fotos: Marcello Casal / Agência Brasil

Em toda Santa Cruz, a votação ocorreu no dia 4 de maio. Outros três dos nove estados bolivianos também já agendaram as datas para realizar semelhantes consultas. Em Pando e Beni a votação está prevista para ocorrer no próximo 1 de junho. Já em Tarija, a consulta deverá acontecer no dia 22 do mesmo mês.
Na prática, os estatutos autonômicos são espécies de Constituições estaduais que, em vigor, delegariam mais poderes aos governantes locais, hoje, resumidos nas figuras dos prefeitos (governad

Em Santa Cruz, 85,5% dos votos válidos aprovaram a autonomia. Ocorre que, segundo a própria Corte Departamental Eleitoral de Santa Cruz (responsável por organizar a consulta a pedido do prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, sem o aval do Conselho Nacional Eleitoral, que declarou a iniciativa inconstitucional), enquanto 14,4% dos eleitores habilitados votaram contra o estatuto autonômico, o índice de abstenção chegou a 37,9%.
Como tinham estimulado os cruzenhos a não comparecerem às urnas para que não validassem uma consulta que não fora convocada pelo Congresso Nacional e que organismos internacionais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) não reconheciam como legítima, os líderes da campanha contra as mudanças contabilizam os quase 38% de ausentes aos que rechaçaram o estatuto autonômico votando pelo “não”. Com o resultado, sustentam o que Morales classificou como “um fracasso rotundo” da campanha autonomista. Juntos, os votos no não e abstenções totalizam 52,4% dos votos.
De qualquer forma, os números só comprovaram a divisão da sociedade cruzenha, o que, por sua vez, seria um indício do que está ocorrendo em maior ou menor grau em toda a Bolívia.



Em Santa Cruz, os que votaram a favor da proposta de autonomia criticam o que classificam como excessivo poder de La Paz, capital do país. Em sua quase totalidade, se opõem ao governo de Morales e às mudanças estruturais que este propõem, como a reforma agrária. Alegam ser favoráveis à descentralização das decisões políticas e econômicas como forma de permitir que os estados decidam onde e como investir os recursos a que têm direito.
Para os que se opõem ao estatuto, a iniciativa visa desestabilizar o governo de Morales e significa, na prática, uma quase declaração de independência. À frente deste grupo estão os

Estes afirmam que os estados não podem assumir a competência exclusiva por temas como educação, saúde, segurança pública e até a prerrogativa de aprovar convênios internacionais. O ponto mais controverso, no entanto, é a possibilidade de os governantes estaduais administrarem os recursos naturais existentes em seus territórios e a propriedade da terra, estabelecendo o tamanho, características e parâmetros de cumprimento das funções econômica e social da terra.

Um dos líderes do movimento pró-autonomia, o fazendeiro Branco Marinkovic negou a intenção de separar Santa Cruz do restante do país e de enfraquecer politicamente a Morales. “Este nunca foi um movimento pela independência do estado. E não tem nada que ver com o governo de Morales. Este é um processo de muitos anos e que chegou ao seu ápice agora, mas que poderia acontecer com qualquer outro presidente”.

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