domingo, junho 16, 2013

Julho é tempo de


... pular fogueira e formar "quadrilha". Em Brasília, em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Natal e por aí vai. Quer dizer, vai se a PM deixar.


Dançando ao som da marchinha "A ponte caiu. Volta que é verdade. A inflação tá sob controle. É mentira"

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Fica aqui a sugestão: que a exemplo do que fez com os camelôs, com os instrumentos sonoros e com os xingamentos às mães dos árbitros, a Fifa proíba, já na Copa do Mundo de 2014, o público de vaiar as autoridades políticas presentes nos estádios. É preciso manter o respeito e o fairplay (veja vídeo abaixo). 

Brincadeiras à parte, o que me causou estranheza não foi exatamente a vaia ao presidente da Fifa, Joseph Blatter, ou à presidenta da República Dilma Rousseff, mas sim:

a) Blatter dar as boas-vindas à presidenta, e não o contrário. "É um grande prazer, em nome da Fifa, dar as boas-vindas e a gratidão às autoridades brasileiras, lideradas pela presidenta". Nos meus tempos de guri, a Fifa era meramente uma entidade esportiva. Não um Estado membro da ONU, apto a firmar com os Estados-nação contratos que lhe concede tratamento fiscal e alfandegário diferenciado e o controle sobre parte do território brasileiro (um perímetro em torno dos estádios, bem como as principais vias de acesso a estes)

b) Dilma, na qualidade de chefe do governo, ser criticada por quem critica os gastos públicos com a organização dos grandes eventos esportivos que o país vai sediar e, simultaneamente, ser vaiada por quem se dispôs a pagar e a passar um tempo na fila para garantir o ingresso para a "grande festa do torcedor brasileiro". Não é fácil presidir esta banca. Estariam os torcedores protestando contra o uso indevido de dinheiro público em estádios enquanto nossos hospitais e escolas.....?


Cru e bem-sucedido teatro brasiliense


"Grande aposta na força do trabalho do elenco e na química que os três atores têm em cena"

"Peça deixou os recifenses atônitos"



O público brasiliense tem uma nova chance de conhecer ou rever um dos mais bem-sucedidos espetáculos teatrais criados na capital federal. O espetáculo Cru, da Cia. Plágio de Teatro, voltou a entrar em cartaz no insuspeito Espaço Cena (205 Norte, bloco C), onde permanece até o próximo domingo (23), com sessões de quinta à sábado (21h) e aos domingos, as 20h (R$ 30, inteira).

Desde que estreou, em 2009, o espetáculo vem conquistando importantes prêmios como o Festival de Teatro do Rio de Janeiro. Além do aval do público das mais de 50 cidades onde já foi encenada, a produção minimalista e visceral foi transposta para as telas de cinema pelo diretor Jimi Figueiredo, com dois dos três atores da peça interpretando os mesmos papéis.

O sucesso de público e crítica alcançado pela companhia a partir do texto do dramaturgo brasiliense Alexandre Ribondi é uma excessão na capital federal, onde parecem só sobreviver as companhias locais que se dedicam às comédias de gosto duvidoso. Texto seco com ecos do Plínio Marcos de Querô e de Dois Perdidos Numa Noite Suja que permite a Sérgio Sartório (que dirige a peça junto com Ribondi) brilhar no papel do matador de aluguel Cunha e a Chico Sant´Anna (Zé) e Vinicius Ferreira (Frutinha) provarem que a capital federal é capaz de reter alguns excelentes atores dramáticos.

A trama se passa num açougue de um vilarejo remoto, administrado pelo desconfiado, ressentido e irônico travesti Frutinha. É ali que o forasteiro "Seu" Zé marca um encontro com Cunha (Sartório), pistoleiro sem escrúpulos que, à exceção de ambientalistas e freiras, diz "derrubar" qualquer serviço. Implícitas, referências à procedência do autor e da companhia produzem risos em meio ao clima tenso em que transcorre o encontro das três personagens. Como no impagável diálogo em que o matador, ao saber que Seu Zé, vivendo na capital federal, nunca "apertou a mão" do presidente da República, insiste em saber o que ele tem contra "o homem" em que ele, que vive tão longe, votou duas vezes.

Leia Também:
Estudos Sobre a Violência - Vialenta, humor sutil e inteligente

segunda-feira, junho 10, 2013

Vídeos para ler


Você não conhece jovens que leem e, por extensão, conclui apressadamente que toda uma geração não gosta de ler? Pois saiba que há jovens devorando livros e que muitos tem um paladar requintado e, ao mesmo tempo, onívoro. 

Forçoso reconhecer que como os que leem de tudo ainda são minoria, o resultado não é assim tão vasto se computarmos a média nacional. Mesmo assim, há motivos para surpresa e regozijo, conforme provam alguns vlogs brasileiros dedicados à literatura. 

Vlogs são blogs feitos com o uso de recursos audiovisuais - basicamente, vídeos caseiros. Entre os principais criadores destes espaços quase sempre hospedados na página do YouTube, não há contradição alguma em se recorrer à linguagem visual para falar de literatura. 

Usando vídeos e linguagem coloquial para compartilhar não apenas o gosto e a opinião pessoal pelos livros, mas também para estimular outras pessoas a ler, os criativos e entusiasmados autores de espaços como o Ratos Letrados, do farmacêutico brasiliense Murilo Videl (26 anos), ou o VevsValadares, da também brasiliense estudante de letras Verônica Valadares (21 anos), atingem a um público que, de outra forma, talvez não prestasse atenção à proposta de que a literatura é um barato. 

