sexta-feira, outubro 12, 2012

Equívocos da Co...a

Conhecida por suas bem-acabadas e milionárias campanhas de publicidade, a Coca-Cola conseguiu, com uma estratégia que pode vir a se revelar equivocada, o que nem a antipatia contra a Fifa e contra os grupos de mídia mais poderosos do país havia conseguido até agora: catalizar a indignação de um segmento da sociedade contra a forma como vem sendo conduzida a organização da Copa do Mundo de 2014. 

Semanas após a Fifa apresentar ao mundo a mascote oficial do mega-evento esportivo, a marca de refrigerantes espalhou por dez das 12 cidades-sede dos jogos (só ficaram de fora Manaus e Natal) réplicas do simpático tatu-bola cujo nome ainda está sendo escolhido. Cada uma das cópias foi oportunamente instalada em locais de grande movimento, inclusive em pontos turísticos tombados como patrimônio histórico-cultural, caso da Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) (veja dois posts abaixo) e diante do Farol da Barra, em Salvador (BA). 

Muitos não viram problema algum na associação da empresa privada, patrocinadora oficial da Copa, com a "mascote" de um evento que está recebendo vultosas somas de recursos públicos na forma de reconstrução de estádios e obras de infra-estrutura que, embora bem-vindas e necessárias, estão sendo planejadas em virtude das necessidades e prioridades da organizadora do torneio, ou seja, a Fifa, e não da população. Muitos outros, contudo, ficaram indignados ao ver o espaço público loteado à iniciativa privada e, diante do boneco `vestindo´uma camiseta vermelha com a logomarca Coca-Cola, não demoraram a acusar a "privatização do espaço público".

O episódio mais violento até o momento ocorreu na semana passada, em Porto Alegre (RS), onde policiais militares chegaram a disparar balas de borracha contra centenas de manifestantes que tentavam `liberar´ uma praça.

A manifestação gaúcha parece ter sido o sinal para a abertura da temporada de caça ao tatu promocional. Passados dois dias, dois homens furaram a réplica instalada na Esplanada dos Ministérios (veja o vídeo no post abaixo). Conforme a Agência Brasil noticiou ontem (veja dois posts abaixo), o Iphan não tinha autorizado a instalação do boneco no local, que é tombado e reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade. O governo do Distrito Federal (GDF) sim autorizou, ainda que a legislação local proíba ou imponha uma série de condicionantes à exibição de publicidade em toda a área tombada. Cabe, neste caso, discutir quem infringiu a lei antes?

Após as ocorrências, que classificou como atos de mero vandalismo, a Coca-Cola diz estar estudando a reinstalação dos bonecos em Porto Alegre e em Brasília. Pasmem. A prefeitura gaúcha, segundo notícias de veículos locais, chegou a se oferecer para bancar o conserto do boneco (que, soube-se ontem, não foi estragado durante o tumulto, mas apenas esvaziado). 

Não sou especialista, mas creio que se eu fosse responsável pelo departamento de marketing da Coca, abortaria a ação promocional e deixaria o tatu-bola descansando em paz em algum galpão. Passada a Copa, quem sabe eles ainda não lustram a imagem chamando a mídia para registrar a doação das nove réplicas sobreviventes a instituições de abrigo de crianças e adolescentes como uma baita ação de responsabilidade social.

Para fundamentar meu conselho de leigo, vale verificar a `temperatura´ das redes sociais e reproduzir o comentário da internauta gaúcha Caroline Silveira Bauer, compartilhado por outras 1.025 pessoas no facebook e aprovado por 1.066 dos seus leitores. Boa reflexão.


Então, um espaço público e histórico de mobilizações sociais, batizado em homenagem a um opositor da ditadura civil-militar, companheiro de uma das mulheres mais combatentes pelo movimento feminino pela Anistia, é dominado, nos últimos tempos, por uma empresa privada, com o argumento da "revitalização do centro de Porto Alegre" - leia-se higienização, especulação imobiliária, etc. Ok.
Então, alertados pelo que havia acontecido na noite anterior, em relação ao Teatro da Opus e da Coca-cola - quer dizer, Araújo Viana - nada mais, nada menos do que QUINZE viaturas policiais, e o Grupo de Operações Especiais reúnem-se no largo, PARA PROTEGER UM BONECO INFLÁVEL. É importante esclarecer que este boneco inflável é um ser inanimado, bonitinho até, e se trata de uma propriedade privada. Ok, a polícia militar estava ali para proteger a propriedade privada - e a ordem política e social, por que não?
Então, um grupo de manifestantes, exercendo um dos seus principais direitos democráticos - o de protesto - e uma das principais virtudes contra governos autoritários - a desobediência civil - resolve retomar o largo, tornando-o, novamente, público. São atacados com a mais brutal violência, novamente equiparando-se a violência civil (plenamente legítima), com a violência do Estado, sua máquina, sua prática, seu terrorismo. Ok.
Vejo as mensagens e postagens de amigos que estavam lá, e que dizem que há feridos. Vejo fotos como esta e penso: a) existia policiamento, neste momento, na Redenção, local onde uma médica sofreu uma tentativa de latrocínio há dois dias? b) existiam rondas noturnas para assegurar a volta para casa de estudantes e trabalhadores para os quais o dia só termina as 23h?
Concluo que é necessário o fim das polícias militares, de governos que engulam suas revitalizações higienistas e especulatórias, e que os viúvos e as viúvas do relógio dos 500 anos aprendam, de uma vez por todas, que A PRAÇA É DO POVO, e que A BELEZA E O PROTESTO ESTÃO NA RUA.


