Meu amigo Carlos Leite prestigiou a exposição em cartaz na galeria Ecco. Mais detalhes, logo mais...
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
Esportes Radicais
Acho melhor eu voltar a andar de skate ou então começar a praticar algum esporte menos radical, tipo kite-surf. Pela foto abaixo, dá para concluir que este negócio de futebol é perigoso demais. E olha que a foto não revela que, neste mesmo dia, um saiu do campo direto para a UTI, por problemas cardíacos.
Mr. Finger
Mr. Finger, ex-contador, exímio guitarrista, hábil prestidigitador e folgazão contumaz em raro momento de descanso
Por que filmar Hoover?
Por que Hoover?
Estou me fazendo esta pergunta desde o dia em que assisti ao mais recente filme dirigido por Clint Eastwood, J. Edgar, com Leonardo DiCaprio no papel principal. Provavelmente porque a resposta não está nas telas. Se estivesse, eu, como nos filmes anteriores de Eastwood, não teria lembrado de que, politicamente, o diretor é extremamente conservador.
A cinebiografia do polêmico criador do FBI, John Edgar Hoover, é, a meu ver, um ponto negativo na curva até então ascendente que Eastwood vinha construindo com suas recentes realizações (Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal; Sobre Meninos e Lobos, Garota de Ouro, Gran Torino, Cartas de Ywo Jima, Invictus).
Declínio moral? Homens de bem?
A orientação ideológica do diretor era irrelevante ao assistir seus filmes anteriores. Já quando se propõe a contar a trajetória pessoal e profissional do homem que conduziu o FBI com mãos de ferro por 48 anos, Eastwood derrapa. Não apenas porque o resultado final é frouxo - o que, em muitos momentos, leva o espectador (principalmente os não norte-americanos) a desinteressar-se pela história -, mas principalmente porque a impressão que se tem é que a maior polêmica em torno de Hoover teria sido se ele era ou não homossexual. Ou até que ponto as expectativas e cobranças maternas teriam influenciado as posteriores decisões do homem todo poderoso que, de alguma forma, influenciou os rumos do século XX. E aí eu não consigo deixar de pensar na visão de mundo político-ideológica do diretor.
Em uma entrevista à revista Isto É, o diretor admitiu que cresceu vendo Hoover como um herói, “um dos policiais mais admirados e temidos dos Estados Unidos”. “Muito mais tarde”, contudo, Eastwood descobriu que a história não era bem assim. Minha impressão é que, em algum momento, `Dirty Harry´ (o policial durão que tornou o ator e diretor um astro) descobriu que seu modelo era gay.
Sob as ordens de Hoover, o FBI investigou e perseguiu milhares de cidadãos suspeitos de serem ou terem ligações com comunistas. Entre estes estava Charles Chaplin e Martin Luther King (o que aparece muito superficialmente no filme). Por ordem de Hoover, o bureau violou a correspondência e grampeou telefonemas de Albert Einstein a fim de encontrar indícios de que este teria ligações com o Kremlin. Em sua autobiografia (Flashbacks: LSD, a Experiência Que Abalou o Sistema - voltarei a falar sobre isso noutro dia), o psicólogo e papa da lisergia sessentista, Timothy Leary, se refere ao diretor do FBI como um dos "cínicos agressores do processo democrático" que administravam o governo norte-americano quando ele foi preso.
Nem sequer a suposta frase com que o recém-empossado presidente Lyndon Johnson descarta a ideia de demitir Hoover é mencionada, embora revele como o detentor dos temidos dossiês políticos era visto entre os poderosos: “prefiro tê-lo [Hoover] dentro da barraca, mijando para fora, do que tê-lo do lado de fora, mijando para dentro”.
Nada disso aparece no filme. Eastwood parece disposto a mostrar apenas o quanto a ambição ou o senso de dever de Hoover (a conclusão depende de que lado do espectro político o espectador estiver) o fizeram abdicar no aspecto pessoal. O problema é que, diante dos fatos que cercam a biografia de Hoover, há pouco espaço para as soluções de roteiro conciliadoras que Eastwood emprega em outras obras, como Invictus, sobre Nelson Mandela e seus antigos opressores.
Enfim, embora `assistível, J. Edgar um filme superficial que não ajuda a esclarecer quem foi Hoover, que influência ele - ou melhor, seus arquivos secretos - exerceu sobre a política norte-americana e nem tampouco porque Eastwood decidiu filmar sua história à moda de uma história de resignação e amor frustrado.
segunda-feira, fevereiro 20, 2012
Por Uma Vida Menos Ordinária
Que tipo de gente dedica a segunda-feira de carnaval a limpar a casa ao som de punk-rock?
clique aqui para ouvir Give Me Convenience Or Give Me Death (1987), dos Dead Kennedys
clique aqui para ouvir Time´s Up (1991), dos Buzzcocks
domingo, fevereiro 19, 2012
Folia brasileira na Austrália
Exclusivo. O skatista florianopolitano Pedro Barros venceu esta madrugada (19) o Aberto da Austrália de Surf (Australian Open Of Surfing), na categoria bowl (piscina). Confirmando a excelente fase e o ótimo desempenho neste tipo de pista, o manezinho ficou à frente de atletas consagrados, como o também brasileiro Bob Burnquist, que terminou em quarto lugar.
Barros já havia vencido a etapa do Bowl-A-Rama disputada em Wellington, Nova Zelândia, na semana passada. Além disso, o garoto (prestes a completar 17 anos) já tem duas medalhas de ouro do X-Games, a mais importante competição de esportes radicais.