"O [deus] Baco cisma que queria dá uma de lóki e trolar a viagem de Vasco da Gama, mas a Afrodite diz "Que absurdo! Não faça isso, Baco!", brinca Verônica Valadares no vídeo em que recomenda a leitura de nada mais, nada menos que Os Lusíadas, de Camões (assista logo abaixo). Livro por ela classificado como "uma espécie de road movie épico do século XVI".

O barato é que boa parte dessa geração de leitores tende a fugir do pedantismo, lendo, por prazer, dos "clássicos" às histórias do bruxinho Harry Potter, de Tolkien a Machado de Assis, passando pelo best-seller juvenil brasileiro André Vianco (de quem poucos dos que afirmam que os jovens não leem já ouviram falar), Bukowski, etc A própria Verônica, embora seja assumidamente mais chegada a um "clássico", recomenda, em outro vídeo, a leitura de A Vida de Pi. 

Provavelmente turbinado pela pesquisa dos internautas sobre a adaptação cinematográfica para a obra Os Miseráveis, de Victor Hugo, o vídeo em que ela comenta o livro foi visto 8.710 vezes ao longo de dez meses. Já seu comentário sobre Dom Casmurro, de Machado de Assis, contabilizou 2.720 views em nove meses. 


É pouco se comparado com o mais de 1,7 milhão de acessos ao vídeo da funkeira Valesca Popozuda cantando Quero Te Dar para o apresentador Sílvio Santos. Mesmo assim, em se tratando de literatura, não é um resultado que se ignore. Tanto que até mesmo algumas editoras já identificaram o fenômeno e passaram a trabalhar com os vlogs como meio de divulgação ou ao menos a ficar atento ao que está sendo dito. 

Juntos, Verônica e Videl contabilizam sete mil seguidores de seus vlogs literários.

domingo, junho 09, 2013

E PUR SI MUOVE!


"Estamos vivendo / E, o que disserem, os nossos dias serão para sempre"

Ao menos um dos meus três leitores há de ter experimentado a sensação de que existem dias em que uma leve melancolia nos cai bem.

Não falo de solidão. Nem tampouco de tristeza, mas sim dos raros e preciosos momentos em que, estando a sós, uma determinada luz, sabor, cheiro ou lembrança nos remete para um lugar fora deste circo social decorativo. 

Pois é. "Hoje à tarde foi um dia bom". Fui tocado pela graça de uma melancolia que nada tem a ver com "a busca do tempo perdido" proustiana. Muito menos com o álibi para indústria farmacêutica entupir a todos com suas drogas - inclusive as crianças supostamente deficitárias de atenção (delas para com o mundo ou dos outros para com elas?). 

Alguém poderá dizer que melancolia não é a palavra exata, argumentando que este é um sentimento que imobiliza, quando estou justamente dizendo o contrário: foi um dia bom porque estou seguro de que tudo "si muove", principalmente eu em cima da bike que me possibilita ver a capital federal com olhos atentos de ... melancolia. 

Ocorre que, por oposição ao axé, à aeróbica do senhor, ao sertanejo universitário, ao arrocha em que alguns setores tentam transformar nossas vidas, penso que não só é o termo exato e provocativo, como que a melancolia em si é uma necessidade. Desde que leve, claro. Para deixarmos de sermos mimados. Para aprendermos a lidar com o "lado que pesa" e não apenas com aquele que "flutua".  

Sossego talvez fosse uma boa opção. "[Em Brasília] O sossego das nossas casas é muito libertador", declarou a cineasta Maria Coeli, 70 anos, ao Correio Braziliense, na semana passada. A frase, simplória, deve ter passado em branco para muita gente. Para mim, no entanto, no contexto mais amplo da entrevista ao jornal, calou fundo. Ajudou-me a entender porque gosto tanto da cidade-silêncio com suas distâncias ermas, madrugadas vazias, placas de "cuidado! queda de frutas" e maior familiaridade com o céu. "Esse ambiente não acontece no Rio ou em São Paulo, com toda a pressa". É isso. Brasília me emprestou a introspecção de que eu precisava. 

Introspecção então é a palavra? Sim, pode ser, se você preferir assim. Eu, no entanto, não tenho medo da palavra melancolia. Bato na madeira três vezes, visto uma camisa branca, pego minha bike e vou passear no Parque da Cidade*. Lá, tenho um momento de paz. E lembro que meu pai, minha mãe, meus verdadeiros amigos sempre esperam por mim. E vou...





* PARQUE DA CIDADE - Com 4,2 quilômetros quadrados de puro verde (e cinza do asfalto da pista de cooper e ciclovia que circunda toda sua extensão) em pleno coração da capital federal, o Parque da Cidade Dona Sarah Kubitschek é, segundo o jornal Correio Braziliense, o maior parque urbano do mundo. Não sei se é verdade, mas, para efeito de comparação, o Central Park tem 3,4 quilômetros quadrados.










Antanas Sutkus - Um Olhar Livre


Dois dos meus três leitores que afortunadamente vivem em Brasília não podem deixar de visitar a exposição Um Olhar Livre, em cartaz na Caixa Cultural até o dia 30 de junho. A mostra permite ao visitante admirar mais de uma centena das milhares de fotos feitas entre 1950 e 1990 pelo lituano Antanas Sutkus (1939).