quinta-feira, outubro 11, 2012

Exclusivo: Destruição de boneco da Copa foi filmada



O grupo que destruiu o boneco promocional da Coca-Cola que estava instalado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF), filmou parte da ação e disponibilizou o vídeo na internet. O registro mostra o momento em que dois homens com a cabeça coberta com camisetas se aproximam da cerca de proteção. Um deles salta a grade e atinge o boneco com um objeto perfurante.

Assinado com o codinome TatuMorto, o vídeo-manifesto explica que o ataque ao boneco inflável não foi um ato de vandalismo, nem um protesto contra a marca de refrigerantes que, na condição de patrocinadora oficial do mega-evento esportivo, associou sua logomarca à mascote oficial da Copa do Mundo 2014 - quando apresentado à nação, há poucas semanas, o boneco `vestia´ uma camiseta com as cores da bandeira brasileira e a logomarca da Copa, e não uma blusa vermelha com a inscrição Coca-Cola.

"O ato, na verdade, foi uma expressão de repúdio aos grandes opressores e oportunistas que estão por trás do evento da Copa do Mundo no Brasil", diz o texto que acompanha o vídeo. "Nós queremos futebol, mas queremos que o esporte seja a afirmação das nossas riquezas, a alegria do POVO, e não meio de enriquecimento ilícito de poucos e arma alienação em massa".

Assista o vídeo clicando sobre o link abaixo:

http://vimeo.com/51188937

Mascote destruído estava instalado na Esplanada dos Ministérios sem autorização do Iphan



Antes mesmo de ser destruído por desconhecidos na madrugada da última terça-feira (9), o boneco que ficou conhecido como mascote da Copa do Mundo de 2014 já corria o risco de ser removido da Esplanada dos Ministérios, na região central de Brasília.
Como a capital federal é tombada e considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, tanto a legislação nacional quanto a do Distrito Federal proíbem ou impõem condicionantes para a divulgação de publicidade ao longo da Esplanada dos Ministérios.
De acordo com a assessoria do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – entidade responsável por zelar e proteger os monumentos históricos e artísticos brasileiros, entre eles, o acervo arquitetônico e urbanístico –, o boneco foi instalado na Esplanada dos Ministérios sem autorização prévia do órgão, desrespeitando a legislação federal. Ainda de acordo com o Iphan, os técnicos já estudavam as medidas cabíveis.
Diferentemente do mascote apresentado pelo Comitê Gestor da Copa, que usava uniforme branco com os dizeres “Brasil 2014”, o boneco inflável instalado na Esplanada dos Ministérios usava uma blusa vermelha com a logomarca da Coca Cola, patrocinador oficial do evento esportivo. O boneco permaneceu no local por 15 dias.
A Brasal (fabricante da Coca-Cola no Distrito Federal e responsável pela execução da ação de marketing promocional) alega que recebeu autorização do governo do Distrito Federal para instalar o boneco. Apesar disso, o Iphan podia determinar que o boneco fosse retirado ou multar a empresa.  
Centro de decisão do poder político, onde estão instalados o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e os mais importantes prédios da administração pública federal, a Esplanada dos Ministérios concentra, além dos turistas que visitam a capital federal, um grande número de trabalhadores com alto poder aquisitivo.
Na semana passada, um boneco semelhante já havia sido alvo de protestos. Em Porto Alegre, centenas de manifestantes destruíram uma réplica do mascote durante um protesto contra a “privatização de locais públicos”. Acionados para proteger o boneco, soldados do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar entraram em confronto com os manifestantes, utilizando cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha. Várias pessoas, inclusive policiais, ficaram feridas durante o conflito.
Além de Brasília e Porto Alegre, cópias dos bonecos foram instaladas em mais oito cidades-sede dos jogos da Copa. Em Curitiba (PR), ele pode ser visto na movimentada Rua XV de Novembro, no Centro. Já em Salvador (BA), o boneco inflável está exposto diante de um dos principais cartões-postais da cidade, o Farol da Barra. Entre as 12 cidades que sediarão partidas do megaevento, apenas Manaus (AM) e Natal (RN) deixaram de receber os bonecos. Segundo a assessoria da Coca-Cola, por falta de acordo entre as fábricas e as autoridades locais.
Em Brasília, o boneco deveria permanecer na Esplanada até o próximo dia 14, quando seria transferido para uma via de acesso ao aeroporto, onde, se exposto, ficará por 21 dias. Em seguida, será instalado pelo mesmo período na Granja do Torto e, por último, na entrada da cidade de Taguatinga.  
O governo do Distrito Federal informou que a Administração Regional de Brasília autorizou a exposição do boneco por considerar a relevância da matéria para o Brasil e para a capital federal. Lembrando que a ação de divulgação ocorre, simultaneamente, em outras capitais que sediarão os jogos, o GDF defendeu que a iniciativa visa a engajar a participação da população brasiliense na realização do evento, que divulgará a cidade como destino turístico.
A Coca-Cola classificou a destruição dos bonecos como atos de vandalismo e garantiu ter cumprido todos os procedimentos indicados pelo GDF, a quem classificou de "parceiro" na instalação do boneco. A empresa adiantou que está avaliando o novo local e o momento em que voltará a instalar, na cidade, o boneco, "um símbolo de alegria e do espírito festivo do maior evento esportivo mundial".  

