cantarem em inglês.
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Pra conferir o som, basta acessar a página do grupo na gravadora Trama (no qual basta se cadastrar para poder copiar as músicas da banda) ou no MySpace.
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Ah, e ainda no campo do rock´n´roll, as 21h de hoje (13), na capital federal, tem Sapatos Bicolores tocando no Velvet Pub, na 102N. Ingressos R$ 15 (homem) e R$ 10 (mulher).
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** Se você tem mais de 25 anos, curte música pop, mas acha que nunca ouviu a banda Sweet, dá um confere na música Ballroom Blitz, na Rádio Uol, e reavive sua memória musical.

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Um Novo Logotipo para São Paulo

Política não é muito a seara deste blogueiro semifosco. Tanto que, mesmo tendo testemunhado um momento histórico (a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, ontem (11)), me abstenho de comentá-lo.


Por outro lado, não pude me furtar a compartilhar a imagem abaixo, uma crítica mordaz ao governo de São Paulo, hoje conduzido pelo ainda provável candidato tucano à Presidência da República, José Serra.
Concorde ou não com a gestão "eficiente" de Serra, ninguém há de negar que a imagem é uma grande sacada, sintetizando uma situação vexatória para o governo paulista. Até a última informação que li já passava de 70 o número de mortos pelas chuvas (ou como bem frisou um amigo, pela falta de infra-estrutura urbana, pois chuva sempre houve e sempre haverá).

domingo, fevereiro 07, 2010

Zinn ou Zina, para o Google que Zidane

O Google parece ter encontrado uma irônica forma de homenagear o historiador norte-americano Howard Zinn, conhecido por dar voz a escravos, operários, sindicalistas e outsiders ao recontar parte da história de seu país.

Pesquisando para ver se encontrava, na internet, uma cópia do documentário The People Speak, (exibido pelo canal History Channel) ou qualquer entrevista legendada de Zinn, qual não foi minha surpresa ao receber como resposta dezenas de indicações de vídeos não com o historiador falando sobre o povo, mas sim com o filósofo da Xurupita... Zina do Pânico.

Quer algo mais povão que isso?

No final das contas, tive que me contentar em assistir, no youtube, um pequeno trailler em inglês mesmo, que não ajudou em nada para sanar minha ignorância quanto a obra de Zinn, classificado por Sérgio Augusto como “o Robbin Hood” dos historiadores.


sábado, fevereiro 06, 2010

Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos


O desejo é um tempo parado
É quando se trocam as datas dos bichos e das flores
É quando aumenta a rachadura da velha parede
É quando se vira a folha, a folha da história
É quando se pinta um fio branco na cabeleira preta
É quando se endurece o rastro de sorriso
No canto dos olhos
Eu sei que a viagem é longa


A dor da perda “pode ou não, eventualmente” ser um poderoso aditivo para o artista. No caso de Otto, a separação, o fim do contrato com a gravadora Trama e os cinco anos sem lançar um disco parecem ter servido de combustível para que ele produzisse um dos melhores discos de sua carreira, quiçá, de 2009, como têm apregoado alguns críticos.
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Embora as letras continuem contendo versos herméticos, indecifráveis, as melodias e a interpretação do pernambucano, mais elaboradas, são o bastante para reforçar a mensagem impressa no título do quarto disco solo de Otto: este é um álbum gestado em meio a sonhos intranqüilos.
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Lançado primeiro nos Estados Unidos e na Europa para só então chegar ao Brasil via gravadora e distribuidora independentes, o álbum conta com a participação da paulistana Céu, da mexicana Juliete Venegas e do também pernambucano Lirinha, que embeleza os versos da canção Meu Mundo Dança, reproduzidos acima.
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A banda que acompanha Otto é formada pelo elogiado guitarrista Catatau (da banda Cidadão Instigado), pelo baixista Dengue e pelo baterista Pupillo, que assina a produção do disco junto com o cantor.
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Detalhe: embora seja um disco perpassado pelo sentimento de perda amorosa e afetiva – como fica implícito na gravação de Naquela Mesa, grande sucesso na voz de Nelson Gonçalves -, Certa Noite Acordei de Sonhos Intranquilos (nome inspirado na primeira frase do livro Metarmofose, de Kafka) não é deprê ou música de corno. É um balanço do que a dor ensina.
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"Naquela mesa ele juntava gente / E contava contente o que fez de manhã / E nos seus olhos era tanto brilho / Que mais que seu filho / Eu fiquei seu fã / Eu não sabia que doía tanto / Uma mesa num canto, uma casa e um jardim / Se eu soubesse o quanto dói a vida / Essa dor tão doída, não doía assim / Agora resta uma mesa na sala / E hoje ninguém mais fala do seu bandolim / Naquela mesa ta faltando ele / E a saudade dele ta doendo em mim".

Clique aqui para ouvir o CD

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

E O OSCAR NÃO VAI PARA...

Um adendo tardio ao comentário anterior.


Afinal, do ponto de vista artístico (que deveria ser o mais importante para nós, simples mortais) que importância tem o Oscar?


Charles Chaplin nunca recebeu uma estatueta por melhor direção ou filme (recebeu, sim, por música, vejam só!). Nem Orson Welles levou por Cidadão Kane, indicado, em 1941, em nove categorias. Tampouco Alfred Hitchcock.


E Martin Scorsese? Ganhou com Os Infiltrados, um bom filme, mas longe, muito longe de causar o impacto que na época do lançamento causaram Taxi Driver (1976) ou Touro Indomável (1980) Nestes anos, sabem que levou os prêmios de melhor filme? Rocky e Gente como a Gente.

Gente como a Gente????

Isso para não falar em tantos outros importantes cineastas que não produziam em Hollywood, mas cuja obra foi importantíssima para o desenvolvimento artístico do cinema.

Ou seja, para o restante do mundo, a importância do Oscar deveria ser relativizada. Ao menos até que O Segredo dos Seus Olhos ou outros excelentes "filmes estrangeiros" (não yankees) pudessem disputar em condições de igualdade o mesmo título ao qual foram indicados Avatar ou Invictus.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

O Segredo do Oscar

Pois é...Como diria a revista Trip se tivesse o surfista globetrotter Carlos Leite entre seus colaboradores, Demos Antes e Gostamos.
Graças ao acaso, a preços baratos e a uma porteña sensível, nosso correspondente para faixas litorâneas já havia adiantado a este blog semifosco (que só encontrou espaço para publicar a dica no dia 10 de janeiro) a possibilidade do filme argentino O Segredo dos Seus Olhos ser indicado ao Oscar.
Com isso, Leite passa agora a ocupar este espaço para falar também sobre cinema, prometendo para breve uma resenha crítica sobre Rock Horror Show. Massa!
Clique aqui para ver o que já dissemos sobre o filme com o muso argentino Ricardo Darín.


Filmes estrangeiros indicados ao Oscar:
Argentina, "O Segredo dos Seus Olhos", de Juan Jose Campanella
França, "Un Prophète", de Jacques Audiard
Alemanha, "A Fita Branca", de Michael Haneke
Israel, "Ajami", de Scandar Copti e Yaron Shani
Peru, "A Teta Assustada", de Claudia Llosa