Embora vivendo e trabalhando sob o antigo regime totalitarista soviético, Sutkus conseguiu transcender os limites da estética utilitarista e da ideologia visual então predominante na antiga União Soviética, contornando inclusive a censura. (Importante lembrar que a referida ideologia visual forjou-se, em parte, a partir de obras de inquestionável valor artístico)

Impressionante é que Sutkus tenha construído uma obra que, temática e tecnicamente, dialoga com a de outros grandes fotógrafos como Cartier-Bresson e Robert Doisneau. Isso apesar das dificuldades impostas ao livre trânsito de informações de lado a lado da "cortina de ferro". 

"É necessário lembrar que todas essas referências chegaram ao conhecimento de Sutkus nos anos noventa, com a queda da União Soviética, em um período em que ele já não fotografava e que a sua personalidade artística já havia atingido a maturidade. É muito interessante, por meio de sua obra, ver que olhares similares podem nascer ao mesmo tempo em diversas partes do globo", aponta o curador da mostra, Luiz Gustavo Carvalho.

Em uma entrevista parcialmente reproduzida no catálogo da exposição, o próprio Sutkus revela que o homem, sobretudo o povo lituano, sempre foi o centro de suas fotos. "Desde o primeiro dia eu percebi que isso era o mais importante para mim. Eu não tentava obrigar ninguém, só queria expressar minha relação com o objeto que estava fotografando", diz Sutkus a respeito das fotos que, em conjunto, falam sobre a vida cotidiana, sobre o povo, de maneira justa, carinhosa e não anedótica, conforme destaca o curador da exposição. Algo de que o próprio Sutkus se orgulha.

"Infelizmente, o fotojornalismo profissional ficava sob forte influência da ideologia vigente na época. Meus colegas trabalhavam de acordo com os requisitos da propaganda stalinista. Eu nunca os segui. Eu aprendia sozinho, trabalhava de maneira muito intuitiva e, nessa época, era o único que tirava fotos informais, não tradicionais", conclui o fotógrafo. 

filmado com Nokia E72

sábado, junho 08, 2013

NOME AOS BOIS


malafaia, bolsonaro, kátia abreu
reinaldo azevedo

datena, feliciano,
marcelo rezennnnnde

Google, Facebook, Yahoo
adrian Lamo, perillo, puccinelli

Adeptos da "cura gay"
"psicólogos cristãos"

Quem pensa estar marchando familiarmente
Com Deus e pela Liberdade
só pra ouvir Aline Barros e Thalles Roberto cantar de graça

luciana gimenez, joão kleber, ana maria braga
Wagner Montes
Fifa, CBF, COI

"O inferno são os outros"


sábado, junho 01, 2013

Um outro lado


(para entender este post, leia antes o anterior, O Lixo Humano, logo abaixo deste)



"A fazenda pertence a um ex-deputado. Agora sim. Está tudo explicado"

"Não é porque o dono da fazenda é um ex-deputado pelo PSDB que eu vou torcer contra ele. A justiça tem que dizer quem é o dono das terras e dar a posse definitiva"

Pergunta que não quer calar: COMO O RICO DEPUTADO CONSEGUIU ESTA FAZENDA?"

A Funai deveria ter retirado os índios antes da polícia chegar porque todos sabiam que o Judiciário iria mandá-los sair. Mas a Funai é uma das incentivadoras desse tipo de invasão e preferiu deixar haver o confronto. A Funai deveria estar presente o tempo todo para evitar que índios portassem armas de fogo, mas nada fez.




Isso, e um pouco mais, pode ser lido aqui. Por acaso, ou esforço, não sei, são comentários produzidos a partir da leitura de uma matéria veiculada pela Agência Brasil, uma agência PÚBLICA de notícias, veiculada ao governo federal, e na qual trabalham, na grande maioria dos casos, SERVIDORES PÚBLICOS. A resposta dos leitores à matéria (que reproduzo abaixo) indica, felizmente, que houve um pouco mais de reflexão que no caso citado no post anterior, O Lixo Humano: concordem ou não com a ocupação da fazenda, os leitores dão sinais de terem percebido, mesmo que superficialmente, que os confrontos entre índios e fazendeiros têm origens complexas e, em última análise, representam uma luta de classes, com consequências econômicas. Ao contrário do caso anteriormente analisado, ninguém sai defendendo a morte de índios ou de fazendeiros. 

Segue a íntegra da matéria, publicada ontem (31).


Polícia Federal não informou Funai e MPF de reintegração que resultou na morte de índio

O Ministério Público Federal (MPF) e a Fundação Nacional do Índio (Funai) só foram informados de que a Polícia Federal (PF) iria cumprir um mandado judicial confirmado poucas horas antes pela Justiça Federal e retirar os índios terenas da Fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS), quando a operação policial dessa quinta-feira (30) já estava em curso. Um índio terena, Osiel Gabriel, de 35 anos, foi morto durante a ação da PF, que teve apoio de policiais militares sul-mato-grossenses. Ao menos mais três índios foram atendidos no Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa com ferimentos leves. A PM garante que policiais também foram feridos, inclusive por tiros.