terça-feira, outubro 09, 2012

A Saudável Vida no Campo

Costa Rica de novo no blog?



Pois é, meu caro amigo Carlos Leite, tá pensando que é só você que pode ir a Costa Rica surfar e conhecer os destinos turísticos da capital, San Jose?

Eu, se não tenho milhas suficientes para viajar à América Central, vou como dá conhecer a Costa Rica sul-matogrossense, cujo antigo distrito, Paraíso das Águas, elevado à condição de município em 2003, só neste domingo realizou sua primeira eleição municipal.

Não deixa de ser Costa Rica. Ou melhor, não deixava de ser. Ainda que, em termos `urbanos´ tudo se resuma à avenida principal, de cerca de 300 metros de extensão. Um universo agrícola com cerca de 5 mil pessoas e entre 150 mil e 200 mil cabeças de gado. Onde não há internet, celular, hospital, cartório, agência bancária, delegacia, banca de jornal....Só que, em compensação, tem um povo hospitaleiro, divertido e educado.

sexta-feira, outubro 05, 2012

Os "substitutos da Vuvuzela" e os direitos intelectuais dos povos tradicionais



Eu já ouvi alguém dizendo que para conquistar a simpatia de um jornalista e, assim, conseguir uma reportagem mais favorável aos seus interesses basta ou criar um prêmio para dar as "melhores" matérias sobre o assunto de interesse ou então marcar uma coletiva para o horário do almoço e oferecer um farto buffet. Outra pessoa já me disse que um bloco de anotações e uma caneta são suficientes. Ninguém nunca tinha sugerido, no entanto, que um chocalho tocado por uma celebridade teria efeito semelhante sobre o "espírito crítico" de alguns destes profissionais. 

Depois de noticiarem acriticamente a instalação, em plena Esplanada dos Ministérios, do boneco do tatu-bola com a logomarca de um famoso refrigerante estampada no peito como "a chegada do boneco da Copa 2014 a Brasília" (veja alguns posts abaixo), os comunicadores voltaram a baixar a guarda ao serem apresentados aos "inspirados" futuros instrumentos musicais da Copa, a caxirola e o pedhuá. 

Nem com os próprios apresentadores dos dois objetos de plástico reconhecendo terem se inspirado no caxixi - instrumento de origem africana e, hoje, aparentemente considerado de domínio público - ou no pedhuá  - apito indígena usado para atrair aves e até hoje encontrado em feiras populares -, nem assim alguém ousou questionar se ambas iniciativas não se tratavam de uma mera cópia. Nenhum jornalista lembrou de verificar se isso não feria a lei de propriedade intelectual ou se os dois objetos, de fato, já estão patenteados. Ninguém questionou ao Ministério do Esporte se não seria mais razoável pensar numa forma de beneficiar artesãos e comunidades tradicionais ao invés de "empresas" que só há poucos meses demonstraram interesse pelo assunto. Aspectos que não passaram desapercebidos pelos internautas, que logo começaram a postar comentários deste tipo nas redes sociais e nos sites de notícias que divulgaram o assunto festivamente. A maioria dos dos internautas classificou os projetos como cópias ou oportunistas. Nem assim a imprensa bancou a discussão. Algo preocupante se pensarmos nos reflexos muito mais sérios que o evento esportivo pode criar, vide as denúncias de que moradores de áreas carentes estariam sendo removidos de suas casas para ceder lugar às obras da Copa. 

Oportunamente, foi a agência pública de notícias, a Agência Brasil, que é vinculada ao governo federal (mas é PÚBLICA) quem primeiro decidiu aprofundar a discussão em torno da aprovação do Ministério do Esporte a caxirola e ao pedhuá como instrumentos capazes de divulgar o Brasil para brasileiros e, principalmente, estrangeiros e o conflito com os direitos tradicionais e as formas de compensar as comunidades pelo uso de seus bens e manifestações. Saiu ontem. Até agora, pelo visto, a maior parte da imprensa considerou a discussão desnecessária. Para quem pensar diferente, vale a visita ao site da Agência Brasil:

Especialistas criticam reconhecimento do governo a instrumentos musicais para a Copa

O governo federal perdeu uma grande oportunidade de reforçar a importância do legado afroindígena para o país, analisam especialistas ligados à preservação e à promoção das culturas tradicionais e ao direito intelectual. Na semana passada, o Grupo Executivo da Copa do Mundo de Futebol de 2014 (Gecopa) incluiu a caxirola (uma espécie de chocalho) e o pedhuá (tipo de apito), instrumentos musicais inspirados em objetos centenários indígenas e africanos, entre os projetos privados que visam a promover o Brasil em função do evento. A decisão surpreendeu especialistas da área cultural.