O irônico é que eu não soube pela imprensa da vitória do brasileiro, mas sim por sua avó, que mora em Brasília (DF). Isso apesar de ter assistido ao programa de esportes dominical da Globo e a um outro de uma tv local. Tudo bem que a coisa ainda tá fresca, mas também encontrei poucas informações nos sites brasileiros de notícias (exceção da publicada no blog especializado E.V.O.M.). E ainda tem quem menospreze o trabalho de certos assessores de imprensa. Há jornalistas que só mesmo recebendo em mãos o release mastigado...
sábado, fevereiro 18, 2012
Ministra cobra responsabilidade da família de jovem assassinada
Pode-se discordar das opiniões da ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, mas é necessário reconhecer que, ao contrário da maioria dos seus pares e dos parlamentares brasileiros, a gaúcha não se furta à polêmica. Hoje (18), ela fez um polêmico "desabafo" ("isso está no meu coração, precisando ser dito") que deverá lhe causar aborrecimentos caso a imprensa não esteja ocupada apenas com o carnaval. Não descarto, contudo, que a ministra, já acostumada às críticas à atuação da secretaria e à defesa dos Direitos Humanos, tenha decidido expressar o que muitas pessoas comentavam à boca miúda (comentário que não ameniza em nada a responsabilidade do assassino de Eloá Pimentel, Lindemberg Alves)
Ao citar caso Eloá, ministra cobra responsabilidade de famílias na proteção de crianças e adolescentes
A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), sugeriu hoje (18) que a família de Eloá Pimentel também tem sua parcela de responsabilidade no envolvimento da adolescente com Lindemberg Alves, condenado a mais de 98 anos pelo assassinato da jovem.
“Vejam o que é a morte da menina Eloá. Uma situação absurda, que revolta o povo brasileiro, mas em todos os noticiários vemos que aquele que matou a Eloá entrou na sua casa e pediu autorização para a sua família para ter uma relação [namoro] com ela, que tinha [na época] 12 anos”, disse a ministra.
Sem poupar críticas ao assassino pelo crime ocorrido em outubro de 2008, Maria do Rosário foi taxativa: a família não deveria ter permitido que Eloá namorasse com Lindemberg, já na época, maior de idade.
“Ele é responsável pelos seus atos e pelo crime. Foi condenado a mais de 98 anos de prisão e eu acho que foi feita justiça, mas quero dizer que nenhuma família, ninguém, deve permitir que crianças estejam mantendo relações em qualquer lugar, permitidas ou não. As crianças brasileiras tem que ser mais protegidas pelos seus pais e suas mães”, declarou a ministra.
Questionada sobre qual seria, em sua opinião, a idade apropriada para que pais autorizassem seus filhos a namorar, a ministra evitou dar sua opinião pessoal, respondendo com base na legislação em vigor. “Não sou eu que julgo isso, mas a legislação diz que com menos de 14 anos, qualquer relação sexual é uma violação e um estupro de vulneráveis. E não basta fazermos leis. É preciso que todos as cumpram. Por isso estou chamando a atenção para este aspecto”, comentou a ministra, demonstrando estar ciente da polêmica que suas declarações podem suscitar.
O “desabafo”, conforme classificou Maria do Rosário, foi um alerta para que a sociedade assuma sua responsabilidade na proteção das crianças e adolescentes. Pela legislação brasileira, cabe ao Estado, à sociedade e à família zelar pelo bem-estar e pelos direitos dos jovens.
“Será que é possível que pais e mães não estejam atentos [para o fato] que, com 12 anos de idade, não é possível que os meninos e as meninas estejam sexualizados precocemente?”, questionou a ministra. “O governo federal, os municípios e os estados estão trabalhando muito para formar a rede de proteção [às crianças e adolescentes], mas precisamos que a sociedade esteja mais atenta”, cobrou a ministra.
“Precisamos não só de governos mais atentos – e estamos tentando fazer nossa parte -, mas também de pais e mães mais atentos, cuidadores e sociedades mais atentos. A sociedade tem que fazer sua parte. Se vocês tiverem dúvidas sobre se uma menina ou um menino está sofrendo um abuso, sigam a intuição e denunciem. Busquem o apoio do Disque 100, do Conselho Tutelar, da polícia. Se, na dúvida, não denunciamos [um caso suspeito], uma criança pode ser morta ou abusada”. (fonte Agência Brasil)
E provando que quem não está confuso é porque não entendeu nada, para completar, quando se imagina que o representante legal da família vai rebater a tentativa da ministra de apontar parte da responsabilidade da(s) família(s), o que ele faz? Parabeniza-a pela coragem de, como muitos querem crer, `tocar o dedo na ferida´
Advogado da família de Eloá diz que é mesmo preciso mais atenção dos pais sobre atitudes dos filhos
O advogado da família da jovem Eloá Pimentel, Ademar Gomes, disse hoje (18), que a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, tem razão ao cobrar dos pais mais atenção sobre as atitudes e decisões dos filhos. Procurado pela Agência Brasil, Gomes elogiou as declarações da ministra, mas acrescentou que o governo tem que se preocupar com a educação e com o que classificou de “falta de limites dos meios de comunicação”.
“A ministra está de parabéns em suas declarações, mas o governo também deve pensar em limites aos meios de comunicação para que as famílias possam então cobrar seus filhos. Hoje, com os meios de comunicação invadindo nossas casas com cenas que envergonham toda a família, fica difícil os pais controlarem os jovens”, destacou o advogado, criticando alguns programas de TV. “A qualquer hora é possível vermos cenas de sexo na televisão”, completou.
O advogado chegou a parabenizar a ministra pela coragem de falar publicamente sobre o tema, mas frisou que não se pode transferir à família a responsabilidade pelo desfecho do caso. “O assassino extrapolou e é o maior responsável pela morte da Eloá, tanto que a Justiça o condenou a mais de 98 anos de prisão, mas não podemos perder de vista que esse é um caso como tantos outros que acontecem, cometido por um jovem de máformação, que não teve uma educação adequada, criado com liberdade excessiva”, frisou Gomes.
Ele garantiu que a família de Eloá tentou impedir que ela namorasse com Lindemberg Alves, mas não conseguiu se sobrepor à vontade da jovem, assassinada em maio de 2008. “Hoje é muito difícil impor limites às crianças e aos jovens”, disse o advogado, lembrando o caso de Flávia Anair de Lima, morta no ano passado. Flávia, que tinha 16 anos, morreu após cair da sacada do apartamento onde vivia com o então namorado, o ex-jogador de futebol, Rafael Silva, de 20 anos. Como o casal teria brigado horas antes, a polícia investiga o que de fato aconteceu.