Por meio da assessoria do MPF, o procurador da República, Emerson Kalif Siqueira, garantiu à Agência Brasil que só foi informado por volta das 6 h de ontem de que a PF iria cumprir o mandado de desocupação. A essa altura, segundo ele, os policiais já se encontravam no portão de acesso à Fazenda Buriti, que pertence ao ex-deputado estadual Ricardo Bacha. Como estava em Campo Grande, a cerca de 60 quilômetros de Sidrolândia, quando o procurador chegou ao local o confronto entre policiais e índios tinha acontecido e Gabriel já tinha sido baleado.

O procurador explicou que a PF não é obrigada a informar ao MPF que irá cumprir uma decisão judicial de reintegração de posse, mas, segundo ele, “a comunicação prévia aos órgãos de assistência aos índios poderia proporcionar melhor condução da negociação, o que atenderia à recomendação feita pelo juiz de preservar a integridade dos envolvidos na desocupação”.

Na noite anterior, após uma tentativa de costurar um acordo entre índios e o dono da fazenda, o juiz federal Ronaldo José da Silva determinou que a PF desocupasse a Fazenda Buriti, mas tomando “as cautelas devidas, resguardando-se na medida do possível e sempre preservando a integridade física e psíquica de todas as partes envolvidas”.

O juiz também destacou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) é responsável pela comunicação e orientação das comunidades indígenas sobre a obrigatoriedade de cumprir as decisões judiciais, devendo tomar todas as medidas necessárias no intuito de respeitar a integridade das comunidades indígenas. Os índios, contudo, afirmam que não foram previamente informados de que o mandado judicial seria cumprido, tendo sido pegos de surpresa pela chegada dos policiais. Procurada, a Funai disse que vai se manifestar sobre o assunto em nota que será divulgar ainda esta tarde.

A Superintendência da PF confirmou que só conseguiu entrar em contato com o procurador da República nas primeiras horas de ontem. Os policiais também não conseguiram avisar previamente  o servidor da Funai, mas este chegou a tempo de acompanhar o início da operação. Ainda de acordo com a assessoria da PF, desde quarta-feira os índios afirmavam que não respeitariam a decisão judicial para que deixassem a área voluntariamente.

Um inquérito foi instaurado para apurar se houve abuso dos policiais. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, prometeu rigor na apuração

quinta-feira, maio 30, 2013

O Lixo Humano


"Índios. Lixo humano"

"Índio foi tudo civilizado, o que resta é bandidos sem vergonha, e vocês que defendem essa classe de bandidos, que é só mais uma das brasileiras, deveria pensar melhor antes de sair falando. É do setor agropecuário que vem tudo que você come"

"DEVERIAM TER MATADO A TRIBO TODA"

"índios não são donos de nada, ninguém é dono de uma terra que não possui capacidade para manter e proteger, isso é seleção natural, darwinismo social. Se não evoluíram e criaram armas para defender suas fronteiras, agora não adianta chorar, perderam faz 500 anos, o choro é livre. O povo que não se forja como martelo não tem o direito de reclamar quando se torna a bigorna"

"METE BALA NOS INIDIOS, POIS ELES SAO FOLGADOS E SE ACHAM DONOS DO MUNDO!!"

 "difícil acreditar que ainda existam índios no Brasil, o que vejo nas reportagens são pessoas que se dizem índios, com Carrões, tv a cabo, vendendo pedras preciosas e plantas raras de nossas florestas e muitas vezes invadindo propriedades alheia"

"Tem mais é que meter bala"

"O índios já tem 15% do território brasileiro" [?!?!?!?!]

Isso, e um pouco mais, pode ser lido aqui, nos comentários dos leitores.

A internet possibilitou que mais gente pudesse fazer com que sua `voz´ fosse ouvida. O problema é que isso permitiu que nos certificássemos do quanto essas vozes são feias e a humanidade, na média, desafinada. 

ão sei se a ocupação de terras reivindicadas como tradicionais para, com isso, pressionar os governos a desapropriá-las para criar ou ampliar reservas indígenas é certo ou errado. Tampouco acho que fazendeiros (mesmo aqueles que detém áreas enormes que  nos levam a questionar como alguém pode acumular tanto patrimônio) são, por natureza, criminosos avarentos. Sei apenas que a questão fundiária é complexa demais para comportar julgamentos fascistas baseados em informações parciais e manipuladas de acordo com os interesses da mesma turma de sempre (aquela que acha que proibir um jogo no Maracanã em obras, ou a verticalização sem fim da orla litorânea, ou a exploração de petróleo em quaisquer condições, etc, etc, etc, enfim, os que acham que isso é retardar o progresso e o desenvolvimento econômico do país). E se você está repetindo teses estapafúrdias sem uma pausa para refletir ao menos por um breve instante sobre a possibilidade de estar soando como um idiota, então, meu caro, me desculpe, mas você de fato é um idiota. Não porque discorde ou concorde com as ações de índios, sem-terras, quilombolas, trabalhadores em greve ou de qualquer outro grupo que tenha decidido se mobilizar para cobrar o que acredita ser seu direito. Não por isso. Afinal, mesmo que sem se mobilizar, sem se organizar com outros, sem lutar por qualquer coisa que não seja a também difícil mas mesquinha subsistência (se a sua já não foi devidamente garantido por um antepassado seu, às custas do suor de outros), mesmo assim você tem direito a escolher um lado. Não tem, contudo, o direito de defender, pior, de estimular, que esses grupos sejam mortos ou agredidos. 