Autores de projetos dizem que instrumentos musicais são inovadores e contribuem para o meio ambiente

Os responsáveis pelos projetos da caxirola e do pedhuá – os dois instrumentos musicais escolhidos pelo Grupo Executivo da Copa do Mundo de Futebol de 2014 (Gecopa) para representar e promover a imagem do Brasil por ocasião do evento esportivo – destacaram a importância do reconhecimento governamental a suas iniciativas e rebateram as críticas de que tentam se apropriar de objetos tradicionais africanos e indígenas de domínio público para faturar.

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-10-04/para-autores-de-projetos-instrumentos-musicais-sao-inovadores-e-contribuem-para-meio-ambiente


terça-feira, outubro 02, 2012

Cláudio Willer e a "geração beat" no Sebinho


Sebinho. O inapropriado diminutivo não dá conta do tamanho do lojão que ocupa todo o térreo e o subsolo do bloco C da 406 Norte, em Brasília. Muito menos do tamanho do acervo de livros, revistas em quadrinhos, cds, lps, dvd, vhs, camisetas, entre outros objetos culturais acumulados ao longo de 26 anos, tudo disposto em infinitas prateleiras. Pra arrematar, há ainda um café-restaurante bem sortido (embora não muito barato) que costuma ficar cheio do meio da tarde até o a noite e um auditório de tamanho razoável.

Hoje (2), o Sebinho recebeu o poeta, ensaísta e tradutor Cláudio Willer, autor do livro A Geração Beat (LP&M) e tradutor de importantes obras, como a coletânea Escritos de Antonin Artaud (ei! peraí! onde foi parar o meu exemplar? quem está com ele?)

Willer veio a capital federal falar sobre a poesia e a rebelião na geração beat (ah, vá! Eu já falei bastante aqui neste blog sobre o grupo de escritores que, a partir de 1950, romperam com o cânone literário, anteciparam em dez anos movimentos culturais como o hippie e do qual a obra mais popular é o livro On The Road, de Jack Kerouac, que inspirou o filme Na Estrada, de Walter Salles). 

E como ficou claro ao fim de duas horas, quando se trata de geração beat, o problema de Willer não é a falta de assunto, mas sim o contrário. Falta é mais tempo para ele apresentar todos seus argumentos necessários a convencer aqueles que ainda não estão certos do valor literário não apenas da obra de Kerouac, mas de outros beats, como o grande poeta Allen Ginsberg, autor de Uivo ("vi os expoentes de minha geração destruídos pela loucura / morrendo de fome, histéricos, nus / arrastando-se pelas ruas do bairro negro...")

"Kerouac é um autor colossal que até hoje paga uma enorme preço por ter escrito a obra máxima [da ficção] segunda metade do século XX. Obra que inspirou rebeliões e que, por isso mesmo, é atacada até hoje por críticos que não aceitam a confusão entre a vida e a poesia. Ele tinha uma enorme sensibilidade auditiva e sua escrita, bem como trechos de outros autores beat, são exemplos de uma escrita caracteristicamente polifônica, em que os autores buscam uma linguagem que extrapole a lógica do discurso aristotélico", disse ao falar do autor de On The Road. 

Sobre Ginsberg: "Ginsberg conseguiu ser expulso da Tchecoslováquia e de Cuba, ao mesmo tempo em que era vigiado e considerado suspeito pelo FBI e por Hoover. Não fossem a cirrose e o conseqüente câncer que o matou, teria, hoje, 85 anos. Estaria no front, participando dos debates políticos deste milênio. Estaria marchando em Wall Street, junto com o Occupy"

Como não poderia deixar de ser, tão logo o microfone foi aberto para que a plateia fizesse perguntas, veio a inevitável questão sobre o que Willer achou do filme Na Estrada, de Salles. "Um filme baseado em qualquer obra literária sempre é algo arriscado porque o filme estará sujeito a duplo julgamento: do filme por si próprio e da comparação com o livro. Há cenas belíssimas, bons atores - embora o ator principal, que interpreta Kerouac, tenha sido mal escolhido - e o roteiro tenha conseguido resolver certas coisas de maneira muito eficiente. Mesmo assim, achei que ficou faltando algo".  