Também no ano passado, a Justiça condenou o ex-jogador de futebol Janken Ferraz Evangelista, de 30 anos, pelo assassinato de sua mulher, Ana Claúdia Melo da Silva, que, ao ser morta, em 2009, tinha 18 anos. Segundo notícias publicadas na época, o casal se conheceu quando Ana tinha 14 anos. (Fonte: Agência Brasil)
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
Nós Somos A Multidão
Trailer do documentário norte-americano "We Are Legion - The Story of the Hacktivists" (nós somos legião - a história dos hackers ativistas), ainda sem previsão de lançamento no Brasil.
domingo, fevereiro 12, 2012
Metal Contra As Nuvens
Eles fazem parte do vocabulário do rock´n´roll. São as vogais do alfabeto do rock"
Cris Robinson, Black Crowes
"Para mim, quatro dos maiores músicos que já pisaram nos palcos do rock´n´roll"
Richie Sambora, Bon Jovi
"A combinação [de talentos dos quatro integrantes] é simplesmente uma daquelas coisas que acontecem uma vez em um milhão"
Lenny Kravitz
Estive na primeira apresentação deles em Nova York. Tinha 16, 17 anos, e aquele show mudou a minha vida. Já havia ouvido o [primeiro] disco deles e ficado estupefato, mas quando os vi ao vivo, foi, tipo, "caramba..."
Ace Frehley, Kiss
"Não conheço ninguém que acredite que existe um baterista melhor do que John Bonham. Isso é inquestionável"
Dave Grohl, Foo Fighter (e ex-baterista do Nirvana)
É sempre a mesma coisa. Ponho o primeiro disco do Led Zeppelin para tocar, o da famosa foto do Hindenburg em chamas, e logo me pego imaginando o que significou para um jovem acomodado em sua casa, ouvir, em 1969, os primeiros acordes de Good Times, Bad Times explodindo de suas caixas de som. Como terá ele reagido à faixa de abertura do primeiro disco daquela que muitos críticos reconheceriam tardiamente ter sido a "maior e mais poderosa banda de rock da Terra" de sua época? Aos exatos 13 segundos de tic-tic-tics do chimbal, de ataque surdo aos bumbos da bateria e ao memorável riff da guitarra de Jimmy Page. E, mais: como terá ele se sentido ao fim dos 44,28 minutos de audição e à descoberta do "dirigível de chumbo"?
Whole Lotta Led Zeppelin - A História Ilustrada da Banda Mais Pesada de Todos os Tempos (Ed. Agir, 288 páginas), organizado pelo jornalista Jon Bream, é uma valiosa ajuda para quem se dispor a fazer este exercício de perspectiva. Ou melhor dizendo, para quem quiser entender como Page, o vocalista Robert Plant, o baterista John Bonham e o baixista John Paul Jones ajudaram a consolidar a mística de abusos e exageros dos astros do rock´n´roll, inaugurada pelos também britânicos Rolling Stones numa época em que a música ainda era mais que um simples produto embalado para azeitar as engrenagens da indústria cultural.
Para o fans, um livro imperdível que comprova que, ao contrário do que o próprio autor afirma no primeiro capítulo do livro, o Led Zeppelin não "é, foi e sempre será a banda Jimmy Page". Não. O grande diferencial do grupo foi justamente potencializar o talento de quatro músicos talentosíssimos sem que as partes se diluíssem em meio ao todo. Ou seja, no "zeppelin de chumbo", todos tinham o mesmo espaço. Não à toa, todos os quatro integrantes costumam ser apontados como referências e frequentam as listas de melhores de todos os tempos elaboradas por seus pares e por críticos musicais.
Sem se alongar em tecnicismos, o livro se torna atraente a qualquer um que goste de música, principalmente pelas histórias de bastidores, fartamente ilustradas com belas fotos da época. Conta como Page, que já vinha de um outro grupo de sucesso, o Yardbirds (no qual tocaram Jeff Beck e Eric Clapton), selecionou o então desconhecido Robert Plant, jovem vocalista de uma banda universitária, o "maníaco" baterista "que gostava de tocar alto" John Bonham e o multi-instrumentista John Paul Jones, que o procurou após ler um artigo sobre o novo grupo de Page.
"Tínhamos, os quatro, personalidades e interesses muito diferentes, mas acredito que, de alguma forma, fomos reunidos pela divina providência para tocarmos juntos", definiu Page em uma entrevista concedida 35 anos após o primeiro ensaio conjunto, em 1968, no porão de uma loja de discos londrina. "Houve um tipo de silêncio aturdido, expectante. Nunca tinhamos tocado juntos e, de repente, estavamos reunidos e foi muito estranho, quase assustador. Tão bom que foi estranho. E esse aspecto permaneceu conosco do primeiro ao último dia".
Embora não seja correto afirmar que Page era "O" dono da banda, não dá para negar que foi ele sim o maior responsável pelo sucesso e erros do grupo, já que, além de selecionar os músicos e compor a maioria das canções, o guitarrista produziu ele próprio os oito discos de estúdio e um ao vivo lançados entre 1969 e 1978.
"Eu queria controle artístico total, porque sabia exatamente o que queria fazer com aqueles caras", diz Page sobre sua a "abordagem incomum" que adotou em seu novo projeto, três décadas antes do chamado rock independente comprovar ser sustentável.
A série de artigos entrevistas, análises e comentários de quase uma centena de pessoas (o escritor beatnik William Burroughs entre elas) reunidas no livro, também relembra as histórias e lendas geradas em meio às facilidades e exageros à disposição dos jovens astros ingleses. Os encontros com as fans durante as turnês (Uma das groupies favoritas de Page, Lori Maddox, tinha apenas 14 anos quando eles se conheceram. Nascido em 1944, Page devia ser uns quinze anos mais velho); as festas regadas à álcool e drogas; o vício; as perdas familiares; a bem-sucedida administração dos negócios (a cargo do quinto Zeppelin, o agressivo empresário Peter Grant, cuja ligação com "gângsteres" ou meros criminosos também ficou famosa), o que permitiu ao grupo ser o primeiro do show business a ter seu próprio avião...