Um índio foi morto hoje (30), no Mato Grosso do Sul, durante uma a reintegração de posse de uma fazenda ocupada há 15 dias por índios terenas. Não se sabe ainda ao certo o que aconteceu, mas o fato é que o índio foi baleado durante ação policial em cumprimento a uma decisão judicial. A Justiça entendeu que os índios deviam deixar ou então serem retirados da fazenda explorada por um ex-deputado estadual. A questão é que o governo federal, por meio do MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, já reconheceu que a propriedade está no interior de uma terra antes ocupada pelos índios. Assim, quem estava "invadindo" a área? Os índios? O fazendeiro? Geralmente, quando colocada diante de tal dilema, os magistrados costumam se inclinar a favor dos fazendeiros, que afirmam ter títulos de propriedade. Mesmo quando estes são juridicamente questionáveis. Os papagaios-idiotas não veem isso. Porque não sabem ou porque não querem ver. E se põem a vomitar besteiras garantidos pelo anonimato e pela distância proporcionados pela internet. 

Há algo que não tem muito a ver com esta discussão, mas que me chamou a atenção como um indício do ódio que parte significativa da sociedade parece alimentar pelos índios e demais movimentos sociais organizados. Após dez anos, vários desacertos e algumas grandes decepções, parece estar na moda ser anti-PT. Qualquer notícia veiculada pela internet logo recebe um e-mail mal-humorado dizendo que o PT isso o PT aquilo. Menos quando se trata de violência contra os índios. Se um índio é morto pela PF, que está diretamente subordinada ao Ministério da Justiça, ninguém diz que o PT fez mal, que o PT é autoritário ou coisa que o valha. Porque, em geral, a maioria dos que criticam o PT parecem ser os mesmos que acham que índios e pobres devem ser tratados à bala e cassetete. 



domingo, maio 26, 2013

Vale Cultura (II)



Adeus (Bé Omid É Didar, 2011), mais um filme da mostra dedicada aos cineastas iranianos Mohammad Rasoulof e Jafar Pahani, encerrada hoje (26), na Caixa Cultural, em Brasília, mas ainda em cartaz na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, até 2 de junho: R$ 2

Um bem-servido prato de uma muito bem-feita galinhada na festa junina da Igreja Dom Bosco, na 702S; jantar que nada deixou a dever a bons restaurantes: R$ 6.

Excelente show do cantor pernambucano Otto, pelo projeto Todos Os Sons, do CCBB: DE GRAÇA. Incluindo o ônibus da e para a Rodoviária do Plano Piloto. 

Contabilizando a passagem de ônibus que gastei para chegar até a Rodoviária a tarde, dá um total de DEZ REAIS. 


A (falta de) lógica das companhias aéreas


Por que as decisões corporativas não fazem sentido para quem vive sujeito à burocracia e, principalmente, aos preços impostos pelas empresas e prestadores de serviços?

Veja o caso do setor aéreo? Você sabe quanto seria o valor justo de uma passagem? Se optar por pegar um ônibus interestadual, R$ 50 a mais ou a menos serão facilmente contabilizados como uma boa ou má opção, não? Já no caso das passagens aéreas isso não acontece e não há parâmetros que nos permitam saber, com segurança, se estamos pagando muito ou pouco. Se as promoções de fato são promoções ou se, ao contrário, é no restante do  tempo que as companhias estão nos tungando. 

Meu amigo brasiliense Carlos Leite, um surfista beatnick que vive a vida a rodar, anda pesquisando passagens para a Venezuela, a pouco mais de 5 horas de São Paulo. Partindo da capital paulista no início de julho, a opção mais em conta sai a salgados R$ 2.189. Antes de pousar em Caracas, o voo segue até o Panamá. Só então a aeronave retorna ao destino desejado por meu amigo, onde chega 10h15 depois de partir de Guarulhos.

Leite não entendeu a lógica, mas concluiu que se descesse no Panamá ao invés de voltar a Caracas consumindo mais combustível, alimentos, trabalho-hora da tripulação e usando o banheiro, pagaria menos pela passagem. Ledo engano. Embora fosse passar apenas 6h57 a bordo de uma aeronave da mesma companhia, gastaria R$ 2.398. Ou seja, quase R$ 210 a mais para voar 3h15 a menos.  A pesquisa, de toda forma, acabou tendo alguma serventia: Leite aprendeu que, caso decida conhecer o Canal do Panamá, o melhor a fazer é comprar uma passagem para Caracas e, durante a escala, simular um mal estar que o impeça de seguir viagem, forçando a empresa a desembarcar sua bagagem. Depois, é só ficar por lá mesmo. 

Por curiosidade, Leite decidiu checar os preços das passagens para Bogotá, na Colômbia. Imaginando uma linha reta, a diferença das distâncias de São Paulo à capital colombiana ou à capital venezuelana (ou seria bolivariana?) não são assim tão grandes. Pelo menos não no mundo real. Já no mundo corporativo, a diferença deve ser significativa a ponto de justificar que uma outra empresa aérea ofereça passagens a R$ 1.279. O custo da economia? Passar 11 horas em Lima, Peru, gastando 21 horas para percorrer uma distância que exigiria apenas 6 horas.     