segunda-feira, outubro 01, 2012

Cosmópolis - Pattinson definitivamente não é De Niro


Alguém aí pode me explicar sobre o que, afinal de contas, trata Cosmópolis, filme de David Cronenberg atualmente em cartaz e estrelado pelo `vampiro´ de quem Kristen Stewart tirou o sangue , Robert Pattinson. Não entendi lhufas. (talvez por puro desinteresse, fastio com este tipo de filme cabeça pretensioso. E olha que eu gosto muito do trabalho do Paul Giamatti e da Juliette Binoche). De qualquer forma, acho que não fui o único a não compreender o filme.
"Jovem bilionário passeia pelas ruas de Manhattan, de limusine. No caminho, depara-se com uma galeria de personagens e situações bizarras" - sinopse do Correio Braziliense

"A odisseia de 24 horas de um jovem investidor multimilionário que decide cortar o cabelo do outro lado de Manhattan, num dia em que raivosas manifestações anticapitalistas tomam as ruas" - sinopse do Estado de S. Paulo

Embora não falte quem o considere genial, eu fico com sua aparente fonte de inspiração: Taxi Driver, com Robert De Niro no papel principal.

 

sábado, setembro 29, 2012

Criolo Volta a Tocar Em Brasília

Pouco mais de quatro meses após fazer um elogiadíssimo show que levou cerca de 12 mil pessoas a lotarem o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, o músico Criolo voltou a se apresentar na capital federal, nessa quinta-feira (27).


Dessa vez a apresentação aconteceu em local de mais fácil acesso - a praça do Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, ao lado da rodoviária e do metrô. E foi antecedida pelo show de Marcelo Jeneci. Ainda assim, o público foi menor. Um pouco devido à forte chuva que caiu logo após o horário previsto para o início dos shows, mas principalmente porque era quinta-feira. Apesar do folclore, em Brasília a galera trabalha no dia seguinte.


A chuva atrasou toda a programação do evento, o Celebrar Brasília (que, em anos anteriores, trouxe à cidade Moby e Gothan Project). Agendado para as 21 horas, o rapper paulistano, principal atração da noite, só pisou no palco as 23h55. E não bastasse a impaciência e o cansaço de parte do público, o som, inicialmente, esteve bem ruim. Muito baixo, escondeu o punch, a pegada da banda que acompanha Criolo. Quem estava mais para trás mal ouvia a voz do cantor, que dirá alguns dos instrumentos. E, putz!, como havia gente longe do palco. Os organizadores do evento (Celebrar Brasília) decidiram reavivar a infeliz prática de reservar parte do espaço para o público `vip´. Tá certo que qualquer um poderia ser vip, bastando, para isso, trocar um aparelho eletrônico velho por uma entrada, mas a iniciativa separatista não se justifica já que o espaço é público.


Atrasado e com o som deixando a desejar, Criolo pediu desculpas já ao fim da segunda música. Disse que não sabia de quem era a responsabilidade pelo atraso, mas que qualquer que fosse o motivo, a demora excessiva era um desrespeito com quem dependia de ônibus ou metrô para voltar para casa. "A maioria", arriscou o paulistano. Àquela hora, no Plano Piloto? Desconfio que não, mas isso não importa e não invalida a bronca do rapper, já que o atraso, mesmo com a chuva, foi excessivo.


Agora, se com tudo isso contra, Criolo conseguiu reverter o jogo e conquistar a plateia ao fim das quatro primeiras músicas....é um claro indício do quanto o cara é bom. Mesmo que longe de repetir a epifania que foi a apresentação de abril, no CCBB, Criolo fez valer a espera e as poucas horas de sono de quem, como eu, tinha que acordar cedo no dia seguinte.

Homenagem com Sonrisal


Pois é, Gugu. É soda, Flavinho! Tá vendo isso aí de cima, Leitão? Se liga só, Caito. Sacou, Clay? 

Nossa escassez de recursos e falta do que fazer nos levou a sermos vanguarda sem nunca termos desconfiado. E quem sabe só não chegamos próximos a isto por não termos ondas assim (nem mesmo no outside, que dirá na areia), nem essas pranchinhas leves e aerodinâmicas. Aliás, sequer esse nome gringo, skimboard, nós conhecíamos. 

Quando a coisa não passava de um passatempo de garotos desocupados, a atividade era conhecida como sonrisal. "Vamo andá de sonrisal?" era a senha para nos mandarmos para a praia carregando pesados retângulos de madeira compensada com  algo como 70 por 50 centímetros. Depois, como não tínhamos onde guardar nossos "brinquedos", os deixávamos encostados em algum canto do prédio em que morávamos. Só para, no dia seguinte, descobrirmos que os faxineiros tinham jogado fora "aquelas tábuas encharcadas". E lá íamos de novo à procura de compensados novos que precisávamos serrar e lixar para tirar um pouco das farpas (vivíamos com farpas de madeira enterradas nas mãos). 

Como não contávamos com ondas como as do vídeo, não tardamos a descobrir que podíamos improvisar pequenas rampinhas com os mesmos madeirites que usávamos como  `pranchinhas´. Elas, as rampas, só não podiam nem ser muito extensas para que não ficássemos pela metade, nem pouco para que a inclinação não ficasse muito acentuada. Obtida a equação correta, bastava mantê-las molhadas e enceradas que, com algumas sorte e habilidade, conseguíamos saltá-las a toda pouca velocidade possível Às vezes o resultado era catastrófico (quem foi mesmo que destroncou ou quebrou um braço da primeira vez que tentou?). 