Tudo já sugerido no imperdível filme de Cameron Crowe, Quase Famosos, de 2001.(Filme em que Crowe conta sua experiência pessoal de, com apenas 15 anos, ter acompanhado uma turnê do Zeppelin para escrever um artigo para a revista Rolling Stone)
O Zeppelin durou pouco mais de dez anos. Não sobreviveu à morte do baterista, supostamente asfixiado em seu próprio vômito ao dormir após ter tomado algo como 24 doses de vodka durante 24 horas. Durante o tempo que durou, seus integrantes inscreveram seus nomes no panteão dos mitos da música. Mais que isso. Criaram um gênero: a palavra heavy metal [metal pesado], segundo consta, foi aplicada pela primeira vez por um crítico para definir o som elétrico que os ingleses influenciados pelo blues norte-americano faziam.
Por isso mesmo, Whole Lotta Led Zeppelin é material obrigatório para quem curte rock.
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
O público brasiliense acolhe bem a novidade
Musicalmente falando, creio estar no lugar certo, na hora certa.
Impressão confirmada pelas minhas duas últimas idas a Santos, onde, ao chegar no Bar do Torto, me deparei com a mesma banda de sete anos atrás fazendo um cover de J.Quest e um dj tocando Rappa e Legião Urbana.
Nada contra estas bandas. Música não necessariamente tem data de validade (algumas têm) .O problema é que, em Santos e em vários outros lugares, o tempo parece ter parado. A ponto de a única rádio audível ser a KISS, com os clássicos do rock de há 30 anos.
A impressão é que, nestes lugares, programadores, músicos comodistas, donos das casas noturnas e o próprio público (que, como já escrevi aqui, adora aplaudir sua própria boa memória para refrões manjados) somaram forças para boicotar a nova música brasileira no momento em que a cena vive sua maior pujança. Quem gosta de música e se beneficia da internet sabe do que estou falando. Especialistas apontam: em nenhum outro momento a música brasileira foi tão diversa e rica. E, com certeza, não estão se referindo a Michel Teló ou ao sucesso descartável do próximo carnaval baiano.
Morando em Brasília, tudo isso salta à vista. A cidade que foi tida como a capital do rock nacional quando, nos anos 1980, o chamado BRock irrompia tímido nas rádios e tvs, hoje disputa com outras duas ou três (incluída Belém do Pará) o título de capital da boa música.
Graças à boas escolas de música, a um público não só receptível, mas ávido pelo novo e à mistura de gente de todo o país, cada um com seu gosto e suas preferências, aqui é possível ouvir muita música boa, E não apenas vinda de fora, mas também produzida na própria cidade, nos mais diversos gêneros. Do rap ao pop, tem pra todos, como provam Gog, Ellen Oléria, Móveis Coloniais de Acaju, Lucy and the Popsonics, Hamilton de Holanda, entre outros. Em seus respectivos gêneros musicais, cada um destes já atingiu algum grau de reconhecimento nacional.
Agora, porque volto a escrever sobre isso? Porque um fato que inclusive virou notícia no site G1 confirmou minha tese, reforçando ainda mais minha implicância com a cena santista.
Apenas poucos meses após lançar seu primeiro cd solo na internet (veja bem, somente na internet) o jovem cantor e compositor carioca CíceroLins faz hoje (9) seu primeiro show na capital federal, cidade com a qual não tem nenhuma ligação prévia e que sequer conhecia. Pois bem. OS INGRESSOS ESTÃO ESGOTADOS DESDE ONTEM, segundo a direção da casa onde ele se apresentará (Feitiço Mineiro). Tudo bem que é um espaço pequeno, intimista, adequado para Cícero apresentar as dez músicas do álbum Canções de Apartamento, mas, ainda assim, não deixa de ser sintomático.
Em Brasília, ao longo dos últimos anos, eu tive oportunidade de conhecer praticamente tudo o que anda rolando na cena musical brasileira. A oferta é tamanha que, algumas vezes, perdi a chance por falta de tempo, grana ou disposição. De qualquer forma, a cidade me deu esta perspectiva. Fora das rádios e dos programsa de auditório de nossas tvs, a música brasileira vive um ótimo momento.
Para baixar e ouvir o cd Canções de Apartamento e conhecer Cícero Lins, clique aqui.
terça-feira, fevereiro 07, 2012
O Cinema Iraniano Vai Muito Bem
Caramba!
Que filme.
Não há como não classificar como minimamente sensacional o filme iraniano A Separação, dirigido por Asghar Farhadi.
Excelentes interpretações. Direção envolvente. Roteiro livre de maniqueísmos. Uma história verossímil que, em sua simplicidade, é capaz de desvendar os absurdos da vida cotidiana: seja sob o jugo dos aiatolás, seja sob supostos regimes democráticos, "o inferno são os outros".
Separação, para mim, está muito além de tudo que já foi dito ou escrito sobre ele e entrou fácil na lista de meus melhores (na qual já há ao menos um outro título iraniano, `Salve o Cinema´)
Compartilho abaixo o trailler, mas adianto que o grande barato é assistir ao filme sem assistir ao trailler, que, inevitavelmente, entrega muitas das surpreendentes reviravoltas do roteiro.
Ah! A indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro? Bom, isso é detalhe... (ainda que sugestione muita gente que, de outra forma, jamais iria ao cinema para ver uma película iraniana). Se bem que um eventual prêmio por melhor roteiro original seja justíssimo.
domingo, janeiro 29, 2012
Quem quer cuscuz
Hoje é domingo, PEDE cachimbo, e estou com pregui. De forma que faço minhas as palavras do colunista da Folha de S.Paulo, Fabrício Corsaletti, sobre um tema que já gerou muita discussão entre mim e alguns conhecidos (incluindo uma ex-namorada que serviu um cuscuz na forma de farofa alegando que aquele sim era o legítimo manjar dos deuses), sobretudo aqueles que desconhecem a iguaria paulista. Quando os assuntos que deveriam ser sérios se tornam rasteiros, a melhor coisa a fazer é buscar o significado (e o prazer) da vida nas coisas comezinhas (simples, triviais, mas, também uma coisa boa de se comer. Percebem a riqueza vocabular? Te prepara Jabour)
FABRÍCIO CORSALETTI
A história é conhecida, está em todas as apostilas dos cursinhos pré-vestibulares, mas não custa relembrá-la.
Entre os séculos 17 e 18, os tropeiros que partiam da capital em direção ao interior do Estado, a fim de desmatá-lo, povoá-lo e inaugurar McDonald's, levavam nas suas bruacas ("cada um dos sacos ou das malas rústicas de couro cru usados para transportar objetos, víveres e mercadorias sobre bestas, e que se prendem, a cada lado, nas suas cangalhas, ou vão atravessadas na traseira da sela", segundo o Houaiss) farinha de milho com galinha, feijão, miúdos de porco ou baby beef.