Leite teve ainda uma última ideia. E se ele fosse pra Manaus de ônibus e, de lá, pegasse um voo para Bogotá, que fica ali do lado? Bom, aí, ao invés de R$ 1.279, ele pagaria, à mesma companhia, R$ 1.837. Mas ao invés de perder 21 horas, gastaria apenas 15 horas. "Quinze?!?!?!", se espantarão meus três leitores. Sim, 15 horas. Porque, ao invés de ser despachado direto para Bogotá, cruzando a Amazônia, Leite passaria quase cinco horas a bordo do avião voando para.... São Paulo, onde permaneceria por quase seis horas até, enfim, embarcar com destino a Bogotá, voltando a passar por...Manaus.

Sentindo que alguém brincava com seu bom senso, Leite me ligou para compartilhar suas dúvidas quanto à honestidade ou bom senso dos burocratas das empresas aéreas. Disse que está a ponto de seguir o conselho da Dora, personagem da Fernanda Montenegro em Central do Brasil, e começar a só andar de ônibus. Dora dizia que o transporte público era mais seguro do que os táxis por passarem sempre pelos mesmos lugares. Leite acrescenta que são mais seguros também porque a gente sabe que, independente do dia ou da hora, a passagem vai custar sempre a mesma coisa. E quanto mais perto descermos de onde o pegamos, menos pagamos.  


Leia também:

sábado, maio 25, 2013

Um lado que pesa






Não sei se um de meus três leitores lembram, ou sequer se deram conta, mas, originalmente, o verbo da canção Crua, do músico pernambucano Otto, era bem diferente do que se ouve na versão poliana que tocou na trilha da novela global Passione (2010). Enquanto na primeira, Otto se expunha sem meias-palavras, na dúbia versão novelesca ele continuava lamentando "ter que acreditar num caso sério e na melancolia", para, em seguida, candidamente constatar que enquanto ele chamava, o sujeito oculto da oração (Alessandra Negrini?) PODIA. Alguém podia de noite e de dia enquanto ele inutilmente chamava. É. "Há sempre um lado que pesa e outro que flutua". 
"Por que isso agora, semifosco?", se perguntaria ao menos um dos meus três leitores caso já não soubessem que não cabe questionar as motivações de um blogueiro desocupado. Mesmo assim, respondo. Não só porque amanhã tem Otto no CCBB, mas, principalmente, porque o músico doidão teve a coragem de admitir que, na vida, cumprimos três papéis: ora chamamos sem sermos atendidos, ora estamos ocupados quando nos chamam, ora somos a desculpa que faltava para que outros não atendam às chamadas de terceiros. 

domingo, maio 19, 2013

Liga Tripa


Ah, o tempo! O tempo que não poupamos a fim de o resgatarmos corrigido e preservado. O tempo que parece sempre nos faltar; que parece sempre desperdiçado e que, no entanto, permanecerá imutável, imemorial, quando tivermos passado por ele apressados e tentando nos iludir de que  é o tempo que passa ou voa quando, no fundo, somos nós que estamos indo.

[...] 

Essa desnecessária e constrangedora introdução é uma justificativa de porque andam  tão escassas as postagens neste espaço semifosco. A culpa, gente, é do sistema. Não. Não aquele simulacro de sistema que cai sempre que você precisa do seu banco ou do SUS. O outro. O que nunca cai e do qual o sistema bancário é justamente o maior símbolo, chegando a se confundir com ele.   

Eu tô vivo, viu, gente. Eu e minhas idiossincrasias continuamos caminhando por aí, sem lenço, nem documento. E essas andanças continuam me levando vez ou outra a lugares e situações bacanas. Como há duas semanas, quando, no último dia 30, véspera do feriado do trabalhador, eu recebi meu certificado de conclusão do curso de cultura brasiliense (isso é linguagem figurada, viu): show do Liga Tripa, banda brasiliense difícil de classificar e com 34 anos de estrada. Para muitos, o mais brasiliense dos grupos locais.

Baixo os vídeos amanhã







Vale Cultura


Brasília, 19 de maio de 2013. Embalos culturais econômicos de sábado a noite.

R$ 2

Dentro da mostra dedicada aos cineastas iranianos Mohammad Rasoulof e Jafar Pahani, em cartaz na Caixa Cultural até o próximo dia 26, assisto ao único filme não dirigido por um dos dois diretores perseguidos pelo regime de Mahmoud Ahmadinejad (ambos chegaram a ser presos e condenados a seis anos de prisão em 2010): o impactante A Onda Verde. O título do documentário de Ali Samadi Ahadi é uma alusão à onda de apoio popular ao candidato reformista Mir-Houssein Mousavi, reprimida violentamente pelas forças governamentais (com o aval do aiatolá) após as denúncias de fraude eleitoral para garantir a vitória do Ahmadinejad. Na impossibilidade de equipes de reportagem e de cinema gravarem livremente o que acontecia nas ruas de Teerã, Ahadi teve que recorrer a muitas e valiosas imagens gravadas com celulares pelos próprios cidadãos que participavam das passeatas pedindo a recontagem dos votos. Colou-as aos depoimentos gravados com iranianos perseguidos, presos e, em alguns casos, torturados pelo regime dos aiatolás que deixaram o país. E, para preencher o vazio dos dramáticos relatos de atos institucionalizados de violência, uso de animações. Um filme parcial, que toma partido, mas que deveria ser visto e discutido já que acusa (com supostas provas) o regime iraniano de ser uma ditadura por desrespeitar às liberdades individuais e os direitos humanos, e não pelo viés daqueles que dão sinais de só estarem preocupados com o petróleo ou com a possibilidade do Irã desenvolver a tecnologia nuclear.