Nunca soube de onde veio o nome sonrisal (que não fomos nós que inventamos), nem porque. Não sei quando isso chegou a Santos e não me lembro quem de nós descobriu que dava para brincar de graça. Ainda assim, até hoje tenho viva a lembrança do quanto me diverti naqueles finais de tarde na praia. Mesmo não tendo vingado a ideia minha e do Gugu de publicarmos o primeiro fanzine do bairo (quiça, do mundo) sobre sonrisal.

quinta-feira, setembro 27, 2012

Gaz Coombes Presents...

SURPRESA! Tremenda homenagem feita pelo ex-vocalista da banda Supergrass, Gaz Coombes, que aproveitou sua passagem por Brasília - onde, no início do mês, tocou no festival Porão do Rock - para colher as imagens que agora ilustram o vídeo oficial da bela White Noise.

Deixem o menino jogar




Fato: no último dia 16, Neymar foi punido com um cartão amarelo ao comemorar o gol que marcou contra o Coritiba. Com isso, desfalcou o Santos no jogo seguinte, contra a Portuguesa.

Fato: Com apenas 20 anos, Neymar carrega nas costas a responsabilidade de ser o grande nome da apática equipe formada por Mano Menezes. No último amistoso da seleção canarinho, contra a África do Sul, em São Paulo, não foi poupado, tendo sido um dos mais vaiados, atrás, apenas, do técnico, criticado pelo resultado (o Brasil venceu por 1 a 0).

Fato: para os torcedores de times adversários, a super-exposição de Neymar na mídia, justificada ou não, não só cansa, como pode gerar certo ressentimento. Chamam-o de pipoqueiro, de firuleiro, de cai-cai, etc,etc,etc... A saudade do futebol alegre de outrora? O estímulo aos jogadores criativos? Puf! Isso é bom no discurso.

Daí a reação ...




O G.R.C. TORCIDA JOVEM DO SANTOS, vem através desta pedir uma reflexão de todos esportistas brasileiros e amantes do bom futebol. Os últimos acontecimentos nos deixam indignados com a perseguição e injustiça ao atleta do Santos Futebol Clube e da Seleção Brasileira  “Neymar Jr”. Todos podemos notar uma campanha nacional contra o craque depois da palhaçada que aconteceu no jogo da seleção no morumbi. Essas vaias que estão acontecendo é, de fato, uma homenagem, pois através de seu talento, gols e títulos - se tornando o maior vencedor de sua geração - e tudo mais o que conquistou, Neymar passou a ser um rival para todos. Só que, junto com as vaias, está vindo a perseguição de parte da mídia e da arbitragem, deixando de marcar inúmeras faltas e dando cartões até quando o jogador extravasa sua alegria através de sua magia e suas comemorações contagiantes. Cabe a nós , torcedores do Santos Futebol Clube e amantes do bom futebol, sairmos em defesa do nosso ídolo, pois, mais que nunca, temos esse dever. Vamos exaltá-lo e aclamá-lo a cada vaia, a cada crítica oportunista e maldosa que a mídia fizer. Temos que sair em sua defesa, pois a covardia e o oportunismo não poderão prevalecer [sic] à criatividade, arte, talento e dedicação que ele tem para com o Santos Futebol Clube!
Neymar Jr. - OUSADIA E ALEGRIA:
 
PEDIMOS DESCULPA AS OUTRAS TORCIDAS, MAIS SÓ NÓS TEMOS O NEYMAR!!!

terça-feira, setembro 25, 2012

As mentiras que os homens contam


O Tio Rei, ontem (24), extrapolou em sua função de bem-desinformar seus leitores. Vejam o que escreveu o ideólogo dos reaças ao responder recente texto publicado pela psicanalista Maria Rita Kehl, que criticou a ação da polícia paulista e a política de segurança pública do governo de São Paulo (texto com o qual discordo, não pela opinião em si, mas por considerar sua divulgação inoportuna, já que Maria Rita integra a Comissão Nacional da Verdade, tendo uma missão, portanto, muito mais importante para o país do que ficar discutindo com os tucanos) 

"É simplesmente mentira — uma mentira escandalosa! — que o regime militar tenha “massacrado milhares de camponeses e índios”. Isso não aconteceu. Não há menor evidência de que tenha acontecido. Não há indícios. Não há fatos. Não há pessoas reclamando os corpos. Não há, atenção!, nem mesmo boatos"

Não há indícios? Não há boatos?? Será porque as cinco mil páginas resultantes das investigações de uma comissão de inquérito e que formavam o Relatório Figueiredo `sumiram´ oportunamente em um incêndio no edifício-sede do antigo Ministério do Interior? Ou será que o instruído Tio Rei nunca ouviu falar das denúncias feitas por funcionários da própria Funai a respeito do extermínio dos waimiri-atroari durante a construção da BR-174? Será que o Reinaldo Azevedo (gostaria de não escrever seu nome, mas tem hora que é necessário apontar o diabo) sabe o que se passou em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, onde ainda hoje os índios que lutam para reaver as terras tradicionais de onde foram expulsos para dar espaço a grandes fazendas são mortos? Será que o colunista tem alguma dúvida de que a política desenvolvimentista da segunda metade do século passado acelerou o processo de aproximação com grupos indígenas que viviam isolados e que, por isso, morreram contagiados por doenças do homem civilizado? 