Durante a viagem, a farinha absorvia os sucos dos alimentos e os ingredientes se misturavam, formando um virado mais tarde batizado de cuscuz paulista (do latim "cusciusus", ou seja, aquele que tem formato de bolo). Em pouco tempo o prato ganhou fama, e Minas Gerais fez a sua versão do cozido, menos massuda e acrescida de queijo canastra, torresmo e couve.
Em 1889, o marechal Deodoro, junto com os melhores cozinheiros do país, visitou o norte da África com a campanha "Yes, Nós Temos Cuscuz". Quando a comitiva passou pelo Marrocos, o rei Baba Sali, em êxtase, pagou trezentos ducados pela receita -da qual, cerca de um ano depois, já faziam parte a linguiça de carneiro, o grão-de-bico e a semolina. Dessa vez, não apenas o adjetivo -"marroquino" e não "paulista"- foi alterado; o próprio substantivo "cuscuz" ganhou nova grafia, "couscous".
Com essa roupagem, digamos, mais francesa, o couscous (ou cuscuz) conquistou Paris e hoje pode ser apreciado em inúmeros bistrôs da Rive Gauche e da Rive Droite (margens esquerda e direita, respectivamente) e inclusive entre elas, isto é, em pleno Sena, nos restaurantes dos sofisticados "bateaux mouches".
Não conheço Nova York, mas amigos viajados me garantem que nossa invenção culinária está prestes a ganhar as ruas de Manhattan, onde o hot dog ainda é rei.
E antes que eu me esqueça: a sardinha em lata só começou a ser usada no cuscuz durante a Segunda Guerra Mundial, época de escassez de alimentos frescos, como o camarão, e de abundância de alimentos enlatados, como a sardinha, que por sua vez rareavam no período colonial, sendo portanto privilégio das classes altas etc. etc.
Tudo isso pra perguntar o seguinte: por que é tão difícil comer, fora da casa da sogra, cuscuz paulista em São Paulo e relativamente fácil comer cuscuz marroquino? Por que não existe uma Casa do Cuscuz (sem TV, por favor)? Por que o cuscuz não é vendido nas padarias e nos botecos, como coxinha, esfirra, pizza e pão na chapa? Por que não há um único livro brasileiro de fotos e/ou receitas de cuscuz (nas minhas pesquisas no Google não encontrei nada além de títulos franceses e espanhóis)?
No dia em que souber as respostas, talvez eu entenda o Brasil.
sexta-feira, janeiro 27, 2012
"Reizinho" mimado
"Tio Rei"?!?!?!
Credo!
Que país é este?
Ou mais adequado seria dizer: que pobre rico estado é este onde o "reizinho mimado" obtém tanta atenção?
Ou mais adequado seria dizer: que pobre rico estado é este onde o "reizinho mimado" obtém tanta atenção?
(conheço-o há tempos, da revista em que escreve, mas, para minha surpresa, constatei que, fora de São Paulo e de alguns lugares do Sul, boa parte das pessoas não associa o nome à desagradável figura. E muitas das que sabem de quem se trata consideram-no indigno de sequer ter o nome mencionado)
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Artistas criticam truculência do Estado
fonte: Brasil de Fato
A cerimônia de entrega do Prêmio Governador do Estado para Cultura 2011, na terça-feira (24), em São Paulo, foi local de mais um protesto contra a truculência do Estado em operações policiais recentes.
Em seu discurso de agradecimento, os diretores do filme "Trabalhar Cansa", Juliana Rojas e Marco Dutra, que conquistou o prêmio, leram um manifesto de cerca de três minutos. No texto, eles criticaram os episódios de violência contra a população na Universidade de São Paulo (USP), na chamada área da "Cracolândia" e na ocupação urbana Pinheirinho, em São José dos Campos, interior paulista. Na plateia estava o governador do estado e alvo das críticas, Geraldo Alckmin (PSDB).
“Moção de repúdio à política do coturno em Pinheirinho
De um lado, pelo menos 1.600 famílias que lutam pelo direito de morar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), ocupação que tem oito anos de existência. Do outro, mais de 2.000 policiais militares e civis cumprindo ordens da Justiça Estadual e da Prefeitura de São José dos Campos, em favor da massa falida da empresa Selecta, pertencente ao mega-especulador Naji Nahas. Ainda que não houvesse outras circunstâncias agravantes no caso, já seria possível constatar que as instâncias dos poderes executivo e judiciário fizeram a opção, em Pinheirinho, pela lei que protege a especulação imobiliária, em detrimento do direito das pessoas à moradia. Vence mais uma vez a política do coturno em prol do capital.
De um lado, bombas, armas, gases, helicópteros, tropa de choque. Do outro, dois revólveres apreendidos. Não há notícia de que tenham sido usados. Uma praça de guerra é instalada – numa batalha em que um exército ataca civis. Não há plano de realocação das famílias. As que não conseguiram ou não quiseram fugir, ou receberam dinheiro para passagens para outras cidades, ou estão sendo mantidas cercadas, com comida racionada, como num campo de concentração. A imprensa não pode entrar no local, não pode fazer entrevistas, e os hospitais da região não podem informar sobre mortos e feridos. O que se quer esconder? O Governo do Estado lavou as mãos diante do caso, assim como o Superior Tribunal de Justiça. O Governo Federal tardou em agir. A chamada “função social da propriedade”, prevista na Constituição Brasileira, revelou-se assim como peça de ficção, justamente onde a ficção não deveria ser permitida.