NA FAIXA

Atravesso o Setor Bancário Sul a pé. A noite. E vou reencontrar, no Museu da República, a agora nacionalmente famosa cantora brasiliense Ellen Oléria. Dezoito meses após o semifosco divulgar as primeiras imagens colhidas durante a gravação do primeiro DVD da artista (clique aqui), enfim o trabalho vem à luz. Meus três habituais leitores sabem que meu entusiasmo vem de muito antes dela aparecer e ganhar o programa global The Voice Brasil. Não vão, portanto, estranhar eu afirmar que, até o momento, show da Ellen é como sexo: mesmo quando ruim, é bom. Por isso, mesmo esse tendo sido, na minha avaliação (e de outras duas pessoas com quem conversei), o show mais fraco de Ellen a que assisti até agora, foi acima da média (termo de comparação? Para ficar em exemplo recente, o fraquíssimo e entendiante show da incensada Maria Gadú, na Esplanada dos Ministérios, no aniversário de Brasília).

Por que achei o show mais fraco que de costume? Difícil explicar, mas arrisco uma crítica apressada e não-qualificada: Ellen incluiu ao seu show muito mais músicas de outros artistas que de costume. Interpretou Doces Bárbaros, Gil, Milton Nascimento, Chico, Jorge Ben. Embora tenha escolhido muito bem o repertório, foi justamente quando tocou suas próprias músicas, como Feira da Ceilândia e, principalmente, Testando, que ela mais empolgou o público, provando a força e a qualidade de seu trabalho autoral.



NA FAIXA

A surpresa maior viria quando eu já me preparava para encerrar a noite. Terminado o show da Ellen Oléria, uma versão de uma música da Legião Urbana soando  ao longe e uma aglomeração ao lado da Biblioteca Demonstrativa chamaram minha atenção. Curioso e disposto, me aproximei. E fiquei extremamente empolgado ao ver uma marca característica do chamado B-Rock 80´s ressuscitada: os shows improvisados em plena rua. Quem já assistiu ao filme Somos Tão Jovens, sobre o surgimento das bandas brasilienses que marcaram o rock brasileiro durante a década de 1980 sabe do que estou falando. Passados 30 anos, o Trio Magnata revive a prática de ocupar o espaço público sem esperar por apoio estatal, patrocínio ou coisa que o valha, pelo simples prazer de se apresentar.

Resumo da ópera: Dois reais por um filme e dois shows. O que me leva a seguinte reflexão: Cinquenta reais a serem gastos no comércio de produtos culturais ou mais eventos públicos descentralizados, com melhor divulgação?

terça-feira, abril 30, 2013

Com que roupa eu vou?




"O debate que há atualmente na sociedade, no governo e no mundo acadêmico sobre a formação de uma nova classe social – ou classe de renda – remete aos primórdios da discussão sobre classes sociais, sendo impossível deixar de recorrer a Marx e Weber para compreender melhor essa questão.
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Para Marx, o fator decisivo não era a renda, e sim o lugar que o indivíduo ocupava no processo produtivo. Desse modo, um trabalhador que recebesse um bom salário, nem por isso, perdia suas ligações com a classe operária.
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Já Weber apontava a existência de outros importantes fatores de transformação social, entre os quais o status. E é exatamente aí que o consumo passa a ser considerado, pois os produtos adquiridos, formas de lazer, tipos de trajes reforçariam o status individual ou familiar perante o grupo e estaria associado a novas formas de estratificação social".


Retratos da Classe C no Distrito Federal - Nova Classe Média ou Nova Classe Trabalhadora, Codeplan, 2013


quarta-feira, abril 24, 2013

Cultura do Espetáculo



O multimidiático Carlinhos Brown deve ser um artista plástico muito, mas muito bom mesmo. 

Além de compor, cantar, tocar, julgar e "inventar" instrumentos, musicais, ele, nas horas vagas - segundo o Correio Braziliense, no meio da noite - pinta. E borda. Não só parcerias artísticas, mas, aparentemente, acordos.

Ainda que, segundo o Correio, o baiano tribalista há apenas onze meses encarasse a pintura como um hobby, ele conseguiu ontem (23) o feito de ocupar o Palácio do Planalto, em Brasília, com sua exposição O Olhar Que Ouve. A abertura do evento contou inclusive com a presença da própria presidenta Dilma Rousseff. 

Detalhe: a exposição tem o mesmo nome daquela com que, há apenas seis meses, o próprio Carlinhos Brown ocupou uma das galerias da Caixa Econômica Federal. Não vi a nenhuma das duas, mas, das duas umas: ou faltou inspiração ou se trata da mesma exposição. Ou seja, Brown é um raro caso de talento espontâneo a conseguir ocupar, em tão pouco tempo, dois dos espaços de exposição mais nobre da capital federal. Com a palavra, artistas plásticos consagrados que não tem obtido o mesmo retorno...

Carlinhos também tem se mostrado um bom administrador. No ano passado, ele pediu a patente da caxirola, instrumento musical de plástico "inspirado" no caxixi, tradicional instrumento de percussão muito comum em rodas de capoeira e que ele aparece tocando nas fotos ao lado da presidenta Dilma. Segundo sua parceira na empreitada, a agência multinacional The Marketing Store anunciou  a Agência Brasil em outubro de 2012, cerca de 190 milhões de unidades do chocalho escolhido pelo Ministério do Esporte como um dos instrumentos oficiais da Copa do Mundo deverão ser produzidos e colocadas à venda por um preço à época ainda não definido. 