Se ele desconhece isso - e se vocês, meus três leitores também desconhecem - sugiro que acesse este link. É a cópia do relatório e as conclusões da Comissão Parlamentar  de Inquérito  (CPI) destinada a apurar denúncias relativas à invasão de reservas indígenas. TREZENTOS E OITENTA E QUATRO páginas de "indícios" de desmandos, corrupção e violência institucional. Instalada em 1978 (durante o regime militar), não é coisa de "petralhas", como diria o Tio Rei aos seus sobrinhos.


segunda-feira, setembro 24, 2012

Verde, Amarelo, Azul e...Vermelho



Jogo do Grande Acerto. Identifique a diferença entre as duas figuras abaixo. A primeira, divulgada há pouco mais de uma semana, para cativar o público. A segunda, tirada de um boneco que ficará instalado sabe-se lá por quanto tempo em um ponto privilegiado da cidade com maior poder aquisitivo do país para...divulgar a beleza do Congresso Nacional, ao fundo.




"Até o início dos anos 1970, os logotipos em roupas geralmente ficavam escondidos discretamente colocados na face interna dos colarinhos. No final da década, quando o mundo da moda se rebelou contra o brilho aquariano, a roupa do country-club tornou-se o estilo de massa para os novos pais conservadores e seus filhos mauricinhos. Em meados dos anos 1980, o logotipo aos poucos passou de uma afetação ostentatória a um acessório de moda e o tamanho da logomarca inflou de um emblema de dois centímetros para uma tenda do tamanho do peito. Os logos passaram a ser tão dominantes que transformaram seus fieis adeptos em bonecos ambulantes. Em meados dos anos 1990, empresas como Nike, Polo e a Tommy Hilfiger estavam prontas para levar a marca ao patamar seguinte: não mais simplesmente conferir suas marca a seus produtos, mas também à cultura externa - ao patrocinar eventos culturais, elas podiam sair pelo mundo e utilizar vários desses eventos como postos avançados. Para essas empresas, o branding não era apenas uma questão de agregar valor ao produto. Tratava-se de cobiçosamente infiltrar ideias e iconografia culturais que suas marcas podiam refletir ao projetar essas ideias e imagens na cultura como "extensões" de suas marcas [...] Embora nem sempre seja a intenção original, o efeito do branding avançado é empurrar a cultura que a hospeda para o fundo do palco e fazer da marca a estrela. Isso não é patrocinar cultura, é SER a cultura. E por que não deveria ser assim?".  

Naomi Klein - Sem Logo, A Tirania Das Marcas Em Um Planeta Vendido

ELLEN OLÉRIA - THE VOICE BRASIL

O Brasil começa a conhecer Ellen Oléria


Estava demorando, mas já era de se esperar. Antiquados, paquidérmicos e às voltas com outros interesses que não os artístico-culturais, os veículos tradicionais demoram a captar a energia que se avoluma nos subterrâneos e que, em algum momento, irrompe através dos vasos comunicantes das novas mídias. Pior. Na maioria dos casos, eles retardam que essa fértil `lava´ venha à tona, ocupando o espaço com seus apaniguados e suas invenções. 

Veja o caso da cantora brasiliense Ellen Oléria e de sua comentada apresentação em um novo programa musical global exibido ontem. Há tempos o Semifosco e muita gente que entende do riscado a aponta como uma das maiores revelações musicais dos últimos tempos.

"Devagar, devagarzinho, essa menina vai: ampliar seu fã-clube para além de Brasília, consolidar seu trabalho, fazer sucesso e se firmar como uma das boas surpresas da nossa música. Ellen Oléria está pronta. E, aos poucos, mais gente além do público brasiliense vai descobrindo isso". 

Escrevi isso em junho do ano passado, quando o vídeoclip de Testando estreou na MTV e eu já era fã de carteirinha de Ellen há algum tempo. De lá pra cá, a `negra´ carne-dura só melhorou. A ponto de, hoje, na capital federal, já não ser nem mais vista como uma revelação, mas sim como um dos melhores artistas da música brasileira da atualidade. A Globo e seu público, contudo, ainda não a conhecia, ocupados que estavam com "ai se eu te pego". 

Ontem, contudo, a julgar pela repercussão nas redes sociais, parte da energia sísmica da brasiliense foi captada durante a exibição do programa que tem Ellen entre os candidatos a ser "The Voice" brasileira. Leiam os comentários dos internautas no vídeo da apresentação postado no youtube. "Macapá toda enlouqueceu com essa voz...os bares lotados ficaram estarrecidos". Por que demorou tanto?