Mais uma vez, o Estado assume o papel de “testa de ferro” para as estripulias financeiras da “selecta” casta de milionários e bilionários. A política do coturno em prol do capital vem ganhando espaço. Assim está acontecendo na higienização do bairro da Luz, em São Paulo, preparando-o para a especulação imobiliária; assim vem acontecendo na repressão ao movimento estudantil na USP, minando a resistência à privatização do ensino; assim acontece no campo brasileiro há tanto tempo, em defesa do agronegócio. Os exemplos se multiplicam. E não nos parece fato isolado que, hoje, a quase totalidade dos subprefeitos da cidade de São Paulo sejam coronéis da reserva da PM. Nós, trabalhadores artistas, expressamos nosso repúdio veemente a esse tipo de política. Mais 1.600 famílias estão nas ruas: a lei foi cumprida. Para quem?”
terça-feira, janeiro 24, 2012
Roberto Leal 8, Lady Gaga 0
O Blogger oferece a nós blogueiros um mecanismo bastante interessante que nos permite saber quais os posts (textos) mais acessados durante determinados períodos, o `caminho´ que o visitante fez para chegar ao blog (se, por exemplo, pesquisando uma determinada palavra no google) e o país de onde ele é.
Foi graças a este feedback (resposta), por exemplo, que eu descobri que um comentário meu havia sido citado na página do documentário José & Pilar, a respeito do escritor português José Saramago. Além de uma noção mínima de o quanto nossa vaidade e futilidade anda ecoando, a ferramenta também contribui com surpresas. Às vezes inesperadas.
Lady Gaga, por exemplo. Apontada como a rainha do pop, é um fenômeno internacional, não? Pois bem. Há 11 dias eu escrevi um texto (O Mundo Está Gagá) endossando a opinião de um jornalista português que considera a loira “um embuste” musical. Para minha surpresa, neste período, ninguém, NINGUÉM, acessou o SEMIFOSCO por ter pesquisado a expressão Lady Gaga no google. Já o texto Até Tu Roberto?!?, a respeito dos reality shows brasileiros, foi acessado ao menos uma vez durante os últimos oito dias. E, segundo as estatísticas, não por mencionar os programas Big Brother e Mulheres Ricas. Nããããooo! As pessoas chegaram ao SEMIFOSCO ao procurar no google notícias sobre ... Roberto Leal. Sim, o cantor português. Aquele do tiro-liro-liro. Aqui, doidão de chá de cogumelo em um programa da tv portuguesa.
Conclusão falsa: Roberto Leal 8 X 0 Lady Gaga.
O que, realisticamente, me leva à seguinte conclusão, esta sim mais próxima da realidade: fosse eu o Reinaldo Aze[ve]do, da Veja, acostumado a achar que o mundo é aquilo que quero ver da minha janela, diria que Roberto Leal é mais famoso que Lady Gaga.
O que, realisticamente, me leva à seguinte conclusão, esta sim mais próxima da realidade: fosse eu o Reinaldo Aze[ve]do, da Veja, acostumado a achar que o mundo é aquilo que quero ver da minha janela, diria que Roberto Leal é mais famoso que Lady Gaga.
E não é só isso. Ao longo da última semana, o segundo post mais acessado foi Basalto Que Emana dos Seus Poros..., sobre a cantora brasiliense Ellen Oléria (alguns dos acessos tiveram origem numa pesquisa sobre a baixista da banda que toca com Ellen, a Pret.Utu, Paula Zimbres).
segunda-feira, janeiro 23, 2012
"Enquanto o tempo acelera e pede pressa..."
"Eu achava que Renato Russo ia salvar minha vida"
"Não sei se a arte nos deve salvar, mas tenho a certeza de que pode nos
conduzir ao melhor que há em nós, para que não desperdicemos a vida"
v. h. mãe - Paraty (RJ) - 2011
Este post está equidistante entre o que virá e o que passou. Ou seja, trata da próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) quase seis meses antes das datas já anunciadas pelos organizadores (4 a 8 de julho) e resgata algumas lembranças da última edição quase seis meses após o fim da mesma.
A razão, ou melhor, a motivação, é que só agora encontrei o registro do momento em que o escritor português valter hugo mãe lê o texto que escreveu especialmente para o evento com a finalidade de explicar sua relação com o Brasil. Seguramente, um dos momentos mais aplaudidos em 2011. (Se ao tentar assistir o vídeo abaixo, aqui mesmo no blog, o som estiver baixo, veja-o diretamente no youtube clicando aqui)
Procurando pelo vídeo, acabei sabendo que o primeiro autor confirmado para aportar na cidade histórica do litoral fluminense este ano é o inglês Ian McEwan, de Reparação (adaptado com sucesso para o cinema) e do recente Solar. Será a segunda vez de McEwan em Paraty. A primeira foi em 2004, ano em que por lá também estiveram Rosa Montero, Paul Auster, Miguel Sousa Tavares, Martin Amis, Margaret Atwood, Agualusa, entre muitos outros, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Arnaldo Antunes. Bom ano.
E aí, revirando minhas coisas, achei três vídeos esquecidos desde julho de 2011. Não os publiquei na época devido a qualidade das imagens terem ficado ruim (sobretudo o último, de dois argentinos que atrairam atenção tocando em plena rua. Embora não dê para ver nada, gostei tanto da voz da cantora que achei que também valia a pena reproduzí-lo Suponho que se chamam Soledad e Juan Manoel, mas perdi as minhas anotações). Contudo, agora estão aqui.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Furacão Elis
capa da biografia escrita pela jornalista e amiga de Elis, Regina Echeverria
Trinta Anos Esta Noite.
E a pergunta que não quer calar: como teria evoluído a música popular brasileira caso a Pimentinha tivesse vivido mais alguns anos?
Primeiro porque Elis Regina não só É uma das maiores cantoras mundiais e a melhor intérprete brasileira de todos os tempos, como também porque todos reconhecem sua capacidade de identificar novos talentos e alçá-los à fama, gravando suas composições ou convidando-os para gravar com ela.
Até hoje, regravar uma música eternizada por Elis é um desafio para qualquer artista. Poucos são os casos em que sua interpretação não é considerada a versão definitiva. E muito artista bamba foi apadrinhado pela gaúcha no início da carreira. Milton Nasciomento, Ivan Lins, Renato Teixeira são alguns dos que me recordo agora. Fora o "síndico" Tim Maia, agraciado com a oportunidade de fazer com Elis um dos mais belos duetos de nossa história em These Are The Songs. (sobre o paradigma que a eficaz interpretação de Elis representa para outros intérpretes, compare a gravação da mesma música por Marisa Monte e Ed Motta)
Mas... se o dueto com Tim Maia é UM dos mais belos é porque o título de dueto mais memorável da MPB cabe, inquestionavelmente, à gravação de Águas de Março, de Tom Jobim, um de nossos hinos nacionais alternativos. Momento mágico que, de alguma forma, revela algo do que o país tem de melhor. E como amanhã (20) estreia o documentário A Música Segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos, nada mais oportuno que resgatar este clássico.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Até tu Roberto?!?