Para finalizar, a mesma Caixa Econômica Federal, que, ainda segundo o Correio Braziliense, foi responsável por lançar Brown como artista plástico ("O Jorge Hereda [presidente da CEF] foi a minha casa e disse "tem um monte de coisa boa, vamos fazer uma exposição". E eu disse que não, que sou tímido, músico e que isso é para curtir. No dia seguinte ele ligou e disse "Vamos fazer uma exposição sim. Você vai ser lançado como um artista visual" - diz Brown ao repórter do Correio na matéria linkada acima) firmou, em janeiro deste ano, um protocolo de intenções para a instalação e restauração da nova sede da Caixa Cultural Salvador no antigo Mercado do Ouro, atual Museu do Ritmo, DO QUAL BROWN É PROPRIETÁRIO. (Isso foi noticiado pelo NE 10)


quinta-feira, abril 18, 2013

Stoked


A fissura por ondas é capaz de levar o viciado em surf ("stoked") a atos extremos, chegando ele a colocar a própria vida em risco. Os especialistas defendem que, em casos moderados, os sintomas da abstinência de água salgada podem ser tratados com a recomendação de uns dias de férias - mesmo que curto, esse período deve coincidir com um bom swell. Já os casos extremos são mais dispendiosos, pois necessitam ser tratados com uma viagem para um bom pico de surf, de preferência no exterior, onde o surf é mais consistente e o paciente pode levar mais a sério sua dieta. 


Caçador de emoções
(fonte: Waves - Foto: Herbert Passos Neto)

Com a notícia de que o ápice da ondulação de Sul que atinge o litoral paulista ocorre nesta quarta-feira (17/04), surfistas de todas as regiões do estado ficaram ouriçados.

Os gráficos indicam que as ondas podem chegar facilmente a 2 metros nos picos preferencias, o que significa que até os picos mais raros devem funcionar.

Enquanto uns rezam para a ondulação durar até o final de semana, outros revisam a lista de parentes mais idosos que ainda podem "enterrar" para justificar a falta no trabalho.

Para quem não reside no litoral, a situação é um pouco mais complicada, mas isso não impede que cada um dê o seu jeito, seja com criatividade ou com determinação.
  
Na noite desta terça-feira (16/04) tive mais uma prova disso ao ver um cara descendo embalado de bicicleta com o pranchão no rack e uma sacola no bagageiro no meio de um dos túneis da Rodovia dos Imigrantes.

Ao ultrapassá-lo, tirei uma foto e ele gritou "uhuuulllll, Guarujá", indicando seu destino. A pedalada é longa, mas tem tudo para ser recompensada.

segunda-feira, abril 15, 2013

Feliciano à parte


_ Não tenho me informado sobre isso. 

Assim, laconicamente, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, respondeu quando questionado a respeito da insistência do deputado Marco Feliciano em permanecer à frente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Mesmo considerando inoportuno que o pastor, alvo de protestos de setores que o acusam de ser racista e homofóbico, presida a comissão, paralisada pela polêmica. 

Pois é. É assim. É nas respostas triviais, nos momentos em que os políticos baixam a guarda, que podemos nos certificar como funciona de verdade o mecanismo político: nada que não sejam composições partidárias ou que tenha que ver com as próximas eleições interessa.

Daí porque a classe política anda tão desprestigiada e brincadeiras como o "não me representa" acabam ganhando ares de protesto.

E vejam bem: isso não é uma crítica dirigida à oposição a nível federal. Se bem que compete a ela, mais que à situação, tentar ouvir e reagir adequadamente aos anseios da população. Vai daí que ou o presidente tucano não dizia não considerar inoportuna a permanência de Feliciano na presidência da comissão - e, assim, ficava bem com a parcela do eleitorado que apóia o pastor -, ou se posicionava adequadamente. 

O momento de relax, em que se permitiu responder sem fazer o cálculo político de sua declaração, é, portanto, revelador. 


quinta-feira, abril 11, 2013

Óia u Tumati!


Voltei.

Graças - infelizmente - ao tomate. Ou melhor, à alta do preço do tomate, capaz de reviver até o deputado Ônix Lorenzoni (DEM-RS / na foto, à esquerda), cujo último momento de destaque nacional foi durante o auge da crise do setor aéreo.

Após tentar a blogueira cubanaYoani Sánchez, enfim a oposição tem o almejado símbolo reconhecível pela população em geral: "o tumati".   


                                                                  foto: Walter Campanato / ABr

quarta-feira, março 06, 2013

Hoje

"o cara que não era tão complicado a ponto de ser ininteligível, nem tão simplório que não fosse ouvido por muitos". Mais ou menos assim, o texto com que a MTV apresentou o vocalista da banda santista Charlie Brown, morto hoje (6), me pareceu fazer muito sentido. Por boas ou má razões, Chorão falava para uma grande (cinco milhões de discos vendidos em 15 anos) parcela do público, que se identificava com suas idiossincrasias. Marrento, porém autêntico. Genioso e talentoso (poucos sabem que o vocalista escreveu o roteiro de dois filmes, um deles, O Magnata, com Paulo Vilhena, já lançado), o paulistano que se assumiu caiçara, skatista, band leader, compositor, empresário (dono de uma pista de skate em Santos) era um sujeito necessário no bem-comportado show business brasileiro.