Boa forma de entretenimento e, principalmente, de captar dinheiro dos anunciantes, o programa é uma besteira em seu propósito de "descobrir" um novo grande artista. Primeiro porque, como eu já escrevi aqui ao falar sobre o Ídolos de 2009 , "é preciso ser muito ingênuo para acreditar que participar ou até mesmo vencer um programa de auditório baste para transformar alguém na nova estrela da música popular". Depois porque este tipo de programa não "descobre" nada. No máximo ele `amplifica´ o alcance da voz do artista, acelerando seu reconhecimento país a dentro. A própria Ellen, por exemplo, já lançou um elogiado disco que pode ser ouvido de graça na rádio uol, teve videoclips exibidos na MTV e se apresentou em diversas capitais e festivais. 

De qualquer forma, é melhor ocupar a grade com isso que com Big Brother e similares. É melhor para o grande público saber que há artistas como Ellen e outros de seu nível do que ficarmos imaginando que tudo se resume a Ivete Sangalo. Duro é ver Cláudia Leite e Daniel os julgando.

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Chutando Cachorro Morto



Classe média são os outros.
Político é a mãe.
Mau gosto vem de berço.
Preconceituoso é o vizinho.
Culpado é o sistema.
Bandido bom é bandido morto.
Todo mundo desperdiça.
Todo mundo rouba.

Ninguém é responsável.
Cada um que expie sua inocência.

sábado, setembro 22, 2012

Saca?



"A direita é ultrarreacionária porque a esquerda é ultraconservadora. Mesmo durante o período eleitoral, o debate ideológico é muito restrito. Vivemos uma situação muito díspar. Algumas pessoas se acham super-contemporâneas, mas vivem fora da realidade. Enquanto isso, a máquina está moendo [corpos e almas]. O mote destes tempos é: Don´t hate the business. Be the business. Por isso que, entre os reacionários e os pseudoanarcos, eu prefiro assistir Carrossel"

Cristiano Navarro, jornalista, vídeo-documentarista e caiçara

Vidas Secas


O brasiliense viveu ontem seu dia de Gabriela extasiada diante d´água.

Após 95 dias, ou seja, três meses e cinco dias de seca, voltou a chover de verdade na capital federal. Na hora, pessoas correram até as janelas e se puseram a comemorar. Juro que um vizinho meu chegou a aplaudir. Acho até que o Governo do Distrito Federal só não estourou fogos porque o Ministério Público anda de olho neste tipo de festa com o erário. Vai que um procurador metido a besta se põe a questionar se melhor não seria aplicar o recurso em obras de infraestrutura  que evitem alagamentos, engarrafamento e a interrupção no fornecimento de energia elétrica.

Chuviscos já haviam ocorrido, na véspera, em algumas cidades satélites, mas , ontem a noite,  São Pedro não se fez de rogado. Mandou logo um temporal.

A primeira chuva da temporada caiu poucas horas antes do início oficial da primaver, mas as cigarras ainda não deixaram seus buracos e deram as caras.

sexta-feira, setembro 21, 2012

Metade dos internautas não conhece Preta Gil


Metade dos internautas não conhece Preta Gil

Do Semifosco 

Pesquisa realizada pelo Instituto Semifosco (veja ao lado direito) revela que 50% dos internautas consultados não conhecem a cantora Preta Gil, mesmo ela sendo filha de Gilberto Gil e presença constante em programas de auditório.

Realizada ao longo de dez dias na internet, a enquete perguntou aos entrevistados se eles conhecem ao menos o refrão de alguma música da Preta Gil.

Metade dos que responderam à pesquisa assinalou a opção “quem?”, revelando desconhecer ou não lembrar quem é a artista e não estar disposta a consultar o google para saber. Vinte e cinco por cento dos entrevistados responderam que amam a cantora e conhecem suas músicas, embora não lembrassem a letra. Os 25% restantes disseram apenas que não a conhecem.

A opção que citava trecho de uma música gravada pela sensação paraense Gaby Amarantos (Ex-my love, ex-my love, se botar teu amor na vitrine, ele nem vai valer 1,99) não recebeu nenhum voto. O objetivo da `pegadinha´ era tentar identificar se os internautas confundem as duas artistas. Os coordenadores da pesquisa não responderam se o fato de ninguém ter optado por esta resposta é um indício de que o sucesso alcançado pela `Beyoncé do Pará´ impede tal confusão.

Segundo o perfil dos entrevistados, a ignorância a respeito da existência de Preta Gil é maior (75%) entre os que não assistem ao programa Amor e Sexo, da tv Globo, ou leem a revista  Nova. A pesquisa também avaliou a rejeição da cantora entre os que responderam conhecê-la e identificou que ela é maior (99,85%) entre os eleitores do deputado federal Jair Bolsonaro.

A margem de erro é de 2%. No total, foram ouvidas 4 pessoas. Duzentos e noventa e seis pessoas não quiseram responder. O resultado está registrado em cartório.