Assunto mais comentado pelos brasileiros nos últimos dias – menos pela Luisa, que está no Canadá – o suposto estupro de uma participante do programa Big Brother Brasil (BBB) vai ser tema do programa Ver TV, que irá ao ar no domingo (22) a tarde, na TV Brasil. Especialistas vão dizer que blá-blá-blá. No fim das contas, vai ficar tudo como sempre esteve - nenhuma sanção para a empresa concessionária responsável por levar ao ar as tais imagens polêmicas (quer elas sejam verdadeiras, quer não). Empresa autorizada pelo Estado a funcionar sob uma série de condições e exigências cujo cumprimento jamais é exigido.
O Ministério Público Federal em São Paulo já se manifestou. O Ministério das Comunicações já se manifestou. A Secretaria de Políticas para as Mulheres já se manifestou. O delegado já se manifestou. O Rafinha Bastou já se manifestou (“Seis meses depois: Piadas de estupro estão na boca do povo. Cheguei cedo, é isso?!”, escreveu ele no twitter). Quem falta? Ah, os patrocinadores que financiam esta porcaria.
Equivocada armação global para atrair mais atenção ou não, prefiro o episódio português. Roberto Leal doidão de chá de cogumelo em um reallity show luso era algo que eu não cogitava ver jamais. Muito mais original, convenhamos, que as pobres Mulheres Ricas sacudindo aquela taça de champagne até esquentar e perder o gás. (Ai! Que loucura. Se esta chuva e minha gripe não passar logo, sei não.)
Talvez só não chegue a ser tão inusitado quanto ver o maior colecionador de títulos do surf brasileiro de todos os tempos , o santista Picuruta Salazar, participando do reallity show da Record, Amazônia. De qualquer forma, tomara que a madrinha Naninha não veja este vídeo. A decepção poderia matá-la. (Ela é fã antiga do portuga. Já a mim este gajo nunca enganou. Basta ver a foto ao lado. Pra este lance de tiro-liro-liro a pessoa tem que ser muito doida, já havia demonstrado Amália Rodrigues)
Talvez só não chegue a ser tão inusitado quanto ver o maior colecionador de títulos do surf brasileiro de todos os tempos , o santista Picuruta Salazar, participando do reallity show da Record, Amazônia. De qualquer forma, tomara que a madrinha Naninha não veja este vídeo. A decepção poderia matá-la. (Ela é fã antiga do portuga. Já a mim este gajo nunca enganou. Basta ver a foto ao lado. Pra este lance de tiro-liro-liro a pessoa tem que ser muito doida, já havia demonstrado Amália Rodrigues)
terça-feira, janeiro 17, 2012
novas salas de cinema e mostras animam público brasiliense
O ano começou bem para os brasilienses que gostam de cinema. Ainda que boa parte das melhores opções sejam reprises, não dá para reclamar da oferta de bons filmes disponíveis neste janeiro chuvoso de cidade vazia.
Pra começar, aconteceu, no CCBB, a mostra “Clint Eastwood – clássico e implacável”, uma retrospectiva com 43 (!) filmes do ator e diretor norte-americano. Na sequência veio a mostra "De Bergman ao Moderno - Cinema Sueco", que reuniu no enorme Cine Brasília desde clássicos de Ingmar Bergman como Sétimo Selo e Gritos e Sussurros até algumas produções suecas recentes, caso de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, primeira parte da popular trilogia Millenium e cuja (desnecessária?) refilmagem norte-americana está prestes a chegar às telas. Além do bom público das sessões gratuitas, chamou a atenção a presença jovem. No final de semana, as sessões das 21h. pareciam o esquenta pra balada.
Na sexta passada, o até então renegado cinema do Shopping Liberty Mall reabriu após uma reforma de mais de dois meses, repaginado, rebatizado (agora se chama Cine Cultura Liberty) e prometendo qualificar a programação e manter o ingresso entre os mais baratos de Brasília (R$ 16 a inteira). No primeiro final de semana, foram exibidas uma produção francesa (Adeus, Primeiro Amor), uma alemã (Triângulo Amoroso) e o bastante comentado norte-americano O Espião que Sabia Demais. Pra turma da pipoca, Sherlock Holmes 2. Outra novidade é o Espaço Itaú de cinema, onde, pra minha surpresa (em Brasília eu ainda não tinha visto isso), há cerveja a venda na bomboniere e se pode entrar com ela na sala - fora a qualidade da programação: se ainda estiver em cartaz quando você por acaso ler isso, assista a O Conto Chinês (veja post)
E, hoje (17), teve início a mostra Lars von Trier. Praticamente toda a obra do cineasta dinamarquês será exibida até o dia 5 de fevereiro, parte no Cine Brasília, parte no CCBB, sempre na faixaonsiderado um dos diretores mais polêmicos e inovadores das últimas décadas, Trier é o diretor de, entre outros, Dogville, Manderlay e de Melancolia (este último foi exibido por duas vezes no Cine Brasília e teve gente que não conseguiu lugar, apesar da sala ser enorme). Alguns títulos da mostra são inéditos no Brasil.
Na mesma hora em que a projeção começava no Cine Brasília, outra mostra começava perto dali. Pra ser exato, no Espaço Cultural Instituto Cervantes, na 707 Sul, onde, até esta quinta-feira, o público pode rever, de graça, três dos principais títulos do diretor mexicano Alejandro Iñarritu (pela ordem da programação, Babel, 21 gramas e o violentíssimo e cultuado Amores Perros).
sábado, janeiro 14, 2012
"O Mundo está Gagá"
"Abandonar os preconceitos não é deixar de acreditar em valores"
A frase acima foi pinçada de uma excelente crítica do jornalista econômico português Tiago Freire sobre o sucesso mundial de Lady Gaga. No artigo Este Mundo Está Gagá, publicado na revista musical portuguesa Blitz, de setembro do ano passado, Freire conclui que a loira norte-americana, muito mais famosa por suas excentricidades midiáticas do que pelo conjunto de sua obra, é um "embuste" só relevante enquanto produto.
"Um mito global, supostamente musical, construído à base de 20 e poucas canções, nenhuma delas inovadora, nenhuma delas particularmente memorável, nenhuma delas merecendo sequer uma linha de rodapé na história da música pop"
É isso! Do alto de minha ignorância, mas dotado de um mínimo de bom-senso obtido graças a uma já considerável trajetória auditiva, várias vezes me questionei como uma artista cujo cartão de visita é a música Just Dance (primeira faixa de seu primeiro cd, cheio de modulações e sintetizadores) chega a se tornar o fenômeno mundial que a loira esquisita se tornou. A resposta, minha mesma trajetória como espectador me deu. E, lógico, ela é tão óbvia quanto o jornalista português aponta.
"Como é de pop que falamos, é evidente que nem tudo é (e muitas vezes, bem pouco é) acerca da música. É acerca da imagem, acima de tudo [...] Como tal, a única coisa que peço é: falem de Gaga que ela adora - e é para isso e só para isso que ela existe, mas não tentem legitimar uma gritante falta de originalidade e de talento através de apreciações musicais. Enquanto música, esta senhora é uma inexistência e sua relevância, por enquanto, é apenas enquanto produto. Assim como a Coca-Cola, que também vende camisetas, canetas e agendas com sua logomarca, embora nunca ninguém tenha dito que a Coca-Cola saiba cantar".
Embora possa soar a polêmica gratuita, a afirmação de Freire de que falta a Gaga originalidade e talento é precisa. Só deixando claro que o jornalista se refere à qualidades musicais, pois talento para criar factóides e se manter à tona a loira tem de sobra. De resto, quando vejo alguém dizer que Gaga trouxe alguma inovação para a música duas hipóteses me vem à mente: ou a pessoa tem menos de 25 anos ou então demorou muito a se interessar por música e pela cultura pop. Qualquer que seja o caso, acrescento que esta pessoa desinformada nunca se interessou pelo que a antecedeu e, portanto, não tem muitas referências.
Os vídeos de Gaga? Madonna só se tornou o que é graças ao surgimento da MTV e à consequente valorização e aprimoramento da linguagem audio-visual. Isso há 30 anos, quando poucos levavam à sério aquelas evoluções de ginástica aeróbica que, hoje, se confunde com dança. Gaga hoje se beneficia da evolução dos video-clips, embora o mérito maior seja do diretor e de sua equipe.
Atitude? Pesquise as biografias de Ella Fitzgerald, Nina Simone, Janis Joplin, Debbie Harry, Patti Smith, Chrissie Hynde, Elza Soares, Elis Regina e de tantas outras que, sem contar com as graças de produtores, tiveram que ralar muito para conquistar o direito de se dizerem cantoras. Orfã, Ella chegou a trabalhar como vigia de um bordel. Hoje, a Primeira Dama da Canção, como é chamada, é considerada a maior cantora do século XX. Para isso, no entanto, passou 59 anos sobre os palcos e em estúdios de rádio e de gravação. Já Gaga, como bem lembra Tiago Freire, passou a ser apontada como "a nova diva do pop" (no que já foi substituída por Adele, apesar de tudo, muito mais legítima) tendo lançado um único disco mediano, do qual eu, com alguma boa vontade, numa festa tocaria apenas Beautiful, Dirty, Rich ou The Fame (talvez também tocasse Poker Face para agradar aos amigos da mesma faixa etária já que este é o sucesso mais anos 80 das últimas estações e, como bem sabemos, o público gosta de aplaudir sua própria memória, daí o sucesso das festas revivals)
Ah, mas Ella, Nina, Janis e Elis estão ultrapassadas e construíram suas carreiras em um tempo em que "BASTAVA saber cantar bem", dirá a hipotética pessoa que considera Gaga inovadora. Já Debbie, Patti e Chrissie tomaram parte de uma cena em que dancinhas coreografadas não eram muito bem recebidas por seus público-alvo. Sinto informar, mas Gaga também não passa com louvor no quesito originalidade. Além de seguir em suas apresentações e vídeo-clips a trilha pavimentada por Madonna, a postura cool e performática lembra Grace Jones.
E por falar em Grace Jones, eis aí alguém realmente subestimado. O que, em última análise, pode ser um sintoma de como nos tornamos mais indulgentes já que, há três décadas, artistas muito melhores que Gaga não costumavam sequer ser merecedoras de críticas ou textos como este e, hoje, são lembrados por bem poucos. Em geral, por aqueles mesmos chatos que não enxergam nada demais em Gaga. Sinal dos tempos pop?
1 - (Talvez você, como eu até há bem pouco tempo, não tenha tido a curiosidade de ouvir os discos de Lady Gaga, sendo-lhe suficiente tomar conhecimento do último modelito de roupa ou penteado criado por seus estilistas. Se achar oportuno ouví-lo para tirar suas próprias conclusões, clique aqui)
2 - O artigo de Tiago Freire é uma resposta a um texto publicado um mês antes pela mesma revista portuguesa, escrito por Mary Rose, que assume, "orgulhosamente", ser uma little monster (monstrinha), que é como Gaga se refere aos seus fãs ("uma forma de diminuí-los emocionalmente e dar-lhes uma causa com que se identificar (o desajuste)", sustenta Freire). "A Mother Monster [Gaga] mudou a forma como encaro a Vida", aponta Rose, lembrando-no de que discussões como esta vão muito além do que parece já que vivemos todos sujeitos à cultura pop. "Gaga não é simplesmente um fenômeno pop que irá desvanecer ao longo do tempo. Não, ela representa a mudança, a esperança de um mundo sem preconceitos nem desigualdades, um mundo onde a diferença é aceita e valorizada, um mundo melhor. É provável que tudo isto não passe de um sonho, mas tenho a certeza que todos os Little Monsters estão empenhados em realizá-lo!" (tive uma demonstração deste mundo mais tolerante no último reveillón, durante uma festa estranha, com pessoas esquisitas, que não valorizaram meu set list composto por faixas lado B pouco conhecidas. Como disse, as pessoas amam aplaudir sua própria boa memória)
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